COMENTÁRIO DE UM ADVOGADO AGRADECIDO
Ontem, este modesto blog recebeu um comentário que, por interessante, reproduzo abaixo. O comentário foi feito em um post de agosto de 2014 (aqui), sobre a participação do advogado jalesense Carlos de Oliveira Mello em um evento com o ex-presidente Lula. Eis o comentário:
Boa tarde! Eu também sou Advogado. Me formei na região noroeste paulista também, numa faculdade particular de Votuporanga. Nasci pobre. Minha mãe também. E a mãe dela também. Ambas eram domésticas. Minha mãe só nasceu porque quando a mãe dela trabalhava na casa de uma certa família de Advogados e Juiz o patrão a estuprou.
Não reconheceu a paternidade. Não foi preso. Minha avó ficou grávida, desempregada e o próprio pai a colocou pra fora de casa. Portanto, foi aí que a nossa vida de dificuldades se agravou. Eu já juntei latinhas de cervejas pra ajudar complementar a renda. Já vendi geladinho em jogo de futebol. Trabalhei desde os meus 11 anos. Sempre fui aluno dedicado.
O Lula não me ajudou passar na OAB, nas provas da faculdade. Mas não fosse o Lula, eu, o Dr. Carlos, e tantos outros na mesma situação certamente não teríamos acesso ao ensino superior. Porque nós experienciamos, nas dificuldades de nossas vidas, nas carências de nossas famílias, a necessidade de termos que trabalhar para ajudar nossas famílias a ter o que comer dentro de nossas casas.
Não fosse o Lula sabe-se lá quantos vestibulares de Instituições de Ensino Superior Públicas teríamos que prestar pra competirmos com tanta gente rica que o pai paga escola particular e cursinho pra não ter que pagar faculdade, por exemplo de Medicina, Engenharia, Direito (não que isso seja errado, mas é desigual).
O Lula e a Dilma nos deram oportunidades, de nos formarmos, de comprarmos nossos carros, nossas casas. É por isso que somos gratos. Pelas oportunidades que tivemos, sendo pobres. Isso não é demagogia. Também não somos incultos, escravos de assistencialismos, petistas, bandidos e tantos outros adjetivos usados pelos que tentam minimizar nossa gratidão. Apenas somos gratos, certo?
Quem não concordar simplesmente continue exercendo o seu direito democrático de não concordar. Ninguém está pedindo opinião de contrários, justificativas, criando debate, julgando alguém. Apenas demonstramos nossa gratidão pelas oportunidades que tivemos de hoje sermos alguém na vida, de não termos sido cooptados à marginalidade, ao vício, ao crime – como comumente acontece com quem não soube enfrentar as dificuldades que tivemos e aproveitar as mesmas oportunidades que nos foram dadas.






