DUAS OPINIÕES SOBRE A ABSOLVIÇÃO DE CLÁUDIA CRUZ
Pessoalmente, acho que a absolvição da jornalista Cláudia Cruz esconde algum interesse obscuro. Talvez seja uma tentativa de manter Eduardo Cunha calado, uma vez que a condenação dela poderia precipitar uma delação premiada do marido. E, ao que parece, tem muita gente interessada em que Cunha continue silente.
De qualquer forma, reproduzo por interessantes, duas opiniões divergentes, produzidas por jornalistas de esquerda, sobre a absolvição da esposa de Eduardo Cunha. A primeira, logo abaixo, é do blogueiro Fernando Brito, que ironiza a decisão de Sérgio Moro:
Transcrevo, para que o caro leitor e a querida leitora avalie, o trecho da sentença de Sérgio Moro que inocenta Cláudia Cruz, lavrada no mais belo estilo de considerá-la uma mulher fútil e ignorante, que gasta mais de um milhão de dólares sem saber de onde vem, pobrezinha.
“Nesse ponto, porém, entendo que carece a imputação de suficiente prova do dolo. A acusada Cláudia Cordeiro Cruz foi interrogada em Juízo. Alegou em síntese que era esposa de Eduardo Cosentino da Cunha, que confiava em seu marido e que desconhecia o envolvimento dele em crimes de corrupção”.
“Quanto à conta no exterior, confirmou que assinou os papéis relativos à abertura da conta em nome da Kopek, mas que tinha, na época, presente que se tratava apenas de um cartão de crédito internacional.
Atribui a responsabilidade dos fatos a Eduardo Cosentino da Cunha que teria lhe apresentado os papéis para assinar”.“Também afirmou que Eduardo Cosentino da Cunha cuidava da gestão financeira da família e inclusive da apresentação de sua declaração de imposto de renda”.
“Cumpre observar que, de fato, não há prova de que ela tenha participado dos acertos de corrupção de Eduardo Cosentino da Cunha”.
“Por outro lado, como visto nos itens 283-290, na documentação da conta em nome da Kopek, consta de fato a informação de que a conta foi aberta exclusivamente para alimentar cartões de crédito, entre eles da acusada Cláudia Cordeiro Cruz”.
“A conta e seus ativos não foram, de fato, declarados pela acusada nas declarações de ajuste anual de imposto de renda”.
“Entretanto, a escusa apresentada pela acusada, de que era o seu marido quem cuidava das suas declarações de rendimento, é plausível”.
No “raciocínio” de Moro, uma mulher – adulta, madura e capaz – é apenas uma imbecil que recebe uma mesada no cartão de crédito e a gasta em boutiques de luxo flanando, sem uma questão sequer sobre a sua origem.
Ela só mora com ele e é ele quem cuida da sua vida, de sua renda, de seu dinheiro, dos seus gastos.
Uma ofensa à inteligência das mulheres. Uma ofensa à inteligência de todas e todos.
A segunda opinião é do colunista Breno Altman. Por sinal, Breno – assim como Cláudia Cruz – faz parte de um pequeno grupo de pessoas absolvidas por Moro. Em abril de 2016, ele foi conduzido coercitivamente para depor na PF e se tornou réu em uma ação que tentava ligar o PT ao assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.
Quase um ano depois das humilhações que lhe foram impostas pelo MPF, Breno foi absolvido, mas sua absolvição não mereceu o mesmo estardalhaço de sua condução coercitiva e das acusações imputadas a ele. Vejamos o que disse Altman sobre a absolvição de Cláudia Cruz:
“Que os amigos e amigas mais exaltados me perdoem, mas essa foi uma das poucas sentenças equilibradas do juiz Sérgio Moro”, diz Altman.
“Prender ou condenar parentes de primeiro grau sem qualquer vinculo com supostos crimes do réu principal, por meras provas de usufruto, não necessariamente com dolo, tendo como razão vinculante apenas a relação pessoal ou parental, seria um terrível atropelo ao devido processo legal e às garantias constitucionais”, defende o jornalista.
Para Breno Altman, o único crime provado de Cláudia Cruz é ser casada com Eduardo Cunha. “Mas esse delito não está tipificado no Código Penal ou em qualquer outro documento legal”, afirmou.










