RAY CONIFF – “AQUARELA DO BRASIL”

Vejo no blog do Mauro Ferreira, jornalista e crítico musical, que “Aquarela do Brasil”, do mal-humorado Ary Barroso, é a música brasileira mais gravada de todos os tempos, com nada menos que 399 gravações ao longo de seus 81 anos.

A canção ufanista do mineiro Ary já foi interpretada por cantores de praticamente todas as partes do mundo. Frank Sinatra, por exemplo, gravou uma versão em inglês, em 1957, de “Aquarela do Brasil”, que foi a primeira música brasileira com mais de um milhão de execuções nas rádios americanas.

Diz a lenda que “Aquarela do Brasil” foi composta numa noite em que Ary Barroso ficou impedido de sair de casa, devido a uma forte tempestade. Naquela mesma noite chuvosa, ele compôs “Três Lágrimas”, outro de seus grandes sucessos.  

Lançada em 1939 pelo cantor Francisco Alves – o preferido de Ary – “Aquarela do Brasil” não fez sucesso logo de cara. O sucesso, na verdade, só veio depois que ela foi incluída em um filme dos estúdios Disney, em 1942.

A informação de que “Aquarela do Brasil” já tem 399 gravações é do ECAD, que divulgou, dia desses, a relação das 10 músicas mais gravadas. Ary Barroso não é, porém, o maioral, apesar de ter composto a primeira colocada da relação.

O maioral é Tom Jobim, que tem seis músicas na relação das dez mais gravadas: “Garota de Ipanema” (376 gravações), “Eu Sei Que Vou Te Amar” (257), “Wave” (238), “Corcovado” (228), “Chega de Saudade” (228) e “Desafinado” (216).

Completam a lista, “Carinhoso”, de Pixinguinha e Braguinha, a segunda colocada com 389 gravações, “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, com 304, e “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, com 276.

Entre os intérpretes brasileiros de “Aquarela do Brasil” estão João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Tim Maia, Gal Costa, Erasmo Carlos, Adriana Calcanhoto, Daniela Mercury, João Bosco, Toquinho, Ney Matogrosso, Eduardo Dusek, Emílio Santiago e até o pagodeiro Alexandre Pires.

A gravação mais emblemática, porém, é a de Elis Regina. Gravada durante a ditadura militar, a música ganhou da Pimentinha uma interpretação meio que sombria, acompanhada por um coral que reproduzia os cantos dos povos indígenas. Se fosse nos tempos atuais, em que até livros de Machado de Assis estão sendo censurados, certamente que Elis daria uma interpretação ainda mais sombria ao clássico de Ary Barroso. 

No vídeo abaixo, a interpretação é da orquestra do maestro Ray Coniff. Acho que vou agradar dois amigos – o dentista Dario Mazzi e o comerciante Benedito Romildo Peresi – que são fãs do maestro. Por sinal, o Peresi tem uma filha, a professora Tamara, com o mesmo nome da filha do Ray Coniff, mas ele me disse que foi apenas uma agradável coincidência.

Eis o vídeo:

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