REVISTA VEJA, QUEM DIRIA, CONDENA VAZAMENTOS E ACUSA LAVA JATO DE ATROPELAR A LEI

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Seria um mea-culpa? A notícia é do Brasil 247:

Num editorial tardio, publicado neste fim de semana, a revista Veja, que foi um dos principais pilares de sustentação da Operação Lava Jato, e também apoiadora de primeira hora do golpe parlamentar de 2016, que produziu a tragédia atual, dá uma guinada radical.

Segundo a publicação, foram ilegais as divulgações dos grampos da presidente deposta Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, repassados pelo juiz Sergio Moro ao Jornal Nacional, da Globo.

Veja também condenou a publicidade dada a conversas entre a ex-primeira-dama Marisa Letícia e seus filhos – que a própria revista divulgou, diga-se de passagem.

Segundo a Abril, o Brasil mergulhou num Estado Policial, com os abusos que estariam sendo cometidos.

Detalhe: a divulgação dos grampos entre Lula e Dilma, pelo juiz Moro, entra na pauta do Conselho Nacional de Justiça nesta terça-feira, 30.

Abaixo, o editorial da Veja:

Estado Policial

Diz a lei que uma interceptação telefônica só pode ser feita com autorização judicial, no tempo em que perdurar a autorização judicial, e seu conteúdo só poderá ser preservado se for relevante para a investigação em curso. Tais limites são estabelecidos para que as conversas telefônicas, de qualquer pessoa, inclusive de suspeitos, não fiquem boiando no éter das tramoias de um Estado bandoleiro. No curso da mais ampla investigação sobre corrupção na história do país, a lei tem sido lamentavelmente desrespeitada.

Na noite de 23 de fevereiro do ano passado, a ex-primeira-da­ma Marisa Letícia falava por telefone com seu filho Fábio Luís, o Lulinha. Na conversa, Marisa, que morreu há quatro meses, ironizava, com o uso de um palavrão, as pessoas que haviam participado de um panelaço contra o PT que acabara de acontecer. Na gravação, ela não dizia nada que interessasse à investigação da Polícia Federal. No entanto, a conversa, que deveria ter sido destruída nos termos da lei, foi preservada e divulgada.

Em 16 de março de 2016, o país inteiro ouviu um diálogo telefônico entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presi­dente Luiz Inácio Lula da Silva. Eram 13h32 de uma quarta-feira, e os dois discutiam sobre o envio de um documento para a posse de Lula como ministro da Casa Civil. O conteúdo da conversa era do interesse da investigação, mas a autorização judicial para monitorar o telefonema acabara às 11h12, duas horas antes. Portanto, depois desse horário a gravação era ilegal. Pois ela foi feita mesmo assim, seu conteúdo foi divulgado e a crise política daqueles dias se aprofundou dramaticamente.

Na semana passada, ocorreu novo episódio de violação da lei das interceptações telefônicas, quando veio a público o diálogo do jornalista Reinaldo Azevedo, ex­-blogueiro de VEJA e colunista do jornal Folha de S.Paulo, com Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves. A gravação estava autorizada judicialmente e se realizou dentro do prazo de validade, mas o conteúdo da conversa entre os dois nada tinha a ver com as investigações. O material deveria ter sido incinerado. Também não foi. Configurou-se outra afronta à lei, com uma agravante: a Constituição prevê a inviolabilidade da comunicação de um jornalista com sua fonte. Esse é um dos pilares do jornalismo nos países democráticos, dado que, sem tal garantia, não existe liberdade de imprensa.

É lamentável que autoridades encarregadas de fazer cumprir a lei — policiais, procuradores, juízes — acabem se tornando violadoras da lei. A Lava-Jato é um poderoso desinfetante em um país de corrupção sórdida. Mas esse tipo de agressão — à lei, à privacidade, à liberdade de imprensa — não é digno de um Estado democrático de direito. É coisa própria de Estados policiais.

3 comentários

  • DEMOROU MAS PEGAMOS O MAIOR MAFIOSO DO BRASIL. SÓ O JUIZ MORO E O JUIZ GILMAR MENDES NÃO SABIAM.
    AGORA PARA SALVA*-LO PRECISAMOS ORGANIZAR UMAS PASSEATAS E COMEÇARMOS UMA BATEÇÃO DE PANELAS.

    Aécio e a apreensão da PF: ele fez de tudo no mundo do crime nas barbas de Gilmar, FHC e do Juiz Moro.

