Categoria: Música

PAULINHO MOSKA – “EU SEI QUE VOU TE AMAR”

Eu Sei Que Vou Te Amar”, da dupla Tom Jobim e Vinícius de Moraes, é uma das minhas músicas preferidas. Tanto que, em certa ocasião, juntei em um CD regravável – que eu ouvia repetidamente – nada menos que 20 versões dessa canção. A de Milton Nascimento era, talvez, a que eu mais gostava.

De lá para cá, novas e belas versões  surgiram, como as de Ana Carolina, Vanessa da Mata e Roberto Carlos. “Eu Sei Que Vou Te Amar” é, sem dúvida, uma das músicas  brasileiras mais regravadas, inclusive em outras línguas, como a francesa “Tu Sais Je Vais T’aimer”, de Diana Panton.

Gravada pela primeira vez no início de 1959, pela cantora Lenita Bruno, “Eu Sei Que Vou Te Amar” chegou ao final daquele ano com a espantosa quantidade de 24 versões diferentes. A de maior sucesso foi a da cantora paulista Elza Laranjeira, companheira de Agostinho dos Santos.  

Mas a versão que marcou minha geração foi, certamente, a de Toquinho, Vinícius e Maria Creuza(foto acima). Gravada em 1972 – mesmo ano em que Toquinho e Vinícius estiveram em Jales (veja aqui), sem a Maria Creuza, mas acompanhados pela cantora Marília Medaglia – essa versão incluiu o “Soneto da Fidelidade”, declamado pelo poetinha.

No vídeo abaixo, temos o ex-Inimigos do Rei, Paulinho Moska, que começa sua interpretação declamando o “Soneto da Fidelidade”. O vídeo foi gravado durante espetáculo em homenagem a Tom Jobim, o autor da melodia.

ELIS REGINA – “ROMARIA”

Hoje não tem Brasil & Cia na Regional FM. É a minha folga anual. A rádio transmitirá uma programação especial por conta da Romaria Diocesana que acontece neste domingo, em homenagem à padroeira da Diocese de Jales, Nossa Senhora da Assunção.

A 34ª Romaria Diocesana deverá sair das proximidades da Igreja Santo Expedito – bem pertinho da casa que habito – por volta das 14 horas, com chegada prevista para as 15h30 na Catedral de Jales, onde será realizada uma celebração especial.

E se a nossa Romaria tem 34 anos, a música “Romaria”, do Renato Teixeira, é um pouco mais velha. Composta em 1977, ela está completando 41 anos, mas continua atual. Antes de ser gravada em disco, “Romaria” foi lançada por Elis Regina – grávida de sete meses – em um espetáculo chamado “O Fino da Música“.

Conta a lenda, que “Romaria” foi composta em apenas meia hora e entregue a Elis – que Renato conhecera num estúdio de gravação de jingles – em uma fita. A música fala de um caipira herege arrependido, que busca a paz na igreja. Ela nasceu das lembranças de episódios de fé religiosa presenciados por Renato em Aparecida do Norte.

O vídeo abaixo é de abril de 1978, gravado durante o show “Transversal do Tempo“, que percorreu várias cidades do país e do exterior. O show acabou gerando alguma polêmica, pois, enquanto Elis cantava “Gente“, do Caetano Veloso, o cenário mostrava algumas placas de trânsito onde estava escrito “Beba Gente“. Caetano não gostou da brincadeira e reagiu indignado, declarando à imprensa que sua música estava sendo alvo de deboche.

MORRE ARETHA FRANKLIN, LENDA DA SOUL MUSIC, AOS 76 ANOS

A notícia é do portal MSN:

Aretha Franklin morreu nesta quinta-feira aos 76 anos. A assessora da cantora, Gwendolyn Quinn, confirmou a informação à agência Associated Press, juntamente com um comunicado da família. Aretha morreu em sua casa, em Detroit, às 9h50 (8h50 no horário de Brasília). O motivo da morte foi câncer de pâncreas do tipo neuroendócrino. 

