COVID-19: TAXA DE MORTALIDADE DE QUEM USA CLOROQUINA É IGUAL À DE QUEM NÃO USA, DIZ FIOCRUZ

O ex-urubólogo Alexandre Garcia é outro que, por algum motivo republicano, virou garoto propaganda da cloroquina. Um dia desses ele propagandeou experimentos feitos por médicos ligados ao plano de saúde Prevent Sênior. Segundo ele, até a mãe de um dos médicos, uma senhora de 75 anos, foi curada com a cloroquina.

O que o ex-urubólogo se esqueceu de dizer é que os donos do Prevent Sênior são também donos do hospital Sancta Maggiore, com quatro unidades em São Paulo. Até a quinta-feira passada, 96 idosos já tinham morrido de Covid-19 nos hospitais Sancta Maggiore, o que representava, naquele momento, quase a metade das vítimas registradas no estado de São Paulo.

E não se enganem. Ninguém está fazendo propaganda da cloroquina de graça. Outros remédios “milagrosos” já surgiram na Austrália, em Cuba e outras partes do mundo. A própria Fiocruz está testando um remédio (atazanavir) que, segundo a Folha, vem obtendo mais sucesso que a cloroquina.

O New York Times está noticiando hoje que o presidente Trump – outro garoto propaganda da cloroquina – é sócio de uma empresa que fabrica o remédio. Mas, vamos à notícia da Folhapress:

Os resultados preliminares de um estudo feito com a cloroquina pela Fiocruz e pela Fundação de Medicina Tropical mostraram que a letalidade no grupo de pacientes com Covid-19 testado, em estado grave, foi de 13%.

De 81 doentes internados que tomaram o medicamento, 11 morreram. A taxa de mortalidade verificada em pacientes em iguais condições que não usaram a droga é de 18%, segundo estudos internacionais, inclusive da China. A proximidade dos dois índices não permite afirmar, por enquanto, que a cloroqeleuina possa fazer diferença fundamental no tratamento dos doentes infectados pelo novo coronavírus.

“Os otimistas podem achar que a taxa com o uso da cloroquina é menor. Os otimistas podem achar que é igual. Estatisticamente, é igual, na margem de confiança”, diz o infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz, que participa do estudo.

A pesquisa deve seguir, portanto, até que os dados sejam conclusivos. “Tudo pode, mas não podemos achar nada”, diz ele, reafirmando que é preciso esperar pelas conclusões científicas e seguras do estudo. Ele prevê que 440 pacientes, de diferentes hospitais do país, sejam testados, o que pode durar ainda de dois a três meses.

O grupo de pesquisa é integrado também pela cardiologista Ludhmila Hajjar, do Incor de SP.A ideia inicial era que a metade dos doentes tomasse uma dose de 10g de cloroquina e o outro grupo, a metade disso.A dose maior, no entanto, se mostrou tóxica, provocando reações indesejadas, como arritmia e “outras complicações graves”, diz Marcus Lacerda.

O uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus viraram uma palavra de ordem do presidente Jair Bolsonaro, que quer liberar o uso mesmo antes da conclusão segura de estudos feitos no Brasil e no mundo.O ministro Luiz Mandetta, da Saúde, tem se recusado a endossar o uso generalizado antes da palavra final dos cientistas.

10 comentários

  • Cloroquina e a questão politica

    Parece que o uso do cloroquina virou um questão politica entre a esquerda e a direita? Todo mundo sabe que o cloroquina não é remédio para este vírus mas este medicamento apresentou resultados promissores contra o coronavírus, mas ainda não foi respaldado por estudos científicos mais aprofundados.
    Este remédio está sendo usado por alguns médicos para casos graves, em hospitais. Nem Bolsonaro ou Mandetta ou os petistas vão determinar o remédio a ser receitado por um médico.
    Existem médicos defensores do uso de hidroxicloroquina com Azitromicina em pacientes com Covid-19. Eles baseiam-se em estudos positivos iniciados na França e que ganharam o mundo.

  • sukodilaranja@hotmail.com

    Na duvida, porque não testar auto hemoterapia. É barato. Não tem contra indicação. Testa nos casos terminais.

  • Nobody

    Interessante é saber que Donald Trump e alguns apoiadores do partido republicano são parceiros do laboratório francês, o maior fabricante de hidroxiclororquina no mundo (matéria do New York Times reproduzida pela Isto é).
    E por tabela a nossa rainha da Inglaterra, Vossa Alteza Bolsonaro (é o dono da cadeira, mas não manda!), virou garoto propaganda do remédio.
    Tirem suas conclusões.

    • Cloroquina e a questão politica 2

      Nobody
      No Brasil, os laboratórios do exército brasileiro irão ampliar a produção de cloroquina. Será que Bolsonaro é sócio do exercito? kkkk
      A Prevent Senior e o Hospital Albert Einstein anunciaram também que testarão o uso do medicamento cloroquina. A Prevent Senior anunciou que usará, em caráter experimental, a cloroquina e o antibiótico Azitromicin, com autorização das famílias, em pacientes com o quadro confirmado de contágio pelo novo coronavírus.
      Não existe outro remédio que foi usado com melhores resultados.

