Categoria: Música

FAGNER – “DESLIZES”

Acho que o meu amigo Tinhoso – um ardoroso fã do Fagner – irá gostar do post musical deste sábado. Raimundo Fagner Cândido Lopes era pra se chamar, na verdade, Raimundo Wagner, em homenagem ao compositor alemão Richard Wagner, mas tudo indica que o sotaque do pai dele, um imigrante libanês, confundiu o rapaz do cartório e atrapalhou a homenagem.

O fato, porém, é que o erro do cartorário acabou inspirando muitas mães (e pais), na hora de escolher o nome de seus filhos. Aqui em Jales, por exemplo, eu conheci pelo menos três rapazes chamados Fagner. Um deles é o ex-vereador Fagner Amado Pelarini, o Nenê do Pet Shop.

E uma das músicas que ajudaram a popularizar o nome de Fagner foi, certamente, “Deslizes”, composta pela dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas (com a Xuxa, na foto acima), que, nos anos 80, foram autores de várias músicas de sucesso, interpretadas por cantores como Tim Maia, Gal Costa, Sandra de Sá, Roberto Carlos, Joanna, Fafá de Belém, Alcione, etc.

O detalhe curioso é que Fagner não queria incluir “Deslizes” em seu disco “Romance no Deserto”, de 1988. A música foi composta por Sullivan e Massadas em 1984 e enviada para Roberto Carlos, mas chegou atrasada. O disco do rei, daquele ano, já estava praticamente pronto quando a música chegou, de modo que ela ficou de fora.

Por quatro anos, os compositores mostraram “Deslizes” para mais de trinta cantores, que não se dispuseram a gravá-la. Finalmente, em 1988, Fagner ouviu a canção e gostou, mas, por algum motivo, implicou com ela. Graças à insistência de Michael Sullivan, que era o produtor do disco, Fagner gravou a música, mas já tinha decidido que não a incluiria no LP.

A gravação foi testemunhada por uma mulher que fazia a faxina do estúdio. No dia seguinte, quando Fagner voltou ao estúdio para retomar as gravações, encontrou a faxineira cantando a música enquanto varria. Ele percebeu, então, que “Deslizes” era uma daquelas músicas que caíam rapidamente no gosto popular e decidiu incluí-la no disco.

Outro detalhe curioso é que “Deslizes” é conhecida, também, como a “melô do corno”, mas, segundo Sullivan, a letra foi escrita por Massadas a partir do ponto de vista feminino e retrata a desventura amorosa de uma mulher que, aparentemente, tem um amante do qual ela sabe muito pouco.

Vamos ao vídeo:

ARTISTA VOTUPORANGUENSE DE 17 ANOS LANÇA PRIMEIRO SINGLE CANTANDO CLÁSSICO DE FRANK SINATRA

Quando Howard Ballard compôs essa clássica música americana, deu a ela o nome de “In others words” (Em outras palavras). Depois de vinte anos de carreira musical, ele a teria escrito em vinte minutos e, por isso mesmo declarou, em certa ocasião, que demorou 20 anos para descobrir como escrever uma música em 20 minutos.

Um artista jovem que começa a sua carreira cantando “Fly me to the moon” é porque deve ter muito talento. Eu já ouvi e gostei. A notícia me foi enviada pela jornalista Giana Rodrigues:

A música de estreia de MARCO MUZI nas plataformas digitais tem lançamento HOJE, dia 9 de abril. “Fly me to the moon” expressa o interesse artístico do jovem intérprete pelas canções atemporais e pelas experiências eletrônicas. Em sua performance, o cantor e compositor revisita este clássico do passado em arranjo contemporâneo, energizado pela estética Lofi, com a produção do maestro Ney Marques pelo selo Simple Lofi e distribuição da OneRPM.

Tendo como base as influências musicais do artista, a escolha dessa canção mostra também o potencial vocal de Marco, que com 17 anos se destaca pelo timbre e afinação impecáveis, além do vasto repertório que possui.

Clássico de composição do pianista Bart Howard, ficou amplamente conhecido na voz de Frank Sinatra, que gravou a canção em 1964. “Fly me to the moon” teve essa versão intimamente ligada às missões da nave Apollo na lua, coordenadas pela NASA, que levaram Apollo 11 ao solo lunar em 1969.

Marco Muzi traz com sua versão de “Fly me to the moon” um clipe que mistura sua atuação ao piano com desenho animado em que através da força do amor os personagens chegam à lua e sentados no satélite da terra observam o espaço enamorados. É a tradução da sensação que essa música passa ao ouvinte: tão gostosa quanto flutuar no espaço.

O ARTISTA

Marco, hoje com 17 anos, começou a tocar guitarra aos 3.

Iniciou seus estudos com o Jazz, Bossa Nova e MPB aos 8 anos, influenciado pelo irmão pianista. O tio baterista o apresentou ao universo das baquetas com as quais metralhou durante a infância objetos de onde conseguisse extrair arremedos de rock. Em casa, Samba, Ópera e MPB se articulavam em consenso.

A partir desse caldo musical, desenvolveu preferências ecléticas por Chopin, Chet Baker, João Gilberto e Frank Sinatra. A curiosidade pela produção de beats o levou ao gênero Lofi no início da adolescência.

Em 2020, chegou a mudar-se de Votuporanga para São Paulo para aprofundar seus estudos de canto lírico e popular com o professor Gilson Nery, no Conservatório Souza Lima, e segue em aulas on-line em função da pandemia. Em 2021, pelo selo Simple lofi e OneRPM, lança em todas as plataformas digitais seu primeiro single “Fly me to the moon” neste dia 9 de abril.

Vamos, então, voar para a lua, com o Marco Muzi:

MARIA BETHÂNIA – “NON, JE NE REGRETTE RIEN”

Maria Bethânia, a nossa Abelha Rainha, talvez seja a cantora de MPB que mais valoriza a língua portuguesa. Ao longo de 55 anos de carreira – iniciada em 1965, quando ela chegou ao Rio de Janeiro para substituir Nara Leão no espetáculo Opinião – é possível contar nos dedos de uma só mão as músicas que ela gravou em outras línguas.

Em inglês, por exemplo, ela gravou apenas uma: “Whats New”, do disco “A Tua Presença…”, de 1971. E, que eu me lembre, gravou duas em castelhano: “Pecado”, no disco “Pássaro Proibido”, de 1976, e a célebre canção cubana “Guantanamera”, do show “Noite Luzidia”, de 2013.

E mais recentemente, ela incluiu no show “Abraçar e Agradecer”, transformado em CD e DVD, a icônica canção francesa “Non, Je Ne Regrette Rien”, composta em 1956 e gravada pela primeira vez em 1960, por Edith Piaf.

Nesta semana, essa canção foi muito lembrada, depois que o ex-juiz Sérgio Moro a citou para garantir, em entrevista, “que não se arrepende de nada”. Moro mudou o nome da cantora para Edith Piá, o que virou motivo de brincadeira nas redes sociais.

“Non, Je Ne Regrette Rien” foi uma das últimas gravações de Edith Piaf, que já estava bastante debilitada quando a cantou pela primeira vez. A música se tornou a balada mais famosa de Edith e é tida como sua canção-testamento, embora não tivesse sido composta por ela.

Abatida por um câncer, Edith mal conseguia se colocar de pé sozinha em seus últimos shows. Ela morreu em 1963, aos 47 anos, mas com aparência de 70, enrugada e frágil por conta não apenas do câncer, mas também de muita infelicidade e de um reumatismo que lhe exigia muita morfina.

A cena final do filme “Piaf – Um Hino ao Amor”, que pode ser vista aqui, nos dá uma ideia de como foram difíceis os últimos anos da cantora. No filme, Edith é maravilhosamente interpretada pela francesa Marion Cotillard, cuja atuação lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz, em 2008.

No vídeo, “Non, Je Ne Regrette Rien” é interpretada por Maria Bethânia. Reparem que em meio à música, ela declama um texto muito bonito, mas dessa vez não se trata de nenhum poema de Fernando Pessoa ou de um de seus heterônimos, que Bethânia gosta de incluir em meio às canções que canta. O texto é a tradução da música de Piaf, ou, como diria o Moro, da Piá.

ROBERTO CARLOS E CONVIDADAS – “COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ”

A terra é redonda, o céu é azul, Bolsonaro é um boçal e o Brasil é o país das cantoras, já disse um velho jornalista. São verdades irrefutáveis, embora o céu, vez em quando, se pinte de cinza e existam, nestes tempos estranhos, controvérsias quanto ao formato arredondado do planeta.

