NEY MATOGROSSO E MARCELLO GONÇALVES – “ÚLTIMO DESEJO”

Hoje, 04 de maio, já lá se vão 82 anos que Noel Rosa deixou este mundo cruel. O texto abaixo, cujo autor não sei quem é, me parece bastante apropriado para homenageá-lo:

“Último Desejo” foi composta no ano de 1937 quando Noel Rosa, com tuberculose já em estágio bastante avançado e sentindo que não viveria muito tempo, resolveu fazer uma homenagem a Juraci Correia de Moraes, a Ceci (foto), bailarina de cabaré e grande paixão do compositor.

Esta composição foi uma espécie de despedida de Noel Rosa em relação à sua amada. Foi sua penúltima composição cuja letra foi entregue a Ceci por um amigo comum pouco antes do falecimento do poeta do samba.

Três de seus melhores sambas foram compostos no ano de sua morte: “Eu Sei Sofrer”, “Prá Que Mentir”, com música de Vadico, e “Último Desejo”.

São obras irretocáveis, de grande beleza estética e vivacidade. Recados cruéis e diretos a quem tanto amava, formam uma mágica trilogia de dor e de coragem. Encerram em si a mais bela pintura psicológica de um ser em luta para exercer dignamente seu direito de vida no tempo que ainda lhe restava. Às 16:30 horas do dia 4 de maio de 1937, deu-se por vencido.

Seu último desejo seria uma mensagem particular e silenciosa, que Ceci levaria consigo pela vida. Em “Fita Amarela”, quando se refere à morte pela primeira vez, Noel utilizou-a como mera força de expressão literária. Já em “Pela Décima Vez” a tuberculose lhe atormentava e o amor lhe parecia um veneno fatal. Apareceu o medo. Noel Rosa enfrentou a terrível ameaça com suas armas mais afiadas: a ironia e o sarcasmo.

O mestre do samba, do amor, da paixão, tornou-se então o poeta da morte. Ria de si mesmo para mostrar ao mundo sua nobreza e poder. A força da intuição e criatividade, na fascinante profissão de juntar notas e palavras para transformar sonhos em realidade e transfigurá-la em sonho novamente. A arte de fazer chorar e rir, rir e chorar; viver e morrer, morrer e viver em um ciclo infinito.

Noel não teve tempo para ouvir a primeira gravação de “Último Desejo” – a de Aracy de Almeida – lançada em março de 1938, dez meses depois de sua morte.

Depois da primeira, vieram várias outras gravações, com interpretações fantásticas. As que mais gosto são a da Gal Costa, acompanhada pelo violão do Marco Pereira, e a do Ney Matogrosso, acompanhado pelo genial Raphael Rabello.

No vídeo abaixo, Ney é acompanhado pelo violão do Marcello Gonçalves, do Trio Madeira Brasil:

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