Categoria: Música

DIOGO NOGUEIRA – “ESPELHO”

O jornalista e crítico musical Mauro Ferreira, do blog “Notas Musicais”, conta que o próximo disco do sambista Diogo Nogueira poderá contar com músicas inéditas compostas a partir de uma curiosa parceria com o pai dele, João Nogueira.

As músicas estariam sendo sopradas do além por João (ele morreu em 2000) ao filho, por meio de sonhos, conforme revelou o próprio Diogo na semana passada, em entrevista televisiva. Certamente que, para aqueles que, como eu, não acreditam na sobrevivência da alma após a morte do corpo e também não creem na comunicação entre pessoas vivas e mortas, tudo isso não passa de balela.

Existem, porém, outros exemplos conhecidos. O Mauro Ferreira citou o caso de “Yesterday”, a música mais tocada no planeta, que, segundo Paul McCartney, lhe veio em um sonho. Da mesma forma, deve-se a um sonho sonhado pelo guitarrista Keith Richards o famoso riff de “Satisfaction”, uma das músicas mais conhecidas do grupo Rolling Stones.

Se quisesse, Mauro poderia ter citado, também, o caso de “Avohai”, a música com a qual Zé Ramalho lembra o seu avô José Alves Ramalho. O termo “Avohai” nasceu de um sonho e significa avô e pai, homenageando o avô que criou Zé Ramalho depois da morte prematura do pai.

Segundo Zé Ramalho, no dia seguinte ao sonho a música lhe teria chegado pronta, soprada por entidades extraterrestres. Uma segunda versão diz, no entanto, que “Avohai” teria sido composta durante uma experiência alucinógena do Zé Ramalho com chá de cogumelo.

Mauro poderia ter citado, ainda, o principal parceiro de João Nogueira, o compositor Paulo César Pinheiro, um dos maiores do Brasil (em quantidade e qualidade), com mais de 2.000 músicas compostas e mais de 1.000 gravadas. A primeira – “Viagem”, em parceria com João de Aquino – foi composta quando ele tinha apenas 14 anos. 

Em uma entrevista, há alguns anos, Paulinho contou que algumas de suas canções lhe chegaram prontas. E no livro “História das Minhas Canções”, ele comenta que “Acontecem coisas estranhas comigo desde quando comecei a compor, ainda menino. Vejo pessoas, vultos, sombras. Escuto passos, palavras, cantos. (…)”.

Metafísica e crenças religiosas à parte, Diogo Nogueira canta, no vídeo abaixo, “Espelho”, uma canção, diríamos, premonitória. Apesar de ter sido lançada por João Nogueira em 1977, quatro anos antes de Diogo nascer, “Espelho”  parece ter sido escrita pelo filho, que – como diz um trecho da música – sonhou ser um “craque da pelota”. Diogo chegou a ser profissional, mas teve que abandonar a carreira por conta de uma contusão.

Em tempo: no vídeo, Diogo Nogueira é acompanhado por Paulo César Pinheiro e Teresa Cristina e pelos grupos Samba de Fato, Sururu na Roda e Casuarina.

CHEGA A SÃO PAULO MUSICAL SOBRE ZECA PAGODINHO. FILHO DE JALESENSE É UM DOS MÚSICOS DO ESPETÁCULO

Notícia publicada pelo UOL, nesta quarta-feira, 11, está destacando a chegada a São Paulo – depois de temporada de sucesso no Rio de Janeiro – do musical “Zeca Pagodinho – Uma História de Amor ao Samba”, que conta de forma irreverente a vida e obra de Jessé Gomes da Silva Filho, que todo mundo conhece como Zeca Pagodinho.

O detalhe é que entre os músicos da peça está o violonista Glauber Seixas (o primeiro à esquerda, na foto acima), filho do jalesense Luiz Carlos Seixas – radicado há anos em Ourinhos – e neto de um dos primeiros farmacêuticos de Jales, Bernardino Mendes Seixas.