    Amici
    — O que o Aécio não fez no mundo do crime?, me pergunta meu irmão Temer.
    A resposta é óbvia: nada.
    A Polícia Federal apreendeu no gabinete do senador, em seu apartamento no Leblon e na casa em Brasília um arsenal incriminador inacreditável.
    Havia “diversos documentos acondicionados em saco plástico transparente, dentre eles um papel azul com senhas, diversos comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição ‘cx 2’”, diz o relatório.
    Recolheram também o seguinte:
    . Um aparelho bloqueador de sinal telefônico, um telefone celular e um pen drive.
    . “Uma pasta transparente contendo cópias da agenda de 2016 onde verifica-se agendamento com Joesley Batista”.
    . “Folhas impressas contendo planilhas com indicações para cargos federais, com remuneração e direcionamento em qual partido político pertence ou foi indicado”.
    . “Folhas impressas no idioma aparentemente alemão, relativo a Norbert Muller” (o doleiro que abriu a famosa conta secreta da família de Aécio em Liechtenstein).

    . “Folha manuscrita contendo dados de CNO (Construtora Norberto Odebrecht)”.
    . “Um caderno utilizado para realizar agendamentos, tendo presente Joesley Batista e Andrea Neves”.
    . Um outro papel com citações ao “ministro Marcelo Dantas” (provavelmente, o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, investigado no STF por tentativa de obstruir as investigações da Lava-Jato).
    Amici
    O que explica isso?
    Alguém falou em “amadorismo”. Um bandido profissional como Antônio Carlos Magalhães jamais cometeria esse deslize.
    Errado.
    Aécio tinha a certeza da impunidade.
    A impunidade que lhe garantiu dinheiro, poder, uma vida mansa e uma longa e bem sucedida carreira ao longo de mais de 30 anos de vida pública.
    Aécio nunca precisou esconder os malfeitos. Pergunte a qualquer jornalista mineiro.
    Delinquiu nas barbas de Gilmar Mendes, de Fernando Henrique Cardoso, dos Marinhos, dos Civitas etc.
    Um gângster que jamais foi incomodado, sempre teve costas quentes e se acostumou.
    São todos cúmplices.
    O Brasil escapou das mãos de um jagunço que chegou aonde chegou porque tinha a proteção de gente como ele.
    Mas irmão que apoiava Aécio?
    Esses babacas irmão::—-
    A cantora Wanessa Camargo. No vídeo abaixo, Wanessa ainda salienta que “tinha certeza de que o Aécio continuaria com o programa Bolsa Família” e arrematou com “por que quem conhece o Aécio, confia no Aécio”.
    – O cantor Cris do Morro salientou que “todos sabem que o Aécio nos escuta”.
    – O famoso jogador de futebol Ronaldinho, que disse que Aécio é honesto e que “a mudança com ele seria segura”.
    – Os cantores César Menotti e Fabiano (afirmaram que Aécio era uma “mudança necessária”).
    – O ex-integrante do Casseta & Planeta, Marcelo Madureira (que, inclusive, foi agredido por manifestantes pró-Lula no dia da Greve Geral).
    – Renato Teixeira, músico (o qual afirmou, na época, que Aécio era “um cara leal, sincero e atencioso”).
    – Zico, o ícone do futebol (segundo ele, Aécio “fala que vai fazer e faz”).
    – O cantor Eduardo Costa.
    – Bruno, da dupla, Bruno e Marrone.
    – Dadá Maravilha (que asseverou que “Aécio tinha DNA” de Tancredo Neves, avô dele).
    – A cantora Fafá de Belém.
    – Os cantores Chitãozinho e Xororó.
    – Ana Paula, esportista (disse que Aécio era um “líder que ‘você precisa quando seu time está abatido'”).
    – O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt.
    – Fagner (cantor)
    – Zezé Di Camargo
    – Ney Latorraca (ator)
    – Marcelo Cerrado (ator)
    – Sandra de Sá (cantora)
    – Tom Cavalcante (humorista)
    – Junior Cigano (lutador de MMA)
    – Lima Duarte (ator)
    – Neymar jogador de futebol
    – Suzana Vieira artista da Globo.
    – Regina Duarte artista da Globo e muitos outros babacas.

  • GILMAR MENDES DE APOIADOR A VITIMA DO ESTADO DE EXCEÇÃO..

