IMPRENSA EUROPEIA DÁ CRÉDITO A LULA PELAS CONQUISTAS SOCIAIS QUE ELE PROMOVEU

Deu no portal francês RFI:

É consenso entre especialistas e jornalistas europeus que a luta contra a corrupção é absolutamente necessária no Brasil. Mas dentro das regras democráticas, constitucionais e desde que se observe a mesma exigência para toda a classe política, independentemente de cargo e partido político.

Muitos observadores europeus notam que a celeridade dada ao processo do ex-presidente Lula, eleito pelo Partido dos Trabalhadores, denuncia uma intenção política do Judiciário brasileiro de afastá-lo da corrida presidencial de 2018. Não é que eles “compram” a tese dos defensores de Lula e do próprio ex-presidente. Eles apenas observam, ouvindo as divergências de opinião entre juristas, que o Judiciário agiu, no caso de Lula, com um rigor e celeridade excepcionais.

O jornal britânico The Guardian afirma que a prisão de Lula “representará um golpe à sobrevivência política do primeiro presidente da classe trabalhadora do Brasil e potencialmente aprofundará as divisões no país, que tem sido afetado por episódios de violência política”. Como assinalam alguns juristas brasileiros, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem dilatado a tensão. Passou de poder moderador a poder tensionador.

Em um carta aberta publicada no The Guardian, quatro deputados trabalhistas do Reino Unido, dois integrantes da Câmara dos Lordes, líderes sindicais, ativistas de Direitos Humanos, além de professores de Direito e de Ciência Política, relatam “as tentativas de impedir que o popular ex-presidente Lula da Silva permaneça na eleição presidencial do Brasil em outubro”.

Os assinantes afirmam que “Lula foi submetido a uma acusação e condenação política”, ignorando “evidências de sua inocência” e desencadeando uma “crise de confiança no Estado de Direito”. “Não se trata apenas de um homem, mas do futuro da democracia no Brasil. Acreditamos que ele deveria ter permissão para ficar em liberdade. O povo brasileiro pode decidir seu próprio futuro”, diz o texto da carta.

A revista alemã Der Spiegel, assim como o jornal francês Le Monde, notam uma deformação na forma como os simpatizantes do ex-presidente Lula e também seus detratores se referem ao ex-chefe de Estado. “Herói ou bandido?”, intitula nesta sexta a publicação alemã. A figura do ex-chefe de Estado foi estigmatizada e estereotipada de forma paradoxal.

Os europeus estão acostumados a ter da extrema-direita à extrema-esquerda no debate político e lamentam que a divergência de ideias, intrínseca à democracia, esteja tendendo para a violência no Brasil. O que mais impressiona a imprensa europeia é a polarização política, a profunda divisão atual da sociedade brasileira, momentaneamente irreconciliável.

O conservador Le Figaro cita hoje o assassinato recente da vereadora Marielle Franco (PSOL) e o ataque a tiros à caravana de Lula durante sua campanha pelo sul país. “Lula se coloca como um mártir de uma Justiça decidida a impedi-lo de conquistar o seu terceiro mandato”, evidenciado pelas pesquisas de opinião, diz Le Figaro. Mas “os brasileiros não se esquecerão do presidente que fez mais de 30 milhões de pessoas saírem da miséria”.

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