Categoria: Música

MAYRA ANDRADE E DJAVAN – “RETRATO DA VIDA”

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Embora não esteja entre os seus maiores sucessos, “Retrato da Vida” é, sem dúvida, uma das mais inspiradas letras do cantor/compositor alagoano Djavan. A melodia, do saudoso pernambucano Dominguinhos, é igualmente bela.

Segundo Djavan, a parceria nasceu de um telefonema de Dominguinhos. “Posso mandar uma musiquinha pra você?”. Gravada pela primeira vez em 1998, por Djavan, “Retrato da Vida” já foi regravada por gente como Elba Ramalho, Mariene de Castro, Vander Lee e Jair Rodrigues.

O vídeo abaixo é do DVD “Dominguinhos Volta e Meia”, gravado em 2011. Nele, Djavan – acompanhado por Yamandu Costa no violão de sete cordas e Hamilton de Holanda no bandolim – faz um bonito dueto com a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, jovem e talentosa representante de um país cuja música tem muito em comum com a MPB.

SANTA CASA: MESAS PARA SHOW DE CHRYSTIAN & RALF ESTÃO QUASE ESGOTADAS

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Chrystian e Ralf, quando garotos, cantavam em Jales, na Facip, com o nome de Charles e Ralf. Depois, aderiram a uma febre dos anos 70, quando vários artistas brasileiros passaram a gravar músicas em inglês.

Fábio Júnior, por exemplo, era Mark Davis. Morris Albert (Maurício Alberto Kaiserman), foi quem fez mais sucesso. Ele ficou rico com apenas uma música – “Feelings”, uma das canções mais regravadas no mundo. Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Julio Iglesias e Johnny Mathis estão entre os seus intérpretes.

Maurício diz ter se inspirado em “uma carioca linda” para compor “Feelings“, mas, para a Justiça dos EUA, ele se inspirou mesmo foi na música de um francês, que o processou por plágio. Nos EUA, os direitos autorais da canção são divididos entre o brasileiro e o francês, que fica com 88% da grana.

Voltando aos dois rapazes de Goiás, o Charles (José Pereira da Silva Neto) passou a se chamar Chrystian e fez sucesso com a melosa “Don’t Say Goodbye” (aqui), enquanto o Ralf (Ralf Richardson da Silva) passou a atender pelo nome de Don Elliot e gravou coisas como “My Love For You” (aqui). Nos anos 80, porém, eles retornaram ao sertanejo.

Chrystian e Ralf foram os primeiros a gravar, em 1998, a canção “Sensível Demais”, do Jorge Vercillo. Bethânia também já gravou essa música nos extras do seu DVD lançado em 2005 (aqui). Curiosamente, “Sensível Demais” só foi gravada por seu compositor, o Vercillo, em 2011 (aqui).

Vamos, agora, à notícia da assessoria de imprensa da Santa Casa:

chrystian e ralf

A Santa Casa de Jales apresentará no dia 20 de outubro uma das duplas de maior prestigio no cenário sertanejo, Chrystian e Ralf, reconhecida como as vozes mais afinadas do Brasil.

O setor de Captação de Recursos, responsável pela organização do evento, evidencia que restam poucos lugares e que as mesas de dez lugares e cadeiras poderão ser divididas em até oito vezes no cartão de crédito ou cheque para o dia 20 de setembro.

“A procura está cada vez maior, estamos recebendo ligações de toda região que por conhecerem o formato do nosso evento querem prestigiar e ajudar a Santa Casa. Acreditamos que será mais um sucesso de público”, relatou a gestora de Captação, Luciana Vicente.

Chrystian & Ralf tem várias músicas como temas de novelas globais. Só o CD com a música Minha Gioconda com a participação de Agnaldo Rayol vendeu mais de um milhão de cópias, gravado no ano de 1996, para a novela Rei do Gado, o que proporcionou a dupla gravar um clipe na Itália e a ganharem uma medalha pelo tema.

