Categoria: Música

ADRIANA CALCANHOTTO – “ELA DISSE-ME ASSIM”

Lupicínio Rodrigues, gremista fanático (ele foi o autor do hino do Grêmio de Porto Alegre) foi um de nossos mais inspirados compositores e ficou conhecido como o rei da dor-de-cotovelo. Nos dias de hoje, diriam que ele foi quem melhor transformou a sofrência em música. E o que é melhor: ele escrevia suas canções inspirado em seus próprios desencontros amorosos.

É certo, também, que, se tivessem sido compostas nos tempos atuais, algumas de suas canções desagradariam as feministas. É o caso de “Judiaria“, em que ele bota uma ex-amada para correr, dizendo que “estou lhe mostrando a porta da rua para que você saia sem eu lhe bater”. Enfim, a vida amorosa do velho Lupe parecia ser mais movimentada que a do Ronaldinho Gaúcho, que, nesta semana, reatou com suas duas namoradas oficiais.

“Ela Disse-me Assim” é um samba-canção clássico que, segundo Lupicínio, foi inspirado em um de seus romances proibidos. O compositor, que morreu em 1974, foi para o andar de cima sem revelar detalhes, mas os versos não deixam nenhuma dúvida sobre a natureza do episódio. Só ficou faltando mesmo os nomes dos outros dois protagonistas.

Composta em 1959, “Ela Disse-me Assim” foi lançada ainda naquele ano por Jamelão e se transformou no maior sucesso da carreira do cantor (e puxador de samba da Mangueira), que, segundo o próprio Lupicínio, era quem melhor interpretava suas composições.

Clássico da MPB, a canção de Lupicínio já mereceu várias releituras. Maria Bethânia, Simone, Joanna, Nelson Gonçalves, Emílio Santiago e Cauby Peixoto estão entre aqueles que já revisitaram “Ela Disse-me Assim“. Uma das releituras mais recentes é a de Adriana Calcanhotto – gaúcha, como Lupe – em show que homenageou o compositor.

Se o prezado leitor ou a estimada leitora tiver um tempinho a mais, poderá ver a Adriana cantando “Judiaria”, aqui (vale a pena, é curtinho). Abaixo, o vídeo em que ela canta “Ela Disse-me Assim”: 

MIÚCHA, A IRMÃ DO CHICO E EX-MULHER DO JOÃO, SERÁ SEPULTADA HOJE

O velório da cantora Miúcha começará às 12h desta sexta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. A cerimônia será apenas para amigos e familiares. O sepultamento está marcado para às 16h30.

Do jornalista e crítico musical Mauro Ferreira, no G1:

Heloísa Maria Buarque de Hollanda (30 de novembro de 1937 – 27 de dezembro de 2018), a cantora e (eventual) compositora carioca conhecida como Miúcha, saiu de cena no fim da tarde de ontem, na cidade natal do Rio de Janeiro, aos 81 anos, sem o devido reconhecimento.

Miúcha foi cantora interessante e deixou discos relevantes, mas sempre pareceu ser mais conhecida como a irmã de Chico Buarque. Ou a ex-mulher de João Gilberto. Ou, a partir dos anos 2000, a mãe de Bebel Gilberto.

Nada mais injusto. Quem identificava Miúcha somente pelos nobres laços familiares da artista provavelmente ignorava que ela foi a única cantora que gravou, em 1977 e em 1979, dois álbuns de estúdio com ninguém menos do que o soberano Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994). Sem contar um terceiro, ao vivo, gravado em 1977 em show antológico que juntou Tom e Miúcha com a dupla formada na década de 1970 por Vinicius de Moraes (1913 – 1980) com Toquinho.

Mais tarde, em 1989, foi Miúcha quem deu voz a quatro músicas de Guinga – com letras de Paulo César Pinheiro – em disco lançado anos antes de Guinga ser descoberto pelos críticos musicais e alçado à condição de gênio da MPB.

Miúcha nunca fez questão de ser moderna, de seguir as modas musicais, e nisso sempre foi bem parecida com o irmão Chico Buarque. Miúcha gostava de cantar e gravar músicas de Tom Jobim, de Vinicius de Moraes e do próprio Chico, claro.

Miúcha deixa uma obra. Uma obra iniciada com compacto editado em 1975 e que inclui disco de 1976 assinado com o saxofonista norte-americano de jazz Stan Getz (1927 – 1991) e com João Gilberto. Uma obra que, por contingências do mercado fonográfico, perdeu o impulso da fase inicial 1975-1980 até ser retomada com regularidade nos anos 2000 com o ingresso da cantora na gravadora Biscoito Fino.

De todo modo, para a maior parte do público, talvez Miúcha continuará sendo a irmã do Chico, a ex-mulher do João e até mesmo a mãe de Bebel.

Azar de quem nunca abriu os ouvidos para escutar com atenção gravações precisas, feitas com suavidade e sem afetações. Gravações como as da canção fraterna Maninha (Chico Buarque, 1977) e da valsa Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes, 1960), da qual Miúcha fez em 1977 o melhor registro, aliás.

Miúcha sai de cena. Mas o canto da artista há de ficar para a posteridade e de ter o devido valor reconhecido no futuro. Ou talvez a morte da cantora a faça receber postumamente as flores que quase nunca lhe deram em vida.

No vídeo abaixo, Miúcha e Chico cantam “Maninha“. Antes, Chico explica que a música foi inspirada em uma infância imaginária.

ANAVITÓRIA E NANDO REIS – “N”

O duo Anavitória é uma das boas novidades da música brasileira dos últimos três anos. O nome do duo é a junção dos nomes de Ana Clara Caetano Costa, de 24 anos, e Vitória Fernandes Falcão, que fará 24 anos em maio de 2019.

Elas estudaram na mesma escola, em Araguaína, no Tocantins, mas só foram descobrir a afinidade musical mais tarde, quando já eram universitárias – Ana fazia Medicina e Vitória cursava Direito – e passaram a gravar vídeos interpretando canções de seus artistas favoritos. Um desses vídeos, de 2015, virou fenômeno da internet e as tornou conhecidas.

Em 2016, elas lançaram o primeiro CD – “Anavitória” – que levou o duo a ser indicado em duas categorias do Grammy Latino. Elas ganharam o prêmio na categoria “Melhor Canção em Língua Portuguesa”, com a música “Trevo”.

Sérgio Martins, crítico musical da revista Veja descreveu o estilo delas como “folk fofinho”, acrescentando que se trata de uma variante suave do rock rural que, nos anos 70, era representado pelo trio Sá, Rodrix e Guarabyra. Mas há quem diga que elas representam uma nova MPB, que mistura o estilo com funk, rock, folk, etc.

Em agosto deste ano, as meninas lançaram o segundo CD – “O Tempo é Agora”, gravado nos EUA – e ainda celebraram o lançamento do filme “Ana e Vitória”, uma comédia romântica inspirada nas músicas e em alguns aspectos reais das vidas de Ana Clara e Vitória.

Antes, em junho, o Anavitória se juntou ao ex-Titã Nando Reis para uma mini-turnê que passou por cinco cidades com um show comemorativo ao Dia dos Namorados. No vídeo abaixo, eles ensaiam para o show, cantando “N”, uma das mais belas canções de Nando.

ISOLDA, COMPOSITORA DE “OUTRA VEZ”, FALECE AOS 61 ANOS

Isolda Bourdot, que compôs alguns dos sucessos de Roberto Carlos – incluindo o maior deles, “Outra Vez” – deixou este mundo cruel no domingo, 16, a poucos dias de completar 62 anos. Ela está sendo velada nesta terça-feira, 18, em São Paulo, cidade onde nasceu.

