O JEITINHO BRASILEIRO DE ENGANAR A JUSTIÇA

De vez em quando, pessoas me perguntam como é que o prefeito Humberto Parini e outros envolvidos no caso Facip 97 estariam fazendo para receber seus salários, uma vez que a Justiça decretou o bloqueio de suas contas, a fim de que os cofres públicos sejam ressarcidos em R$ 305 mil. Nunca quis entrar nesse assunto, pois creio que essa seria uma questão um pouco pessoal. Mas, considerando que envolve o dinheiro dos contribuintes, acho que posso matar a curiosidade das pessoas que me questionam sobre isso.

É muito simples: o prefeito Parini, como vocês sabem, optou, desde o início de seu primeiro mandato,  por receber seus salários de fiscal, através da Secretaria Estadual de Fazenda. Depois que teve suas contas bloqueadas, o prefeito vai ao Banco onde recebe seus salários e, um ou dois dias antes de os proventos serem creditados, ele saca o valor correspondente, ficando com seu saldo negativo. Assim, quando o salário é creditado, cobre apenas o saldo negativo e não sobra nada para a Justiça.

Já o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Agricultura, Ronaldo José Alves de Souza, cunhado do prefeito, usa uma metodologia diferente: ele é o único servidor público municipal que, depois de ter suas contas bloqueadas, recebe seus salários em cheque. Todos os demais servidores municipais recebem seus salários através de crédito em conta, exceto Ronaldo. A deferência foi autorizada pelo prefeito-cunhado e conta com a compreensão do secretário de finanças, Rubens Chaparim.

Deve ser por coisas assim que o nosso estadista recebeu aquele prêmio de gestor eficiente. Ele realmente é um mestre na arte de dar o famoso “jeitinho”. Resta saber se a Justiça vai ficar  assistindo a isso, sem fazer nada para que suas decisões sejam cumpridas.  

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