“Em um dos momentos mais tristes de nossas vidas, não temos palavras apropriadas para expressar a dor em nossos corações. Perdemos nossa matriarca, a rocha da nossa família. O amor que ela tinha por seus filhos, netos, sobrinhos, sobrinhas e primos não tinha limite”, diz o comunicado da família. 

A cantora foi diagnosticada com a doença em 2010, o que a levou a se afastar dos palcos por um período. Sua última performance pública aconteceu na Filadélfia, em agosto de 2017. 

Apelidada de rainha da soul music, Aretha Franklin é considerada uma das melhores vozes da história da música, referência para outros nomes que surgiriam na indústria, como Whitney Houston, Beyoncé e Adele. Ao longo de sua trajetória, ela soma 18 estatuetas no Grammy, torna-se a primeira mulher a entrar para o cobiçado Rock & Roll Hall of Fame, em 1987, e recebe a Medalha Presidencial da Liberdade – a maior condecoração para um civil americano – das mãos do então presidente George W. Bush, em 2005.

No vídeo abaixo, o estimado leitor poderá ouvir Aretha Franklin cantando “What I Did For Love”, enquanto aprecia cenas do filme “Doce Novembro”, com o Keanu Reeves e a linda e oscarizada Charlize Theron. Detalhe: a música da Aretha não está na impecável trilha sonora do filme, mas poderia (ou deveria) estar.

 

ZÉLIA DUNCAN – “NAQUELA MESA”

Daqui a pouco, às 10:00 horas, estarei lá na Regional FM, onde apresento, aos domingos, o Brasil & Cia. E hoje, Dia dos Pais, é dia de alguns ouvintes pedirem aquela música piegas do Fábio Júnior, “Pai Herói”. E, como faço há 24 anos, inventarei um desculpa qualquer para não tocá-la.

Até alguns anos atrás, eu dizia que “o CD do Fábio Júnior sumiu“. Atualmente, com todas as músicas no computador, essa desculpa não cola. Terei que ser mais criativo.

Haverá, também, aqueles que, com gosto mais apurado, pedirão “Naquela Mesa” para homenagear os pais que já se foram para o outro lado do mistério. Segundo consta, a letra dessa música teria sido escrita por Sérgio Bittencourt em um guardanapo,  durante o velório de seu pai, Jacob Pick Bittencourt, o Jacob do Bandolim.

Sérgio Bittencourt, que além de compositor era jornalista, não escondia a admiração pelo pai, apesar de manter com ele uma relação meio que conturbada. Certa vez, em um texto para o jornal “Última Hora”, ele disse que Jacob do Bandolim “foi mais do que um pai. Do que um amigo. Do que um ídolo. Foi um homem. Com todas as virtudes, fraquezas e defeitos de um homem com H maiúsculo”.

Se “Naquela Mesa” foi mesmo escrita no dia da morte de Jacob, não se pode ter certeza. O fato é que Jacob morreu em 1969, num 13 de agosto, aos 60 anos, e a música do filho só foi lançada em 1972, em um disco da divina Elizeth Cardoso.

Grande compositor (“Modinha” é sua obra prima) e jornalista polêmico, Sérgio Bittencourt ficou mais conhecido como jurado do programa Flávio Cavalcanti. Em 1970 sua música “Acorda, Alice” foi proibida pela censura da ditadura militar devido ao ingênuo verso “Acorda, Alice / Que o país das maravilhas acabou”.

Hemofílico, Bittencourt morreu em julho de 1979, com apenas 38 anos. No vídeo abaixo, Zélia Duncan canta “Naquela Mesa”, acompanhada por Hamilton de Hollanda, nosso melhor bandolinista, e Nilze Carvalho, nossa mais talentosa caviquinista.

