TOQUINHO E GILBERTO GIL – “TARDE EM ITAPOÔ

Quando Toquinho e Vinícius de Moraes estiveram em Jales, para um show num dos nossos cinemas, em 1972, a música “Tarde em Itapoã” já fazia parte do repertório da dupla. Essa canção, uma das primeiras da parceria Toquinho/Vinícius, foi composta em 1971, mas, na verdade, começou a ser gestada dois anos antes.

Conta a lenda que numa noite de 1969, Maria Bethânia, acompanhada por uma amiga baiana, entrou em um bar do Rio de Janeiro e encontrou Vinícius de Moraes sentado à uma mesa, sozinho e entristecido, bebericando o seu uísque.

Bethânia tratou de apresentar a amiga e viu a fisionomia de Vinícius, encantado com a graciosidade da moça, se transformar rapidamente. Naquela mesma noite, Vinicius disse à amiga de Bethânia que iria se casar com ela e se mudar para a Bahia.

E como Vinícius era um homem de palavra, não demorou muito para se casar com a baiana Gessy e se mudar para Salvador, em uma casa próxima à praia de Itapoã. Inspirado pela beleza da praia, o poetinha compôs os versos de “Tarde em Itapoã”, com a intenção de entrega-los para Dorival Caymmi colocar a melodia.

Ao ver os versos, Toquinho, com quem Vinícius já tinha composto duas ou três músicas – a primeira foi “Como Dizia o Poeta” – pediu para fazer a melodia, mas o poeta ainda não confiava muito nele e reiterou que iria pedir para Caymmi musicar os versos.

Toquinho não se deu por vencido: pegou o papel com a letra de “Tarde em Itapoã”, sem consentimento do autor, e veio para São Paulo. Dois meses depois, ele mostrou a Vinícius a música já pronta. Depois de ouvir três ou quatro vezes, o poetinha aprovou a melodia composta por Toquinho.

“Foi aí que ganhei o poeta! É um poema todo lindo, tanto que eu não mexi uma vírgula dessa letra, não mudamos uma palavra. É difícil conservar uma letra inteira, perfeita como essa. É uma música completa. Do meu repertório com Vinícius, é uma das que mais gosto. Nunca deixei de cantá-la em nenhum show”, revelou Toquinho em entrevista.

No vídeo, que pode ser visto AQUI, Toquinho canta “Tarde em Itapoã” com Gilberto Gil.

Em Tempo: 26 anos mais nova que o poeta, Gessy Gesse (sim, esse era o nome dela!) foi a sétima esposa de Vinícius de Moraes, em um casamento que durou sete anos. Ela também esteve em Jales, em 1972. Depois da Gessy, Vinícius teve, oficialmente, outras duas esposas.

A última foi Gilda Matoso, que era 40 anos mais nova. Vinícius, premonitório, a apresentava aos amigos de um modo curioso: “Esta é Gilda, minha viúva”.  Não deu outra! Foi Gilda quem o encontrou morto, em uma banheira, na manhã de 09 de julho de 1980.

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