JOÃO BOSCO E ROBERTA SÁ – “DE FRENTE PRO CRIME”

Dia desses li notícia sobre um estudo realizado por uma entidade internacional, onde se diz que, das 50 cidades mais violentas do planeta, 17 estão aqui no Brasil. O estudo diz, ainda, que as 17 cidades brasileiras são responsáveis por 34% dos homicídios ocorridos nas 50 cidades mais violentas. 

Uma estatística da qual não se pode ter nenhum orgulho. Da mesma forma, não podemos ter orgulho da total indiferença como nós brasileiros estamos encarando a violência nossa de cada dia. O sofrimento alheio já não nos causa indignação e, ao contrário, até nos aborrece. 

Um exemplo? Na semana passada, em uma padaria da cidade, um sujeito reclamava a plenos pulmões da repercussão que se deu ao assassinato da vereadora Marielle Castro. Na opinião dele, o caso de Marielle deveria ser tratado com o mesmo desinteresse dispensado aos outros 160 assassinatos diários que o Brasil registra, em média. 

A bem da verdade, essa indiferença não é de hoje. Há mais de 40 anos,  precisamente em 1975, João Bosco e Aldir Blanc trataram do tema em “De Frente Pro Crime”. A letra da música narra um assassinato visto de uma janela e a indiferença que a tragédia provoca nas pessoas que se aglomeraram em torno do defunto. 

Diz a letra que, ante a aglomeração em torno do corpo estendido no chão, um camelô se aproveita para “vender anel, cordão e perfume barato”, enquanto uma baiana prepara “um bom churrasco de gato”. No final, o próprio narrador, também indiferente, fecha a “janela de frente pro crime” e vai tratar de sua vida.

No vídeo abaixo, João Bosco e Roberta Sá – acompanhados pelo Trio Madeira Brasil – cantam a cada vez mais atual “De Frente Pro Crime”.

 

2 comentários

  • Dia desses ouvi um cara discorrendo sobre essa música no rádio,e elogiava o fato da canção começar triste e acabar numa alegre batucada.Esqueceu de dizer que a crítica dos autores é justamente a insensibilidade,individualismo e indiferença diante de um crime tão bárbaro.
    A música é da lavra-setentista de João Bosco e Aldir Blanc,a fase mais inspirada de ambos,na minha opinião.

  • A música ”De frente pro Crime” remete à ”Construção” de Chico Buarque.Apesar da causa da morte ser outra,o descaso pela vida humana é o mesmo.Enquanto a morte do primeiro atrai oportunistas querendo faturar,a morte do operário da construção civil ”apenas” altera o fluxo urbano.Alguém teve a ousadia de morrer atrapalhando o tráfego,o público e o sábado.
    É a violência urbana corriqueira e a exploração capitalista embotando as consciências.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *