JAIR RODRIGUES – ‘DISPARADA’

Os prezados leitores já devem ter ouvido muita coisa sobre Jair Rodrigues, nos últimos dias, de modo que não resta quase nada para ser dito. Falemos, então, das coincidências da vida.

Jair tinha acabado de lançar um CD duplo com o nome de “Samba Mesmo“, onde ele faz releituras de canções conhecidas e coloca um tempero de samba em todas elas. “De Volta Pro Aconchego“, da Elba, “Conceição“, do Cauby, “Como é Grande o Meu Amor Por Você”, do Roberto, e até “Tortura de Amor”, do Waldick, ganham ritmo de samba-canção.

A coincidência – triste – é que, logo na primeira faixa de seu último disco, Jair canta “Fita Amarela”, do Noel. Lembram-se da letra? “Quando eu morrer, não quero choro e nem vela; quero uma fita amarela, gravada com o nome dela…”.

Um pouquinho mais adiante, na terceira faixa, o negão canta “Na Cadência do Samba”, do Ataulfo Alves. Que diz mais ou menos isso: “Sei que vou morrer não sei a hora, levarei saudades da Aurora; sei que vou morrer não sei o dia, levarei saudades da Maria…“.

Coincidências à parte, Jair Rodrigues de Oliveira – paulista de Igarapava – já fazia sucesso em 1966 quando foi convidado para interpretar “Disparada“, de Téo de Barros e Geraldo Vandré, no Festival da Canção, da TV Record.

A música terminou empatada com “A Banda“, do Chico, em primeiro lugar. E ganhou repercussão entre os brasileiros politizados por ser, até então, a mais vigorosa canção de protesto surgida desde que começara a ditadura militar.

Um dado curioso sobre “Disparada”, que nem o Carlinhos Brown seria capaz de imaginar: durante a apresentação, no Festival, o percussionista Airto Moreira utilizou uma queixada de burro como instrumento de percussão.

Abaixo, Jair cantando uma versão mais recente de “Disparada“. E, daqui a pouco, às 10:00 horas, estarei na Regional FM apresentando o Brasil & Cia, onde pretendo tocar mais coisas do Jair Rodrigues.

3 comentários

  • MOACIR

    FOI-SE MAIS UM ÍCONE DA NOSSA, MÚSICA. SO VÃO FICANDO ESSAS PORCARIA, DE FUNK, E OUTRAS MERDAS…

  • Quim Zé

    “Disparada” é a união feliz de arranjo e voz, e alcançou a perfeição como um hino de resistência num período político conturbado. Jair é mais um excelente cantor que, mesmo importantíssimo para a história da MPB, foi posto meio de lado pela nata musical, talvez por não parecer politizado ou militante e mostrar alegria mesmo no período mais duro da repressão. E Jair não era um alienado, a alegria estava na sua essência. Intérprete fenomenal, honrou nossa região com shows em que ninguém ficou parado. Partiu cedo e deixa uma obra que merece ser tocada o tempo todo. Tristeza, por favor, vá embora, que é hora de festa para um rei negro.

  • Cupertino

    Se me permite uma correção, na apresentação final do Festival, esteve um percussionista de Santo André SP, ao que parece, e não o Airto Moreira, se utilizando da queixada como instrumento. Grato.

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