A dupla faz parte do “quinteto de ouro da música sertaneja”, já que sempre esteve entre as cinco maiores duplas do Brasil. Tendo várias músicas regravadas, por duplas e cantores do chamado sertanejo universitário.

ROBERTA SÁ E MARTINHO DA VILA – “ME FAZ UM DENGO E DISRITMIA”

Eu já postei uma bonita versão de “Disritmia” – um dos grandes sucessos do Martinho da Vila – com o grupo Arranco de Varsóvia (aqui). E agora, atendendo à sugestão de um dileto amigo, estou postando um medley com “Me Faz Um Dengo” e “Disritmia”, interpretadas pela Robertá Sá e o Martinho da Vila, no show “Delírio no Circo“, da cantora potiguar.

“Me Faz Um Dengo” foi gravada originalmente pelo Martinho no disco Sentimentos, de 2003. Já “Disritmia” foi lançada em 1974, no disco Canta, Canta, Minha Gente. Curiosamente, Martinho da Vila esteve em Jales naquele mesmo ano, para um show no então Instituto de Educação “Euphly Jalles”.

Depois do show, Martinho e seus músicos se juntaram a alguns notívagos jalesenses e foram terminar a noite no Bar do Olices, que, naquele tempo, ficava ao lado da Rádio Cultura, na Rua Treze, bem em frente à Praça “Euphly Jalles”.

Segundo o meu amigo Seixas, que fez parte da turma que deixou o Bar do Olices às 06:00 horas da manhã, “foi ali que o Martinho da Vila pegou um papel e escreveu de próprio punho a letra de um samba que tinha acabado de gravar, deixando de presente pro Deonel. O samba se chamava Disritmia“.

Vamos ao vídeo com o Martinho e a Roberta Sá:

NANA CAYMMI – “CONTRATO DE SEPARAÇÃO”

O talentoso cronista Pascoalino S. Azords (ou Pascoalino “sempre às ordens”, se preferirem) passou toda sua infância e juventude em Jales, de onde se mudou há mais de trinta anos, depois de namorar diversas moças de família sem que elas soubessem.

Há uns vinte anos, ele escreve crônicas para o combativo jornal “O Debate”, de Santa Cruz do Rio Pardo, algumas delas com reminiscências de sua infância/juventude aqui em Jales. Na semana passada, ele preferiu escrever sobre o falecido sanfoneiro Dominguinhos e sua ex-cara-metade, Anastácia, autores da música “Contrato de Separação”.

A versão recomendada por ele – com a Nana Caymmi, no vídeo mais abaixo – é de 1985, mas existem outras belas interpretações, mais recentes, como a de Zizi Possi, que pode ser vista aqui. Eis a crônica:

Contrato de Separação

Esta crônica nasceu pelo avesso, a partir do título, que, normalmente, é a última tarefa do cronista. Quem sabe assim você me lê.

Contrato de Separação é o nome de uma música de Dominguinhos e Anastácia que a gente ouvia no carro na voz da Nana Caymmi. Dominguinhos e Anastácia foram casados por onze anos. Não tiveram filhos, mas fizeram 212 músicas.

Ele compunha a melodia pela manhã, depois do café, e a mulher se incumbia de fazer a letra mais tarde. “Eu só quero um xodó” talvez seja a que fez mais sucesso. Gilberto Gil gravou em 1974 e, desde então, outros 400 registros foram feitos no Brasil e no exterior.

Quando Dominguinhos, sem aviso prévio, trocou Anastácia por Guadalupe, a esposa traída retalhou a golpes de faca o pôster do sanfoneiro que sorria (dela?) pregado na parede da sala. E também mandou pro lixo as fitas K7 onde estavam gravadas centenas de outras músicas dele que esperavam letra.

