CARTÓRIOS REGISTRAM AGOSTO COM MAIS MORTES NA SÉRIE HISTÓRICA INICIADA EM 2002

Se você ouvir algum comentarista bolsonarista “informando” que o Brasil está registrando menos mortes em 2020 do que em anos anteriores, desconfie. E se você receber mensagens com informações não confiáveis, enviadas por algum imbecil, não passe pra frente. Você pode estar colaborando para a disseminação de notícias falsas.

Um dia desses, um “cidadão de bem” aqui de Jales divulgou em suas redes sociais um vídeo de uma senhora garantindo que uma amiga dela, médica, teria vacinado os três filhos menores com a vacina chinesa da Coronavac. Segundo a vetusta senhora, os meninos morreram e a mãe, que também tomou a vacina, estaria muito mal.

Detalhe: a vacina chinesa – ou xingling, como os bolsonaristas a chamam – que está sendo testada em São Paulo só pode ser aplicada em profissionais da área da saúde, MAIORES DE IDADE.

Segundo a agência de checagens Aos Fatos, que desmentiu mais essa farsa, o Instituto Butantan, informou que “todos os voluntários são monitorados pelos 12 centros de pesquisas e até o momento não foi reportado nenhum efeito colateral grave, muito menos óbito”.

A agência Aos Fatos se deu ao trabalho de procurar a mulher que gravou o vídeo – uma moradora de Aveiro, em Portugal – mas ela preferiu se esconder, ao invés de atender às tentativas de contato.

A lorota foi desmentida, também, pelo e-Farsas e pelo Boatos.org. Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) classificou como “um crime contra a saúde pública a difusão desse conteúdo (do vídeo)”.

Mas, vamos à notícia sobre as mortes ocorridas em agosto, publicada pelo Conjur:

O Brasil registrou no último mês o agosto mais mortal desde que se iniciou a série histórica de estatísticas dos cartórios de Registro Civil brasileiros contabilizada pelo IBGE, a partir de 2002.

Os dados catalogados pelo instituto com base nos registros dos cartórios apontam um total de 126.717 óbitos no mês passado, ou 17,1% a mais que os 108.178 registrados em agosto de 2019.

O recorde de óbitos em agosto deste ano também é confirmado na pesquisa histórica Estatísticas do Registro Civil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que também utiliza como fonte primária os dados dos cartórios brasileiros.

De todas as mortes registradas em agosto de 2020, 24.966 são referentes a óbitos que tiveram a Covid-19 como causa, o equivalente a 19,7% do total. Quando somadas a estas mortes as ocorridas pelas demais doenças respiratórias — insuficiência respiratória (6.334), pneumonia (11.047), septicemia (11.067), Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (1.198) e causas respiratórias indeterminadas (747), totalizando 55.359 óbitos, o índice sobe para 43,7%.

Os óbitos restantes foram causados por acidente vascular cerebral (8.114), infarto (8.135), causas cardiovasculares inespecíficas (8.215) e demais causas naturais (37.631). Há, ainda, 9.263 ocorridas por razões não-naturais, ou seja, decorrentes de causas externas violentas.

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