Glauber – que é compositor e atua também na direção musical da gravação de CDs – vive no Rio de Janeiro desde 2007 e já atuou em shows com Maria Bethânia, Diogo Nogueira, Maurício Carrilho, Cristóvão Bastos, Gilberto Gil (ao lado) e outros. Paulo César Pinheiro, um dos maiores compositores do país, o considera um dos melhores violonistas da nova geração.

Ao jornal Biz, de Ourinhos, Glauber declarou que “participar de um musical é sempre um desafio. Ele ressaltou, também, que a participação no musical proporcionou conhecimento de detalhes da vida de Zeca. “Ele foi feirante, garçom, anotador de jogo do bicho…”, afirmou Glauber. De seu lado, Zeca diz que “eu já vi a peça três vezes e sempre me emociono”.

A estreia da peça, em São Paulo, está marcada para o próximo sábado, no Teatro Procópio Ferreira. O musical vai além de uma simples biografia. Ele retrata a vida de Zeca em dois atos, onde o artista é interpretado por dois atores diferentes.

No primeiro ato, Zeca é apresentado como um sujeito simples, de Xerém, apaixonado por samba. No segundo, ele encontra a fama, mas sem se esquecer de suas origens.

A notícia do UOL, completa, pode ser lida aqui.

“CHEGA DE SAUDADE”, MARCO INICIAL DA BOSSA NOVA, COMPLETA 60 ANOS

Ontem, 09 de julho, foi feriado no estado de São Paulo, mas, reparando bem, deveria ser feriado no Brasil inteiro. Afinal, foi num 09 de julho – e não de abril, o mês cruel – que Vinícius de Moraes finou-se, aos 66 anos de idade, deixando um legado imorredouro à poesia e à música.

Legado que traz, entre outras coisas, “Chega de Saudade“, o marco zero da bossa nova, que nesta terça-feira, 10, está completando 60 anos de sua gravação mais significativa. A sexagenária canção de Tom e Vinícius, composta em 1956, foi gravada pela primeira vez por Elizeth Cardoso, no disco “Canção do Amor Demais”.

Com arranjos de Tom Jobim, o disco de Elizeth apresentou ao mundo a batida diferente do violão de João Gilberto, que, afora “Chega de Saudade”, acompanhou  “A Divina” em outras cinco canções.

A versão definitiva da música de Tom e Vinícius foi gravada, porém, pelo próprio João Gilberto em 10 de julho de 1958, dois meses após a gravação de Elizeth e poucos dias depois que Pelé, Garrincha e Didi – ao contrário de Neymar e Cia – encantaram o mundo, conquistando nossa primeira Copa.

A batida de João também encantou o mundo e elevou a nossa música ao mesmo nível em que Pelé e Garrincha puseram nosso futebol. A versão de João encantou também Gilberto Gil, àquela altura com 16 anos. Gil revelou hoje, no Twitter, que ao ouvir “Chega de Saudade” pela primeira vez em uma rádio de Salvador, ficou tão profundamente impressionado que, naquele momento, decidiu aprender a tocar violão.

“Chega de saudade” ficou tão marcada pela interpretação de João Gilberto, que até mesmo o Ministério da Cultura do incompetente e ilegítimo governo Temer deu sua mancada na manhã desta terça-feira, numa publicação no Twitter. Segundo O Globo, “a mensagem (ao lado), num desses erros efêmeros típicos das redes sociais, chegou a ficar pouco mais de meia hora no ar até ser corrigida”.

Com mais de 80 anos, João Gilberto, que é mais ouvido nos EUA que no Brasil, vive recluso e foi interditado judicialmente pela filha – a cantora Bebel Gilberto – por problemas de saúde e complicações financeiras.

A reclusão não é, no entanto, novidade na vida dele. Antes de gravar “Chega de Saudade”, ele viveu cerca de dois anos com parentes em uma pequena cidade de Minas Gerais, mas, durante quase todo o tempo, permaneceu trancado em seu quarto, inventando os acordes do que seria a bossa nova.

No vídeo abaixo, Gal Costa canta “Chega de Saudade“:

MARIA BETHÂNIA – “FERA FERIDA”

Antigamente, tinha lá no Brasil & Cia – o programa que apresento aos domingos na Regional FM – um ouvinte que, pelo menos duas vezes por mês, pedia para ouvir a música “Amiga”, com o Roberto Carlos e a Maria Bethânia.