 

ELZA SOARES E BABY DO BRASIL – “MALANDRO”

Eu já postei aqui neste modesto blog um vídeo com a Baby do Brasil cantando “Malandro“, mas acho que vale pena o repeteco. Neste novo vídeo, gravado em 2018, o samba de Jorge Aragão é lindamente interpretado pela Elza Soares e a Baby do Brasil, acompanhadas pela Orquestra Jazz Sinfônica.

“Malandro” foi o samba que, gravado originalmente pela Elza Soares em 1976, impulsionou a carreira de Jorge Aragão como compositor. Aos 88 anos de idade, Elza enfrenta problemas de saúde, mas não abandona os palcos.

Menina pobre, ela foi obrigada pelo pai a se casar com apenas 11 anos. Aos 12 anos, teve o primeiro filho, que faleceu ainda bebê. O segundo também faleceu, mas, mesmo assim, quando ficou viúva, aos 21 anos, ela tinha cinco filhos vivos e, para cria-los, trabalhou como faxineira e empregada doméstica.

Elza iniciou sua carreira como cantora no Show de Calouros, do Ary Barroso. Aos 27 anos, já atuando como cantora, conheceu Mané Garrincha, com quem se casou em 1968. No ano seguinte, a casa de Elza e Garrincha foi metralhada pela ditadura militar e os dois resolveram se mudar para a Itália, onde ficaram seis anos.

Já a Baby do Brasil nasceu Bernardete Dinorá de Carvalho, em 1952. No final dos anos 60, ela fugiu de casa, em Niterói, e se mandou para Salvador, onde conheceu Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Galvão e Pepeu Gomes, que seria seu primeiro marido, e formou com eles o grupo Novos Baianos.

O vídeo tem sete minutos, mas vale a pena ser visto.

POR LULA, GILBERTO GIL E CHICO BUARQUE VOLTAM A CANTAR ‘CÁLICE’ 45 ANOS DEPOIS

Em 1973, Chico e Gil tentaram cantar “Cálice” durante um festival, mas a música – que muita gente pensa ter sido composta por Chico e Milton Nascimento – tinha sido censurada e os microfones foram desligados. A matéria está pendurada no portal da Carta Capital

Em uma entrevista ao documentário “Canções do Exílio”, Gilberto Gil admite até hoje ter dificuldade de cantar a canção “Cálice”, escrita em parceria com Chico Buarque. O motivo? “Porque ela é sobre a dor, o tormento, a repressão, a censura. E tem essa história do ‘pai’. Eu tenho impressão que é mais por aí, essa imagem da primeira pessoa, da santíssima trindade, com sua sombra permanente sobre nós, essa ideia da paternidade como assalto à autonomia de uma individualidade.”

A rejeição não é apenas à letra, mas também à melodia “tristonha”. Como bem lembrou Breno Goés, autor de um texto que circulou após Gil e Chico cantarem “Cálice” no festival Lula Livre, realizado neste sábado 28, o compositor jamais gravou a canção para um álbum de estúdio. Preferia, lembra Goés, temperar a tristeza de felicidade e vice-versa, como fez em “Aquele Abraço”, ao se despedir do Brasil rumo ao exílio em tom carnavalesco.

Nem sempre Gil consegue, porém, deixar “Cálice” de lado. Há momentos em que a canção se impõe. Na apresentação no festival Lula Livre, havia um motivo óbvio para cantá-la: o homenageado do evento, preso há mais de três meses em Curitiba, escreveu um artigo intitulado “Afasta de mim esse cale-se”, sobre o veto da Justiça para que o petista conceda entrevistas e grave vídeos de dentro da cadeia.

O incômodo de Gil com a canção não é de hoje: já se fazia presente no ano em foi composta. Durante a Semana Santa de 1973, o compositor baiano e Chico passaram a se reunir para escrever uma música para um show marcado para maio daquele ano no Anhembi, em São Paulo.

Na Sexta-Feira da Paixão, Gil lembrou-se da oração de Jesus na hora da agonia. “Pai, afasta de mim esse cálice, mas seja feita a Vossa vontade”. Associou-a à narrativa bíblica sobre a comunhão, em que o vinho simboliza o sangue de Cristo. O refrão  “Pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue”, escrito por Gil, foi o ponto de partido da canção.