Uma das sobreviventes é “Contrato de Separação”: aula de composição feita em apenas doze versos, invejável ou humilhante para quem se arrisca escrevendo.  Eu já disse aqui, mas posso repetir, que quando me deparo com certos exemplares do sexo masculino eu agradeço ao fato de ter tido uma única filha, e por ela já estar (bem) casada. Eu não sei como o pai de Anastácia viveu depois de ler o que a filha escrevia em forma de música – eu não sobreviveria.

Em “Contrato de Separação”, ao invés de discutir com o ex-marido, só resta à traída e abandonada Anastácia negociar com a tristeza. O tal contrato de separação que ela propõe não seria firmado com Dominguinhos, mas com a tristeza que parece rir-se dela ou da sua ilusão, que “por ser ilusão, é mais difícil de apagar”.

Ao invés de brigar com o ex-marido, até porque naquele tempo ainda não existia internet ou celular, Anastácia briga “com a lembrança pra não mais lembrar”. Se ainda resta alguma coisa inteira desse seu domingo, eu te faço um desafio: duvido que você consiga ver, impassivelmente, o vídeo postado no Youtube em que Nana Caymmi canta “Contrato de Separação” acompanhada de Dominguinhos ao acordeom. (Não confundir com o áudio da gravação do CD, também disponível no Youtube).

O vídeo tem apenas dois minutos e meio. É possível que você entenda, afinal, porque certas pessoas ainda querem fazer novas músicas quando já existem tantas músicas no mundo. Tente, são apenas dois minutos e meio, e o domingo taí que não acaba.

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FILHO DE JALESENSE TOCA COM GILBERTO GIL

O jalesense Luiz Carlos Seixas – morando novamente em Ourinhos, depois de breve auto-exílio no Rio de Janeiro – está em Jales para rever os amigos e trazer notícias. Ganhador de festivais de música nos anos 70, ele – depois de se dedicar apenas ao trabalho durante muitos anos – voltou a compor e está preparando um CD para breve, mas, sobre isso falarei em outro post.

Este post é para registrar que o filho do Seixas, o Glauber – sobre quem eu já falei aqui e aqui – continua sendo motivo de orgulho para o pai. Com apenas 31 anos, Glauber já é considerado um dos nossos grandes violonistas. Ele – que já acompanhou grandes damas da música, como Bethânia e Elza Soares – tocou violão, no sábado passado, em show com Gilberto Gil e outros.

Seixas, o pai orgulhoso, repercutiu postagem de Glauber em sua página no Facebook

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NELSON GONÇALVES E MARTINHO DA VILA – “LEMBRANÇAS”

raul sampaio e roberto carlos“Lembranças” é uma das músicas preferidas de um amigo ouvinte do Brasil & Cia, o Tinhoso. Esse samba-canção é um dos maiores sucessos do compositor capixaba Raul Sampaio (ele cantou no Trio de Ouro, com Herivelto Martins, mas é mais conhecido como compositor). Só não é o seu maior sucesso porque outra música composta por ele – o bolero “Quem Eu Quero Não Me Quer” – também estourou nas paradas dos anos 60.

A primeira gravação de “Lembranças” foi do cantor Miltinho. Há alguns anos, em um CD comemorativo recheado de convidados, Miltinho regravou “Lembranças“, tendo João Bosco como parceiro de cantoria. No vídeo abaixo, ela é cantada por outra dupla de peso: Nelson Gonçalves e Martinho da Vila.

Nascido em Cachoeiro do Itapemirim(ES), Raul é o autor da canção “Meu Pequeno Cachoeiro“, que muita gente pensa ser uma homenagem do Roberto Carlos à sua cidade natal. Na verdade, essa música, composta em 1962, é o hino oficial de Cachoeiro do Itapemirim e foi regravada pelo Roberto Carlos em 1970. Para gravá-la, o rei exigiu a troca de um verso que, na versão original, falava de um jenipapeiro e, na versão de Roberto, fala de um flamboyant.

