MARIENE DE CASTRO E ALMÉRIO – “ESPUMAS AO VENTO”

Tenho um amigo, o Tinhoso, que – assim como o Odair Brassolati, da Transportadora Zero Hora – é fã ardoroso do Fagner. De modo que ele, certamente, preferiria ver e ouvir “Espumas ao Vento” com o Raimundão. Eu, porém, não estou nem aí para as preferências do Tinhoso, um assíduo frequentador dos bailes da terceira idade.

Assim, vou preferir mostrar aos frequentadores deste modesto blog uma versão mais recente de “Espumas ao Vento”, com dois artistas menos conhecidos. Um deles chama-se Almério, o bigodudo da foto acima. Filho de família pobre, ele nasceu no banheiro da casa humilde em que seus moravam, em Altinho, no sertão de Pernambuco.

Há alguns anos, Almério deixou Caruaru(PE), para onde havia se mudado, e desembarcou no Rio de Janeiro. Apadrinhado por Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, aquecia a plateia, cantando antes do show “Grande Encontro”. No ano passado, ele ganhou o prêmio de revelação do ano, na 29ª edição do “Prêmio da Música Brasileira”.

A outra é a baiana Mariene de Castro. Vocacionada para a música desde criança, quando, ainda em Salvador, estudou canto, ela começou a carreira atuando como backing vocal de Carlinhos Brow, Márcia Freire e do grupo Timbalada. Em 1996, excursionou pela França, cantando em mais de 20 cidades, sendo aclamada pela crítica francesa e comparada – pasmem! – à diva Edith Piaf.

Mariene tem três CD’s de estúdio e outros dois gravados “ao vivo”, sendo um deles – chamado “Ser de Luz” – totalmente dedicado ao repertório de Clara Nunes, com quem muita gente a acha parecida. Não por acaso, ao prestar homenagem a Clara, no carnaval deste ano, a Portela arrepiou a arquibancada ao colocar Mariene na Comissão de Frente (ao lado), como se fosse a Sabiazinha.

Mariene e Almério estão cantando juntos desde 2017, no show “Acaso Casa”, que virou CD, lançado ontem, sexta-feira. O CD gravado “ao vivo” inclui 19 das 26 músicas do show, entre elas, “Espumas ao Vento”.

“Espumas ao Vento” ficou conhecida quando Fagner a gravou, em 1997. Antes, porém, ela já tinha sido gravada pelo forrozeiro Flávio José, num ritmo bem mais agitado. A música é de autoria do compositor pernambucano Accyoli Neto, falecido em outubro de 2000, aos 50 anos, vítima de um aneurisma cerebral.

Antes do aneurisma, Accyoli já tinha passado por maus bocados. Em 1993, ao voltar de Maceió(AL) para Recife(PE), ele sofreu um acidente que deixou-lhe várias sequelas e causou-lhe uma profunda depressão. Mesmo deprimido, ele continuou compondo, sendo “Espumas ao Vento” desse período.

Vamos ao vídeo:

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