FOTOS COMPROVAM MORTE DE GUERRILHEIRO ENTERRADO SIMBOLICAMENTE EM JALES

O jornal Estado de São Paulo está publicando, hoje, notícia sobre a morte – durante o regime militar – do guerrilheiro Ruy Carlos Vieira Berbet, que possui uma irmã em Jales e foi enterrado simbolicamente, em 1992, no nosso cemitério. O pai, também chamado Ruy, viveu muitos anos em Jales. Eis um trecho da notícia:

Imagens até agora inéditas do corpo do guerrilheiro Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido em janeiro de 1972, aos 24 anos, revelam que, por duas décadas, três governos militares e dois civis sabiam de sua morte numa cadeia de Natividade, hoje município do interior do Tocantins, e nunca informaram o fato a seus parentes.

Até hoje não se sabe onde estão os restos mortais de Berbert. Ele está na lista oficial que computa 475 mortos ou desaparecidos no período de governos militares no País (1964-1985).

As fotos de Berbert são as primeiras divulgadas, após a redemocratização, de um guerrilheiro morto nas dependências de um órgão do Estado.

De Jales, no interior paulista, Regina, única irmã de Berbert, recebeu com serenidade a notícia da existência das imagens no Arquivo Nacional. “Meu pai, também chamado Ruy, morto há 11 anos, sempre fez questão de divulgar com orgulho a história dele.”

O Estado enviou as fotografias para o marido de Regina, Moacir Pereira. A família decidiu que não mostraria as imagens para a mãe do guerrilheiro, Ottília, com 93 anos.

‘Ironia da vida’. Berbert integrava o Movimento de Libertação Popular (Molipo), que tinha 28 integrantes – a maioria dos quais foi dizimada nos dias subsequentes à sua morte.

A notícia do Estadão, completa, pode ser vista aqui.

5 comentários

  • anonimus

    tudo que é feito sobre a Terra um dia aparece…

  • Alessandro Martins Prado

    Prezado Cardosinho
    Aqui na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul sou Líder de um Grupo de Pesquisa CNPq que estuda o Direito à Memória e à Verdade e a Justiça de Transição no Brasil. Certa vez cheguei a propor para o Prefeito Humberto Parini a construção de um Memorial em nome do Ruy que, para nós, pesquisadores do assunto, é tido como um herói que foi assassinado defendendo a democracia em nosso país.
    Trata-se de caso emblemático e muito conhecido nas pesquisas já realizadas. Jales, a nosso ver, deveria criar um monummento, pode ser em uma das praças da cidade para preservação da memória deste herói jalesense.
    Grande abraço!

  • CHS

    Cardosinho, eu tive amigo que lutou na VPR e morreu no incio da década de 80, conversávamos muito sobre a guerrilha e a Ditadura Militar, víamos como tinham ideologia aqueles que sucumbiram ao regime, tive também meu nome fichado no DOPS, ainda bem que em 85 tudo se findou, me filiei ao PT, no inicio da década de 80, e fui descobrindo o verdadeiro movimento, sede de poder,a ideologia foi enterrada junto aos guerrilheiros que deram suas vidas, estudantes, operários, professores,jornalistas,
    o PT foi misturando o Joio e o Trigo e virou isto que nós vemos hoje é uma pena.
    O livro “Revolução dos Bichos” mostra realmente o que é, antes e depois de assumir o poder.
    Jales tem muitos “porcos” da “Revolução dos Bichos”, mas ainda acredito num futuro melhor, digo isto aos meus filhos, vejam o que esta acontecendo de errado e tentem mudá-los com atitudes e ações , dignidade,honradez, honestidade, que sirva de lição estas ações do Clovis,Dr. Pedro, Analice, Cardosão, Parini etc…

    • joão josé natalin

      CHS – palavras sensatas as tuas. Pobre rapaz que se
      eludiu que com as falsas promessas da ideologia ins
      piradora de utopias, que a pratica revela ser um
      engodo. Democracia e instituições que funcionem repre
      sentam ser o melhor para todos nós.

  • CAMARADA MARTINI

    Martini, grande guru, suas profecias estão confirmadas pelo Zizek…

    Fraternalmente

    Chico Melfi

    O fim dos tempos segundo Zizek: a mentira nossa de cada dia

    “Se o fim do capitalismo parece a muitos o fim do mundo, como a sociedade ocidental pode enfrentá-lo?”
    Márcia Denser

    A semana paulistana foi marcada pelo lançamento da última obra do filósofo esloveno Slavoj Zizek, Vivendo no fim dos tempos (Living in the end times), de importância capital para a crítica (e a sugestão duma “práxis”) sobre o momento histórico em que vivemos. O lançamento da editora Boitempo, que incluiu também A hipótese comunista do pensador francês Alain Badiou (cujo diálogo com Zizek concentra uma importante reflexão da esquerda real na atualidade), aconteceu na quarta última no Espaço Revista Cult, com debate dos críticos e professores Paulo Arantes, Christian Dunker e Vladimir Safatle.

