Categoria: Música

ROBERTA SÁ E NEY MATOGROSSO – “PEITO VAZIO”

CARTOLA ELIFASAngenor de Oliveira, o Cartola – ao lado, no traço de Elifas Andreato – é um caso especial em nossa música popular. Homem de origem e vida modestíssimas, que cursou apenas o primário, ele era ao mesmo tempo um poeta e compositor sofisticado. O apelido, Cartola ganhou quando trabalhava como servente de pedreiro e usava um chapéu-coco para se proteger do sol e do cimento que caía de cima.

Autor de clássicos da MPB, Cartola só gravou o seu primeiro disco em 1974, quando já tinha 66 anos. E aos 67 anos, quando a maioria das pessoas já está rezando para o mundo acabar em barranco e já não produz muita coisa, Cartola produziu obras primas como “Cordas de Aço”, “As Rosas Não Falam” e “O Mundo é Um Moinho”, músicas que integraram seu segundo disco, gravado em 1976.

No mesmo disco, Cartola gravou outra jóia: “Peito Vazio”, que pode ser apreciada no vídeo abaixo. A belíssima  interpretação  – com Roberta Sá, Ney Matogrosso e o Trio Madeira Brasil – faz parte do DVD “Pra Se Ter Alegria” (2009) da cantora potiguar, nascida em Natal(RN) aos 19 de dezembro de 1980, ou apenas 20 dias depois da morte de Cartola (30 de novembro de 1980). Vale a pena conferir:

 

GILBERTO GIL EXPLICA “CÁLICE”

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Muita gente imagina que a música “Cálice” seja uma composição de Chico Buarque e Milton Nascimento, os intérpretes da gravação original de 1978. Na verdade, a ideia de “Cálice” – surgida em uma Sexta-Feira da Paixão – foi de Gilberto Gil, que a levou ao Chico no dia seguinte para, juntos, compor a canção.

O refrão (Pai, afasta de mim esse cálice…) é de Gil, assim como a primeira estrofe (Como beber dessa bebida amarga…) e a terceira (De muito gorda a porca já não anda...). Chico escreveu a segunda estrofe (Como é difícil acordar calado…) e a quarta (Talvez o mundo não seja pequeno…).

Na primeira apresentação, em um evento chamado Phono 73, promovido pela gravadora Polygram, a censura do regime militar deu um jeito de calar Gil e Chico: os microfones do espetáculo foram desligados assim que eles começaram a cantar. Por conta dessa experiência, Gil não cantou mais “Cálice“.

Censurada, a música – composta num Sábado de Aleluia, em 1973 – só foi liberada cinco anos depois, quando Chico e Milton, com o acompanhamento luxuoso do MPB4, a gravaram. No vídeo abaixo, Gil explica como foi o processo de composição de “Cálice” e a dificuldade que ele tinha em falar dessa música:

 

 

PREFEITOS DA REGIÃO COMPARECEM A SHOW DE ROBERTO CARLOS, EM FERNANDÓPOLIS

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O novo show de Roberto Carlos passou por Marília(quarta-feira), Presidente Prudente(sexta-feira) e Fernandópolis(sábado). A agenda do “rei” marca mais algumas apresentações no Brasil e depois o show vai para Portugal. Agora, a notícia da Coluna do Diário, no Diário da Região:

O show de Roberto Carlos no sábado à noite em Fernandópolis acabou com as diferenças geopolíticas na região. Até o prefeito de Votuporanga, João Dado (1º à esq.) esteve na cidade rival para prestigiar o “rei”. Não só ele, mas os prefeitos de Santa Fé, Ademir Maschio, e o de Jales, Flá Prandi. Foram recebidos pelo prefeito André Pessuto e pelos deputados Gilmar Gimenes e Fausto Pinato.

Muita gente de Jales esteve em Fernandópolis no sábado, 1º de abril, para ver o show de Roberto Carlos, incluindo o ex-prefeito Pedro Callado e a ex-primeira dama Lúcia Callado. O empresário Edmílson Lázaro, fã do “rei, também esteve por lá, acompanhando da esposa Viviane. RC, no entanto, não cantou a música predileta do Edmílson, “O Côncavo e o Convexo“, gravada em 1983.

