FUNDADOR E PRIMEIRA VOZ DO MPB4, RUY FARIA FALECE AOS 80 ANOS

Depois do Magro, agora foi a vez de Ruy Faria sair de cena. Meus ídolos estão morrendo de velhice, o que me leva a supor que também estou ficando velho. O texto abaixo é do blogueiro Mauro Ferreira, do G1:

Poucos cantores brasileiros deram voz a um repertório tão bom quanto Ruy Alexandre Faria (31 de julho de 1937 – 11 de janeiro de 2018). Nascido no município de Cambuci (RJ), o fluminense Ruy Faria gravou o fino do fino da MPB como primeira voz do conjunto MPB4. Se Antônio José Waghabi Filho (1942 – 2013), o Magro, criou como arranjador a marca vocal desse grupo surgido em Niterói (RJ) e profissionalizado a partir de 1965, Ruy Faria ajudou a perpetuar esse DNA vocal em discos e shows ao lado de Aquiles Reis, Miltinho e do próprio Magro.

É por esse legado que Ruy Faria – que saiu de cena na tarde de ontem, aos 80 anos, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), por conta de complicações decorrentes de pneumonia – será sempre lembrado. Como integrante do MPB4, ele deu voz em primeira mão a grandes músicas de grandes compositores da MPB. Basta citar Roda viva (Chico Buarque, 1967), composição defendida pelo grupo em outubro de 1967 no palco do Teatro Paramount, em São Paulo (SP), na final do III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record).

Pela proximidade musical e afetiva com Chico Buarque, aliás, o grupo teve acesso imediato à produção do compositor na segunda metade dos anos 1960. Parceria de Milton Nascimento com Ronaldo Bastos, Fé cega, faca amolada também foi lançada pelo MPB4, em 1974, no álbum Palhaços e reis (Philips). Edu Lobo e Ivan Lins, entre outros grandes nomes da MPB, também foram compositores recorrentes na discografia do grupo.

Além de cantar, Ruy Faria assinou roteiros para shows do MPB4. Entre eles, Feitiço carioca, apresentado em 1987 com roteiro centrado na obra do compositor carioca Noel Rosa (1910 – 1937). Sem Ruy Faria, o MPB4 seguiu a trajetória entre questões (sobre direitos do nome do grupo) nunca resolvidas com a voz que se tornou dissidente em 2004.

Sem o MPB4, Ruy também gravou discos. Um, Amigo é pra essas coisas, foi projeto paralelo lançado em 1984, com o cantor ainda no grupo. Outro, Duplas brasileiras – Só pra chatear, gravado com Carlinhos Vergueiro, saiu em 2005, quando o cantor já não integrava o MPB4.

Ruy foi casado com Cynara Faria, vocalista do Quarteto em Cy, grupo feminino contemporâneo do MPB4, e com ela teve os filhos Francisco, Irene e João Faria. Com Cynara, Cyva (outra voz do Quarteto em Cy) e o filho Chico Faria, Ruy formou em 2017 o quarteto vocal CYB4. Foi o canto de cisne deste artista de voz para sempre associada ao melhor da MPB.

No vídeo abaixo, Ruy canta – com a esposa Cynara e o filho Chico Faria – o samba “Injuriado”, de Chico Buarque de Holanda. O samba teria sido feito para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, em uma viagem a Portugal, andou falando mal de Chico. O compositor, porém, não confirma que FHC seria o alvo de “Injuriado“.

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