A primeira música da dupla Isolda-Milton Carlos gravada por Roberto Carlos foi “Amigos, Amigos”, no disco de 1973. Em 1976, a dupla emplacou duas músicas – “Pelo Avesso” e “Um Jeito Estúpido de Te Amar” – no disco de Roberto Carlos, um feito raríssimo, já que o Rei dava preferência para suas próprias composições em parceria com o Erasmo.

Milton Carlos, que era irmão de Isolda, não teve muito tempo para comemorar o feito. Ele – que compôs e cantou sucessos como “Samba Quadrado”, “Memórias do Café Nice” e “Último Samba Canção” – faleceu ainda em 1976, com apenas 22 anos, em um acidente de carro na Via Nhanguera. Ele tampouco chegou a ouvir a releitura de “Um Jeito Estúpido de Te Amar”, regravada por Maria Bethânia em 1977, em interpretação que realçou a dramaticidade da canção.

Mesmo abalada com a morte do irmão, Isolda sentiu-se comprometida em continuar compondo para Roberto Carlos. Em uma noite de 1977, inspirada por uma conversa sobre ex-namorados, ela – então com 20 anos – começou a compor uma música em um bar e a terminou em casa, ainda naquela mesma noite. Nascia um clássico romântico: “Outra Vez”.

Apesar de marcada pelos sucessos que fez para Roberto Carlos, Isolda compôs também para outros artistas, como Joanna (de quem foi parceira em algumas músicas), Simone (que gravou a belíssima “Sou Eu”, parceira de Isolda com Eduardo Dusek) e Alcione (que canta “O Pior é Que Eu Gosto”).

Conhecida como compositora, Isolda foi também cantora bissexta e deixou um único disco gravado. “Tudo Exatamente Assim” é o nome do CD que ela gravou em 2006, com 12 músicas de sua autoria, 11 delas inéditas. A única não-inédita era exatamente “Outra Vez”, que abriu o CD. No vídeo abaixo, o prezado leitor poderá, se quiser, ouvir Isolda cantando seu maior sucesso.

MILTON NASCIMENTO – “MARIA, MARIA”

A melodia de “Maria, Maria” foi composta por Milton Nascimento em 1976, para integrar a trilha sonora de um balé do Grupo Corpo. Fernando Brant, autor do roteiro do balé, inspirou-se nas mulheres negras de nome Maria que trabalharam em sua casa, quando ele, ainda criança, morava em Diamantina.

Sem letra, “Maria, Maria” era cantada por Milton à base “lá-lá-lás”. Até que, em 1978 – depois que o Grupo Corpo já tinha excursionado pelo Brasil e até pelo exterior – Milton cismou de pedir a Brant que fizesse uma letra para que a música fosse incluída em seu próximo disco.

Para Brant foi moleza. Segundo o livro “A Canção no Tempo”, Brant compôs os versos de “Maria, Maria” durante o intervalo de um jogo do Brasil na Copa do Mundo de 1978, aquela em que a seleção brasileira foi, nas palavras de seu técnico, Cláudio Coutinho, a “campeã moral”. Explico: nossa seleção não perdeu nenhum jogo e foi desclassificada no saldo de gols depois de um jogo suspeito em que a Argentina goleou o Peru, cujo goleiro, um peruzeiro, era argentino.

Deixemos, porém, o Cláudio Coutinho de lado e voltemos a “Maria, Maria”, que foi gravada ainda em 1978 e tornou-se um dos destaques do famoso disco Clube de Esquina 2. A música foi um marco na carreira de Milton que, a partir dela, passou a ser conhecido em toda a América.

No clipe abaixo, com a participação das atrizes Zezé Mota e Camila Pitanga, a versão mais recente de “Maria, Maria”.

ELBA RAMALHO E DOMINGUINHOS – “DE VOLTA PRO ACONCHEGO”

O falecido cantor e compositor Dominguinhos (José Domingos de Moraes 12/02/1941 – 23/07/2013) não gostava de viajar de avião, de modo que, para cumprir sua movimentada agenda de shows, passava muito tempo nas estradas.