O Roberto Carlos costuma dizer, em seus shows, que “as três melhores coisas da vida são: primeiro, sexo com amor; segundo, sexo; e terceiro, sor-ve-te. Depois do sexo, perfeito…”. É possível, no entanto, que, às vésperas de completar 76 anos (19 de abril), o “rei” já esteja preferindo muito mais o sorvete do que uma boa performance ao estilo côncavo-convexo. De qualquer forma, eis a música:

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HÁ 34 ANOS, MORRIA CLARA NUNES

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Clara Nunes perdeu os pais quando ainda era criança e foi criada por três de seus seis irmãos. Adulta, acalentou o sonho de ser mãe, mas, depois de três abortos, teve que se submeter a uma cirurgia para retirada do útero.

No dia 05 de março de 1983, ela se submeteu a outra cirurgia, dessa vez de varizes, mas acabou tendo uma reação alérgica à anestesia e sofreu uma parada cardíaca. Depois de 28 dias internada em uma UTI, Clara Nunes faleceu no dia 02 de abril, com 40 anos.

No vídeo acima, Clara interpreta “Morena de Angola” (Chico Buarque), um de seus grandes sucessos. E o texto abaixo é da Agência Brasil:

claranunesEra para ser uma simples cirurgia para retirada de varizes, mas complicações no procedimento levaram à morte prematura da cantora Clara Nunes, em 2 de abril de 1983. Mineira de Paraopeba, Clara Francisca Gonçalves Pinheiro foi uma das mais importantes vozes femininas da música brasileira. O samba e a forte influência dos ritmos e religiões africanos foram a principal marca de sua música, ainda hoje celebrada.

A carreira de Clara Nunes começou cedo. Aos 10 anos ganhou um concurso musical da sua cidade – o prêmio era um vestido azul.  Ao longo de toda a carreira participou e venceu diversos concursos musicais, incluindo os organizados pelas rádios e os grandes festivais. Já acumulava uma certa fama nas rádios e emissoras de televisão mineiras, onde chegou a apresentar um programa. Em 1965 mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a se apresentar em vários programas de TV, como o de Chacrinha.

Antes de ingressar no mundo do samba, Clara cantou principalmente boleros. Seu primeiro disco foi gravado em 1966: A Adorável Voz de Clara Nunes.  Em 1968 gravou o disco Você Passa e Eu Acho Graça, seu segundo álbum na carreira e o primeiro onde cantaria sambas. A faixa-título foi seu primeiro grande sucesso radiofônico.

O álbum Clara Nunes (1971) produzido por Adelzon Alves é considerado um marco na carreira da cantora, o “disco da virada”, com um repertório escolhido por ela, só de sambas. Em 1972, Clara atingiu a marca de 100 mil cópias vendidas com o compacto da música Tristeza, Pé no Chão. A marca era inédita para uma cantora feminina e quebrou o tabu de que mulheres não tinham grande capacidade de vendagem.

A incursão pelo mundo do samba levou Clara Nunes a nutrir uma grande paixão pela Portela, escola de samba carioca. Aos poucos a mineira se aproximou da escola, frequentava as rodas de samba e reforçou os laços com a Velha Guarda da Portela. Se tornou madrinha do grupo e gravou diversos sambas-enredo para a escola. Entre eles Ilu Ayê, no carnaval de 1972, considerado um dos mais belos sambas-enredo portelense. No dia 2 de abril de 1983, o seu corpo foi velado por mais de 50 mil pessoas na quadra da Portela.

BABY DO BRASIL – “MALANDRO”

baby aragãoNo vídeo abaixo, um dos melhores momentos do projeto Sambabook, que já revisitou as obras de João Nogueira, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e, por último, dona Ivone Lara. Nele, a nova baiana Baby do Brasil – ex-Baby Consuelo – canta um samba de Jorge Aragão (“Malandro”), utilizando alguns recursos vocais muito parecidos com o estilo Elza Soares de cantar.

Não deve ter sido por acaso a escolha de Baby para cantar esse samba ao estilo de Elza. Afinal, foi com “Malandro” que, em 1976, Jorge Aragão – ex-integrante do grupo Fundo de Quintal – despontou como compositor, graças a Elza Soares, a primeira cantora a gravar esse samba que já mereceu várias regravações. Certamente que a de Baby é uma das mais belas.

Com quarenta anos de estrada, Aragão é autor de clássicos do samba, como “Enredo do Meu Samba“, “Logo Agora” e “Coisinha do Pai“, música em homenagem à filha Vânia, que, na voz de Beth Carvalho, tocou até em Marte (foi a música que acordou o robô Mars Pathfinder, lembram-se?).

