ARTIGO: HIROSHIMA, NAGASAKI E JALES – CADA CIDADE CONTA A SUA HISTÓRIA

Desse jeito, a Marina ainda vai acabar convencendo o seo Genésio Mendes Seixas a se mudar de mala e cuia pra Tanabi. O seo Genésio, todos nós sabemos, é uma pessoa dedicada à preservação da história da nossa cidade. Como historiador, ele buscou resgatar, há algum tempo, a memória da Igreja Bom Jesus, que ficava localizada na quadra onde hoje estão o Fórum e o Sakashita Supermercados. Para tal, o seo Genésio construiu, à custa de muito trabalho, uma maquete da igreja, que fora demolida em 1972.

Pois bem, na semana passada, o seo Genésio esteve no Espaço Cultural “José Carlos Guisso”, onde funcionava o Museu de Jales, desativado pelo governo Parini, e – surpresa desagradável! – acabou constatando que a maquete, assim como a Igreja original, foi alvo do descaso para com a nossa história. A foto da maquete danificada está aí ao lado e o texto que o seo Genésio escreveu sobre o fato, vai reproduzido abaixo:    

Hiroshima, Nagasaki e Jales – Cada cidade com sua história

 I – Sobre Hiroshima e Nagasaki – Duas cidades do arquipélago do Japão cuja exposição fotográfica, hoje no Centro Cultural de Jales, revelam dois notáveis juízos: um acenando para a barbaridade dos autores do primeiro bombardeio atômico no mundo em 6 de agosto de 1945. Nesse dia, sobre Hiroshima, ocorreu a maior das tragédias executada por mãos humanas ceifando vidas de civis idosos, mulheres, estudantes, enfermos e crianças.
Como se não bastasse, três dias após, foi a vez de arrasar Nagasaki que nem possuía recursos bélicos significativos para uma suposta reação militar. O ato foi altamente desumano. Por que aconteceu? – “Matamos 100 mil japoneses (já foram contabilizados mais de 250 mil) para evitar a morte de outros 3,6 milhões se a guerra prosseguisse”. Essa foi a justificativa mais insensata e vergonhosa que o Sr. Henry Truman podia dar, e que nos leva a perguntar se realmente somos seres racionais.
O segundo juízo eleva a nobreza do bravo povo japonês que teve a capacidade ímpar de conformar, reagir e reedificar duas cidades tão conhecidas mundialmente como Sodoma e Gomorra. Sobre as cinzas da guerra entre forças desiguais ergueram suas cidades modelo.
Nada mais justo que mostrar à população até onde chegou o exagero pela sede de domínio conquistado com as duas bombas do inferno. Poder apoiar os orientais nessa divulgação é para nós motivo de orgulho e satisfação. Jales participa.
II – Sobre Jales – Cidadezinha relativamente nova, completando seus 70 anos de existência, com 50 mil habitantes, nascida no coração das selvas quase desconhecidas, graças à garra de gente simples que, com humildade, procurava uma vida mais promissora. Entrava também em jogo a vida do aventureiro e da própria família sem qualquer respaldo da civilização.
Apesar da escassez de fotografias antigas e objetos, que ajudam a lembrar nosso passado histórico, alguns jalesenses vêm há anos tentando compilar informes e coletar materiais para um museu a fim de resgatar a memória e ter o que apresentar para a atualidade e gerações que virão.
Uma das relíquias presentes era a maquete da igreja Bom Jesus entranhada nos corações jalesenses desde a sua demolição. Sempre que perquirimos, encontramos quem naquele minúsculo templo foi batizado, crismado, batizado, e nele adentrou para assistir à missas ou fazer orações. Outros dizem: – “meus pais se casaram nessa igreja”; aqueloutro: – “não sou religioso, mas lamento sua destruição em 1972”. Por isso, há 16 anos, juntamos fotos de diferentes ângulos e fizemos a réplica, 30 vezes menor do que a original, para que pudéssemos ter idéia da igreja em terceira dimensão.
Para compreender o tamanho da cooperação de Jales com os organizadores da exposição, basta visitarmos o local e dar pela falta de todo o acervo do museu provisoriamente desativado. Existem certas peças condicionadas em locais apropriados cuja remoção não é aconselhável. Deve-se ficar ali, inerte como se jazesse num túmulo. Infelizmente, na manobra de desocupar totalmente o espaço, a maquete foi danificada como se vê na foto. Seria o sobrecarregado Espaço Cultural o mais adequado para a exposição?
Em 1972, erramos por não termos recuperado a igreja Bom Jesus quando a desmoronamos (primeiro bombardeio), e agora num descuido quebramos a réplica (lançamos a segunda bomba). Para quem a construiu é como um pai vendo a filha sendo mutilada.
– Que fazer agora com a maquete? É a pergunta que se ouve.
– Reconstruí-la, e já. Isso é o que devemos aprender com os orientais.
 (Genésio M Seixas)

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