Já quanto ao Brasil ser o país das cantoras, acho que não há nenhuma controvérsia. O vídeo abaixo, onde o Rei Roberto Carlos se faz acompanhar de quase duas dúzias de grandes cantoras, é um pequeno exemplo de como somos privilegiados nesse quesito.

E olhem que ainda ficaram faltando Bethânia, Gal, Marisa Monte, Simone, Rita, Elba, Elza, Zélia, Leila, Roberta Sá e outras. Sem falar nas que já se foram, como Elis, Clara, Nara e a divina Elizeth, que, no dizer de Chico Buarque, tinha voz de mãe, “mãe de todas as cantoras”.

Voltando ao vídeo, que é de 2009, aqueles que tiverem tempo para apreciá-lo verão que Roberto e suas convidadas cantam um clássico do repertório do Rei – “Como é Grande o Meu Amor Por Você” – composta só por ele, sem a colaboração do grande parceiro, Erasmo.

“Como é Grande o Meu Amor Por Você” surgiu no início de 1966, quando Roberto começou a namorar sua primeira esposa, Nice, que foi a inspiração para a canção. Curiosamente, Nice não era lá muito fã do Roberto e gostava de apenas uma de suas canções: “Não Quero Ver Você Triste”, que ele tinha feito pra outra namorada, uma moça chamada Magda.

Roberto resolveu, então, escrever uma música para seu novo amor, que foi composta em um quarto de hotel, no Recife. Durante um ano e meio, Roberto cantou “Como é Grande o Meu Amor Por Você” apenas para Nice.

Os (as) fãs do Rei só conheceram a música inspirada em Nice no final de 1967, quando ocorreu o lançamento do disco “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”. A primeira vez que Roberto a cantou na TV foi em janeiro de 1968.

“Como é Grande o Meu Amor Por Você” já foi regravada, entre outros, por gente como Hebe Camargo, Tânia Alves, Zizi Possi, Nelson Gonçalves, Adriana Calcanhoto, Maria Creuza, Nara Leão, Fábio Jr., Fagner, Oswaldo Montenegro, a portuguesa Raquel Tavares e até pela sertaneja Roberta Miranda.

Nice – que era desquitada e tinha uma filha – e Roberto tiveram que se casar na Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra. No dia do casamento, o ambiente na cidade não era dos melhores, com soldados por todos os lados, em função da morte do guerrilheiro Che Guevara, ocorrida naqueles dias, numa região próxima.

O casamento com Nice durou 11 anos, de 1968 e 1979. Ela morreu em maio de 1990, aos 49 anos e, na despedida, amigos e parentes cantaram “Como é Grande o Meu Amor Por Você”.

KLEITON & KLEDIR E MPB4 – “VIRA VIROU”

Os irmãos Kleiton Alves Ramil e Kledir Alves Ramil, gaúchos de Pelotas, começaram a carreira em um grupo de rock – o Almôndegas – ainda nos anos 70. Ao final daquela década, deixaram o grupo e partiram para a carreira em dupla.

Em 1980, já atuando como dupla, eles lançaram o primeiro álbum, cujo maior destaque foi a música “Vira Virou”, uma composição de Kleiton, que é, até hoje, um dos grandes sucessos da carreira dos dois irmãos.

Kleiton conta que a música foi composta em 1979, em Porto Alegre. Naquele ano, ele combinou uma viagem para a Europa com sua namorada, mas o namoro acabou antes e Kleiton resolveu, então, viajar sozinho. Foram pouco mais de 2 meses viajando com um violão a tiracolo e, ao passar por Portugal, o último país antes do retorno, ele conheceu uma cantora portuguesa.

“Quando voltei ao Brasil, ela me pediu uma música e então ‘Vira Virou’ foi composta para essa cantora que era muito novinha. Eu escrevi falando de Lisboa porque era uma cantora portuguesa mas a música, na sua essência, representa não só a história de Lisboa, mas a minha paixão pela Europa”.

Na época, o Brasil ainda estava sob o regime militar e Kleiton vivia uma fase de muito pessimismo, contra a qual ele lutava internamente. “Quando eu criei a letra de ‘Vira Virou” me impus o compromisso de não escrever a palavra ‘não’, nem escrever palavras negativas como ‘nunca’, ‘jamais’ e outras. Por isso eu tenho o maior carinho por essa canção”.

