Categoria: Música

NÁDIA FIGUEIREDO E GILBERTO GIL – “A PAZ”

Nádia Figueiredo é uma cantora e compositora brasileira pouco conhecida pelos brasileiros. E não é para menos. Afinal, ela não canta música sertaneja. Nádia é uma cantora lírica que, de vez em quando – como se verá no vídeo – também canta músicas populares.

Nascida em Belo Horizonte, começou a cantar e tocar violão aos 10 anos. Graduada em Publicidade e Propaganda e pós-graduada em Artes Cênicas, ela já atuou como modelo em campanhas publicitárias. Em 2008, começou a estudar canto lírico e recebeu muitos elogios pelo timbre de voz e grande extensão vocal.

Nádia não é apenas um rostinho bonito. Além do português, ela canta em diversos outros idiomas, como espanhol, esperanto, francês, hebraico, hindi, inglês, latim e russo. Em 2013, uma de suas composições que fala de aquecimento global foi tema de uma exposição na Rússia.

Em 2014, uma composição de Nádia, em esperanto, ganhou destaque internacional, sendo considerada pelos esperantistas como uma das músicas mais bonitas ouvidas nesse idioma. Em 2017, ela recebeu a Medalha Cinquentenário das Forças Internacionais de Paz da ONU.

E por falar em paz, no vídeo, Nádia canta com Gilberto Gil a música “A Paz”, uma parceria de Gil com o pianista João Donato. No CD Acústico, Gil contou como foi o processo de criação de “A Paz”. Donato chegou um dia na casa de Gil com uma fita na qual tinha gravado várias músicas e pediu que Gil fizesse a letra para uma delas.

Gil alegou que estava sem tempo naquele dia, mas Donato insistiu tanto que ele acabou cedendo: “tudo bem, eu vou ver o que faço…”. Enquanto Gil ouvia a fita, Donato cochilou no sofá. E foi justamente a imagem de Donato cochilando sossegadamente em plena luz do dia, que inspirou Gil a falar sobre a paz.

“Me veio à lembrança o título do livro “Guerra e Paz”, de Tolstoi, e a letra foi sendo construída sobre essa contradição”, conta Gil. Quando ele terminou a letra, chamou Donato, que continuava roncando no sofá: “taí a letra; veja aí se ficou bom…”. Vejam vocês, no vídeo abaixo, se ficou boa a interpretação da Nádia Figueiredo com Gil.

JALESENSE LUIZ CARLOS SEIXAS VAI LANÇAR CD NO TEMPLO DA MPB

O jalesense radicado em Ourinhos, Luiz Carlos Seixas se prepara para lançar um CD com seu parceiro musical, o ourinhense Toninho Breves. O CD “Depois do Fim” – com 12 canções da dupla – será lançado oficialmente no dia 27 de junho, na Casa do Choro, um templo sagrado da MPB, no centro velho do Rio de Janeiro.

Com letras de Seixas e melodias de Toninho, o CD tem participações especialíssimas das cantoras Iara Ferreira, Ana Luiza e Amélia Rabello e do maestro Cristovão Bastos, co-autor, entre outras coisas, de “Todo Sentimento”, com Chico Buarque.

O trabalho foi produzido pelo violonista Glauber Seixas, filho de Luiz Carlos, que já tocou com Gilberto Gil, Maria Bethânia e Zeca Pagodinho, entre outros.

Eu sua juventude, aqui em Jales, Seixas – filho de um dos primeiros farmacêuticos da nossa cidade, o seo Bernardino Mendes Seixas – ganhou festivais de música, como compositor. Nos anos 80, ele teve duas músicas gravadas pelo Toquinho, já sem o Vinícius. Por sinal, Seixas decidiu aprender violão depois de ver o histórico show que Toquinho, Vinícius e Marília Medaglia fizeram no Cine Jales, em 1972.

