“SANGUE” EM FOTO DE POLICIAL ENVOLVIDO NOS PROTESTOS DO PARANÁ ERA TINTA

A notícia é da BBC:

policial ensanguentadoCom a legenda “Professor, conta outra…”, o PM de Curitiba Umberto Scandelari publicou uma foto com braços, mãos e rosto manchados por um líquido avermelhado, logo após o protesto desta quarta-feira. 

Amigos imediatamente deixaram comentários preocupados na foto. “Mano, você tá bem?”, “Melhoras, parceiro”, “Melhoras e se cuida” – a imagem viralizou e foi compartilhada mais de 5 mil vezes em menos de 24 horas.

Entretanto, à BBC Brasil, a Polícia Militar do Paraná confirmou as suspeitas de centenas de internautas: o oficial não está coberto de sangue, mas de tinta. 

“Este é o produto de uma bomba usada como munição menos letal. É usada para marcar pessoas que estão envolvidas nos protestos”, informou a PM.

“Nestes confrontos o uso é normal e aconteceu de marcar também o policial porque manifestantes e policiais estavam muito próximos”, disse a corporação.

A legenda da foto, entretanto, sugeria que as manchas no corpo do policial fossem fruto da ação de manifestantes.

A PM contemporiza: “A legenda sugere que ele não foi atacado por professores com esta tinta. Ela sugere que o confronto foi iniciado pelos próprios professores e não pelos policiais, como vem sendo comentado pelas redes sociais”.

5 comentários

  • Rafael Lechat

    PM é um ser a ser estudado. Na minha opinião deveriam pagar bem para esses PMs, mas só depois de exonerar 90% dos que estão aí E FAZEREM SELEÇÃO SUPER RIGOROSA PARA NOVOS POLICIAIS.

    É tanto PM matando, é tanto PM assaltando, é tanto PM corrupto; é tanto PM PREVARICANDO, além de muitos serem burros, como esse “colorido” aí da foto.

    Aqui em Jales temos um PM que, para mim, é exemplo de gentileza e dignidade (Acho que se chama Osvaldo e veio de General Salgado); mas também tem tantos que nunca deveriam ter sido contratados.

    Há algum tempo assisti uma blitz realizada pela PM defronte a escola Euphly Jalles, no começo da rua 13.

    Eles apreenderam algumas motos e multaram outras. O interessante é que, de repente, passou um cara amigo dos PMs, conduzindo uma moto usando chinelos e com a viseira do capacete levantada (Até buzinou para os PMs, que lhe deram acenos com a mão e o cara foi embora sem ser parado ou levar uma multa). ISSO É CRIME. É PREVARICAÇÃO!! (Estou errado?)

  • OTIMISTA

    Estudado? qual faculdade? desde quando ter apenas o 2º grau é ser estudado? KKKKKK

    • Anônimo

      Pelo geito nem o 2 grau vc tem, porque nao soube nem interpretar o texto escrito a cima pelo Rafael.
      Ao inves de criticar a PM vai aprender a ler.

  • CADETE

    Para aqueles que estão pedindo a volta do militarismo:—

    Alexandre Vannuchi Leme era estudante da USP e tinha 22 anos, no dia 16 de março de 1973, quando foi preso e levado ao DOI-CODI.

    Foi barbaramente espancado e torturado antes de ser levado para a cela, aonde pôde dizer aos outros presos: “Meu nome é Alexandre Vannucchi Leme, sou estudante de Geologia, me acusam de ser da ALN… eu só disse meu nome”. […]

    Segundo a versão oficial, ele teria sido atropelado por um caminhão, mas diversos presos viram ele gritar seu nome e seu corpo ser arrastado da cela se esvaindo em sangue.

    Ousar lutar! Ousar vencer! Esquecer jamais!
    Alexandre Vannucchi Leme Presente!
    Para honrar os que lutaram e tombaram por Democracia e Justiça!!

    O texto comovente que segue foi publicado pela USP on line, em 13/03/2013 por ocasião dos 40 anos da morte de Alexandre.

    Ninguém via Alexandre Vannucchi Leme desde a manhã da sexta-feira. No sábado, veteranos e calouros confraternizavam nas festas organizadas para recepção dos alunos que chegavam à USP naquele 1973 em que muitas unidades ainda funcionavam nos chamados barracões da Cidade Universitária.

    A alegria começa a acabar quando chega a notícia:

    – O Minhoca caiu.

    O verbo, todos entendem, significa ser preso pela repressão.
    Os colegas percorrem os barracões atrás de notícias. Ninguém sabe do Minhoca.

    Preso no dia 16 de março, o estudante é levado à sede do Destacamento de Operações de Informações – Comando de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), na rua Tomás Carvalhal, quase esquina com a rua Tutoia, onde passa por várias sessões de “interrogatório” – eufemismo para espancamento e tortura.

