A colunista Ruth Manus foi demitida, nesta segunda-feira (12), do Estadão, por ter feito coluna criticando o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).
A colunista publicou em sua conta no Facebook, nesta terça-feira (13), texto na terceira pessoa onde explica que, “uma moça chamada Ruth, que escrevia para um grande jornal brasileiro”, em agosto, publicou uma coluna onde “criticava um certo candidato à presidência do país” e, por conta disso, “foi surpreendida com uma ligação do jornal proibindo-a de se manifestar sobre política por prazo indeterminado”.
Ruth afirma que reagiu à proibição e disse à direção do jornal que “caso eles não estivessem dispostos a preservar sua liberdade como colunista, que ficassem à vontade para rescindir o seu contrato”.
Ao final da nota ela afirma: “Quem quiser seguir me acompanhando, será muito bem-vindo na minha página do facebook, no meu instagram, no Observador- jornal português no qual escrevo desde 2016 com total respeito e liberdade- e, futuramente, em outros espaços que façam sentido. Obrigada pelos anos de leituras atentas”.
Na manhã desta terça-feira, 13, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) ouviu as servidoras da Prefeitura Giselle de Lima Gonçalves (foto) e Laís Dantas Neris Barboza, testemunhas sobre os desvios de verbas públicas da Prefeitura de Jales.
A CEI foi criada para apurar suspeitas de desvios de mais de R$ 5 milhões em recursos públicos da Prefeitura Municipal, descobertas após a deflagração da Operação Farra no Tesouro da Polícia Federal. A Comissão tem como membros o vereador Fábio Kazuto (PSB), presidente, Vanderley Vieira (PPS), vice-presidente e Bismark Kuwakino (PSDB), relator.
A Comissão iniciou seus trabalhos no dia 23 de agosto e já ouviu dezessete testemunhas.
A CEI vai se reunir na próxima terça-feira para dar prosseguimento aos trabalhos e deverá ouvir os servidores da Prefeitura Diego Rosão Inácio da Silva e Vinicius Menegotto das Neves. A Comissão Especial de Inquérito tem duração de 90 dias e será prorrogada por igual período a partir do dia 21 de novembro.
Trechos de artigo do professor da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos:
Não acreditei, confesso, quando li a mensagem de WhatsApp: só pode ser fake news. Um técnico do IPEA informava que o futuro ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, tinha acabado de ter uma reunião com integrantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Os técnicos discutiam a LOA e foram interrompidos pelo futuro ministro: o que mesmo é a LOA? Sério? Não pode ser. Como é possível que um economista experiente prestes a assumir o Ministério da Economia não saiba que a LOA é a Lei Orçamentária Anual? Só pode ser brincadeira de petista infiltrado.
Só que não. A jornalista Cristiana Lobo revelou anteontem em rede nacional que o presidente do Senado, Eunício Oliveira, convidou Guedes para discutir o orçamento e sua lei. A LOA. Guedes não se interessou, respondendo que faria o orçamento de 2019 só depois de tomar posse, no ano que vem. O senador precisou explicar que a LOA era o orçamento “do ano que vem”.
Os sinais de desorientação na cúpula econômica do novo governo não são novos, diga-se de passagem. Na entrevista em que destratou uma jornalista do El Clarín da Argentina apenas por lhe perguntar se o Mercosul seria prioridade do novo governo, Guedes revelou desconhecer o básico.
Afirmou que “o Mercosul quando foi feito foi totalmente ideológico…Eu só vou comercializar com Argentina? Não. Eu só vou comercializar com Venezuela, Bolívia e Argentina?… Não, não é prioridade. É isso o que você quer ouvir?”
Guedes precisa de algumas informações básicas. Número 1: o Mercosul foi assinado por Fernando Collor e Carlos Menem em 1991, e não por Lula e Kirchner em algum ano da década passada. Se “quando foi feito foi totalmente ideológico”, a ideologia do Mercosul era a de neoliberais como Guedes.
Informação básica número 2: nem Bolívia nem Venezuela, dois dos três países citados por Guedes, são integrantes originais do Mercosul. Foi apenas em maio de 2018 que a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, com relatoria de deputado neoliberal do PRB, aprovou a adesão da Bolívia ao Mercosul, ainda pendente.
E desde 2016 a Venezuela está suspensa porque, felizmente, o bloco tem uma “cláusula democrática” entre seus participantes.
Informação básica número 3: o Brasil tem superávit comercial com o Mercosul e com a América do Sul em geral. As exportações industriais são parte importante deste saldo comercial favorável. Muitas delas são feitas por filiais de grandes grupos multinacionais que tecem cadeias produtivas globais, exportando insumos e bens finais entre plantas produtivas. O Brasil é o principal centro regional delas basicamente porque tem o maior mercado interno e porque o Mercosul facilita as trocas regionais.