Quando lançou seu LP de 1982 – esse aí do lado – o Roberto Carlos imaginava que “Amiga”, uma música um tanto comprida (5 minutos e 20 segundos) seria o carro-chefe do disco, ou seja, aquela que tocaria nas rádios e puxaria as vendas. Não foi!

O público e as emissoras de rádio preferiram “Fera Ferida”, música que também tem mais de 5 minutos, mas com uma letra bem melhor. Para os críticos, “Fera Ferida” era a melhor composição do disco e uma das melhores da obra de Roberto e Erasmo Carlos.

Há quem diga que a participação de Roberto na letra foi muito maior que a do Erasmo. É que a música trata do rompimento traumático de um caso de amor e foi composta justamente em uma época em que o primeiro casamento do Rei, com Nice – Cleonice Rossi Braga (1940-1990) – tinha se desfeito.

Em 1987, “Fera Ferida” foi regravada por Caetano Veloso e, em 1993, foi a vez de Maria Bethânia regravá-la no CD “As Canções Que Você Fez Prá Mim”, totalmente dedicado às canções de Roberto e Erasmo. A versão de Bethânia foi tema de abertura de uma telenovela global, com o mesmo nome da música.

No vídeo abaixo, Maria Bethânia interpreta “Fera Ferida”, no show “Maricotinha”:

 

DIANA KRALL – “GAROTA DE IPANEMA”

Casada com o cantor britânico Elvis Costelo e mãe de gêmeos, a pianista e cantora canadense Diana Krall já esteve no Brasil quatro ou cinco vezes e até já tentou cantar em português (veja aqui). No vídeo lá de baixo, Diana canta “Garota de Ipanema“, que, na versão dela, em inglês, se chama “The Boy From Ipanema“. 

“Garota de Ipanema“, composta em 1962, é uma das músicas brasileiras mais regravadas e tocadas no mundo inteiro e, por incrível que pareça, uma das últimas criações da parceria Tom Jobim – Vinícius de Moraes.

Vinícius fez a letra inspirado por uma garota de quinze anos – Heloísa Eneida Pais Pinto que, depois de casada, ficou conhecida como Helô Pinheiro – que todos os dias passava em frente ao “Bar Veloso”, em direção a Ipanema. Por sinal, ele escreveu duas letras para Helô, mas descartou a primeira, que se chamava “A Menina Que Passa”.  

Segundo Vinícius, ele e Tom ficavam emudecidos enquanto, do posto de observação de ambos – uma mesa do bar, onde enxugavam algumas cervejinhas – apreciavam a linda visão proporcionada pela passagem de Heloísa. 

Ainda que emudecido, Tom – ao musicar o poema de Vinícius – compôs uma de suas mais originais melodias, alegre ao exaltar a beleza da moça, e triste ao lamentar a solidão do poeta.

Vejam o vídeo:

MERCEDES SOSA, CHICO, CAETANO, MILTON E GAL – “VOLVER A LOS 17”

“Volver a Los 17“, canção da compositora chilena Violeta Parra – que se suicidou em 1967, aos 50 anos, por causa de uma desilusão amorosa – foi um hino da esquerda latino americana nos penosos anos de chumbo que praticamente todo o continente conheceu.

A letra deixava claro que a canção tinha o sentido de luta, de encorajamento e de inconformismo. Por isso mesmo, “Volver a Los 17” permaneceu proscrita da programação das rádios chilenas durante a ditadura de Augusto Pinochet, junto com “Gracias a La Vida”, outro clássico de Violeta que, aqui no Brasil, mereceu uma regravação definitiva da Elis Regina.

Artista desde criança, Violeta Parra cantou em todos os cantos do Chile, pesquisando e apresentando a cultura dos povos pobres de seu país, seu modo de ver o mundo, suas tristezas, suas alegrias e seus sonhos. Chegou a dar aulas em universidades chilenas sobre cultura popular e participou ativamente da luta política do povo.