    No sábado 17, por volta do meio-dia, os colegas de cárcere veem Alexandre voltar de uma sessão, carregado pelos carcereiros, mas ainda assim gritando seu nome para que todos ouvissem. Também o ouvem dar gritos altos no início da tarde, mas eles vão diminuindo de intensidade com o passar do tempo.

    Mais ou menos às cinco da tarde, um carcereiro abre o cubículo em que o estudante jaz para levá-lo a novo suplício.

    O agente toma um susto.

    Alexandre está morto.

    Os outros presos recebem ordem de ficar no fundo das celas para não ver o que se segue. Cinco policiais são chamados. Um deles usa uma lâmina para cortar o pescoço de Alexandre de orelha a orelha. O corpo é arrastado pelo chão, deixando sangue por todo o caminho, e é levado ao Instituto Médico Legal.

    Final da tarde do dia 17 de março de 1973. O estudante de Geologia da USP Alexandre Vannucchi Leme, de 22 anos, aprovado em primeiro lugar em sua turma no vestibular de 1970 – o Lê, nascido filho de seu José e dona Egle numa tradicional família católica de Sorocaba; o Minhoca, apelido dado pelos amigos a ele, que tanto gostava de colocar apelidos nos outros –, acaba de ser assassinado pela ditadura militar brasileira.

    Deputado estadual pelo PT (Partido dos Trabalhadores), 64 anos em 2013, Adriano Diogo em 1970 era o Mug, aluno do segundo ano de Geologia da USP e agitador cultural no campus, onde montava peças com base no processo do teatro-jornal de Augusto Boal.

    Foi como veterano que, naquele ano, Mug recepcionou o calouro Minhoca. “Ele era um cara do interior, livre, completamente diferente de nós, urbanos”, conta. “Nas saídas de campo, ele tinha uma relação com a natureza, os pássaros, os rios, que nós não tínhamos.” O Minhoca era também, descreve, rigoroso nos hábitos e muito contido do ponto de vista do consumo.

    Logo Mug viu que o Minhoca era dono de uma cultura e uma capacidade diferenciadas (“ele lia coisas que só muito mais tarde nós fomos conhecer”, diz). Por isso, foi convidado a ajudar na redação de uma peça denunciando o absurdo da Transamazônica, um dos projetos do “Brasil grande” que a ditadura alimentava.

    Assessorada pelo professor Aziz Ab’Sáber e com a ajuda de outros colegas, a dupla mergulhou no trabalho e produziu A transa amazônica.

    “Era um trabalho dificílimo, e ele pesquisou tudo sobre os índios, as populações ribeirinhas, os castanheiros, os seringueiros, os solos”, lembra Mug. Minhoca estava apenas no primeiro ano – e “pesquisar”, na época, significava muito mais do que dar uns cliques no Google.

    “Alexandre fazia seu curso com uma dedicação exemplar. Aprendia geologia e exercitava-se na tarefa sublime de pensar em dias melhores para o seu país e o seu povo”, escreveu Aziz Ab’Sáber (1924-2012), professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em texto de março de 1998, aos 25 anos da morte do estudante.

    “Esse era o Alexandre Vannucchi Leme”, diz, 40 anos depois daquele 1973, voz embargada e fala interrompida pelas lágrimas, um emocionado Adriano Diogo a uma plateia de estudantes da USP, vários deles exibindo um corte de cabelo a denunciar sua condição de calouros.

    A farsa que os assassinos de Alexandre montaram para encobrir o crime ganhou a colaboração da imprensa com a publicação de notícias sobre a morte do “terrorista da Ação Libertadora Nacional (ALN)”.

    De acordo com a versão entregue aos jornais, e publicada de maneira praticamente uniforme em todos – regra na época –, Alexandre morrera atropelado por um caminhão na rua Bresser ao fugir dos agentes que o conduziam para um “ponto” com um companheiro. As notícias davam detalhes como a placa do caminhão e nomes de testemunhas.

    Foi na manhã da sexta-feira 23 que seu José, pai de Alexandre, leu na Folha de S. Paulo a notícia da morte do filho, que vinha procurando desde que, na terça-feira anterior, um colega da Geologia telefonara à casa da família em Sorocaba. Sem se identificar, Alberto Lázaro, o Babão, avisou que o jovem estava preso e que deveria ser procurado no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na capital.

    “Assim que recebemos o telefonema avisando que o Alexandre estava preso, meu pai empreendeu uma verdadeira via-sacra em busca de seu paradeiro ou de informações verídicas. Mas o buscávamos vivo. Jamais passou pela nossa cabeça que ele estivesse morto e enterrado”, conta Maria Cristina Vannucchi Leme, irmã do Lê. Ela completou 16 anos um dia depois da publicação da farsa do atropelamento nos jornais. Até hoje não são conhecidas as circunstâncias da prisão do estudante – um sequestro praticado pelo Estado – naquele março.

    No Dops, após amargar horas de espera, seu José foi recebido pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, que disse não ter nada a ver com a prisão de Alexandre. “Depois ele arrematou: ‘Esse filho o senhor já perdeu. Agora, cuide dos restantes. O senhor tem duas filhas que acabaram de entrar na universidade. Com mulher acontece coisa pior’”, lembra Maria Cristina.