    Os personagens deste enredo esqueceram as lições da História. Esqueceram que as tragédias se repetem como farsa. Ou, no caso do Brasil, que a farsa se repete como farsa. Exatamente como no passado recente, apoiadores de primeira hora de golpes e do Estado de Exceção tornam-se vítimas do próprio processo que estimularam. O maior exemplo, no século XX, foi o jornalista Carlos Lacerda, conspirador-mor, artífice do golpe de 1964 na esperança de ser conduzido ao poder sem a necessidade de apoio popular. Lacerda não alcançou o Palácio do Planalto como tramava. Acabou perseguido pelos militares a quem aplaudia e incentivava a colocar os tanques nas ruas. Os atuais Lacerda atendem pelo nome de Reinaldo Azevedo e Gilmar Mendes.
    Lembremos antes o jornalista. Longe de ter o talento e a inteligência de Lacerda, Reinaldo Azevedo emergiu ainda assim como o grande guia das hostes fascistóides na internet. Perseguiu adversários políticos, estimulou o ódio e a insensatez e terminou consumido pela ignorância da turba despertada por ele mesmo. Bastou demonstrar um mínimo de racionalidade para ser arrastado sem piedade até a lama. As críticas aos métodos da Operação Lava Jato não foram perdoadas. Um áudio irrelevante de uma conversa sua com Andreia Neves, irmã presa do senador tucano Aécio Neves, vazado de forma criminosa por agentes públicos, custou-lhe dois empregos e uma situação embaraçosa. Tão grave, embora infinitamente menos relevante para os desígnios do Brasil, quanto os vazamentos ilegais autorizados pelo juiz Sergio Moro dos diálogos entre Lula e a ex-presidenta Dilma Rousseff e entre parentes do petista – vazamento que o jornalista aplaudiu à época.
    Azevedo, de menor importância, é carta fora do baralho. O alvo do momento, e de maior peso, é o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Mendes sempre agiu como um militante do PSDB na Corte. Sua defesa do Estado do Direito em geral esteve ou está relacionada à proteção das forças políticas e econômicas que representa. Quando a Lava Jato se concentrava exclusivamente no PT e em Lula, o magistrado não só deixou o barco correr solto. Apoiou abertamente os esbirros autoritários. Tornou-se por extensão um herói dos movimentos a favor do impeachment. No caso dos vazamentos das conversas entre Lula e Dilma, não viu problemas na liberação em si dos áudios. Preferiu tripudiar do teor do diálogo entre o ex-presidente e então ocupante do Palácio do Planalto. Não só. Uma liminar de Mendes impediu a posse de Lula como ministro da Casa Civil, o que poderia ter salvado o mandato da petista. O ministro conspirou.
    Quanto mais a investigação se aproximava do PSDB, mais Mendes mudava de rota e aumentava o tom das críticas à força-tarefa. Em sequência, comprou briga com o procurador-geral, Rodrigo Janot, e espinafrou os procuradores e delegados envolvidos na operação. A reação não tardou. Primeiro, modus operandi clássico da “República de Curitiba”, vazaram áudios que expuseram sua atuação facciosa, a favor dos tucanos, no STF.
    Agora surgem informações de que a família do ministro, proprietária de terras no Mato Grosso, fornece bois aos frigoríficos da JBS. Não bastasse, sua intenção declarada de debater em plenário os termos da delação dos irmãos Batista, donos da Friboi, e de rediscutir a decisão do próprio Supremo de permitir prisões a partir de uma decisão de segunda instância mereceu críticas de um editorial de O Globo. Sinal que não deve ser ignorado. Como ressaltou em vários artigos o professor João Feres Júnior, criador do Manchetômetro e colunista do site de CartaCapital, a Globo é hoje o principal poder da República e reverbera os interesses do “partido da Lava Jato”. Muitos admiradores de Mendes passaram a defender seu impeachment. De herói a vilão em um passe de mágica. Se não tomar cuidado, o ministro será sugado pelas trevas.
    PS: um ano depois, a revista Veja reconhece os excessos da Lava Jato no caso do vazamento dos áudios entre Lula e Dilma e denuncia a existência de um “Estado Policial”. Sinal de que o vale-tudo reina nas hostes que apoiaram a derrubada de Dilma Rousseff. Comprova-se o argumento de CartaCapital, exposto ainda em 2015: o impeachment seria um salto no escuro que destruiria o País.
    TEXTO OBTIDO DA UOL—O GLOBO—ESTADÃO—VEJA.

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