Por conta de suas prolongadas jornadas longe da família, resolveu que deveria compor uma música inspirada no prazer de voltar para casa – ou seja, pro seu aconchego – e reencontrar mulher e filhos. Compôs um baião e encomendou ao seu parceiro, Nando Cordel, uma letra com o tema do retorno ao lar.

Música pronta, Dominguinhos a enviou em uma fita para Elba Ramalho, que estava escolhendo músicas para um disco. Elba ouviu “De Volta Pro Aconchego” e não gostou – ela achou o andamento da música muito rápido – mas aproveitou a oportunidade e convidou Dominguinhos para participar do seu disco.

Já no estúdio, Dominguinhos voltou a mostrar “De Volta Pro Aconchego“, agora transformada em uma música lenta. Dessa vez, Elba gostou e pediu a Dori Caymmi que providenciasse rapidamente um arranjo para a canção, que foi incluída no disco que já estava sendo gravado. Na versão original, de 1985, Elba canta acompanhada basicamente pelo violão de Dori e a sanfona de Dominguinhos.

Incluída na trilha sonora da novela “Roque Santeiro”, a música interpretada por Elba foi catapultada para os primeiros lugares das paradas radiofônicas, permanecendo no topo enquanto duraram as peripécias do Sinhozinho Malta e da Viúva Porcina. “De Volta Pro Aconchego” era o tema do personagem-título “Roque Santeiro”, interpretado por José Wilker.

Detalhe: a primeira versão de “Roque Santeiro”, escrita por Dias Gomes, deveria ter ido ao ar em 1975, mas foi proibida pela censura do regime militar, depois que já tinham sido gravados 30 capítulos. O motivo da proibição foi uma escuta telefônica em que Dias Gomes tecia alguns comentários sobre os generais. A segunda versão, que foi ao ar em 1985, foi escrita a quatro mãos, por Dias Gomes e Aguinaldo Silva.

MARIA RITA – “O HOMEM FALOU”

No vídeo abaixo, a cantora Maria Rita – filha de Elis Regina e do maestro César Camargo Mariano – faz uma releitura de “O Homem Falou”, música de Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha, um compositor que, como poucos, cantou a força do brasileiro, as mazelas sociais e os problemas do país.

Composta durante a ditadura militar – período em que Gonzaguinha, ao lado de Taiguara, foi um dos compositores com mais músicas censuradas – e repleta de recados aos generais, “O Homem Falou” só foi lançada em 1985, quando o regime militar já estava no fim. Foi uma das 09 músicas do disco “Olho de Lince”, o mesmo do sucesso romântico “Mamão com Mel”.

Em 2016, o samba “O Homem Falou” – que é uma chamada à vitória – embalou os sonhos da delegação brasileira durante a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos realizados no Rio de Janeiro. Maria Rita a gravou em 2007, no CD “Samba Meu”, disco que rendeu a ela vários prêmios, incluindo um Grammy Latino de melhor álbum de samba e um Multishow de Música Brasileira, também na categoria melhor álbum. 

No vídeo, assim como no CD, Maria Rita é acompanhada pela Velha Guarda da Mangueira.

GEORGE HARRISON E ERIC CLAPTON – “WHILE MY GUITTAR GENTLY WEEPS”

Durante esta semana, comemorou-se os cinquenta anos do lançamento do 10º álbum dos Beatles que, oficialmente, chama-se simplesmente “The Beatles”, mas, por conta de sua capa minimalista, totalmente branca, ficou mundialmente conhecido como o “Álbum Branco”. A foto ao lado é da contracapa.

Lançado em 22 de novembro de 1968, o “Álbum Branco” é considerado um dos mais relevantes do grupo, embora nenhuma de suas trinta músicas esteja entre os maiores sucessos dos Beatles. Me lembro que aqui em nossa região, a música mais tocada do disco era “Ob-La-Di, Ob-La-Da”. Atualmente, “Blackbird” é a mais ouvida na internet.

O disco traz uma história curiosa. A maioria das músicas foi composta num período em que o grupo, sob pressão, foi fazer meditação transcendental em Hishikesh, com o guru indiano Maharishi Mahesh Yogi. Era para ser um ambiente de retiro, mas John Lennon e Paul McCartney davam algumas escapadelas para compor.

Ringo Starr – cujo estômago sensível não se deu bem com a comida indiana – foi o primeiro a abandonar a meditação e deixar a Índia. Paul McCartney também voltou logo, enquanto os persistentes Lennon e George Harrison voltaram algumas semanas depois, em meio a rumores de que o guru indiano teria tentado se aproveitar sexualmente de uma de suas alunas, o que nunca ficou comprovado.

De qualquer forma, a meditação resultou em um disco criativo, gravado em meio a desentendimentos entre os quatro cabeludos de Liverpool. Um dos motivos para tensão era a nova namorada de John Lennon, a japa Yoko Ono, que insistia em frequentar o estúdio durante as gravações. Os quatro rapazes tinham um acordo pelo qual somente eles deveriam permanecer no estúdio quando estivessem gravando.

O fato é que, segundo os beatlemaníacos, o “Álbum Branco” foi o início do fim dos Beatles. Eles chegaram a gravar outros dois discos – “Abey Road”, aquele da capa em que os quatro aparecem atravessando uma rua, de 1969, e “Let Be”, de 1970 – mas o fim já havia sido decretado por desavenças que se intensificaram logo após a meditação transcendental.

“While My Guitar Gently Weeps” (Enquanto minha guitarra suavemente chora), de autoria do George Harison, por sinal o mais ligado ao guru indiano, é uma das músicas do “Álbum Branco”. Aqui no Brasil, o ex-Barão Vermelho Roberto Frejat, gravou essa canção, acompanhado – vejam quanta criatividade! – pelo grupo Os Britos.

No vídeo abaixo, “While My Guitar Gently Weeps” é cantada pelo George Harrison, acompanhado pela suave e chorosa guitarra do Eric Clapton, uma demonstração de que o episódio Pattie Boyd não abalou a amizade entre eles.

Em tempo: Pattie Boyd, uma modelo inglesa, foi casada com George e abandonou o ex-Beatle para ir morar com Eric Clapton. Como diria meu falecido amigo Hodofildo, Pattie tinha “barulho”, pois inspirou duas músicas imortais: “Something“, de George, e “Layla“, de Eric. Vamos ao vídeo!

SIMONE – “MEDO DE AMAR No. DOIS”

O prezado leitor e a estimada leitora devem ter visto, mais embaixo, a notícia sobre a deputada que pretende proibir que se fale sobre masturbação. Suponho que “Ex-amor”, do Martinho da Vila, não mais poderá ser tocada nas escolas. Falemos, então, do erotismo na Música Popular Brasileira, antes que, nesses tempos sombrios que se avizinham, o assunto seja igualmente proibido.

Acho que a Simone é uma das cantoras que mais canta o erotismo. Na versão original de “Medo de Amar nº 2”, composição da Sueli Costa, Simone começa com gemidos e sussurros para depois cantar coisas como “Você me deixa surda e cega/Você me desgoverna/Quando me pega/Assim nos flancos e nas pernas/E me morde na boca/E me lambe na nuca…”.

A boca e a nuca, por sinal, são temas de outra música da Sueli Costa – “Porque Te Amo” – com letra igualmente sensual e cantada pela mesma Simone: “Andarei no teu corpo/Por cima do teu corpo/Dentro do teu corpo…/Andarei na tua boca desvairada/Andarei na tua nuca perfumada…”, e por aí vai.

Ana Carolina, em “Cantinho”, canta um verso que não ouso reproduzir. Assim como não acho necessário reproduzir os versos de “Pra Fuder”, que a Elza Soares gravou aos 78 anos de idade. Gonzaguinha, em “Avassaladora”, fala de uma mulher que “Senta no seu colo/Lambe o pescoço/ Morde a orelha/Enfia a língua…./Ela é louca, muito louca/E ele adora sua mão/Apertando o que deseja….”.