      • Rapizodia

        Você está dizendo que somente com autorização da família é que usariam o tal medicamento? As famílias terão a responsabilidade de prescrever ao médico então!? É sabido que o medicamento pode até matar o paciente. Em que momento ou estágio da doença poderia ser dado o medicamento? Entendo que neste caso, estão empurrando aos familiares o ônus de uma suposta morte e suas implicações pelo mau uso do medicamento por pura pressão econômica dos agentes do Estado.

  • O virus e o remédio de piolho

    Não só o Cloroquina mas existem vários remédios para o vírus, até remédio de piolho pode matar o novo coronavírus em 48 horas, diz estudo. A Ivermectina poderia ser empregado com eficácia, também.
    Entre os compostos que a OMS irá estudar estão o Ritonavir e Lopinavir, que formam um dos coquetéis antirretrovirais usados para controlar o vírus da aids. Somando a combinação com o interferon beta, atualmente incluído no tratamento da hepatite C.
    Temos ainda o o Remdesivir que é um composto que atua tentando conter a replicação de determinados vírus. Porem está aí uma equação difícil de resolver.
    Geralmente, para que um remédio seja oficialmente indicado contra uma doença, mesmo que já tenha eficácia comprovada para outros males, é preciso cumprir etapas científicas rígidas e caras.

  • Cloroquina é para os ricos, para os. Pobres e remédio de piolho ou vinagre com óleo de mamona, que funciona do mesmo jeito, óleo de mamona com vinagre mata até carrapato, só não vai trabalhar quem não quiser, a cura está lançada depois não reclama da crise.

    • Odulia Carvalho

      Nao é caro, é barato, porem como nao deve ter na rede publica , nao o utilizam e deixam pacientes do SUS morrerem! Ate que se concluam os estudos ( leva uns 6 meses) sobre a cloroquina acho que por orientaçao medica é melhor usa-la nao? Foi o medicamento usado pelo secretario de saude do Doria, Davi Uip!Sei por um primo medico do Eisntein que os hospitais particulares estao vazios, só os SUS que estao lotados.Coitado do pobre!

  • Thiago

    Acho que a questão é muito simples.

    Se o cidadão contrai o COVID19 pode ESCOLHER se quer ou não fazer uso do medicamento.

    Em ambos os casos assine um termo de responsabilidade e pronto, problema resolvido.

    O medicamento tem efeitos colaterais ?. SIM, mas leia a bula de um ansiolítico e veja quantos efeitos colaterais ele pode causar, efeitos colaterais GRAVES, no entanto muitas pessoas fazem uso e escolhem se submeter aos tais efeitos colaterais.

    As pessoas estão fazendo tempestade em copo d´água, basta liberarem para uso e que cada um decida se quer ou não usar e pronto.

    Eu, particularmente, usaria sem qualquer receio, tenho o hábito de ler bula de todos os remédios que tomo e, sinceramente, se fosse pensar nos efeitos colaterais ninguém tomaria nem aspirina.

  • Thiago

    Segue a lista dos efeitos colaterais da popular aspirina.

    O uso de Aspirina® pode causar as seguintes reações adversas:

    Distúrbios do trato gastrintestinal como má digestão (dispepsia), dor gastrintestinal e abdominal, raramente inflamação gastrintestinal, úlcera gastrintestinal, podendo levar, mas muito raramente, a úlcera gastrintestinal com hemorragia e perfuração;
    Aumento do risco de sangramento devido a seu efeito inibitório sobre a agregação plaquetária, como hemorragia intra e pós-operatória, hematomas, sangramento nasal (epistaxe), sangramento urogenital (pela urina e genitais) e sangramento gengival;
    Foram raros a muito raros os relatos de sangramentos graves, como hemorragia do trato gastrintestinal e hemorragia cerebral (especialmente em pacientes com pressão alta não controlada e/ ou em uso concomitante de agentes anti-hemostáticos), que em casos isolados podem ter potencial risco de morte;
    Anemia pós-hemorrágica/ anemia por deficiência de ferro (por exemplo, sangramento oculto), a longo ou curto prazo (crônica ou aguda), apresentando sintomas como fraqueza (astenia), palidez e diminuição da circulação sanguínea (hipoperfusão);
    Reações alérgicas (hipersensibilidade) como asma, reações leves a moderadas que potencialmente afetam a pele, o trato respiratório, o trato gastrintestinal e o sistema cardiovascular, com sintomas tais como erupções na pele (rash cutâneo), urticária, inchaço (edema), coceira (prurido), rinite, congestão nasal, alterações cardiorespiratórias e, muito raramente, reações graves, como choque anafilático;
    Mau funcionamento temporário do fígado tem sido relatado muito raramente (disfunção hepática transitória com aumento das transaminases hepáticas);
    Zumbidos (tinitos) e tonturas, que podem ser indicativos de sobredose;
    Destruição/rompimento das células sanguíneas (hemólise) e anemia hemolítica em pacientes que sofrem de deficiência grave de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD);
    Comprometimento dos rins e alteração da função dos rins (insuficiência renal aguda).

    https://consultaremedios.com.br/aspirina/bula

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