No vídeo abaixo, a música “Depois do Fim“, que deu nome ao CD. Cantada pela Amélia Rabello, a música tem o acompanhamento de Toninho Breves (violão), Glauber Seixas (violão solo) e Marcus Thadeu (pandeiro). Vale a pena ouvir:

ANTONIO CARLOS & JOCAFI E PAULINHO MOSKA – “VOCÊ ABUSOU”

Quando os baianos Antônio Carlos e Jocafi – o nome dele é José Carlos Figueiredo, daí Jocafi – chegaram ao Rio de Janeiro, em 1971, não imaginavam que iriam fazer sucesso ainda naquele ano, com o primeiro disco – esse de capa estranha, aí do lado – gravado pela RCA.

Deveu-se o sucesso imediato a um sambinha despretensioso – “Você Abusou”– que nem era o preferido da dupla. Antônio Carlos e Jocafi faziam mais fé em “Mudei de Idéia”, que foi inclusive o título do disco. Na verdade, Jocafi, o autor da melodia, nem havia gostado muito da letra escrita por Antônio Carlos.

“Você Abusou” ultrapassou fronteiras, alcançando um extraordinário sucesso na França – onde ganhou o nome de “Fais Comme l’Oiseau” – e em outros países europeus, chegando também a países asiáticos, como o Japão. Antônio Carlos e Jocafi alcançaram grande popularidade entre os japoneses e até chegaram a um segundo lugar (com outra música) em um festival realizado naquele país, em 1974.

Querem mais? Em 2011, por exemplo, Steve Wonder cantou “Você Abusou”, acompanhado por um coro de 100 mil vozes, no Rock in Rio. Antes, ele já tinha interpretado a música dos dois baianos em um programa de TV e também no Free Jazz Festival de 1995, quando cantou em dueto com Gilberto Gil.

Um dado curioso é que, embora não fosse uma música de protesto, “Você Abusou”, em princípio, chegou a ser censurada pela ditadura militar.

Outra curiosidade: antes de gravar “Você Abusou”, os autores a ofereceram a Wilson Simonal, que agradeceu o presente mas não gravou. Depois da gravação e do sucesso de Antônio Carlos e Jocafi, a música teve cerca de 200 regravações, incluindo, entre as mais recentes, as de Jorge Aragão, Daniela Mercury e Diogo Nogueira.

No vídeo abaixo, Antônio Carlos e Jocafi cantam “Você Abusou“, acompanhados pelo Paulinho Moska:

NANA CAYMMI DEFENDE BOLSONARO E ATACA GIL, CHICO E CAETANO

Nana Caymmi é uma das minhas cantoras favoritas e sua opinião sempre merecerá respeito. Acho, porém, que ela não devia estar em seu estado normal quando deu a entrevista. Talvez tenha batido uma saudade dos tempos em que foi casada com Gil (1967/68).

Ou talvez ela tenha dado essas declarações – que incluem críticas até à sua sobrinha Alice Caymmi – depois de uma rodada de pôquer regada a uísque, como essa do vídeo abaixo:

“Saudade de Amar” é a música de fundo, lindíssima, por sinal. E agora que você já viu o vídeo, vamos à notícia do Brasil 247:

Em entrevista à Folha, Nana Caymmi defendeu Jair Bolsonaro e atacou seus colegas de música Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Nana confessa ter votado em Bolsonaro no segundo turno. “É injusto não dar a esse homem um crédito de confiança. Um homem que estava fodido, esfaqueado, correndo pra fazer um ministério, sem noção da mutreta toda… Só de tirar PMDB e PT já é uma garantia de que a vida vai melhorar. Agora vêm dizer que os militares vão tomar conta? Isso é conversa de comunista. Gil, Caetano, Chico Buarque. Tudo chupador de pau de Lula. Então, vão pro Paraná fazer companhia a ele. Eu não me importo.”

Em outro momento da entrevista, diz que Gilberto Gil “adora aparecer”. “Gil é maluco, adora aparecer. Se pudesse, dormia no palco. E ele tá cansado. Chega, está cantando há séculos e aos gritos. Eu falei: ‘Gil, não grita’, ‘Gil, não grita’. Mas conselho não se dá. Por que Caetano tem a voz que tem, a mesma desde que nasceu entre as pernas de dona Canô? Não há possibilidade de ele dar um grito. Só dá grito quando ele tá furioso com a Paula [Lavigne] ou se é pra falar de jornalista.”

