O AMOR NOS TEMPOS DO CORONAVÍRUS

Enquanto toda a gente acompanha, preocupada, o noticiário sobre o coronavírus e a Covid-19, que já fizeram as duas primeiras vítimas fatais no Brasil, parece que, não obstante a Maria da Penha, um outro vírus anda se espalhando em escala geométrica e fazendo muitas vítimas: a violência contra mulheres.

Pelo menos é essa a impressão que me ficou ao visitar o portal do Ministério Público Estadual. Uma contagem superficial mostra que em 15 dias – de 02 a 16 de março – o MP de Jales já registrou 29 procedimentos (inquéritos policiais e medidas cautelares) em que a vítima é uma mulher e o investigado é um homem.

Tudo indica que são casos de violência doméstica. Em alguns casos, vítima e investigado tem o mesmo sobrenome. Somente ontem, 16 de março, foram registrados 07 casos, seguramente um recorde. Nesse ritmo, Jales chegará ao fim do mês com cerca de 60 casos. Em fevereiro foram 40. Em 2019 eram, no máximo, 20 procedimentos desse tipo por mês.

Jales não está sozinha nessa triste estatística. Em Santa Fé do Sul, eu contei, somente em março, 25 casos em que as vítimas são mulheres e os investigados são homens. Em Votuporanga, contei 42 casos. E em Fernandópolis, curiosamente, foram registrados apenas 05 casos. Parece que os casais fernandopolenses firmaram uma trégua para cessar hostilidades durante a crise do corona.

As estatísticas de 2019 diziam que, a cada dois minutos, uma mulher era vítima de violência doméstica no Brasil. A se julgar pelos números de Jales, é possível que as estatísticas de 2020 mostrem que esse tempo diminuiu sensivelmente.    

1 comentário

  • Rapizodia

    Estas gerações recentes que são identificadas com letras finais do alfabeto, foram enganadas por seus pais. São pessoas mimadas, pouco afeitas a ordem e são também imediatistas. Ofendem sobremaneira e não lidam bem com oposição, partindo literalmente para o confronto. São ambos os sexos que estão neste dilema, porém, a mulher pela sua condição orgânica é o lado que está perdendo o embate.

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