A MERENDA NO MINISTÉRIO PÚBLICO

Como prometi, estou voltando ao assunto “merenda escolar”. O prefeito Parini, quando vai ao rádio responder perguntas fáceis, costuma dizer que as denúncias de malfeitos na merenda escolar é uma invenção dos “adversários” e de uma ex-aliada, a vereadora Tatinha. Em certa ocasião, o nosso prefeito chegou a dizer ao Antena Ligada (sempre o Antena Ligada!) que a vereadora deveria perguntar ao marido dela – que, por acaso, sou eu – sobre as irregularidades da merenda. Uma estratégia do prefeito para, como sempre acontece, jogar a culpa em alguém.

Mas o que Parini não disse – até porque o pessoal da imprensa, excetuando-se o Wanderley Garcia, parece que não gosta muito de apertar o prefeito – é que as denúncias que deram causa à CEI da Merenda foram feitas por merendeiras e não por adversários. Foram as ex-funcionárias da Gente Ltda, sem a ajuda de ninguém, que se dirigiram até o Ministério Público Federal e lá entregaram alguns detalhes escabrosos do caso. Reproduzo abaixo, um pequeno trecho do que elas disseram ao MPF:

Informaram ainda sobre a existência de sérias irregularidades entre a Empresa e a Prefeitura Municipal de Jales que denotam desvio de dinheiro público.

Em síntese, as funcionárias contratadas pela empresa para prestarem serviços de merendeiras nas escolas do município são orientadas por supervisoras e nutricionistas a cumprir metas quanto às refeições servidas aos alunos, estipulando valores em excesso, visando com isso retirar recursos públicos indevidos do Município.

Declararam que nem todos os alunos se servem das refeições na escola, mas são orientadas pelas nutricionistas da empresa a elaborarem planilhas de refeições sempre a maior para fins de pagamento.

Como já disse em post anterior, não é preciso ser um grande matemático para perceber que a merenda apresenta números bastante estranhos. Esses números foram escancarados há dois ou três meses pelo jornal A Tribuna, em matéria do Paulo Reis Aruca. Os números apresentados pela A Tribuna não foram desmentidos e talvez eles possam ser explicados pelo último parágrafo das denúncias aí acima. Assim que eu os localizar vou submetê-los à apreciação dos leitores deste blog.

Repetindo, as denúncias acima foram feitas por ex-merendeiras. Não foram “adversários”, nem ex-aliados do prefeito, quem deu o pontapé inicial nesse jogo. Por outro lado, não tenho muito acesso ao Ministério Público, mas as informações que me chegam dão conta de que as investigações já estariam bastante adiantadas e que o promotor que cuida do caso deverá propor uma Ação Civil Pública para ressarcimento dos prejuízos causados à Prefeitura de Jales. Como se vê, a Câmara Municipal está bastante atrasada nessa história.

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