Vocês viram a reportagem do Fantástico de ontem, sobre fraudes em licitações? Se não viram, vale a pena ver ou ler, pois a matéria é bastante didática. A reportagem enfocou as fraudes na compra de lombadas ou radares eletrônicos. Mas, se tivesse investigado licitações abertas para outros tipos de compras ou de prestação de serviços, teria chegado ao mesmo resultado.

A metodologia é sempre a mesma: quando se trata de uma carta-convite, convida-se apenas as empresas “amigas”; quando o caso é de tomada de preços ou de concorrência, o segredo está no edital que, muitas vezes, pode ser direcionado. A modalidade de licitação menos propícia ao direcionamento ainda é o pregão, mas, ainda assim, sempre é possível dar-se um jeitinho. Por precavido, deixo de citar exemplos. 

Na maioria dos casos de corrupção – como no caso mostrado pelo Fantástico – os agentes públicos são apontados como os principais culpados. Mas nem sempre isso é verdadeiro. Cito um exemplo: há algum tempo, uma Câmara Municipal da região precisava comprar um determinado equipamento e a presidenta pediu um orçamento a uma empresa fabricante. A empresa apresentou um orçamento de pouco mais de R$ 40 mil e já avisou a presidenta que, naquele valor, estava embutido os R$ 10 mil que seriam “presenteados” a ela.

O que fez a presidenta? Pediu que a empresa retirasse os R$ 10 mil da “comissão” e apresentasse um orçamento no real valor do equipamento. E o que fez o representante da empresa? Simplesmente se negou a vender o produto sem a “comissão” da presidenta. Segundo ele, isso poderia causar problemas à empresa, uma vez que outros órgãos públicos já haviam pago aquele preço. E não vendeu mesmo!

Voltando à reportagem do Fantástico, ela pode ser vista ou lida aqui. E não se iluda: mesmo com reportagens como essa, o esquema vai continuar funcionando.