Alguém tem que fornecer outras informações básicas sobre o mundo em que vivemos para os futuros ocupantes do Planalto. Nem Clinton, nem George Bush nem Barack Obama aceitaram abrir o mercado agrícola local para os exportadores brasileiros apesar da insistência de FHC e Lula. Trump, o protecionismo-mor, é quem vai fazê-lo?
Alguém tem de avisar Bolsonaro e Guedes que a China é o principal destino das exportações brasileiras. E é bom que Bolsonaro pense duas vezes antes de voltar a visitar Taiwan, considerada uma província rebelde em Pequim.
Alertem por gentileza que sair do Acordo de Paris para o clima sujeitará o Brasil a retaliações comerciais da União Europeia. E que os árabes vão deixar de importar carnes halal do Brasil caso mudemos nossa embaixada para Jerusalém por pressão não da comunidade judaica, mas de igrejas evangélicas que apoiaram Bolsonaro. Torçamos para que fanáticos do outro lado não passem a ver a camisa brasileira com ódio nas praias do Egito ou na Copa do Mundo no Catar.
“O empobrecimento intelectual faz com que o brasileiro busque identificação com políticos, artistas, pastores, padres, comediantes e outras figuras públicas a partir daquilo que os une: a ignorância. Perdeu-se a vergonha de ser ignorante ou burro”.
(Rubens Casara, juiz de Direito do TJ-SP, no Twitter)
Quatro dos nobres edis são casados e devem ter ido ao local apenas para encontrar amigos. Eles gastaram pouco mais de R$ 300,00 em cada uma das duas incursões ao “restaurante”. A notícia é do portal Conjur:
Uma noitada de vereadores do interior paulista em um prostíbulo da capital, bancada pelo dinheiro público. O Ministério Público de São Paulo alega que foi exatamente isso que ocorreu nos dias 27 de junho de 2017 e 13 de junho deste ano com cinco políticos de Iacanga.
Os vereadores afirmam ter ido à capital paulista para missão oficial na Assembleia Legislativa. Ao fazerem os 376 quilômetros de volta para Iacanga, apresentaram comprovantes de despesas para que a Câmara os reembolsasse. Um deles era do “Bomboa”, que ninguém suspeitou ser mais que um restaurante.
Ao analisar as contas, o poder público entendeu que o pedido de reembolso não se encaixava nas situações que a lei exige e pediu que os vereadores detalhassem os gastos por escrito. Neste momento, os políticos tentaram fazer com que o pedido fosse esquecido — e até deram dinheiro pelas despesas.
“Esse inusitado comportamento chamou a atenção do sistema de controle interno da Câmara Municipal e justificou uma análise mais atenta da despesa. Foi assim que se descobriu a imoralidade”, afirma o MP na denúncia por improbidade administrativa.
Os promotores dizem que uma simples busca na internet demonstrou que o local não é apenas um restaurante. Os anúncios sugerem ser um prostíbulo, e os comentários em diversas publicações confirmam isso.
“No caso em questão, a imoralidade e ousadia saltam aos olhos. Justamente em viagens oficiais, custeadas pelo erário e supostamente feitas em benefício da população, os requeridos decidiram gastar dinheiro público para a satisfação da lascívia”, afirma o MP-SP, que pede que os políticos paguem multa de R$ 20 mil cada um.
Sílvio Santos é um mestre na arte da vassalagem. Só falta o ufanismo dos irmãos Dom e Ravel ou dos Íncríveis cantando “Eu Te Amo Meu Brasil”. A notícia é do portal MSN:
O SBT colocou em sua grade nesta terça-feira vinhetas de temáticas nacionalistas. Uma delas usa a canção Pra Frente Brasil, conhecida como a música-tema da seleção da Copa de 1970, e outra traz o hino nacional seguido por uma narração de Carlos Roberto com frases variadas ao final.
Na versão mais controversa, ele diz: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A frase ficou conhecida como slogan do período da Ditadura Militar brasileira, associada à repressão de movimentos e ideias contrários ao governo.
Ao site de VEJA, a comunicação do SBT afirmou que não comenta o motivo da circulação dos vídeos por “questões estratégicas”.
Segundo o blog Notícias da TV, uma fonte ligada ao canal afirmou que os vídeos foram feitos a pedido de Silvio Santos, como um apoio ao presidente eleito Jair Bolsonaro.
Vejam vocês o que é a falta de notícias! À falta de coisas mais importantes para tratar – e considerando que o vídeo da moça do Sindicato não é assunto para ser tratado publicamente – nossa imprensa começou a semana criticando a instalação de um parapeito de vidro na Câmara Municipal.
A engenhoca separa o plenário das galerias (eu até tirei umas fotos, mas consegui apaga-las ao baixar no computador). Ou seja, o vidro, de 1,70 metro de altura, separa os nossos nobres edis do povoléu.
