JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC REPUDIAM USO DE TRECHO DE MÚSICA EM OPERAÇÃO DA PF
Um dia desses, foram Marisa Monte e Arnaldo Antunes que desautorizaram o uso de uma canção deles em uma propaganda do prefake de São Paulo e ex-futuro candidato a presidente, o João Dória. Agora, é a vez de João Bosco e Aldir Blanc. A notícia é da Rede Brasil Atual:
Autores de O Bêbado e a Equilibrista, canção composta no final dos anos 1970 e que se tornaria um hino informal brasileiro, João Bosco e Aldir Blanc desautorizaram e ironizaram o uso da expressão “esperança equilibrista” no nome de uma operação desencadeada ontem (6) pela Polícia Federal na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”, disse João Bosco por meio de rede social.
Outra nota, escrita por Aldir, é mais irônica: “Depois da operação ‘Esperança Equilibrista’, João Bosco e eu esperamos que a Polícia Federal prenda também Temereca, Mineirinho 157, que foi ajudado pela Dra. Carmen Lúcia, e o resto, aquela escória do Quadrilhão que impera, impune, no Plabaixo”.
Segundo o compositor, a nova operação se chamaria “De frente pros crimes”, referência a outra célebre parceria da dupla (De Frente pro Crime, de 1975): seria para os “que sempre ficam impunes, com ajudinhas de Gilmares, Moros, MPFs etc”.
Aldir se refere implicitamente a episódio recente em outra universidade federal, a de Santa Catarina, que resultou em suicídio do reitor Luiz Carlos Cancellier, acusado de obstruir investigações: “Também esperamos que ninguém se suicide ou seja suicidado nessas operações, o que já é marca registrada das forças repressoras que servem aos direitistas do Brasil”.
Lançada em 1979, O Bêbado e a Equilibrista se tornou célebre com a interpretação de Elis Regina e tornou-se um ode à anistia. A ideia original de João Bosco era homenagear Charles Chaplin. A letra traz referências a personagens envolvidos na luta contra a ditadura, como as “Marias e Clarices” (viúvas de Manoel Fiel Filho e Vladimir Herzog, mortos sob tortura), e o “irmão do Henfil” (o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que no retorno ao Brasil após longo exílio foi recebido com essa canção).
No vídeo abaixo, Elis canta “O Bêbado e a Equilibrista“:











