FAMÍLIA DE ESTUDANTE MORTO PELA DITADURA MILITAR E SEPULTADO SIMBOLICAMENTE EM JALES SERÁ INDENIZADA
Além da indenização, a Justiça determinou que seja erguido um busto de Ruy Berbet aqui em Jales e outro em Natividade(TO).
Durante muito tempo, falou-se que Ruy teria se suicidado, mas a família sempre contestou essa versão. A sentença da Justiça diz que, durante uma noite de tortura, Ruy foi colocado em uma forca, tendo que se equilibrar em um móvel. “Quando as forças faltaram a Berbet e seu corpo se desequilibrou, o peso de seu próprio corpo causou o enforcamento”.
Ele participou, em 1969, do sequestro de um avião, que o levou, juntamente com outros oito militantes, para Cuba, de onde voltou clandestinamente em 1971. Em 27/07/1972, Ruy Berbert foi condenado à revelia a 21 anos de reclusão pela 2ª Auditoria da Justiça Militar Federal, em São Paulo, embora já estivesse morto.
Trecho da biografia de Ruy diz que “em 19 de maio de 1993, uma urna funerária com seus pertences, cuidadosamente guardados pelo pai, foi depositada no jazigo da família no cemitério de Jales, simbolizando o enterro de Ruy Carlos. Nesse dia, foi decretado feriado municipal em Jales”.
A notícia é do blog do Cleber Toledo:
A Justiça Federal condenou a União e os estados do Tocantins e Goiás a indenizar em R$ 500 mil a família de Ruy Carlos Vieira Berbert, militante do Movimento de Libertação Popular (Molipo), que fazia frente à ditadura militar. Ele foi encontrado morto em Natividade em 2 de janeiro de 1972, após ter sido preso pela Polícia. A decisão do dia 9 deste mês foi tornada pública por uma série de tweets do site The Intercept Brasil.
Até então a causa da morte de Ruy Carlos era tida como suicídio, conforme registros da ditadura militar, o que não foi reconhecido pelo juiz Fabio Kaiut Nunes. Conforme o site The Intercept Brasil, que teve acesso à decisão, o magistrado aponta que o militante foi a óbito por asfixia mecânica por enforcamento, decorrente de maus tratos e tortura nas dependências da Cadeia Pública de Natividade. Conforme a sentença, moradores do município relataram ter ouvido barulhos no prédio e a presença de policiais de fora da cidade na noite anterior ao falecimento.
Além da indenização da família, a Justiça Federal determinou que União e o Tocantins coloquem bustos em homenagem a Berbert em Jales (SP), cidade natal da família de Ruy Carlos, e Natividade. “O ponto nevrálgico da memória de Berbert, a ser estabelecido perante a população brasileira, é que um cidadão sofreu prisão ilegal por agentes públicos; no contexto dessa prisão sofreu maus tratos, tortura e foi morto; e seu cadáver foi ocultado e jamais entregue à família”, diz trecho da decisão, conforme divulga o The Intercept. Ainda cabe recurso.
A história de Ruy Carlos Vieira Berbert pode ser encontrada na página da Comissão da Verdade de São Paulo. A produtora tocantinense Super Oito também fez um documentário para narrar a história de Berbert e de outros militantes da Molipo, o “Labirinto de Papel”.






