MÁRCIA TAUIL – “TODO O SENTIMENTO”

Cantora, compositora e professora de canto, a mineira Márcia Tauil já esteve em Jales em pelo menos duas ocasiões. A primeira foi em 2000, quando ela participou do 1° Festival de Música “Mauro Ferraz”, organizado pela nossa Secretaria Municipal de Cultura.

A segunda vez foi em 2004, quando tivemos a segunda – e última – edição do festival. Em ambas as edições, Márcia ganhou o prêmio de “Melhor Intérprete”. Em 2000, entrevistada no Brasil & Cia – programa que apresento na Regional FM, aos domingos – ela me presenteou com um exemplar do seu primeiro CD, “Águas da Cidade”, gravado em 1999.

O Festival “Mauro Ferraz”, pode-se dizer, foi um evento bissexto, que só aconteceu em anos eleitorais e, como já se disse, apenas duas vezes. Iniciado no último ano do governo Rato – que planejava se reeleger – o festival contou com grandes músicos e compositores.

Hilário Pupim – eleito pela Câmara para um mandato tampão, depois das mortes de Guisso e Caparroz – era o prefeito quando se deu a segunda edição, em 2004. Humberto Parini, me lembro bem, estava entre os espectadores dessa segunda edição. Ele seria candidato nas eleições que ocorreriam dois ou três meses depois. Eleito, Parini não deu a menor atenção ao festival e, ao contrário, conseguiu acabar com ele.

Mauro Ferraz, o homenageado, foi ator de teatro amador, aqui em Jales, e locutor da Rádio Assunção no tempo em que ainda não existiam as FMs. Dono de uma poderosa voz, ele, jovem ainda, se mandou para São Paulo na primeira metade dos anos 80, a fim de tentar a sorte como ator. Na capital, atuou em algumas peças teatrais, deu aulas de teatro e até fez ponta em uma novela da Globo.

Em 1995, acometido de Aids, Mauro retornou a Jales para viver aqui, entre os familiares, o tempo que lhe restava. O corpo sofria com as consequências da doença, mas a voz continuava a mesma. Ele chegou a combinar comigo a gravação de algumas vinhetas para o “Brasil & Cia”, mas não deu tempo. Uma ou duas semanas depois da nossa conversa, Mauro faleceu.

Voltemos, porém, à talentosa Márcia Tauil. No vídeo abaixo, ela canta – acompanhada pelo piano de Cristovão Bastos – uma obra prima da MPB: “Todo o Sentimento”, letra do Chico Buarque e melodia do maestro Cristovão, uma canção, no dizer de Elba Ramalho, “densa e difícil de cantar”.

Em 2017, a Folha de S.Paulo fez uma enquete entre 40 personalidades da música onde cada um poderia indicar suas três músicas preferidas de Chico, uma missão complicada, já que ele tem mais de 500 obras. Se o nosso amigo Marco Poleto, por exemplo, estivesse entre os entrevistados, com certeza teria citado “Futuros Amantes” três vezes.

Mas como o Poleto não participou da enquete, “Construção” acabou sendo a mais citada, seguida de “O Que Será” , “As Vitrines” e “Roda Viva”. Citada por seis personalidades, “Todo o Sentimento” não subiu no pódio, mas chegou ao top ten. Elifas Andreatto, um dos que a citaram, chegou a dizer que um verso da música (“prometo te querer até o amor cair doente”) poderia tranquilamente substituir, nos casamentos, o famoso “até que a morte os separe”.

Deixemos, porém, esse assunto para os padres e fiquemos com o vídeo da Márcia Tauil:

1 comentário

  • MARCO ANTONIO POLETTO

    A única cultura que existe em Jales é a cultura da Festa de Peão. Eu me lembro do primeiro Festival Estudantil organizado pelo Professor Ariovaldo nosso querido ” Tatinha “. Eu com apenas com 14 anos era o baterista do conjunto que acompanhava os participantes. Mauro Ferraz concorreu
    com a música Jangadinha que vai e vem. Saudades.

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