Roberto Carlos, antes do TOC e da religião, cantou coisas que iam além daquele amasso no portão, como em “Cavalgada”, onde ele dizia “Vou cavalgar por toda a noite/Por uma estrada colorida/Usar meus beijos como açoite/E a minha mão mais atrevida…”. Em “Seu Corpo”, o Rei dizia que só se encontrava quando se perdia no corpo da amada, onde se deixava ser levado “Por um caminho encantado/Que a natureza me ensina”.

Erasmo, o parceiro preferido do Roberto, também já foi bem safadinho. Em “Kamasutra”, ele perguntava: “Frontal, de pé, por trás ou de lado…/Coqueirinho ajoelhado/Trapézio ou carrinho de mão/Gangorra de cabeça pra baixo/
Em que posição?”. Já a Vanessa da Mata, em “Ilegais”, não tem muita dúvida e pede, quase implorando, “Eu quero você dentro de mim/Eu quero você em cima de mim…”.

O erotismo está presente, também, em músicas como “Deixa Eu Te Amar” (Agepê), “Paixão” (Kleiton e Kledyr) e “Amanhã é Sábado” (Roberta Sá). Ou em “O Meu Amor”, do Chico Buarque, onde a personagem da música diz que “O meu amor tem um jeito manso que é só seu/De me fazer rodeios, de me beijar os seios/Me beijar o ventre e me deixar em brasa…”.

Por fim, temos a titia Rita Lee que – ela não esconde de ninguém – compôs “Mania de Você” depois de uma boa transa com o maridão, o Roberto Carvalho. Na obra de Rita Lee, o erotismo está presente em outras canções, como “Amor e Sexo”, “Flagra” e “Lança Perfume”, na qual ela pede: “Me faz de gato e sapato/Me deixa de quatro no ato/Me enche de amor…”.

Fiquemos agora com o vídeo em que a Simone, diferentemente da versão original, canta “Medo de Amar nº 2” sem os gemidos, sussurros e suspiros iniciais. Em Tempo: a música se chama “Medo de Amar nº 2” porque a número um é do Vinícius. E a Adriana Calcanhoto compôs a “Medo de Amar nº 3”.

 

CHICO CÉSAR – “MIAÊRO / ESPUMAS AO VENTO”

Hoje estou muito ocupado, vendo uma série da Netflix – “A promotora de ferro” – que parece não acabar nunca. Já estou no 80º episódio da 1ª temporada e o final, aparentemente, ainda está longe.

A trama começa bem, mas, como tudo que precisa ser esticado, se perde no meio e, ainda por cima, me apareceram alguns personagens irritantes. Mas, já que cheguei ao 80º episódio, vou até o final. A 2ª temporada, no entanto, já está, desde agora, fora dos meus planos.

Estou confidenciando isso aos prezados e poucos leitores para explicar que serei breve sobre o vídeo. Direi apenas que Chico César, natural de Catolé do Rocha, na Paraíba, vem a ser o conterrâneo mais ilustre de uma amiga, a professora Teresinha Gonçalves de Sá, coordenadora da Fatec Jales.

Direi também que “Miaêro”, no linguajar nordestino, não é nada mais que um “cofrinho” onde as crianças juntam dinheiro para comprar as pequenas coisas com as quais sonham. Sandálias, por exemplo.

Direi, por fim, que “Espumas ao Vento” é a mesmíssima canção do compositor Accyoli Neto, gravada originalmente em ritmo de forró pelo sanfoneiro Flávio José e, tempos depois, transformada em sucesso nacional pelo Fagner, que a gravou em ritmo mais lento.

Existem outras versões, com a Elza Soares e a Joyce Cândido, com a Renata Arruda, com o grupo vocal As Chicas e até com uma dupla sertaneja. Fiquemos, porém com a versão do Chico César:

 

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