No vídeo abaixo, uma das inúmeras versões de “Volver a Los 17”, com Mercedes Sosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gal Costa. E uma versão mais recente, com Fagner e Ava Rocha, pode ser vista aqui.

TOM JOBIM, CHICO BUARQUE E TELMA COSTA – “EU TE AMO”

Na semana passada, por conta do “Dia dos Namorados” que ocorreria na terça-feira, 12, postei aqui no blog um vídeo de “A Noite do Meu Bem”, que é tida como a nossa música mais romântica.

Nos comentários, o amigo Ademar Amâncio, de Populina, lembrou que o tema do amor-romântico é o mais visitado na música de todo o planeta e, por conta disso, muitas vezes predominam os versos clichês, nos quais a dupla Sullivan & Massadas são expoentes.

O Ademar citou, em contrapartida, uma música – “Eu Te Amo”, parceria do Chico Buarque com o Tom Jobim – que trata do assunto (o amor, ou, no caso, o desamor) com versos nada clichês, muito pelo contrário.

Composta em 1980 para a trilha de um filme, “Eu Te Amo” fala da dor de uma separação com imagens líricas e versos inusitados. Chico começa dizendo à pessoa amada que “ao te conhecer dei pra sonhar, fiz tantos desvarios; rompi com o mundo, queimei meus navios”. Depois de dizer isso, ele pergunta inconformado “me diz pra onde é que ainda posso ir?”.

Gênio, Chico – que estará completando 74 anos na terça-feira, 19 – não escreve nada por acaso. O verso “queimei meus navios”, por exemplo, faz referência à impossibilidade de voltar atrás, baseado na história de Francisco Pizarro, conquistador do Peru, que costumava atear fogo às próprias embarcações para evitar que seus soldados fugissem.

“Eu Te Amo” não está entre as músicas mais populares do Chico, mas é, sem dúvida, uma das mais bonitas. Há alguns anos, o jornal gaúcho Zero Hora pediu a 10 jornalistas e críticos musicais que fizessem suas listas com as dez melhores canções do Chico. “Eu Te Amo”, incluída em seis listas, foi a segunda mais citada. A primeira foi “Construção”, com sete citações

No vídeo abaixo, gravado em 1984, Chico e Telma Costa – acompanhados pelo maestro Tom Jobim – interpretam “Eu Te Amo”. Telma Costa, a moça lá de cima, morreu prematuramente em 1989, dez dias antes de completar 36 anos e cinco anos depois de gravar seu único disco. Ela foi encontrada morta em um quarto de hotel e, segundo o laudo médico, teria sido fulminada por um ataque cardíaco.

 

SIMONE – “A NOITE DO MEU BEM”

Terça-feira, 12, é o “Dia dos Namorados”, que em outros países é comemorado no dia 14 de fevereiro. Aqui no Brasil, a data começou a ser comemorada em 1949, graças ao publicitário João Dória – isso mesmo, o pai do candidato tucano – que trouxe a ideia dos Estados Unidos para aumentar as vendas do comércio.

Evidentemente que a data nos faz lembrar músicas românticas, como é o caso de “Endless Love“, música gravada originalmente em 1981, por Lionel Richie e Diana Ross. Há alguns anos, a revista Billboard resolveu fazer uma pesquisa entre seus leitores sobre qual seria a música mais romântica do planeta. Deu “Endless Love”.

Gosto não se discute. Frank Sinatra, por exemplo, dizia que a melhor música de amor que ele cantou foi “Something”, que o George Harisson fez para sua então esposa, Pattie Boyd. A mesma Pattie que, anos depois, trocou o George pelo Eric Clapton e inspirou outra linda canção (“Layla”).

Aqui em terras tupiniquins, uma emissora de rádio também resolveu perguntar a seus ouvintes qual seria a mais romântica das músicas brasileiras. Deu “A Noite do Meu Bem”, da Dolores Duran, lançada por ela em setembro de 1959.

Dolores não conheceu o sucesso de sua música, uma vez que, um mês depois do lançamento, a cantora e compositora morreu. Ela tampouco conheceu o sucesso de “Eu Sei Que Vou Te Amar”, do Vinícius e do Tom – outra classificada entre as mais românticas – que, igualmente lançada em 1959, já tinha, um ano depois, nada menos que 24 regravações de diferentes intérpretes.

