O professor José Antonio de Carvalho me mandou um email, hoje, com várias canções do Roberto Carlos, que comemorou 50 anos de carreira em 2009. E o Zé fez um breve comentário sobre a música “Outra Vez“,  um dos poucos clássicos do repertório do Roberto Carlos, que não foi composto por ele e pelo Erasmo. E o comentário do Zé me fez correr ao livro “A Canção no Tempo“, do Zuza Homem de Melo e do Jairo Severiano, para reler a história dessa canção, uma das mais românticas da MPB. É uma história interessante.

Em 1976, o Roberto incluiu duas músicas dos irmãos Isolda e Milton Carlos no seu disco daquele ano: “Pelo Avesso” e “Um Jeito Estúpido de Te Amar“. Infelizmente, na noite em que os irmãos comemoravam esse fato, aconteceu na Via Anhanguera o desastre de automóvel que matou Milton Carlos. Arrasada com o desaparecimento do irmão, Isolda sentiu-se comprometida, mesmo sem ele, a continuar enviando composições para Roberto.

Um dia, em 1977, estando com amigos num barzinho na avenida Europa, em São Paulo, surgiu de uma conversa sobre ex-namorados a idéia para a melodia e boa parte da letra de “Outra Vez“, que a compositora anotou num guardanapo: “Você foi o maior dos meus casos / de todos os abraços / o que eu nunca esqueci / você foi dos amores que eu tive / o mais complicado / e o mais simples prá mim…”.

Naquela noite, ao chegar em casa, Isolda completaria, ao violão, a romântica canção “Outra Vez“. Como não tinha refrão e a letra era muito extensa, ela julgou a música inadequada ao estilo de Roberto, ficando realmente surpreendida ao saber que o cantor a incluíra no disco de 1977. Precedida pelos sucessos de “Amigo” e “Falando Sério“, faixas do mesmo disco, “Outra Vez” só despontaria nas paradas a partir de abril de 1978. Abaixo, uma das dezenas de interpretações do Rei para essa música:

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