PAUL MCCARTNEY E STEVIE WONDER – “EBONY AND IVORY”

Na segunda-feira passada, 27, postei aqui no blog um vídeo com o compositor Tunai – que falecera no dia anterior – cantando “Frisson“, sua canção mais famosa, feita em parceria com o letrista Sérgio Natureza. Como foi dito naquele post, Natureza foi o parceiro mais frequente de Tunai.

Mas, ele teve outros parceiros, como Fernando Brant, Márcio Borges, Abel Silva e Milton Nascimento. Com este último, ele compôs, por exemplo, “Certas Canções”, lançada em 1987. Nela, o autor diz que, muitas vezes, se identifica tanto com algumas canções que até se pergunta “como não fui eu que fiz?“.

Uma dessas canções que Milton gostaria de ter feito é, certamente, “Ebony and Ivory”, de Paul McCartney e Stevie Wonder. Há quem diga que foi essa música – uma ode contra o racismo – que inspirou Milton a escrever os versos de “Certas Canções”.

O racismo, por sinal, é um tema muito presente na MPB. Em “Preconceito”, os autores (Marino Pinto e Wilson Batista) narram a desventura de um pretinho apaixonado por uma mulher que o considera “moreno demais”. Ele ainda argumenta que “o coração não tem cor”, mas, aparentemente, não conseguiu amolecer o coração da moça.

Melhor sorte teve outro pretinho em “O Neguinho e a Senhorita”, dos compositores Noel Rosa de Oliveira e Abelardo Silva, lançada em 1965. Nesse caso, o preconceito não era da Senhorita, mas da mãe dela, que, na canção, era chamada de Madame. Um trecho da música diz que “a madame tem preconceito de cor, mas não pode evitar esse amor…”.

Isso mesmo! Apesar da oposição da Madame, a Senhorita subiu o morro e foi morar com o Neguinho, que era compositor. E o que é mais interessante: a música foi inspirada em um caso real. O Neguinho era um tal Nonato, compositor do Salgueiro. Já a preconceituosa Madame era uma portuguesa de nome Maria Mariana.

O racismo é tema, também, de músicas sertanejas, como “Olhos de Luar“, da dupla Chrystian e Ralf, onde um fazendeiro malvado mata a própria filha que, depois de uma jornada de sexo em meio a um canavial, ficou grávida de um negro, empregado da fazenda, por quem ela tinha se apaixonado. “O fruto desse amor não pode ver a luz do dia”, amaldiçoou o fazendeiro racista.

Na música de Paul McCartney e Stevie Wonder, os compositores usam a imagem do teclado de um piano para mostrar que pretos e brancos podem conviver em harmonia. No vídeo, “Ebony and Ivory”, ou ébano e marfim, materiais usados para fazer as teclas do piano.

1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *