AS GALVÃO – “GUARÂNIA DA LUA NOVA”

É tarde, eu já vou indo, preciso ir embora… (Menino de Braçanã). E ele foi embora mesmo! Luiz Vieira, autor de clássicos da MPB, faleceu na quinta-feira, 16, aos 91 anos.

O texto é do jornalista e crítico musical Mauro Ferreira, no G1:

É natural associar o cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho (12 de outubro de 1928 – 16 de janeiro de 2020) à toada Menino de Braçanã – composta com Arnaldo Passos e lançada em 1953 – e sobretudo ao Prelúdio para ninar gente grande, canção que se tornou popularmente conhecida como Menino passarinho desde que foi lançada em disco em 1962 com repercussão nacional.

A associação está correta. Pautadas por ternura lírica que toca o coração sentimental do brasileiro, essas duas músicas identificam Luiz Vieira no imaginário nacional ao lado de Na asa do vento (parceria com João do Vale apresentada em 1956) e de Paz do meu amor, composição lançada em 1963 com subtítulo, Prelúdio nº 2, alusivo ao grande sucesso do compositor no ano anterior.

Contudo, Luiz Vieira construiu obra extensa no Rio de Janeiro (RJ), cidade para onde migrou ainda na infância, egresso de Caruaru (PE). Foi em hospital do Rio que o artista saiu de cena na manhã de quinta-feira, 16 de janeiro, aos 91 anos, em decorrência de problemas respiratórios.

Em que pesem as cerca de 300 músicas perpetuadas em discos por time de intérpretes que foi de A (de Alaíde Costa) a Z (de Zizi Possi), o compositor teria morrido completamente esquecido se não fosse a iniciativa do produtor Thiago Marques Luiz de orquestrar em 2018 um show coletivo para festejar os 90 anos do artista e entregar a Vieira as flores em vida.

Voz que ecoou primeiramente nos cabarés cariocas da década de 1940, Luiz Vieira se fez ouvir em seguida na era do rádio, inclusive nos bastidores das emissoras. A carreira de radialista foi desenvolvida paralelamente à trajetória como cantor e compositor, cujo auge aconteceu na primeira metade da década de 1960 por conta do sucesso de Prelúdio para ninar gente grande.

Tanto que a saída de cena do artista está sendo lamentada nas redes sociais com frases líricas como “Voa, menino passarinho”. Lirismo que faz sentido porque é pela “ternura tão antiga” e tão eterna da maior parte da sua obra que Luiz Vieira fica na história da música popular do Brasil.

O vídeo abaixo é do show coletivo – Luiz Vieira 90 Anos – citado pelo Mauro Ferreira. Nele, As Galvão – que, segundo especialistas, é a mais antiga dupla sertaneja em atividade – interpretam “Guarânia da Lua Nova”, uma das músicas mais conhecidas do compositor pernambucano.

As Galvão (do sucesso “Beijinho Doce”) iniciaram carreira em 1947 e eram conhecidas como Irmãs Galvão. A alteração no nome ocorreu em 2002, por influência da numerologia.  

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