    A referência de Fleury era óbvia: a família estava sendo vigiada. A primeira pessoa que a irmã do Lê via todos os dias, ao sair de casa para ir à escola, era um homem de bigode que passava o dia inteiro vigiando da esquina a “perigosa” residência em que viviam um casal de professores aposentados e seus três filhos menores (as duas irmãs mais velhas já não moravam mais com os pais).

    Com o fundamental apoio do então arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns – elevado a cardeal no início daquele março –, os alunos da Geologia organizaram uma missa em memória de Alexandre. A celebração do dia 30 de março (o sábado 31 foi evitado para não coincidir com o aniversário do golpe militar de 1964), na Catedral da Sé, tornou-se a primeira grande manifestação pública contra a ditadura realizada no País desde 1968. Como fariam dois anos depois, na celebração em memória do jornalista Vladimir Herzog, também assassinado sob tortura, os órgãos de repressão “ocuparam” a Praça da Sé e seu entorno, dificultando ao máximo a chegada ao local.

    Ao final da missa, os participantes saíram da Catedral cantando Pra não dizer que não falei de flores (“Caminhando e cantando”), de Geraldo Vandré. “Depois de tanto tempo, os jovens voltavam a se pronunciar em massa, e aquela missa seria o primeiro ato da retomada da presença política dos jovens. Com uma diferença notável em relação às formas de luta de então: os estudantes vinham em paz”, escreve o jornalista Caio Túlio Costa no livro Cale-se, de 2003. Mesmo saindo pacificamente, muitos estudantes foram presos nas imediações da Praça da Sé e levados para depor no DOI-Codi ou no Dops.

    “Só Deus é o dono da vida. D’Ele a origem, e só Ele pode decidir o seu fim”, disse Dom Paulo na homilia. “O próprio Cristo quis sentir a ternura da mãe e o calor da família ao nascer. E mesmo depois de morto o cadáver foi devolvido à mãe e aos amigos e familiares.”

    O lamento ecoaria na carta que dona Egle enviaria ao papa Paulo VI no dia 20 de abril, Sexta-Feira Santa. “Quem vos escreve é uma mulher do povo a quem lhe mataram o primogênito dos seis filhos, recusando-lhe até mesmo a entrega desse corpo. Tudo me foi tirado: um filho, o consolo de vê-lo após a morte e o direito mais legítimo de o sepultar”, chorava a mãe.

    “Ele era uma pessoa queridíssima, o mais velho dos seis filhos. Éramos uma escadinha de irmãos. Tinha uma inteligência privilegiada, um ‘sabe-tudo’, mas sem nenhum pedantismo”, relata Maria Cristina. “Os meses que se seguiram ao seu assassinato foram de profunda tristeza para todos em casa. Minha irmã caçula, de 10 anos, só conseguia dormir com um radinho colado ao ouvido, escutando música bem baixinho. Do contrário, dizia ela, ‘ouvia gritos’.”

    Mesmo que seus assassinos soubessem quem era Alexandre, onde estudava e o endereço de seus pais, o corpo foi enterrado como indigente no cemitério de Perus. Somente dez anos depois, em 1983, com a descoberta da vala clandestina de Perus, podia-se tentar reconhecer seus restos mortais.

    “A identificação só foi possível porque, um ano antes de ser morto, o Alexandre me deu o molde em gesso de sua arcada dentária. Ele estava fazendo um tratamento e, meio de brincadeira, pediu que eu guardasse aquele presente ‘de irmão para irmã’”, relembra Maria Cristina. “Levamos o corpo do Lê para o cemitério de Sorocaba, onde está ‘à espera de um tempo de justiça’”, diz a irmã.

    Seu José, com 91 anos, e dona Egle, com 87, “precisam ser poupados de emoções mais fortes, e é a vez de os filhos continuarem a caminhada”, diz Maria Cristina Vannucchi Leme. Pós-graduada em História, ela trabalha hoje como assessora parlamentar em Brasília.

    Para falar de como o irmão segue presente na vida da família, Maria Cristina cita o verso de Chico Buarque: “A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”. “A lembrança dele está em toda a casa, nos livros, discos, na mesa de pingue-pongue, não só no quarto”, descreve. “Este continua sendo chamado de ‘quarto do Alexandre’, contém os móveis originais, mas outros objetos e peças de mobiliário foram adicionados. Acho que a decoração sofreu uma renovação saudável; seu quarto não é um santuário intocado.”

    Em março de 1973, a ditadura brasileira matou o brilhante estudante de Geologia da USP Alexandre Vannucchi Leme; o Lê, filho do seu José e de dona Egle e irmão mais velho de Maria Regina, Maria Cristina, Miriam, José Augusto e Beatriz; o Minhoca, colega querido na Universidade e no movimento estudantil.

    Mas não matou sua memória, nem a dignidade de quem a mantém.

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