A relação entre “cálice” e “cale-se” foi imeadiatamente apontada por Chico, que a associou ao silêncio imposto pela ditadura. Cada um compôs uma parte da música: além da primeira estrofe, o baiano escreveria a terceira. A Chico, caberia a segunda e a quarta.

Após o veto tardio a “Apesar de Você”, canção de Chico que vendeu 100 mil exemplares em uma semana antes de a ditadura mandar recolher as cópias, a censura estava mais atenta e proibiu “Cálice'”. No dia do show no Anhembi, Chico e Gil insistiram em apresentar a composição, mas a gravadora de ambos, a Polygram, mandou os técnicos de som cortar os microfones. Irritado com a censura, Chico disse: “Vamos para o que pode!”. E cantaram em seguida Baioque.

A faixa só foi formalmente gravada em 1978, quando Milton Nascimento e Chico registraram a faixa no elepê Chico Buarque. Gil nunca a incluiu em um disco de estúdio.

GUILHERME ARANTES – “MEU MUNDO E NADA MAIS”

Nascido em 28 de julho de 1953, o pianista, compositor e cantor Guilherme Arantes está completando 65 anos de idade neste sábado. Ele começou sua carreira, profissionalmente, em 1973, como tecladista e vocalista do grupo Moto Contínuo. Em 1975, Guilherme deixa o grupo e parte para a carreira solo, gravando seu primeiro disco em 1976.

De lá para cá, colecionou sucessos, cantados por ele mesmo ou por artistas como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gal Costa e Elis Regina, com quem ele manteve um rápido namoro. Nos anos 80, Guilherme Arantes colocou 12 músicas em primeiro lugar nas paradas de sucesso e bateu recorde de arrecadação de direitos autorais, superando artistas do primeiro time, como Chico Buarque e Gilberto Gil.

Em toda sua carreira, Guilherme Arantes já teve 27 músicas de sua autoria incluídas em trilhas sonoras de novelas. Em 1969, enquanto Neil Armstrong se preparava para deixar suas pegadas na Lua, Guilherme – àquela altura com apenas 16 anos – fazia “Meu Mundo e Nada Mais“, música que só foi gravada em 1976 para a trilha sonora de “Anjo Mau”.

Depois de aparecer na novela, a música não parou de tocar, catapultando Guilherme rumo ao sucesso. O próprio artista conta que, de início, as rádios só tocavam “Meu Mundo e Nada Mais” de madrugada, mas, depois de alguns dias, “viralizou” e tocava em todos os horários, em todas as emissoras.

Na novela, a música tocou 530 vezes, segundo contagem de Guilherme, que acompanhava a telelágrimas ao lado da avó, Iracema. “Foi um massacre”, avalia o compositor. No vídeo abaixo, uma das versões “ao vivo” mais recentes de “Meu Mundo e Nada Mais”:

CINCO ANOS SEM DOMINGUINHOS

Hoje, 23 de julho, faz cinco anos que o sanfoneiro, compositor e cantor Dominguinhos (José Domingos de Moraes), faleceu, vítima de um câncer no pulmão e de complicações cardiovasculares.

Ele nasceu em Garanhuns(PE), terra de outro brasileiro ilustre (e injustiçado!) em 1941, mesmo ano em que o doutor Euphly Jalles fincou suas botas por aqui, decidido a fundar esta cidade nem tão abençoada e tampouco bonita por natureza, mas de uma gente acolhedora.

Filho de um afinador de fole, Dominguinhos começou a tocar cedo, formando com dois irmãos um trio que se apresentava em feiras da cidade natal e em portas de hotéis, em troca de algum dinheiro. Em 1948, quando tinha apenas sete anos, Dominguinhos e irmãos tocaram na porta de um hotel onde estava hospedado Luiz Gonzaga, o rei do baião.