Jorge Aragão é, também, um dos autores de um samba que muita gente canta, mas não sabe de quem é: o tema da Globeleza, da TV Globo (“… na tela da TV, no meio desse povo, a gente vai se ver na Globo…). Confiram, agora, a performance da Baby:

CAETANO, GIL E IVETE SANGALO – “SUPER-HOMEM – A CANÇÃO”

Em março de 1979, Gilberto Gil – que ainda morava na Bahia – estava hospedado na casa de Caetano Veloso, no Rio, e, numa noite ouviu do amigo, que acabara de chegar do cinema, um relato entusiasmado do filme “Super-Homem“. Caetano narrou, empolgado, o momento em que o Super-Homem muda o movimento de rotação da terra para poder voltar o tempo e salvar a namorada. Depois, foram dormir, mas…

“Mas eu não dormi. Estava impregnado da imagem do Super-Homem fazendo a Terra voltar por causa da mulher. Com essa ideia fixa na cabeça, levantei, acendi a luz, peguei o violão, o caderno, e comecei. Uma hora depois a canção estava lá, completa. A canção foi feita, portanto, com base na narrativa do Caetano. Como era ‘Super-Homem – O filme’, resolvi botar o nome de ‘Super-Homem – A canção’.”

Sobre a “porção mulher”, Gilberto Gil explica que “muita gente confunde essa música como apologia ao homossexualismo, e ela é o contrário. A intenção foi mostrar o feminino como complemento do masculino e vice-versa; o masculino e feminino como duas qualidades essenciais ao ser humano”.

No domingo passado, uma amiga queria ouvir no programa que apresento lá na Regional FM – O Brasil & Cia – a versão de “Super-Homem – A canção” com Caetano, Gil e Ivete Sangalo. Como eu não tinha, fiquei devendo. E, como sei que ela acompanha o blog, estou postando o vídeo de 2012, em que os três cantam a música de Gil:

 

JOYCE CÂNDIDO – “SAUDOSA MALOCA”

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Um dia desses, o amigo José Favaron – corintiano e apreciador da MPB, como eu – me mostrou um vídeo que ele recebeu através do whatsapp, no qual a Joyce Cândido, da nova geração de cantoras, interpreta “Saudosa Maloca“, do Adoniram Barbosa. “Essa moça canta muito“, comentou o Favaron. 

E canta mesmo! Em janeiro de 2014, escrevi um post (aqui) sobre a Joyce Cândido, cujo trabalho eu conheci através do jalesense Celiomar Trindade, que, naquele ano, me presentou com um DVD da artista, autografado por ela, com dedicatória e tudo. Mas, afinal, qual a ligação do Trindade com a Joyce?

A ligação se chama Mário Martinez, poeta uraniense, amigo do Trindade e da Joyce. Em 2007, com 24 anos, a Joyce cantou uma música do Mário no Festival de Música de Paranavaí(PR) e ganhou o prêmio de melhor intérprete. Depois, ela foi para os Estados Unidos, onde, em 2011, ganhou um prêmio como melhor cantora brasileira em atividade nos States.

De volta ao Brasil, foi recomendada à gravadora Biscoito Fino por ninguém menos que Chico Buarque. E o CD gravado por ela na Biscoito Fino – “O Bom e Velho Samba Novo” – teve a participação especial do João Bosco, entre outros. Convenhamos, não é para qualquer cantora começar a carreira apadrinhada assim, por dois gênios da música. Abaixo, o vídeo em que ela canta “Saudosa Maloca“.

“ASA BRANCA”, O HINO NORDESTINO, COMPLETA 70 ANOS

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A gravação de “Asa Branca”, o hino não oficial do Nordeste, e um dos maiores clássicos de todos os tempos da MPB, completou 70 anos na sexta-feira, 03. A toada – que tem versões em dezenas de idiomas, inclusive em japonês e coreano, e é familiar a brasileiros de qualquer região – soava tão estranha naquele tempo que foi motivo de gozação em cima de Gonzaga, pelos músicos do Regional do Canhoto, que participaram da gravação, em 3 de março de 1947.

Para eles, “Asa Branca” era a mesma coisa que cantiga de cegos nordestinos, pedindo esmola na rua. Fizeram uma fila, um deles com uma vela acesa, cantando a música. O episódio foi contado pelo autor da letra, o advogado cearense Humberto Teixeira, que Gonzagão conheceu no Rio de Janeiro.

Além de ser alvo de gozação dos músicos, “Asa Branca” não mereceu muita atenção do pessoal da gravadora RCA, que a colocou no lado B de um compacto simples. O lado A foi ocupado pela hoje esquecida marcha junina Vou pra Roça (Luiz Gonzaga/Zé Ferreira).