Kleiton diz, também, que se orgulha do fato de a canção – que fala da Revolução dos Cravos ocorrida em Portugal, em 1974 – ter se tornado um símbolo de mudança e de resistência. “No comício realizado em 1984, em frente a igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, nós cantamos ‘Vira Virou’ e fomos acompanhados pela multidão, que pedia a volta da democracia”.

No vídeo, Kleiton e Kledir cantam “Vira Virou”, acompanhados pelo MPB4, em gravação de 2018.

SIMONE E ZELIA DUNCAN – “TÔ VOLTANDO”

Nesta semana, o asqueroso ex-urubólogo Alexandre Garcia, em um dos seus comentários no Antena Ligada, insinuou que o PT já teria conhecimento, no domingo, 07, da decisão do ministro Edson Fachin, divulgada na segunda-feira, 08.

O que levou o sabichão a essa falsa conclusão foi o fato de o senador Humberto Costa(PT-PE) ter postado em suas redes sociais um vídeo – veja aqui – em que o ex-presidente Lula aparece fazendo exercícios, tendo como fundo musical a canção “Tô Voltando”, cantada, segundo o ex-urubólogo, pelo Chico Buarque.

Pra começo de conversa, o vídeo é de 2017 e já foi postado pelo senador Humberto Costa em outras ocasiões. Vira e mexe, o senador posta o vídeo, demonstrando ter confiança de que Sérgio Moro será julgado suspeito e, por consequência, serão anuladas as condenações de Lula. Nada a ver, portanto, com a decisão de Fachin, que pegou todo mundo de surpresa, inclusive o Lula.

Tão falsa quanto a insinuação de que o senador já sabia antecipadamente da anulação das condenações de Lula, é a informação do ex-urubólogo sobre quem está cantando a música no vídeo. Chico Buarque não compôs e nunca cantou essa música. Ela foi gravada por Simone e não é preciso ter um ouvido muito bom para saber que, no vídeo, a voz é da cantora baiana.

Algumas músicas ganham sentidos e propósitos que não são esperados nem pelos seus compositores. É o caso de “Tô Voltando”, de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. A letra da música é uma espécie de carta que um homem escreve para sua mulher, avisando que está voltando de viagem e pedindo para que ela prepare a casa e se prepare para sua chegada.   

A música foi feita a partir de uma ideia de Maurício Tapajós, cansado de viagens e com muita saudade de casa, depois de uma turnê de mais de um mês pelo Nordeste. Maurício passou a ideia para o compositor Paulo César Pinheiro, que escreveu a letra. Corria o ano de 1979 e Simone – que estava gravando um disco – ouviu o samba e não titubeou: “É meu!”.

A música se transformou em um sucesso imediato e pouco tempo depois de lançada, ainda em 1979, virou o hino dos anistiados. Paulo César Pinheiro é quem conta:

“Eu estava vendo o Jornal Nacional da TV Globo, cujo tema central naquele dia era o retorno dos exilados políticos ao nosso país, quando, pra minha surpresa, no avião lotado por nossos companheiros, entre entrevistas e choros ao vivo, entoou-se, numa só voz, o “Tô Voltando”. A cena foi uma pancada no meu coração. Tive que respirar fundo e sair da frente da tevê pra não enfartar”.

Como se vê, o ex-urubólogo, na ânsia de lançar suspeitas sobre o PT, desinforma os seus ouvintes. É bem verdade que muita gente pensa, até hoje, que “Tô Voltando” é do Chico Buarque, porque ele é muito identificado com canções de combate ao regime militar e à ditadura. Mas um jornalista que se acha o ó do borogodó, como o Alexandre Garcia, deveria ser mais cuidadoso com o que diz.

No vídeo abaixo, Simone e Zelia Duncan cantam “Tô Voltando”:

QUARTETO EM CY – “CARTA AO TOM 74 / FALANDO DE AMOR”

Tom Jobim e Vinícius de Moraes tinham a mania de escrever cartas um para o outro, mas, nem sempre eles enviavam as cartas que escreviam, umas vezes por esquecimento, outras por não encontrar tempo para colocá-las no correio.

Em 1973, Vinícius transformou isso em música, ao escrever “A Carta Que Não Foi Mandada”, uma linda canção do disco “Vinícius em Cy”, do Quarteto em Cy, que eu cansei de ouvir. A música trata, é claro, de uma carta que não foi enviada.

