GAL COSTA – “ÍNDIA”

Nesta semana, li duas notícias sobre a Gal Costa. A primeira foi a respeito do show “Discos Emblemáticos”, no qual a cantora Márcia Castro – baiana, como Gal – interpreta músicas do disco “Índia”, lançado por Gal Costa em 1973.

A segunda notícia foi sobre uma entrevista de Gal ao Estadão, em que ela se diz assustada com os tempos sombrios que estamos vivendo, sob Bolsonaro e outros boçais. “Quando vi na televisão que o Crivella tinha censurado um livro por causa da capa, me lembrei do disco Índia”, disse a cantora ao jornalão.

Pois é, entre os anos 64/85, vários discos de diversos compositores foram censurados pela ditadura militar, todos em função de músicas que os censores – muitos deles mais realistas que o rei – julgavam inadequadas ou contrárias ao regime.

No caso do emblemático disco “Índia“, a censura até que implicou com uma música – “Presente Cotidiano”, do Luiz Melodia – mas os censores acionaram o sinal de alerta mesmo foi quando viram a capa e a contracapa da bolacha.

A capa é essa que ilustra o post, um close na tanga vermelha de Gal, registrado enquanto ela tirava sua saia indígena. E a contracapa mostrava Gal – àquela altura no auge dos seus 28 anos – vestida de índia com os seios à mostra, algo que, na época, não era permitido nem às revistas masculinas.

O produtor Roberto Menescal ainda tentou argumentar com a censora – uma senhora muito rigorosa -, alegando que índias não usavam sutiã, mas não convenceu. A solução foi propor que o disco fosse vendido em um invólucro azul, que não permitia a exposição pública da capa proibida.

O dado interessante é que o invólucro azul só fez despertar a curiosidade do público, resultando em uma vendagem enorme do disco, que rendeu discos de Platina e de Ouro a Gal. Outro dado curioso é que a foto da capa foi tirada sem grandes pretensões.

Em meio à sessão das fotos para a capa, o fotógrafo Antonio Guerreiro achou engraçada a cena com uma índia de calcinha – as índias não usavam calcinhas – e resolveu clicar o momento apenas como curiosidade. Pelo menos é o que ele diz, mas não se pode descartar que algum outro detalhe tenha chamado sua atenção.

O fato é que, na gravadora, a foto acabou sendo escolhida por unanimidade para ilustrar a capa do disco. Outro fato é que, em 2015, ou 42 anos depois da censura, a foto foi, finalmente, liberada, de tal forma que a gravadora planeja relançar o disco, agora sem o invólucro azul.

Em pesquisa realizada pela revista Status, a capa de “Índia” é considerada uma das dez mais sensuais do planeta. A lista tem, por exemplo, a capa do disco “God Is A Girl”, do grupo alemão Groove Coverage, cujas músicas não são lá grande coisa.

Capas e contracapas à parte, o disco – que teve a direção musical de Gilberto Gil, recém-chegado de seu exílio londrino – é tido como um dos melhores de Gal Costa. “Índia”, a faixa-título é uma guarânia paraguaia, vertida para o português pelo compositor e cantor sertanejo José Fortuna.

A gravação original é do duo Cascatinha e Nhana, em um compacto de 1952, que tinha, do outro lado, o clássico “Meu Primeiro Amor”, outra versão de José Fortuna. Gal regravou “Índia” três vezes. A primeira, no citado disco de 1973, a segunda, seis anos depois, no disco “Gal Tropical”, de 1979. E a terceira, no disco “Gal de Tantos Amores”, de 2001.

No vídeo, Gal canta “Índia”, em show de 1983

1 comentário

  • resumindo

    meu tio tinha essa imagem e mais dezenas de outras coladas diretamente nas parede de seu quarto (isso era moda nos 70’s)… pensei que o texto também iria explorar a capa de “todos os olhos” de tom zé… tom zé que teve a música “jimmy, renda-se” incluída no filme “o agente da uncle”, com o “superman” henry cavill e alicia vikander… sugiro uma seção própria ao blogueiro: capas antológicas.

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