“MAIOR PREJUDICADA SERÁ A POPULAÇÃO MAIS POBRE”, DIZ MÉDICO CUBANO QUE VAI CONTINUAR NO BRASIL

O Rio Grande do Norte tem 282 médicos atuando no programa Mais Médicos, em 67 municípios. Pelo menos 142 desses profissionais são cubanos. A notícia é do G1:

Há futuro para os profissionais cubanos do Mais Médicos que queiram ficar no Brasil, considera Osmany Garbey Charadan, de 37 anos. O médico chegou ao país na primeira leva de profissionais do país caribenho, em 2013, casou-se com uma brasileira anos depois e formou sua família no Rio Grande do Norte. A maior preocupação dele, no entanto, é com o público atendido pelo programa. “O maior prejudicado vai ser a população mais pobre. São oito mil médicos a menos”, comenta.

Osmany chegou ao país logo após o lançamento do programa e deixou o Mais Médicos em 2016, quando se casou com a potiguar Merley Maria Charadan, de 23 anos. O casal tem um filho de 1 ano e 9 meses. Desde então, revalidou o seu diploma, trabalha no Programa Saúde da Família (PSF) no município de Serra de São Bento e faz plantões na rede pública, em outras cidades potiguares. Atualmente, também faz uma pós-graduação em Pernambuco.

“Não sei quantos (médicos) vão ficar no Brasil. Depende dos projetos de cada um, muitos têm filhos, família. Eu vim em uma situação diferente, era solteiro e não pensava em ficar. Eu sabia que o programa não era para sempre. Mas conheci minha esposa, me apaixonei”, disse.

Apesar de não fazer mais parte do Mais Médicos, o profissional considera que as dúvidas do governo quanto à formação dos cubanos não são válidas. Ele afirma que todos os médicos têm formação de seis anos e mais dois anos de residência, com especialidade em medicina familiar.

“O presidente fala mal dos médicos cubanos, duvidam de nossa formação. Os 8 mil e poucos médicos cubanos que estão ainda no programa todos são especialistas em medicina familiar, com mais de 5 anos de experiência, e todos trabalharam em algum momento fora de Cuba, têm experiência internacional”, afirmou.

Ele também considerou que todos os médicos se inscrevem no programa e vêm ao país sabendo das condições salariais. “Ninguém vem enganado. Quem quer vir, vem. Quem não quer, não vem, e não acontece nada”, pontuou.

2 comentários

  • Thiago

    Fico imaginando qual vai ser o tipo de retaliação do governo cubano vai aplicar a esses cidadãos que decidirem ficar por aqui. De graça todos sabemos que não vai ficar.

  • Cuba ; exportador de médicos? Grande negócio!

    Certamente a saída do governo cubano do programa, antecipou a vontade de Bolsonaro que queria tirar o OPAS, empresa estatal. Aos poucos e não desta forma. Para contratar médicos brasileiros.
    Embora muitos médicos cubanos vão pedir para ficar no Brasil principalmente os cubanos que casaram e tem filhos. Lembro que o governo cubano determinava às medicas que ficavam gravidas para abortarem.
    Os governos petistas encheram os cubanos, com empréstimos, pelo BNDES, para fazer um porto Mariel, e aeroportos. Fidel Castro é um herói, para os petistas. Até hoje, o governo cubano não consegue pagar as parcelas do banco.
    Como o PT e Lula não ganharam as eleições, o governo cubano sabia que o “esquema” de enviar médicos para o Brasil e ganhar 75% do salario do seu medico — iria acabar. Desde a criação do programa, em outubro de 2013, até 2017, o Brasil já pagou mais de R$ 7 bilhões aos cubanos. Não se sabe quanto desse dinheiro voltou aos petistas?
    A exportação de mão de obra sempre foi um grande negocio ao governo cubano principalmente porque tem mais de 440 mil médicos para a população de 11 milhões.
    Por ano, Cuba recebe cerca de 8,2 bilhões de dólares graças aos profissionais de saúde que exporta a 66 países, com 50.000 médicos. Metade dos quais na Venezuela. Na maioria desses países, os médicos cubanos têm salários mais baixos que os médicos locais, ocupando os mesmos postos, e o governo de Cuba retém uma grande parte do que é pago por eles.
    Embora pareça uma escravidão de médicos, eles vão morar em outros países sabendo das condições de salários. Outra coisa, acho que quem paga os estudos destes alunos é o governo.

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