FILHOS SÃO OBRIGADOS A CAVAR COVA PARA A MÃE

Deu no Diário da Região, edição deste sábado:

Graziela Delalibera (Diário da Região)
19/02/2011

08h49-Uma família enlutada de Orindiúva viveu o inusitado anteontem. Três dos oito filhos da aposentada Gelindra Massini, 86 anos, morta na noite de quarta-feira, passaram o dia cavando a sua cova no cemitério municipal, enquanto os demais velavam o corpo na casa onde ela morava. Segundo Carlos Henrique Beleli, 48, um dos filhos da aposentada, esse é o quarto caso em que a própria família é obrigada a fazer esse tipo de serviço na cidade, porque a Prefeitura de Orindiúva não tem coveiro contratado.

“Eu acho que isso é o fim do mundo. Imagina você ter de abrir o buraco para enterrar a mulher que te gerou. amamentou e que te criou,”, diz, revoltado. A cova foi aberta pelos filhos ao lado do túmulo do marido de Gelindra, Ângelo Beleli, que morreu há cerca de 20 anos. “Começamos a cavar de manhã e acabamos só lá pelas 18h, no horário do enterro. Só pude ver minha mãe quando o corpo chegou, e depois na hora do enterro.”

Um pedreiro amigo da família fez o serviço de alvenaria e não cobrou a mão de obra. Beleli conta que antes de começarem o trabalho, ele e os irmãos foram até a prefeitura pedir a chave do cemitério, que não tem zelador e fica o tempo todo trancado. “Lá na prefeitura ninguém tinha essa chave. Conseguimos pegar uma cópia emprestada com um morador que tem a mulher enterrada no cemitério.”

O filho de Gelindra afirma que todo o material usado para fazer o túmulo foi levado pela família, como tijolos e cimento, e que ao fim do trabalho eles tiveram de carregar a terra retirada da cova para fora do cemitério. “Não pegamos nada da prefeitura. A única coisa que mandaram para lá foi a placa de concreto colocada em cima do túmulo.”

O prefeito de Orindiúva, Darlei Queiróz de Oliveira, não estava na prefeitura ontem à tarde, segundo o chefe de gabinete, Alcir Barbosa da Silva. Ao Diário, Silva informou que a prefeitura disponibiliza servidores da área de serviços gerais para fazer o trabalho de coveiro quando é solicitado por moradores. A reportagem deixou recado no celular do prefeito, mas ele não retornou.

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