JOÃO BOSCO E LIZ ROSA – “INCOMPATIBILIDADE DE GÊNIOS”

Inspirado por uma reportagem sobre a prisão do ex-presidente Temer, que mostra o Porto do Rio de Janeiro – esse da foto acima, que é vizinho ao prédio da Polícia Federal do Rio – eu pretendia escrever sobre “Mestre-Sala dos Mares”, música do Aldir Blanc e do João Bosco que homenageia João Cândido, um negro que liderou, em 1910, a chamada “Revolta da Chibata”.

A “Revolta da Chibata” foi um movimento contra os maus tratos de que eram vítimas os marinheiros – na maioria negros – que trabalhavam em navios brasileiros. O protesto deixou o Rio de Janeiro em pânico, uma vez que os revoltosos apontaram os canhões dos navios para a “Cidade Maravilhosa” e ameaçavam disparar, caso não tivessem suas reivindicações atendidas.

Estou, porém, a fim de ver um filme da Ashley Judd, de modo que vou apenas postar um vídeo com outra música de Aldir e João Bosco. Por sinal, esses dois compositores fizeram músicas fantásticas. Uma delas – “A Nível de”, de 1976 – narra a história de dois casais muito amigos, que se visitavam todos os domingos.

Tão amigos que, à certa altura, os dois maridos – que trocavam confidências sobre os respectivos casamentos e diziam que os mesmos estavam uma bosta – resolveram deixar as esposas e juntar as escovas de dentes. E as duas esposas, que tinham muita coisa em comum, deram graças a Deus por se livrarem dos maridos e decidiram dividir o mesmo edredom.

Outra canção da dupla de compositores – “Incompatibilidade de Gênios”, também de 76 – narra os dramas de um homem casado com uma mulher muito geniosa, que fazia de tudo para leva-lo à loucura. É essa a música – que Caetano Veloso considera uma obra-prima – que o vídeo abaixo mostra, com João Bosco e a cantora potiguar Liz Rosa.

 

 

ROUPA NOVA – “SAPATO VELHO”

Gravada no disco de estreia do Roupa Nova, em 1981, a música “Sapato Velho” se tornou o primeiro grande sucesso do grupo que é um dos mais longevos da nossa música e recordista de participações em trilhas sonoras de novelas.

Formada em 1970, sob o nome de Os Famks, pelo tecladista Cléberson Horsth, o baixista Nando, o guitarrista Kiko e o cantor Paulinho, a banda mudou seu nome para Os Motokas em 1975, quando recebeu o reforço do tecladista Ricardo Feghali e do baterista Serginho, formação que se mantém até hoje. O nome Roupa Nova veio em 1980, por sugestão do produtor Mariozinho Rocha.

Quando se fala em “Sapato Velho”, a ligação com o Roupa Nova é imediata, mas, na verdade, quem gravou essa música pela primeira vez foi o Quarteto em Cy, no LP “Querelas do Brasil”, de 1978, cuja capa ilustra este post.

A gravação das irmãs Cynara, Cybele, Cylene e Cyva não caiu nas graças do público, mas, como todos os trabalhos do Quarteto em Cy, a interpretação é de uma sutileza incrível e arranjos vocais perfeitos. Se o prezado leitor ou a estimada leitora estiver com tempo, poderá ouvir a gravação do Quarteto em Cy, aqui.

Composta em 1976, “Sapato Velho” tem melodia do Mu Carvalho (ex-A Cor do Som) e do Claudio Nucci (ex-Boca Livre), e letra do Paulinho Tapajós. Este último faleceu em 2013, aos 68 anos. Mu e Nucci – que se conhecem desde os 16 anos, quando integravam o grupo Semente – continuam ganhando a vida com música, o primeiro como contratado da TV Globo, e o segundo gravando discos e fazendo shows.

