SUSPEITOS DE FRAUDAR R$ 1 BILHÃO EM LICITAÇÕES SÃO DENUNCIADOS

A notícia sobre a denúncia feita pelo MPF contra os 19 primeiros envolvidos em suposto esquema de corrupção está em vários jornais e sites, inclusive do próprio MPF, que pode ser vista aqui. Por mais resumida, reproduzo, abaixo, a notícia veiculada pela Folha de São Paulo:

O Ministério Público Federal em Jales (SP) apresentou ontem à Justiça a primeira denúncia contra a suposta quadrilha suspeita de fraudar licitações realizadas com verbas dos ministérios do Turismo e das Cidades.

Os valores vêm de emendas parlamentares e somam R$ 1 bilhão, o que representa uma das maiores investigações sobre verbas federais no Estado de São Paulo.

Além da denúncia, o Ministério Público já decidiu encaminhar à Procuradoria-Geral da República partes do inquérito que citam deputados federais. Como eles têm foro privilegiado, não podem ser investigados na primeira instância da Justiça.

O esquema, segundo a acusação, era muito semelhante à “máfia dos sanguessugas”, que nos anos 1990 manipulava verbas parlamentares na compra de ambulâncias superfaturadas, sempre das mesmas empresas.

SUSPEITA DE FRAUDE

O grupo investigado pela Operação Fratelli teria como núcleo a construtora Demop, de Olívio Scamatti, empresário de Votuporanga (SP).

Scamatti utilizou familiares para abrir 31 empresas usadas para simular licitações em cerca de 80 municípios do Estado, de acordo com o procurador Thiago Lacerda Nobre.

O advogado do empresário, Alberto Toron, diz que não tem fundamento essa versão de que as empresas foram criadas para fraudar concorrências.

Havia na suposta quadrilha ao menos um integrante que era encarregado de “contatos políticos” para agilizar a liberação das verbas federais nos ministérios.

Surgiram nas investigações da Operação Fratelli os nomes dos deputados federais Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara, José Mentor e Cândido Vaccarezza, todos do PT de São Paulo. A parte que cita deputados foi retirada do inquérito para ser enviada à Procuradoria-Geral, em Brasília (DF).

Os deputados são autores de emendas que foram liberadas para obras de pavimentação em cidades paulistas, principal objeto da investigação. Havia uma “máfia do asfalto”, de acordo com o Ministério Público.

Um dos supostos lobistas do esquema, Osvaldo Ferreira Filho, foi assessor parlamentar do hoje secretário da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Edson Aparecido, que nega qualquer ligação com o grupo.

Segundo as apurações, Ferreira Filho se apresentava como “assessor” de Vaccarezza em conversas com prefeitos e manteve contato com uma assessora do gabinete do deputado na Câmara.

Outro suposto membro do grupo, Gilberto da Silva, conhecido como Zé Formiga, seria intermediário nos contatos políticos. Ainda aparecem na operação citações a deputados estaduais e prefeitos.

Como os deputados estaduais também têm foro privilegiado, eles terão a conduta avaliada pela Procuradoria da República em São Paulo.

Ontem foram denunciados os 19 suspeitos de fraudar licitação em Auriflama (SP). De acordo com a acusação, as licitações eram direcionadas ao grupo e superfaturadas. O lucro obtido era dividido entre os suspeitos.

2 comentários

  • luiz Teixeira

    O esquema de obras (mal feitas) começa em sao Paulo ou Brasilia quando o deputado tira da obra 10%, e o lobista mais 5%. Termina na cidade da obra a ser executada com o prefeito ganhando mais 10%. Mesmo assim a empreeiteira que ganhou a obra, tira 20% e repassa para outra empresinha de fundo de quintal. E a obra fica uma porcaria. O nosso dinheiro sai pelo ralo, com o nome de corrupçao. Os politicos ficam ricos e alguns gastam na proxima eleiçao. Pois sem dinheiro, eles nao se elegem. O eleitor vende seu voto por um bone’. O nosso grande problema e’ que se vc estivesse la’, faria a mesma coisa.

  • anonimo

    Novo escândalo do PT envolve líder do governo na Câmara.

    “Lobista do PT” preso na Operação Fratelli cita deputados Chinaglia, Vaccarezza e Mentor; Empresa acusada de fraude já apareceu no escândalo do lixo do Palocci em Ribeirão Preto (SP)

    Uma turminha do barulho que apronta altas confusões
    Matéria da Folha de S. Paulo:
    O líder do governo DIlma Rousseff na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), é apontado por um lobista apanhado em operação da Polícia Federal como responsável por direcionar verbas para empresas que financiavam candidatos do PT.
    Além disso, um ex-chefe de gabinete de Chinaglia, identificado como Eli, é citado como intermediário de uma reunião na qual a empreiteira Leão Leão buscaria recursos do BNDES. Em troca da verba, a empreiteira apoiaria a campanha de um assessor de Chinaglia, o Toninho do PT, em Ilha Solteira (SP).
    Chinaglia aparece em escutas da Operação Fratelli, do Ministério Público Federal e do Estadual. Os alvos da operação são fraudes em licitações que somam R$ 1 bilhão em dinheiro federal.
    As verbas, oriundas de emendas parlamentares, eram dos ministérios das Cidades e do Turismo.
    Nas escutas telefônicas há menções a três deputados do PT na operação: além de Chinaglia, Cândido Vacarezza e José Mentor.
    Os petistas são autores das emendas sob suspeita. Todos dizem que não têm ligação com as supostas fraudes.
    O procurador Thiago Lacerda Nobre vai encaminhar os trechos da investigação sobre Chinaglia ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Também serão enviadas as menções a Vacarezza e Mentor.
    CAMPANHA
    O suspeito que cita Chinaglia é Gilberto Silva, também conhecido como Zé Formiga, acusado pela polícia de ser “lobista do PT”, segundo os documentos obtida pela Folha.
    Silva, que ficou uma semana preso, foi monitorado pela polícia e, de acordo com o relatório das investigações, acompanhou Chinaglia em “campanhas eleitorais, principalmente na captação de dinheiro junto a empresários que pudessem se beneficiar de seus candidatos apadrinhados”.
    O lobista afirma numa conversa telefônica de outubro de 2012, sem se referir a nomes, que o autor da emenda indicará à prefeitura a empresa que fará a obra contemplada pela verba que liberou. “Tem de aceitar quem vai executar a obra por indicação de quem arrumou a emenda”.
    Noutra conversa, ele relata que Chinaglia “vai ter R$ 50 milhões de emendas extraparlamentares prometidos pela presidente Dilma porque ele é líder dela na Câmara”.
    Na sequência, ele conta, segundo a PF, “que o deputado [Chinaglia] lhe falou que em cidade pequena podem ser colocadas emendas de R$ 130 mil ou até R$ 140 mil, e daí foge da licitação”.
    O próprio Silva diz ser petista. Em setembro do ano passado, contou: “Eu estou aguardando um assessor do Arlindo Chinaglia, porque eu trabalho com eles, eu faço parte do PT”.
    Noutro telefonema, ele cita que esteve em São José do Rio Preto com Chinaglia e o assessor Toninho, hoje vereador em Ilha Solteira.
    As obras eram sobretudo de recapeamento asfáltico, chamadas pelos investigados de “chão preto”.
    Os promotores reproduziram a fala de Silva ao usar a metáfora para asfalto.
    “O Toninho e o Arlindo teve comigo sábado à tarde. Rapaiz do céu, se ocê vê o que ele tem de chão preto, já tá tudo na mão”.

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