    A título de um apanhado geral (pois voltaremos ao assunto em futuras colunas), neste novo livro, Slavoj Zizek argumenta que o capitalismo global se aproxima rapidamente da sua crise final. E ele identifica os “quatro cavaleiros deste apocalipse”: 1) a crise ecológica; 2) as consequências da revolução biogenética; 3) os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água), e 4) o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais.

    Zizek apresenta sua obra como “parte da luta contra aqueles que estão no poder em geral, contra sua autoridade, contra a ordem global e contra a mistificação ideológica que os sustenta”. Pois não há mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando vertiginosamente do fim. E pergunta: se o fim do capitalismo parece a muitos o fim do mundo, como a sociedade ocidental pode enfrentá-lo?

    Para explicar porque estaríamos tentando desesperadamente evitar essa realidade (e sua verdade incontestável, a exemplo da absurda assimetria na luta dos 99% que pouco ou nada tem contra o 1% que tem tudo), mesmo que os sinais dum grande caos sejam numerosos em todos os campos, Žižek recorre a um guia inesperado – o famoso esquema de cinco estágios da perda pessoal catastrófica: (1) doença terminal; 2) desemprego; 3) morte de entes queridos; 4) divórcio; 5) vício em drogas), proposto pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, cuja teoria enfatiza que tais estágios não aparecem necessariamente nessa ordem, nem são vividos por todos os pacientes.

    De acordo com o autor, podemos distinguir os mesmos cinco padrões no modo como nossa consciência social trata o apocalipse vindouro. Diz ele: “A primeira reação é a negação ideológica de qualquer ‘desordem sob o céu’; a segunda aparece nas explosões de raiva contra as injustiças da nova ordem mundial; seguem-se tentativas de barganhar (‘se mudarmos aqui e ali, a vida talvez possa continuar como antes… ’); quando a barganha fracassa, instalam-se a depressão e o isolamento; finalmente, após ultrapassar o ponto zero, não vemos mais as coisas como ameaças, mas como uma oportunidade de recomeçar. Ou, como Mao Tsé-Tung coloca: ‘Há uma grande desordem sob o céu: a situação é excelente! ’”.

    Fazendo o advogado do diabo, eu também poderia lembrar que esse esquema de “ver em tudo um oportunidade e não uma crise e/ou catástrofe” é também o mantra da Ideologia Hegemônica do Pensamento Único – e o capitalismo de desastre aí está para prová-lo – contudo por que não utilizar a estratégia e táticas do inimigo?

    Hem?

    A questão crucial é abandonar a posição passiva – meramente “reativa” – de quem se submete – e assumir a dianteira agindo, interferindo na realidade.

    Resumidamente (repito que voltaremos a esta discussão para examiná-la detalhadamente), os cinco capítulos do livro se referem a essas cinco posturas:

    O capítulo 1. “Negação” analisa os modos predominantes de obscurecimento ideológico, desde os últimos campeões de bilheteria de Hollywood até o falso “apocalipcismo”, a exemplo do obscurantismo da Nova Era.

    O capítulo 2, “Raiva”, examina os violentos protestos contra o sistema global, em especial a ascensão do fundamentalismo religioso; o 3, “Barganha”, trata da crítica da economia política, com um apelo à renovação desse ingrediente fundamental da teoria marxista; o 4, “Depressão”, descreve o impacto do colapso vindouro, principalmente em seus aspectos pouco conhecidos (e ainda menos divulgados), como o surgimento de novas formas de patologia subjetiva. E, por fim, o capítulo 5, “Aceitação”, em que se distingue os sinais do surgimento da subjetividade emancipatória, buscando os germes de uma cultura comunista em suas diversas formas, inclusive nas utopias literárias.

    Žižek é otimista quanto ao que pode surgir desse processo de emancipação contra a ordem global e a mistificação ideológica que a sustenta. Engajar-se nessa luta significa endossar a fórmula de Alain Badiou, para quem mais vale correr o risco e engajar-se num Evento-Verdade, mesmo que essa fidelidade termine em catástrofe, do que vegetar na sobrevivência hedonístico-utilitária vigente. Rejeita, assim, a ideologia liberal da vitimação, que leva a política a renunciar a todos os projetos positivos e buscar a opção “menos pior” (algo por si só revoltante mas com o quê ninguém mais se revolta nem dá a mínima:por que?)

    Hem?

    O fato é que o estado “espontâneo” do nosso cotidiano é uma mentira vivida, de modo que é necessário lutar continuamente para escapar dessa atmosfera geral de peste, que entronizou a hipocrisia como virtude moral. O ponto de partida desse processo é nos apavorarmos com nós mesmos.

    Pois o Inimigo só vem de fora porque encontra seu correlato interno, que foi introjetado, portanto o Inimigo está aqui dentro.

    Dentro de nós

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