Lua ficou impressionado com o talento dos meninos e deu a eles seu endereço no Rio de Janeiro. Em 1954, com treze anos, Dominguinhos subiu em um pau-de-arara (assim como o outro brasileiro ilustre) e, depois de doze dias de viagem, chegou ao Rio de Janeiro.

No Rio, Luiz Gonzaga apadrinhou o moleque e o presenteou com uma sanfona. Por sugestão de um amigo, ele – que era conhecido na terra natal como Neném do Acordeon – passou a ser o Dominguinhos. Anos depois, casou-se com Anastácia, com quem compôs mais de 200 músicas (212, segundo meu amigo Luiz Carlos Seixas, o Bochecha).

Uma dessas 212 canções atende pelo nome de “Só Quero Um Xodó”. Essa música nasceu enquanto Dominguinhos e Anastácia caminhavam por uma rua de São Paulo. Ele começou a assoviar uma melodia que lhe veio à cabeça e, ao chegar em casa só estava faltando a letra, que a Anastácia escreveu em poucos minutos.

Em 1973, recém chegado de seu exílio londrino, Gilberto Gil ouviu “Só Quero Um Xodó” (que tinha sido gravada pela forrozeira Marinês) e gostou. Gil gravou a música em ritmo mais lento e a lançou em um compacto simples que tinha, no lado B, a música “Meio de Campo”, feita em homenagem ao jogador Afonsinho, do Botafogo.

Nascido em Marília e revelado pelo XV de Jaú, Afonsinho – que se formou em Medicina – fez sucesso no Botafogo, chegando a ser o capitão da equipe. Inteligente mas um tanto rebelde numa época em que rebeldias não eram bem vistas, ele acabou sendo “encostado” no Botafogo por – pasmem! – se negar a cortar a barba.

Claro que essa foi apenas a desculpa oficial. Na verdade, Afonsinho era um jogador politizado, que participava de movimentos estudantis e, por isso, incomodava o governo Médici, chegando a ser monitorado pela ditadura. 

Impedido de trabalhar, Afonsinho foi à Justiça e se tornou o primeiro jogador brasileiro a ganhar o direito ao passe-livre, daí a homenagem de Gil. Dono de seu próprio passe, ele foi para o Vasco e depois para o Santos – de Pelé, Edu e Alcindo – onde podia jogar barbudo e cabeludo. 

Deixemos, porém, Afonsinho de lado e voltemos ao Dominguinhos. No vídeo abaixo, Gil o convida para, juntos, cantarem “Só Quero Um Xodó”.

MARIA BETHÂNIA – “COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ”

Segundo levantamento do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), a música “Começaria Tudo Outra Vez” é uma das cinco canções mais executadas do compositor Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior). As outras são “O que é, O que é“, “Lindo Lago do Amor“, “Mamão Com Mel” e “Maravida“.

Como se pode ver, clássicos como “Explode Coração” e “Sangrando” não estão na lista das cinco mais tocadas de Gonzaguinha, o que soa estranho, mas o Ecad é mesmo assim, meio estranho. De todo modo, “Começaria Tudo Outra Vez”, em suas várias interpretações, é uma das mais tocadas.

Uma dessas interpretações, a mais relevante talvez, está completando 40 anos. É a de Maria Bethânia, que foi gravada no disco “Pássaro da Manhã“. Antes, “Começaria Tudo Outra Vez” só tinha sido gravada pelo próprio autor, em 1977.

“Começaria Tudo Outra Vez” é um marco na carreira de Gonzaguinha, porque foi a primeira música da fase, digamos assim, mais romântica do compositor. Antes dela, Gonzaguinha era mais conhecido como autor de canções de protesto. Não por acaso, ele foi – ao lado de Chico Buarque e Taiguara – um dos compositores mais perseguidos pela censura da ditadura militar.   

