PRESIDENTE DO TJ-RJ REAGE ÀS CRÍTICAS DE CRIVELLA CONTRA JUÍZA QUE MANDOU FECHAR AVENIDA

Deu no site especializado em notícias jurídicas JOTA:

‘‘Ataques pessoais à figura do julgador remete a tempos obscuros da nossa sociedade. A insatisfação de um governante municipal divulgada na mídia, diante de uma decisão judicial até o presente momento mantida pela instância recursal, consiste em grave ataque à democracia. O interesse público está acima de interesses pessoais, políticos e religiosos’’.

A afirmação, em nota oficial divulgada no domingo, 06, é do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Claudio de Mello Tavares, em face de críticas de caráter pessoal, do prefeito carioca Marcelo Crivela, à juíza Mirela Erbisti, da 3ª Vara de Fazenda Pública da Capital. Ela determinou o fechamento da Avenida Niemeyer, há meses, depois da morte de duas pessoas por conta de deslizamentos.

Desde maio, a juíza de primeira instância vem se manifestando contra a reabertura da via, que continua interditada, mesmo após pedidos da Prefeitura para que volte a funcionar em dias de sol, sem chuva.

O prefeito do Rio de Janeiro afirmou publicamente, na quinta-feira passada (3/10): ‘‘A juíza que fechou a Niemeyer, vocês precisam conhecer ela. Ela se chama Mirela. Ela tem um site na internet. O site chama ‘togadas e tatuadas’. Ela ensina mulheres a se vestir, como conseguir um namorado. É uma coisa interessante. Aquele site dela é uma coisa interessante. Muito bem. Eu sou engenheiro. Já fiz cem obras. Graças a Deus, nunca caiu”.

O site JOTA costuma ser comedido e objetivo em suas notícias e, talvez por isso, não mencionou outro trecho da fala do prefeito, onde, segundo o jornalista Joaquim Carvalho, do DCM, Marcelo Crivella “usou uma linguagem cafajeste para se referir à juíza”.

“A juíza tem seus 40 anos, e ela é muuuuito bonita. Tem uma beleza de parar o trânsito. Mas não precisa praticar, né, pessoal?”, disse o prefeito, ironizando a interdição da avenida. “É difícil encontrar mulher teimosa, isso é raro… Normalmente elas concordam… Normalmente...”, continuou o irônico Crivella, em meio aos risos da plateia.

É certo que ela gosta de tatuagens, mas isso é um problema dela. Conforme ela mesma diz, a tatuagem é produto da liberdade de expressão e não pode ser censurada, mesmo em concurso público para a magistratura, a menos que atente contra os direitos e garantias constitucionais. “Um juiz não pode ter a tatuagem de uma suástica, por exemplo”, explica a juíza.

É certo, também, que a juíza gosta de se expor, atuando intensamente nas redes sociais, mas isso também é problema dela. Dia desses, ela foi ao Rock in Rio para ver o show do Bon Jovi e fez questão de registrar isso, com fotos no Instagram e no Facebook.

Em seu artigo, Joaquim Carvalho diz que a magistrada não chama a atenção apenas por sua beleza física e tatuagens. “Ela é uma pessoa preparada“. E talvez seja isso que esteja incomodando Crivella. Afinal, o chefe da igreja dele – o impoluto Edir Macedo – defende a tese de que as mulheres não devem estudar muito, pois isso as tornam independentes e insubmissas ao marido. 

1 comentário

  • Thiago

    Juíza celebridade que adora se expor nas redes sociais ?, isso deveria ser incompatível com o cargo que ocupa mas, no país da lacração, tem quem ache bonito.

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