No vídeo abaixo, o Roupa Nova interpreta “Sapato Velho“: 

ZIZI POSSI – “ASA MORENA”

Assim como o João Só (“Menina da Ladeira”) e o Gílson (“Casinha Branca”), o gaúcho Zé Caradipia é um daqueles compositores de apenas um sucesso. Chico Feitosa, compositor de “Fim de Noite”, é outro caso. Tanto que ficou conhecido como Chico Fim-de-Noite, da mesma forma que o Gílson é chamado de Gílson Casinha.

No caso do Zé Caradipia, o sucesso único chama-se “Asa Morena”, gravada em 1982 pela Zizi Possi. A composição não foi importante apenas para o autor, mas também para a Zizi, que, em certa ocasião declarou que “foi mesmo a Asa Morena que me fez voar”.

Não é para menos: gravada no quinto disco de Zizi, “Asa Morena” foi considerada uma das músicas românticas mais populares do século XX. Tão romântica que, de vez em quando, alguma noiva canta essa canção antes de dizer o sim, como no caso que se poderá ver aqui.

José Luís Fernandes é o nome verdadeiro do Zé Caradipia. O apelido é uma derivação de “cara de piá”, ou seja, “cara de guri”, como são chamados no sul aqueles que tem cara de garoto. Ele começou a cantar músicas regionais em 1976 e, quatro anos depois, foi convidado a gravar um disco na Polygram.

O disco não saiu, mas, na viagem que fez ao Rio de Janeiro, em 1980, para tratar do assunto, Zé Caradipia mostrou algumas de suas composições ao produtor de Zizi Possi – João Augusto – que gostou de uma delas, justamente a “Asa Morena“, gravada por ela dois anos depois.

A música, explica Zé Caradipia, nasceu quando ele ouviu uma notícia na televisão sobre Luiz Gonzaga e teve a ideia de compor “Asa Morena” – uma toada – como contrapartida ao baião “Asa Branca”.

Zé Caradipia só conseguiu gravar seu primeiro disco em 1996, mas a gravação de “Asa Morena” pelo próprio autor só veio em seu terceiro CD – e, por enquanto, último – gravado em 2003, durante show realizado em Porto Alegre. No vídeo abaixo, dona Maria Izildinha Possi interpreta “Asa Morena”

TIM MAIA – “LEVA”

Daqui a pouco, às 10:00 horas, estarei lá na Regional FM, onde apresento o Brasil & Cia, um programa 90% brasileiro. No domingo passado, enquanto o Tim Maia cantava “Leva”, um amigo – o Tinhoso – ligou para dizer que essa música, ao contrário do que parece, não foi inspirada em uma mulher.

Segundo o Tinhoso, “Leva” foi feita sob encomenda para uma rádio que queria homenagear seus ouvintes com um tema de final de ano. Como eu não conhecia a história, procurei na internet e encontrei o texto abaixo:

Michael Sullivan formou com Paulo Massadas uma das duplas de compositores de maior prestígio da música brasileira de todos os tempos.

Constam no Guiness Book, como os compositores com maior número de discos nos primeiros lugares, no menor espaço de tempo.

Tiveram a sorte de fazer parte de uma época em que as FMs estavam despontando no Brasil. Com músicas consideradas bregas por muitos, a dupla emplacou grandes sucessos românticos na voz de intérpretes dos mais diferentes estilos, como Gal Costa e Fagner.

Até hoje quando se ouve no rádio a voz de Tim Maia entoando a composição “Leva” (assinada apenas por Sullivan), há quem imagine tratar-se de uma música dedicada à alguma musa inspiradora.

No entanto, “Leva” foi criada como tema de fim de ano da Band FM em 1984 como uma declaração de amor da emissora para seus ouvintes. Tim ouviu e decidiu gravar.

A versão original – tocada pela rádio no final de 1984 – foi interpretada pelo próprio Michael Sullivan. Tim ouviu e decidiu gravar.

Eis um vídeo em que ele finge cantar ao vivo:

 

OS MUTANTES – “CAMINHANTE NOTURNO”

Nesse domingo, 24 de fevereiro, estará fazendo 50 anos do lançamento do segundo disco da banda Os Mutantes, chamado simplesmente “Mutantes“. Não é um disco qualquer. Em 2007, a revista Rolling Stone divulgou uma lista com os 100 melhores discos de música brasileira. “Mutantes” ocupava a 44ª posição.