Raul Sampaio – primo de Sérgio “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua” Sampaio – compôs mais de 200 músicas, entre elas as conhecidas “Meu Pranto Rolou”  (Toquinho e Vinícius), “A Carta” (Erasmo Carlos) e “Revolta” (Nelson Gonçalves). Confira agora a interpretação de Nelson Gonçalves e Martinho da Vila para “Lembranças“:

  

EM JALES, NESSE DOMINGO, O ‘1o CONCERTO A DOIS PIANOS – MOZART’ COM ARRECADAÇÃO DE ALIMENTOS PARA HOSPITAIS

CARTAZ Concerto JalesAcontece nesse domingo, 28/05, a partir das 20:00 horas, no Centro Cultural Dr.Edílio Ridolfo, aqui em Jales, o “1° Concerto a Dois Pianos – Mozart”, com os pianistas Bruna Lima, Terezinha Bataglia e André Pignatari. O concerto terá, ainda, a participação especial do também pianista Djalma Silva, além de três violinos e dois violoncelos. 

O evento – que está sendo organizado pela Escola Dinâmica de Educação Musical (EDEM), em parceria com a AVCC – é totalmente beneficente e, além de arrecadar alimentos para o Hospital de Câncer e a Santa Casa de Jales, tem como objetivo estimular a cultura da música erudita. Os convites poderão ser adquiridos mediante a troca por 5 quilos e/ou 5 litros de alimentos.

Novidade em Jales, o projeto “Concerto a Dois Pianos” nasceu em Votuporanga, onde já foram realizadas três apresentações, com enorme sucesso. A última, homenageando Mozart, foi realizada no sábado passado, 20, e arrecadou cerca de duas toneladas de alimentos que foram doados a entidades de Votuporanga.

Aqui em Jales, além da organização da EDEM / AVCC e do apoio da Prefeitura Municipal, o evento conta com o patrocínio da Poliplantas, Unijales, Anglo, Jales Center Hotel, LHBorr e Gráfica Ellos. Faço questão de citar os patrocinadores pois quem apoia a Cultura merece destaque.  

Nascido em 27 de janeiro de 1756, o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart é um dos mais importantes compositores do ocidente. Considerado um prodígio desde a infância, iniciou a carreira aos cinco anos e compôs mais de seiscentas obras. Ele morreu de forma inesperada e misteriosa, com apenas 35 anos de idade e sua morte suscitou diversas teorias e versões, que incluíam envenenamento por mercúrio, gripe e até uma estranha doença nos rins.

CÁSSIA ELLER – “PARTIDO ALTO”

cássia ellerO samba “Partido Alto“, do Chico Buarque, é de 1972, mesmo ano de “Águas de Março” (Tom Jobim), “Pérola Negra” (Luiz Melodia), “Casa no Campo” (Zé Rodrix/Tavito), “Mucuripe” (Fagner/Belchior), “Preta Pretinha” (Moraes Moreira/Luiz Galvão), “Chuva, Suor e Cerveja” (Caetano Veloso), entre outras.

Como se vê, é de uma época em que, anualmente, eram lançadas músicas que seriam lembradas por muito tempo. Quem se lembra, por exemplo, das músicas que foram lançadas em 2015?

“Partido Alto” foi quase uma brincadeira do Chico, composta para a trilha sonora do filme “Quando o Carnaval Chegar“. Claro que ele aproveitou o clima espirituoso da letra para tirar uma onda com a ditadura militar. E é claro, também, que os censores da ditadura – que, depois de “Apesar de Você“, desconfiavam de tudo que Chico fazia – não gostaram da brincadeira.

Eles – os censores – consideraram o samba “uma ofensa ao povo brasileiro” e só consentiram em liberar a música depois de vetar algumas palavras que, na gravação original, foram alteradas por Chico. “Titica”, por exemplo, virou “coisica”. E “brasileiro” virou “batuqueiro”.

Naquela época, o povo brasileiro –  pelo menos na opinião dos censores – se ofendia por pouca coisa, principalmente quando se tratava de composições de Chico Buarque.