Em 1974, o poetinha escreveu outra carta musical – “Carta ao Tom 74” – dedicada a Tom Jobim. Os versos de Vinícius, musicados por Toquinho, falam com saudade do apartamento que Tom tinha em Ipanema, onde eles se encontravam para escrever as músicas da peça “Orfeu da Conceição”(1956).

Foi nesse mesmo apartamento, em 1958, que eles se reuniam para compor as músicas do disco “Canção do Amor Demais”, da divina Elizeth Cardoso, um dos marcos iniciais da Bossa Nova.

Foi nesse disco que “Chega de Saudade” foi gravada pela primeira vez. Foi também a primeira vez que se ouviu a batida do violão de João Gilberto, que acompanhou Elizeth em duas músicas.

Em 1977, sentindo que Ipanema e o Rio de Janeiro já não eram mais os mesmos dos tempos românticos de “Canção do Amor Demais”, o próprio Tom fez uma paródia de “Carta ao Tom 74”, com a luxuosa colaboração de Chico Buarque.

No vídeo abaixo, o Quarteto em Cy canta a versão original de “Carta ao Tom 74” e também um trecho da paródia (”rua nascimento e silva, cento e sete, eu saio correndo do pivete…”). E canta também “Falando de Amor”, outro clássico de Tom Jobim. Só dele, sem Vinícius.

4 NON BLONDES – “WHAT’S UP?”

Formado inicialmente por quatro mulheres, o grupo de rock 4 Non Blondes (Quatro Não-Loiras, em português), nascido em São Francisco, ganhou esse nome por conta de um detalhe peculiar: nenhuma delas era loira.

Conta a lenda que o primeiro ensaio das quatro meninas foi marcado para as 18 horas do dia 17 de outubro de 1989, mas, naquele mesmo dia, às 17:04 horas, ocorreu um dos maiores terremotos de São Francisco, o famoso “Sismo de Loma Prieta”, que resultou na morte de 63 pessoas e no cancelamento do ensaio.

O grupo, liderado pela vocalista Linda Perry, começou fazendo pequenos shows e somente em 1992 gravou o seu primeiro (e único) CD. “What’s Up?”, a música mais conhecida do grupo não estava nesse álbum, que, mesmo assim, recebeu o prêmio de melhor disco do ano e vendeu cerca de 6 milhões de cópias em todo o mundo.

Somente no ano seguinte, em 1993, é que o grupo lançou um single com “What’s Up?”, que foi eleita a melhor música, enquanto a vocalista Linda Perry foi escolhida como a melhor cantora do ano. O grupo não durou muito. Em 1994, um pouco descontente com o som do 4 Non Blondes, Linda Perry partiu para carreira solo.

Ela gravou dois álbuns, que não fizeram muito sucesso. Depois disso, começou a produzir discos de outros artistas. Agora o detalhe curioso: Linda, hoje com 55 anos, é filha de uma brasileira chamada Marluce Martins Perry, casada com um luso-americano. Ela teve uma adolescência complicada, se envolvendo com drogas e chegando a morar nas ruas, mas deu a volta por cima.

Reparem que o vídeo que estou postando abaixo tem mais de 1 bilhão de visualizações, o que não é pouco. Sem contar outros vídeos com a mesma música, que também já foram vistos milhões de vezes. Uma outra versão muito bonita, com a cantora Pink, pode ser vista aqui. Mas, vamos ao vídeo do 4 Non Blondes:

“EU NÃO CANTO PARA BOLSOMINION”, DIZ TERESA CRISTINA NO RODA VIVA

É por essas e por outras que eu sempre faço questão de tocar a Teresa Cristina no programa que apresento na Regional FM, o Brasil & Cia. Deu no UOL:

No Roda Viva desta segunda-feira (22), Vera Magalhães recebe a cantora Teresa Cristina, premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), como Artista do Ano de 2020.

Durante o programa, a jornalista Cris Guterres perguntou sobre as lives e as regras que a cantora impõe nas transmissões. Cristina não titubeou e falou quais são os pré-requisitos para assistir as apresentações: “No Quilombo do Amor (como ela chama sua live), não entra ódio, mentira, fake news. Eu não canto para bolsominion e nunca quis isso. Se essas pessoas demonizam a arte, está fazendo o que na minha live?”.

Cristina complementou sua resposta para falar como muitos artistas deveriam se posicionar diante do governo Bolsonaro: “O artista, hoje, que não acha necessário se posicionar, está perdendo o bonde. Em algum momento, ele vai ser atingido”.