“A Noite do Meu Bem” também tem diversas regravações. Alcione, Maria Creuza, Cauby, Clara Nunes, Leila Pinheiro, Jair Rodrigues, Elizeth Cardoso, Leila Pinheiro, Jessé, Nelson Gonçalves, Nana Caymmi, Bethânia e Quarteto em Cy estão entre seus intérpretes. A versão de Milton Nascimento é uma das mais bonitas, mas, no vídeo abaixo, quem canta é a Simone:

CÁSSIA ELLER E NOITE ILUSTRADA – “VOCÊ PASSA EU ACHO GRAÇA”

Composta em 1968, por Ataulfo Alves e Carlos Imperial, “Você Passa Eu Acho Graça” foi gravada pela primeira vez por Clara Nunes, naquele mesmo ano. Foi o primeiro disco de samba de Clara, que, ainda em início de carreira, era mais dada a cantar coisas românticas.

Antes, porém, da gravação de Clara, “Você Passa Eu Acho Graça” já era mais ou menos conhecida, uma vez que seus autores a inscreveram em um festival da TV Excelsior, onde, defendida por Ataulfo, ficou em quinto lugar.

Ataulfo, moço de origem simples, foi um de nossos maiores compositores, autor, entre outras coisas, de “Ai, Que Saudades da Amélia”, música que, nos dias de hoje, deixaria as feministas de cabelos em pé. Não sei se houve uma Amélia na vida de Ataulfo, o fato é que ele foi casado com uma Judite e teve com ela cinco filhos.

O certo, também, é que ele gostava de cantar suas saudades. Em “Meus Tempos de Criança”, Ataulfo cantou as saudades da professorinha que lhe ensinou o beabá e de seu primeiro amor, uma certa Mariazinha. Na mesma música, ele revelou a saudade do seu “pequenino Miraí”, cidadezinha mineira onde nasceu em 1909 e onde era feliz e não sabia.

Ataulfo morreu em 1969, antes de completar 60 anos, e mereceu homenagens até aqui em Jales, onde uma rua do Jardim Aclimação foi batizada com seu nome. Certa vez, perguntei a uma moradora da citada rua se ela sabia quem tinha sido Ataulfo Alves. A moça – uma fã de Rick e Rener – arriscou: “é um ex-vereador aqui de Jales”.

Voltemos, porém, a “Você Passa Eu Acho Graça”, que, no vídeo abaixo, é interpretada por Cássia Eller e Noite Ilustrada. Eu dedico o vídeo ao meu amigo Botina, fã do cantor e violonista Noite Ilustrada – nome verdadeiro, Mário de Souza Marques Filho – que era um especialista no repertório de Ataulfo.

ANITA E DIOGO NOGUEIRA – “EX-AMOR”

Eu já postei um vídeo aqui no blog com a Simone e o Martinho da Vila cantando “Ex-amor“, mas acho que vale o repeteco, pelo inusitado da parceria improvável entre Anita e Diogo Nogueira. E como já é tarde e estou com sono, não vou me alongar.

Direi apenas que “Ex-amor” foi lançada por Martinho em 1981, no LP “Sentimentos”, em cuja contracapa ele agradeceu “aos que rezaram por mim ou se preocuparam comigo na crise de saúde do ano passado“. É que no ano anterior, Martinho passou mal durante uma excursão a Angola e foi trazido de volta ao Brasil, às pressas, em um voo especial.

Na época, as revistas de fofocas diziam que ele nunca mais voltaria a ter uma vida normal e que estava terminantemente proibido de beber e de praticar a boêmia. Felizmente para Martinho, essas previsões pessimistas não se confirmaram, de modo que, aos 80 anos, ele continua curtindo a noite e bebericando suas cajibrinas.

Voltando a “Ex-amor“, o livro “O Melhor de Martinho da Vila” garante, lá pela página 130, que essa composição foi a primeira manifestação musical brasileira explícita sobre a masturbação. Vamos ao vídeo:

 

1 2 3 4 5 30