Dois exemplos: a palavra “pentelho”, uma das preferidas do Faustão, foi cortada pela censura na gravação de “Ciranda da Bailarina“. E em “Bárbara“, a censura cortou uma palavra para que os brasileiros não se ofendessem com a descoberta de que a música falava do amor entre duas mulheres.

Voltando ao “Partido Alto“, a versão do vídeo abaixo, com a Cássia Eller, já é dos tempos em que a ditadura militar tinha decidido deixar o povo brasileiro se ofender por conta própria. Preserva, portanto, a letra original.

1993, O ANO EM QUE BELCHIOR CANTOU EM JALES

DSC03040-edEm janeiro de 2014, escrevi sobre o show do Belchior, realizado no Teatro Municipal, em Jales (veja aqui), mas não me lembrava em que ano ele esteve por aqui. Ontem me toquei de que, naquela noite, ele me autografou um CD.

Hoje, depois de uma busca em meu bagunçado acervo, encontrei o CD autografado pelo Belchior onde, como se pode ver na foto ao lado, ele registrou, com letra um pouco trêmula, a dedicatória “Para Cardoso. Abraços e Canções do Belchior” e o ano: 1993.

Era uma noite de muito calor e, depois do show, me lembro que o Belchior, transpirando muito, atendia pacientemente aos fãs, no acanhado camarim do nosso Teatro, enquanto uma assessora vendia os CDs que ele autografava. Eu escolhi uma coletânea – “Apenas Um Rapaz Latino Americano” – que trazia 16 canções do compositor cearense.

O show foi fantástico. Durante cerca de uma hora e meia, Belchior cantou para uma plateia que ocupava apenas metade da capacidade do Teatro Municipal. Apesar de pequena, podia-se notar que era uma plateia formada, em sua imensa maioria, por pessoas que conheciam as músicas do compositor/cantor, pois elas cantavam junto com Belchior mesmo as canções menos conhecidas.

Para uma cidade àquela altura impregnada do sertanejo, do pagode comercial e, pior ainda, do terrível “bate-estaca”, o show de Belchior foi um alento.        

Uma das músicas do show – e do CD que comprei – era “Coração Selvagem”, canção que ganhou, recentemente, uma releitura da Ana Carolina no show “#AC ao Vivo“. No vídeo abaixo, a bonita interpretação da cantora e compositora mineira:

BELCHIOR ERA UM CANTOR DA LIBERDADE

fernando moraes montoro e belchior

Do escritor Fernando Moraes, em seu blog, o Nocaute:

Morreu ontem, aos 70 anos, na cidade gaúcha de Santa Cruz, o cantor e compositor cearense Belchior. Celebrizado nos anos setenta pelo sucesso de canções como “Mucuripe”, “Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”. Belchior encerrou subitamente sua carreira nos últimos anos e sumiu. Dado como desaparecido, foi visto com sua mulher ora em cidades uruguaias, ora no interior do Rio Grande do Sul.

No auge da luta pela redemocratização do Brasil, nos anos oitenta, nós nos tornamos amigos. Belchior foi um ativo participante de shows e atos pelo fim da ditadura militar e pelas eleições diretas para presidente da República. Nunca cobrava um tostão, nem mesmo as passagens de avião e estadias em hotéis.

Em uma de suas vindas a São Paulo, manifestou o desejo de conhecer pessoalmente o então governador Franco Montoro, que o recebeu em uma longa audiência no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista (foto).

Nos últimos anos recebi alguns telefonemas de Edna, mulher do Belchior. Às vezes passava o telefone para ele, mas era ela quase sempre quem falava. Contava histórias que me pareciam meio cifradas, incompreensíveis. Eu ficava sem saber se era uma piração ou história real que não podia ser revelada por telefone. Nunca me disseram exatamente onde estavam (as referências eram apenas a “Uruguai” ou “interior do Rio Grande”) nem deixavam algum telefone ou e-mail para que eu pudesse me comunicar com eles. Há uns dois anos, acho, pararam de ligar.

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