NEY MATOGROSSO – “O MUNDO É UM MOINHO”

Nascido em 1908 e falecido em 1980, vítima de um câncer, Angenor de Oliveira, o Cartola, é considerado um de nossos maiores sambistas. Sua vida é cheia de curiosidades. Uma delas diz respeito ao seu nome.

Ele recebeu dos pais – Sebastião e Aída – o nome de Agenor, mas, por um erro, foi registrado na certidão de nascimento como Angenor, fato que ele só foi descobrir nos anos 60, quando já tinha mais de 50 anos.

Cartola descobriu o verdadeiro nome quanto teve que tratar dos papéis para seu casamento com Dona Zica. Como a burocracia para corrigir o nome já era grande naquela época, ele passou a assinar oficialmente como Angenor de Oliveira.

Angenor não teve vida fácil. Com 15 anos, em 1923, após a morte da mãe, ele abandonou os estudos e arranjou um emprego de servente de pedreiro. Para se proteger do cimento que caía de cima, passou a usar um chapéu-côco e, por conta desse chapéu, ganhou dos colegas o apelido de Cartola.

O primeiro disco de Cartola só veio em 1974, quando ele já tinha 66 anos, com clássicos como “Acontece”, “Alvorada”, “Tive Sim” e “Disfarça e Chora”. Mas o disco antológico de Cartola talvez tenha sido o segundo, lançado em 1976. Entre outras canções, o disco tinha “As Rosas Não Falam” e “Cordas de Aço” de um lado, e “Preciso me Encontrar” e “O Mundo é um Moinho” de outro.

A respeito desta última, diz a lenda que ela teria sido escrita para uma filha adotiva de Cartola, Creuza Francisca dos Santos, a moça lá de cima. Segundo a lenda, Cartola teria descoberto que Creuza estaria levando uma vida, digamos assim, muito dedicada aos prazeres mundanos.

A música, em forma de aviso sobre o que seria o mundo lá fora e o que esperar dele, teria sido uma forma encontrada por Cartola para aconselhar a filha. Na época, Creuza era uma adolescente e estava começando a se descobrir e a se interessar por relacionamentos.

Ela tinha sido adotada por Cartola e sua esposa de então, Deolinda, quando tinha apenas 5 anos. Seus pais biológicos eram amigos do casal e, com a morte da mãe de Creuza, Cartola e Deolinda ficaram com ela.

Por influência do pai adotivo, Creuza começou a cantar muito jovem, aos 14 anos chegou a fazer apresentações na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Por conta dessa convivência entre pai e filha, “O Mundo é Um Moinho” mostra os anseios de um pai com o futuro e as escolhas de sua filha.

No vídeo que pode ser visto aqui, “O Mundo é Um Moinho” é interpretada por Ney Matogrosso.

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