Formado inicialmente como um trio, com Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Batista, conhecido como “Os Bruxos”, a banda ganhou mais dois integrantes – o baixista Liminha e o baterista Dinho Leme – e um novo nome em 1966, antes de estrearem na TV Record, no programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von. Foi o próprio Ronnie quem os batizou como Os Mutantes.  

Conhecidos como uma banda de rock psicodélico, Os Mutantes foram influenciados por The Beatles, The Beach Boys e por Jimmy Hendrix e Caetano Veloso. Caetano, por sinal, compôs “Panis et Circenses” especialmente para eles. Na época dos festivais, a banda cantou com Jair Rodrigues (“Disparada”), Gilberto Gil (“Domingo no Parque”) e Caetano Veloso (“É Proibido Proibir”).

Gravaram nove discos antes de a banda ser dissolvida, em 1978. Dois desses discos só foram lançados, no entanto, na década de 90, em função de brigas por direitos autorais. Em 2006, a banda se juntou novamente para alguns shows, mas apenas com Sérgio Dias e Arnaldo Batista da formação inicial. Rita Lee não quis voltar a cantar com os antigos companheiros e foi substituída por Zélia Duncan.

No vídeo, Os Mutantes – com Zélia – cantam “Caminhante Noturno“, o maior sucesso do disco que está completando cinquenta anos.

LUIZA POSSI – “CORAÇÃO DE PAPEL”

Sérgio Reis, que esteve aqui em Jales há duas ou três semanas fazendo um show para os colunáveis locais (e regionais), é conhecido – com justiça – como um dos grandes nomes da música sertaneja. E por falar em nome, o dele é, na verdade, Sérgio Bavini, mas, por uma questão artística, ele adotou o sobrenome da mãe, dona Clara.

Deixemos, porém, o nome de lado e falemos do sucesso do Serjão como sertanejo, que proporcionou a ele dois prêmios Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja, em 2014 e 2015. 

Mas, Sérgio Reis, nascido em São Paulo, no bairro Santana, nem sempre foi sertanejo, mundo no qual ele ingressou em 1972, ao gravar “Menino da Gaita”. Antes, nos anos 60, ele era um dos astros da Jovem Guarda e sua música mais conhecida era “Coração de Papel”.

Conta a lenda que, tendo brigado com a então namorada, a Ruth, Sérgio Reis curtia uma fossa em casa e, enquanto, esperava o rango que estava sendo preparado por dona Clara, resolveu pegar o violão e tentar escrever uma letra. Como a inspiração era pouca, Serjão logo desistiu e, ao jogar o papel fora o papel, comentou com a mãe: “meu coração está amassado como aquela bola de papel”. Bingo!

Percebendo a força da imagem, ele retomou o violão e compôs “Coração de Papel” em poucos minutos, antes mesmo que dona Clara terminasse de preparar o almoço. Na gravação original, Sérgio Reis teve o reforço vocal de três grupos: Fevers, Golden Boys e Trio Esperança, o que não era pouco.

E, para “estourar” nas emissoras de rádio, “Coração de Papel” teve o reforço de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, que, durante oito semanas, ofereceu um prêmio de 1.000 cruzeiros novos ao calouro que melhor interpretasse a canção em seu programa televisivo.

Como ator, Sérgio Reis trabalhou nas telelágrimas “Pantanal” e “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, na TV Manchete, “Paraíso” e “O Rei do Gado”, na TV Globo, e “Bicho do Mato”, na TV Record. E, segundo os brincalhões, ele trabalhou também no filme “O Menino da Porteira”, interpretando a porteira.

No vídeo abaixo, “Coração de Papel” é interpretada pela Luiza Possi, no projeto Um Barzinho, Um Violão.

Em tempo: esqueci de dizer que o Sérgio Reis e a Ruth fizeram as pazes, se casaram, e viveram juntos por mais de trinta anos.

   

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