CASO DA FAMÍLIA DE SÃO FRANCISCO, QUE PERDEU TRÊS MEMBROS PARA A COVID, CONTINUA REPERCUTINDO

O caso continua chamando a atenção da imprensa. A notícia abaixo foi publicada pelo portal UOL

“Em três dias minha vida mudou drasticamente, perdi tudo o que eu tinha de mais precioso. Foi um choque muito grande”. O desabafo é da professora Luciani Cristina da Silva, 45, que em 72 horas perdeu a mãe, o pai e a irmã mais velha, todos vítimas da covid-19.

A família mora em São Francisco, cidade no interior paulista com apenas 3,7 mil habitantes. O município contabiliza quatro mortes pela covid-19, incluindo as três da mesma família, e 54 casos da doença.

Luciani relata que a irmã Antônia Angélica Faez, 58, foi a primeira a contrair o novo coronavírus na família. A mulher, que era funcionária pública, pode ter se infectado no trabalho.

Os primeiros sintomas, como coriza e dor de cabeça, começaram no dia 20 de julho. “Mesmo com a pandemia ela continuou trabalhando normalmente. Apesar de não ter contato com muita gente, acreditamos que ela quem acabou se infectando e transmitindo a doença para o restante da família”, explica a professora.

Na semana seguinte Antônia teve o quadro de saúde agravado e precisou ser internada. Com falta de ar e febre alta, ela foi encaminhada para a Santa Casa de Jales, onde permaneceu na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), entubada, por 30 dias.

Uma semana depois da internação de Antônia, a mãe dela, Ana Angélica Ramos, 78, e o pai, Antônio Pires da Silva, 81, também tiveram os primeiros sintomas da doença. Eles procuraram a unidade de saúde da cidade e começaram o tratamento em casa. O casal morava em um sítio e por causa do isolamento social mantinha contato apenas com as duas filhas.

O estado de saúde dos idosos também se agravou e eles precisaram ser internados. Antônio foi encaminhado para a Santa Casa de Jales, mesmo hospital onde a filha estava internada, e Ana Angélica foi levada para o Hospital de Base, em São José do Rio Preto.

“Foi tudo muito rápido. Os primeiros sintomas eram leves, mas com o passar dos dias piorou e todos precisaram ficar na UTI. Eu também fui infectada, mas fui a única que não precisei ir para o hospital”, conta Luciani. A professora relata que teve sintomas como febre, dor no corpo e perda do olfato e paladar.

De acordo com Luciani, a mãe teve complicações cardíacas e precisou passar por duas cirurgias para desobstrução de uma veia em virtude das complicações da covid-19.

Ana Angélica não resistiu e morreu na noite do dia 18 de agosto. Menos de 24 horas depois a filha mais velha da matriarca também não resistiu e morreu. No dia seguinte, Antônio foi a óbito.

“Quando minha mãe morreu foi um choque muito grande, mas ainda tínhamos meu pai e minha irmã lutando com a doença. Quando eles também não resistiram foi a maior dor da minha vida. Eu tinha uma família linda e de repente as três pessoas que eu mais amava não estavam mais comigo”, diz Luciani.

Ainda segundo a professora, o pai, a mãe e a irmã não tinham comorbidades. “Essa é uma doença muito triste porque ela te afasta das pessoas que você ama. Quando eles estavam doentes eu não podia visitar, conversar e nem ver como eles estavam. E quando eles partiram não pude nem me despedir”, acrescenta Luciani.

1 comentário

  • Thiago

    Não sou da área médica mas tenho um “pressentimento” lendo com certa frequência a respeito de casos assim (morte em pessoas da mesma família).

    Acredito que no futuro cientistas e médicos serão capazes de identificar alguma característica genética que torna as pessoas mais suscetíveis ao agravamento pelo covid, assim como acontece com outras doenças.

    Quando pessoas da mesma família morrem por complicações do covid não consigo deixar de pensar que possam ter alguma característica genética envolvida na forma como o vírus agrediu tanto o organismo, ao ponto de causar a morte.

    Se a pessoa tem ou teve um familiar cujo estado de saúde se agravou após o covid, é prudente que triplique os cuidados.

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