A cantora acredita que o governo Bolsonaro não atinge apenas minorias. A forma de governar dele, segundo Cristina, atinge a todos.

Teresa falou também da primeira live da cantora Maria Bethânia, realizada no sábado de carnaval, 13. Para ela, foi um evento memorável:  “O luxo que foi ouvir aquela mulher falar: ‘eu quero vacina, eu quero respeito, eu quero verdade, eu quero dignidade, eu quero misericórdia!’”, citou.

Para Teresa, a live realizada por Bethânia foi “completamente política”. Ela ainda completou dizendo que o evento foi um “sopro de vida para o Brasil”.

E que tal ouvirmos a Teresa cantando Noel Rosa?

QUARTETO DO RIO E YAMANDU COSTA – “ÚLTIMO DESEJO”

Quando saí hoje à tarde para o passeio vespertino com meus fiéis companheiros – o vira-latas Teddy e a bassezinha Sofia – ainda não tinha ideia sobre o vídeo musical que eu postaria neste sábado. Na volta, dei de cara com um vídeo postado pelo meu amigo Luiz Carlos Seixas, o Bochecha, em sua página no feicibuque.

Por sinal, o Bochecha – que mora em Ourinhos há muitos anos – esteve aqui em Jales na semana passada e me prometeu uma visita lá na Regional FM, mas acabou não dando o ar de sua graça. Certamente que ele e o seo Bernardino, o pai dele, arranjaram coisa melhor com que se ocupar.

Voltando ao vídeo postado pelo Bochecha, ele mostra o Quarteto do Rio interpretando, à capela, um dos clássicos de Noel Rosa – “Último Desejo”. Pronto! Estava resolvido: não obstante já ter postado um vídeo dessa música aqui no blog, com o Ney Matogrosso, achei que valeria a pena um repeteco com o Quarteto do Rio.

Noel Rosa morreu muito jovem, com 27 anos, e “Último Desejo”, como o próprio nome indica foi uma de suas últimas composições. Hospitalizado por conta de uma tuberculose, Noel estava desconfiado de que estava prestes a deixar este mundo cruel e resolveu homenagear a bailarina Juraci Correia de Moraes, a bela Ceci (foto acima), com quem viveu um atribulado caso de amor.

“Último Desejo” não foi a única música de Noel inspirada em Ceci. Antes, ele já tinha feito “Dama do Cabaré” para ela. Ceci não foi, porém, a única paixão de Noel, que foi apaixonado também pela tímida operária de uma fábrica de tecidos, Josefina, inspiração para “Três Apitos”. Já os versos de “Feitio de Oração” foram inspirados em Julinha, outra paixão.

Aparentemente, ele só não era apaixonado pela mulher, Lindaura, com quem se casou aos 23 anos, forçado pela mãe da moça, dez anos mais nova e grávida de um filho que não resistiu à gestação. Apesar das paixões de Noel, Lindaura permaneceu ao lado dele até que a morte os separou, em maio de 1937.

Naquela época, a tuberculose era uma doença fatal, principalmente para os boêmios e fumantes, como Noel. Em 1935, ele chegou a se afastar do Rio de Janeiro, para um tratamento. Foi para Belo Horizonte com Lindaura, onde se hospedaram na casa de uma tia, mas o tratamento não durou muito, pois logo ele se apaixonou pela noite de BH. Foi lá em Minas que ele recebeu a notícia do suicídio do pai, que se enforcou.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1936, ele buscou outros tratamentos, mas eles eram sempre prejudicados pela sua vida boêmia. No dia 1º de maio de 1937, sobreveio uma crise fatal de hemoptise. Noel morreu na noite do dia 04 de maio, enquanto em frente à sua casa comemoravam o aniversário de uma vizinha numa festa em que tocavam suas músicas.

“Último Desejo” é uma das poucas canções em que Noel compôs letra e música, calando de vez aqueles que achavam que ele não era um bom melodista. Ele não teve tempo, porém, de ouvir a primeira versão de “Último Desejo”, gravada por Aracy de Almeida e lançada em março de 1938, quase um ano após a morte do poeta.

A versão de Aracy foi apenas a primeira de muitas. O vídeo postado pelo Seixas não é o mesmo que estou postando abaixo. Naquele, o Quarteto do Rio canta à capela, como eu já disse. Neste, os quatro rapazes cantam acompanhados pelo violão mágico de Yamandu Costa.

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