IZAIAS E SEUS CHORÕES – “PEDACINHOS DO CÉU”

Waldir Azevedo, um mestre do cavaquinho, nem sempre foi caviquinista. Os que o conheceram no bairro do Engenho Novo, no Rio, contam que o seu primeiro instrumento foi uma flauta, que ele comprou aos sete anos de idade com o dinheiro que juntou vendendo passarinhos.

Logo depois, ele trocou a flauta por um bandolim que aprendeu a tocar sozinho. Do bandolim, Waldir foi para o cavaquinho, instrumento que, anos mais tarde, o tornou nacionalmente conhecido. Antes de se tornar um músico profissional, ele sonhava ser aviador, mas seus planos de pilotar aviões foram abandonados depois de descobrir que tinha problemas cardíacos. 

Waldir Azevedo chegou à gravadora Continental em 1949, para substituir Jacob do Bandolim, que havia se transferido para a RCA Victor. Os dois eram, cada qual com seu instrumento, gênios do chorinho, mas, por algum motivo inexplicável, Waldir obteve mais sucesso, ou seja, vendeu mais discos que o Jacob.

“Pedacinhos do Céu” e “Delicado” foram os maiores sucessos de Waldir como compositor. A gravação original de “Pedacinhos do Céu” – choro que ele dedicou às filhas – foi feita dentro do banheiro da gravadora Continental. Essa foi a maneira que Waldir encontrou para conseguir alguns efeitos e tirar do cavaquinho o som que ele queria.

Em 1951, “Pedacinhos do Céu” ganhou uma letra do compositor Miguel Lima, gravada pela cantora Ademilde Fonseca (aqui). Mais tarde – não sei exatamente quando – ganhou outra letra, dessa vez do compositor (e zoológo) Paulo Vanzolini.

Na caixa “Acerto de Contas”, que eu ganhei do amigo Luiz Carlos Seixas – uma coletânea de cinco CD’s com músicas de Vanzolini, gravados em 2003 – “Pedacinhos do Céu” ganhou uma bela interpretação de Ana Bernardo, a última esposa de Paulo Vanzolini, que pode ser ouvida aqui.

E no vídeo abaixo, o conjunto instrumental Izaias e seus Chorões interpreta “Pedacinhos do Céu”.

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