Poucas canções da MPB têm tantas versões. “Asa Branca” – uma espécie de pomba brava que foge do sertão ao pressentir sinais de seca – vem voando há décadas, indiferente aos modismos musicais, tendo sido gravada tanto pelo pessoal do iêiêiê quanto pelos tropicalistas. O maluco beleza Raul Seixas, por exemplo, gravou uma versão em inglês, que pode ser conferida no vídeo abaixo, com tradução: 

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A toada de Gonzagão não foi sucesso só no Brasil. Ela ganhou também o reconhecimento internacional e, no final dos anos 60, surgiu um boato – que não passou disso, um boato – de que até os Beatles cogitavam gravar “Asa Branca”. Boatos à parte, o clássico nordestino ganhou as mais variadas – e até curiosas – versões no mundo inteiro. Nos vídeos abaixo, algumas dessas versões:

Versão japonesa:

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Versão senegalesa:

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Versão chinesa:

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E pra fechar, a versão Demis Roussos. No Youtube, é possível encontrar versões de Asa Branca em italiano, francês, alemão, etc:

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MARIA RITA – “NÃO DEIXE O SAMBA MORRER”

Originário de São Paulo, o samba “Não Deixe o Samba Morrer” poderia ser a prova definitiva de que Vinícius de Moraes estava errado sobre Sampa ser o “túmulo do samba”. Poderia. Em verdade, não obstante ter sido composto por aqui, o samba é de autoria de dois modestos compositores baianos – Edson Gomes da Conceição e Aloísio Silva – à época radicados na capital paulista.

Lançada por Alcione, em seu primeiro disco – “A Voz do Samba“, de 1975 – a música fez sucesso em 1976. “Não Deixe o Samba Morrer” foi, por sinal, uma das duas músicas escolhidas pela própria Alcione para seu primeiro disco. A outra, foi “Etelvina Minha Nega”, de autoria do pai da cantora.

Todas as demais dez canções foram escolhidas pelos produtores, mas nenhuma caiu tão bem no gosto popular quanto “Não Deixe o Samba Morrer“, um samba de versos simples que, segundo os entendidos, impressiona pela qualidade da melodia.

O sucesso de Alcione foi tamanho, logo em seu primeiro disco, que a Rede Globo a convidou para apresentar um programa televisivo com o nome de “Alerta Geral”. Bons tempos aqueles em que “Alerta Geral” era o nome de um programa musical. Foi também o nome do segundo disco de Alcione, de 1976.

No vídeo abaixo, nada de Alcione. Afinal, os prezados e poucos leitores deste modesto blog já devem ter visto a “Marrom” cantando esse samba várias vezes. Apreciem a performance de Maria Rita – a filha da Elis – cantando “Não Deixe o Samba Morrer”:

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“SEM FANTASIA” – CHICO BUARQUE E MARIA BETHÂNIA

chico e bethânia ao vivoHoje, domingo, é dia de Brasil & Cia, na Regional FM. No domingo passado, uma amiga – a professora Maria Helena – ligou lá na Regional dizendo que gostaria de ouvir “Sem Fantasia”, com o Chico Buarque e a Maria Bethânia.

“Sem Fantasia”, uma música pouco tocada nos tempos atuais, é uma das minhas preferidas da obra do Chico. E ela não está entre as minhas preferidas por acaso. Essa canção era uma das 12 do LP “Chico Buarque – Volume 3”, de 1968, um dos primeiros discos que comprei na antiga Livraria Marisa e, certamente, um dos que mais ouvi em meu velho aparelho Grundig.

Na versão original, a de 1968, Chico, então com 24 anos, cantava com uma de suas irmãs, Cristina, seis anos mais nova que ele. Por sinal, Cristina só se tornou conhecida do grande público em 1974, quando gravou o seu maior sucesso – “Quantas Lágrimas” – um samba de Manacéia, compositor da Velha-Guarda da Portela.

A versão do vídeo abaixo, com Chico e Bethânia, é do show Noite Luzidia, gravado no Canecão, em 2001. Essa não foi, porém, a primeira vez que eles cantaram, juntos, “Sem Fantasia”. A primeira vez foi em 1975, na série de shows que ambos fizeram, também no Canecão, e que virou o disco “Chico Buarque e Maria Bethânia ao Vivo”, cuja capa pode ser vista lá em cima.

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