Com o início da abertura, na segunda metade dos anos 70, Gonzaguinha abriu sua obra para outros segmentos, com canções ao mesmo tempo sofridas e agressivas, que focalizavam conflitos amorosos quase sempre irremediáveis, mas, algumas vezes amenizados pela possibilidade de um esperançoso recomeço. É o caso de “Começaria Tudo Outra Vez“.

É o caso, também, de “Explode Coração“, outra canção de Gonzaguinha, considerado o maior sucesso de Maria Bethânia. A música integra o LP “Álibi“, que, gravado por Bethânia um ano depois de “Começaria Tudo Outra Vez“, foi o segundo disco de uma cantora brasileira a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas. O primeiro foi “Claridade“, de Clara Nunes.

Escolhi o vídeo abaixo por ser um dos mais recentes. Nele, Bethânia canta um medley com “Começaria Tudo Outra Vez” e “Travessia“. E se tiverem tempo, ouçam também uma releitura de Cauby Peixoto (aqui), outro intérprete relevante da obra de Gonzaguinha.

DIOGO NOGUEIRA – “ESPELHO”

O jornalista e crítico musical Mauro Ferreira, do blog “Notas Musicais”, conta que o próximo disco do sambista Diogo Nogueira poderá contar com músicas inéditas compostas a partir de uma curiosa parceria com o pai dele, João Nogueira.

As músicas estariam sendo sopradas do além por João (ele morreu em 2000) ao filho, por meio de sonhos, conforme revelou o próprio Diogo na semana passada, em entrevista televisiva. Certamente que, para aqueles que, como eu, não acreditam na sobrevivência da alma após a morte do corpo e também não creem na comunicação entre pessoas vivas e mortas, tudo isso não passa de balela.

Existem, porém, outros exemplos conhecidos. O Mauro Ferreira citou o caso de “Yesterday”, a música mais tocada no planeta, que, segundo Paul McCartney, lhe veio em um sonho. Da mesma forma, deve-se a um sonho sonhado pelo guitarrista Keith Richards o famoso riff de “Satisfaction”, uma das músicas mais conhecidas do grupo Rolling Stones.

Se quisesse, Mauro poderia ter citado, também, o caso de “Avohai”, a música com a qual Zé Ramalho lembra o seu avô José Alves Ramalho. O termo “Avohai” nasceu de um sonho e significa avô e pai, homenageando o avô que criou Zé Ramalho depois da morte prematura do pai.

Segundo Zé Ramalho, no dia seguinte ao sonho a música lhe teria chegado pronta, soprada por entidades extraterrestres. Uma segunda versão diz, no entanto, que “Avohai” teria sido composta durante uma experiência alucinógena do Zé Ramalho com chá de cogumelo.

Mauro poderia ter citado, ainda, o principal parceiro de João Nogueira, o compositor Paulo César Pinheiro, um dos maiores do Brasil (em quantidade e qualidade), com mais de 2.000 músicas compostas e mais de 1.000 gravadas. A primeira – “Viagem”, em parceria com João de Aquino – foi composta quando ele tinha apenas 14 anos. 

Em uma entrevista, há alguns anos, Paulinho contou que algumas de suas canções lhe chegaram prontas. E no livro “História das Minhas Canções”, ele comenta que “Acontecem coisas estranhas comigo desde quando comecei a compor, ainda menino. Vejo pessoas, vultos, sombras. Escuto passos, palavras, cantos. (…)”.

Metafísica e crenças religiosas à parte, Diogo Nogueira canta, no vídeo abaixo, “Espelho”, uma canção, diríamos, premonitória. Apesar de ter sido lançada por João Nogueira em 1977, quatro anos antes de Diogo nascer, “Espelho”  parece ter sido escrita pelo filho, que – como diz um trecho da música – sonhou ser um “craque da pelota”. Diogo chegou a ser profissional, mas teve que abandonar a carreira por conta de uma contusão.

Em tempo: no vídeo, Diogo Nogueira é acompanhado por Paulo César Pinheiro e Teresa Cristina e pelos grupos Samba de Fato, Sururu na Roda e Casuarina.

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