A separação de vidro não significa, porém, que os nossos vereadores, tal qual o general Figueiredo, não gostem do cheiro de povo ou prefiram a companhia de cavalos. Trata-se tão-somente de uma medida que visa atender às normas de segurança impostas pelo Corpo de Bombeiros para renovação do Alvará de Licença.
Pelo barulho que se está fazendo, a obra deve ter custado algo acima de R$ 50 mil, certo? Errado! Está custando exatos R$ 6,5 mil. E além do parapeito de vidro, a Câmara instalou, também, alguns corrimões igualmente para atender às normas de segurança dos Bombeiros.
Há alguns anos, a Câmara instalou uma porta automática com acionamento por sensor de presença, uma modernidade à qual a Câmara de Rio Preto, por exemplo, só está aderindo neste ano. A porta deve ter custado bem mais que os vidros de agora, mas o gasto – ou investimento, como queiram – não mereceu, à época, um único comentário negativo.
Resumindo: muito barulho por quase nada.
Em tempo: hoje, quando estive na Câmara, havia cinco vereadores por lá: Pintinho, Deley, Macetão, Bismark e Kazuto. Os quatro últimos disseram não ter sido abordados para falar sobre o assunto, contrariando informações do “Antena Ligada“. E o vereador Macetão desmentiu que tivesse sido impedido por outros vereadores de dar entrevista.
Bolsonaro pensa que ele é Trump e que o Brasil é os EUA. Bravateou contra a China, mas bastou uma visita do embaixador chinês e o discurso já mudou. A base do discurso bolsonarista, no entanto, é a beligerância, o insulto, de modo que a qualquer momento o “coiso” poderá voltar a fustigar os chineses.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil, com um detalhe: nós exportamos muitos mais para os chineses do que importamos de lá. Aqui em Jales, por exemplo, uma das maiores geradoras de empregos exporta produtos para a China. Mas, vamos ao que escreveu o blogueiro Josias de Souza, do UOL:
No seu desejo de seguir as pegadas de Donald Trump, Jair Bolsonaro coleciona contenciosos internacionais antes mesmo de pendurar no ombro a faixa presidencial. O novo presidente brasileiro compra briga com a China e com os mundos árabe e muçulmano. O problema é que o Brasil não tem a força dos Estados Unidos. E quem não é forte precisa ser pelo menos diplomático. Sob pena de perder relevância política e, sobretudo, dinheiro.
O governo do Egito cancelou visita de quatro dias que o chanceler brasileiros Aloysio Nunes faria ao país entre quinta-feira e domingo. Alegou-se em cima da hora que autoridades egípcias tiveram problemas de agenda. Isso é lorota. Trata-se na verdade de uma reação ao anúncio feito por Bolsonaro de que vai transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.
Aloysio Nunes viajaria em missão comercial. Pelo menos duas dezenas de empresários brasileiros já estavam no Egito para se incorporar à comitiva do chanceler. O gesto dos egípcios é prenúncio da encrenca que se forma nos mundos árabe e muçulmano, grandes consumidores de carne e frango do Brasil. Atacada por Bolsonaro durante a campanha, a China, nossa maior parceira comercial, também olha para Brasília com um pé atrás. No afã de macaquear Trump, Bolsonaro não se deu conta de que a diplomacia, como o nome indica, só funciona quando é macia.
Reportagem de Anna Virginia Balloussier na Folha de S.Paulo informa que, como as de tantos outros pastores, as redes sociais de Josué Valandro Jr., 49, ganharam tintas políticas nas últimas semanas. Tudo em prol do candidato abraçado por sete de cada dez evangélicos, Jair Bolsonaro (PSL).
Após o triunfo do candidato que popularizou o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, Josué deu parabéns: “Conte com nossas orações!”. A 11 dias do segundo turno, publicou um bom recadinho, tudo em maiúsculas sobre fundo verde-amarelo: “Nós, evangélicos, estamos falando sobre política hoje para não sermos proibidos de falar de Jesus amanhã”.
De acordo com a publicação, entre a legião de líderes evangélicos que encontrou no católico Jair Messias Bolsonaro um presidente que vá lutar por moral e bons costumes, Josué tem algo que a maioria não tem. Acesso ao homem.
Ele lidera a Igreja Batista Atitude, no Recreio (zona oeste carioca), onde vai Michelle Bolsonaro. A mais ilustre fiel lhe garantiu uma ponte com o marido e futuro presidente do Brasil. No domingo (4), Bolsonaro subiu ao púlpito do templo e nele orou, ficou de joelhos, chorou e atribuiu a vitória a Deus.
Não acha Bolsonaro o racista que setores progressistas dizem ser. Aliás: “Discordo chamar negro de minoria. Calma aí, o principal jogador da história [Pelé], e o maior artista, Michael Jackson, são negros”. Duvida inclusive “das estatísticas de que negro morre mais”. Argumenta: “Quase não vou em enterro de negro, já em enterro de branco vou a toda hora. Sério mesmo”.