FILHO DE PORTINARI AGRADECE COMPOSITOR JALESENSE POR MÚSICA DEDICADA AO PAI

No próximo domingo, 29, estarei recebendo lá no Brasil & Cia – o programa radiofônico que apresento na Regional FM – a visita do meu amigo Luiz Carlos Seixas e do seu parceiro (musical, é bom que fique claro!), o Toninho Breves. Eles irão falar do CD “Depois do Fim”, lançado recentemente na Casa do Choro, um templo da MPB, no Rio de Janeiro.

O Seixas – filho de um dos primeiros farmacêuticos da cidade, o seo Bernardino Mendes Seixas, e sobrinho do nosso historiador Genésio Mendes Seixas – nasceu em Jales e está radicado há muitos anos em Ourinhos, onde mora também o Toninho.

Na juventude, o Seixas ganhou festivais de música em Jales e em outras cidades. Ele decidiu aprender a tocar violão depois de ver um show com Toquinho e Vinícius de Moraes, aqui em Jales, em 1972. Anos depois, compôs duas músicas em parceria com Toquinho e Mutinho, gravadas pelo violonista no disco “Doce Vida“, de 1982.

Depois de um longo intervalo dedicando-se às suas atividades como funcionário público estadual, o Seixas voltou a compor, agora em parceria com o Toninho Breves. As novas composições resultaram no CD “Depois do Fim”, que tem a participação de expoentes da MPB, como o maestro Cristóvão Bastos.

Dedicado a Maurício Carrilho e Chico Buarque, o disco não disfarça a influência de outros compositores, como Baden Powell, Moacir Santos, Edu Lobo, Dori e Dorival Caymmi. O repertório do álbum e do show tem canções dedicadas a Pixinguinha, Gershwin, Claudionor Cruz, Pedro Caetano e Muhammad Ali, além de fazer menção a nomes como Cândido Portinari e Zilda Arns.

Cândido Portinari – o rapaz do autorretrato aqui ao lado – nasceu em Brodósqui(SP), em 1903, e morreu em 1962, aos 59 anos. É considerado o nosso maior pintor, reconhecido mundialmente por seu talento. O quadro lá de cima (“Descoberta da Terra”), por exemplo, está exposto em Washington, Estados Unidos.

Portinari foi reconhecido inclusive aqui em Jales, terra onde a cultura e a arte não são muito valorizadas. A rua que separa os bairros Aclimação e Estados Unidos tem o nome de Portinari, mas é provável que a maioria dos seus moradores não saiba de quem se trata o homenageado.

No disco, ele foi homenageado por Seixas e Breves, com citação na música “Duas Procissões”. Por conta dessa citação, o Seixas recebeu, há alguns dias, uma agradecida mensagem do filho único de Portinari, o João Cândido Portinari. Ei-la:

Caro amigo Luiz Carlos Seixas, fui lá no youtube, e parei tudo o que estava fazendo, para me emocionar diante da beleza , do sentimento que emana de “Duas Procissões”.

Obrigado a você e ao Toninho Breves pelo carinho com a memória de meu pai!

Gostaria muito de ouvir de novo, se possível, ao vivo. Vocês vão apresenta-la em algum momento?

Com o gratíssimo e fraterno abraço do

João Candido (Portinari)

Sigamos, então, o João Cândido, fazendo uma incursão ao Youtube para ouvir “Duas Procissões“, interpretada pela Ana Luiza, que o Paulinho da Viola considera uma de nossas maiores cantoras.

 

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