ÁUREA MARTINS – “ALVORECER”

Eu já falei sobre a Áurea Martins aqui neste modesto blog. Se tivesse nascido nos Estados Unidos, ela estaria, certamente, no panteão das grandes cantoras americanas. Ela nasceu, porém, no Brasil, um país onde o que não presta faz sucesso mais facilmente.

Nascida na zona rural do Rio de Janeiro, em junho de 1940, em uma família de músicos amadores, Áldima Pereira dos Santos ficou conhecida com o nome artístico dado por Paulo Gracindo quando ela frequentava os programas de auditório da Rádio Nacional.

Conhecida, pero no mucho. O primeiro momento de visibilidade – fugaz, por sinal – ocorreu em 1969, quando venceu o concurso A Grande Chance, do apresentador Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi. Ela concorreu cantando “Pela Rua”, música da Dolores Duran e do J.Ribamar.

Venceu o concurso e o boicote do responsável pela contagem dos votos dos jurados. Consta que, em uma primeira contagem, a vitória tinha sido de outro cantor, mas uma das juradas, a cantora e compositora Maysa Matarazzo – com seus olhos de mar – desconfiou de uma possível fraude e chamou o VAR, exigindo uma recontagem. Feita nova contagem, a vitória foi de Áurea.

Depois dessa visibilidade inicial e da gravação de alguns discos que não fizeram muito sucesso fora do Rio de Janeiro, Aurea passou um longo período de tempo atuando apenas no circuito boêmio da capital Fluminense.

Foi somente 39 anos depois da aparição no programa do Flávio Cavalcanti que Áurea Martins – cantora cultuada na noite carioca – voltou a ter visibilidade em escala nacional. Deveu-se isso ao disco “Até Sangrar”, gravado por ela em 2008, que lhe rendeu prêmios e elogios da crítica.

No ano seguinte, 2009, Áurea ganhou o Prêmio da Música Brasileira, como melhor cantora, concorrendo simplesmente com a fantástica Marisa Monte. Prêmios à parte, notem que o caminho que ela percorreu em busca do reconhecimento foi dos mais longos.

Áurea teve, entre suas fãs, ninguém menos que Elizeth Cardoso – a mãe de todas as cantoras, no dizer de Chico Buarque – admiradora da voz e do talento da colega.

A admiração era recíproca, tanto que Áurea está preparando um novo disco, em parceria com o maestro Cristovão Bastos, que terá duas músicas gravadas originalmente pela Divina.

É uma homenagem de Áurea, que completará 80 anos em junho, à sua admiradora Elizeth, que, se viva fosse, estaria completando 100 anos em julho deste 2020. No vídeo, Áurea canta “Alvorecer“, da dona Ivone Lara e Délcio Carvalho:

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