Categoria: Música

ROBERTA CAMPOS E VÍTOR KLEY – “FIQUE NA MINHA VIDA”

A cantora e compositora mineira Roberta Campos esteve em Jales na sexta-feira, 24, em visita à Rádio Nativa FM. Ela aparece na foto acima, ao lado da locutora Priscila – filha do meu amigo e ex-colega de BB, Celso Antônio dos Santos e da Vânia Ferreira – que comanda uma das atrações diárias da emissora, das 08:00 às 11:00 horas.

Mas, o que a Roberta Campos veio fazer em Jales? Na verdade, ela fez um tour pela região para divulgar seu mais recente trabalho, o single com a música “Fique na Minha Vida”, uma canção romântica composta por ela e lançada no final de 2019.

A música foi gravada em dueto com o cantor e compositor gaúcho Vítor Kley, que vem sendo requisitado para participações em discos alheios, desde que ganhou o público jovem com a canção autoral “O Sol”. Segundo Roberta, a sua vontade de convidar Vítor surgiu por achar que suas vozes combinariam bem.

A carreira de Roberta Campos decolou em 2010, quando ela lançou o álbum “Varrendo a Lua”, que teve nada menos que três músicas incluídas em trilhas sonoras de novelas. A mais conhecida delas, “De Janeiro a Janeiro”, em dueto com Nando Reis, integrou a trilha de duas telelágrimas, uma na Record e outra na Globo.

Em 2015, Roberta lançou o CD “Todo Caminho é Sorte”, que foi indicado ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira. Entre canções inéditas, o disco tinha também uma regravação de “Casinha Branca” (aqui). Ela não ganhou o Grammy, mas…

Mas, em 2016, Roberta foi premiada com a escolha de uma das músicas do álbum – “Minha Felicidade” – como tema de abertura de “Sol Nascente”, novela da faixa das 18:00 horas, da Globo, o que aumentou, e muito, a visibilidade da cantora.

No vídeo abaixo, o novo trabalho. Confira você mesmo(a) se as vozes de Roberta e Vítor combinaram bem:

AS GALVÃO – “GUARÂNIA DA LUA NOVA”

É tarde, eu já vou indo, preciso ir embora… (Menino de Braçanã). E ele foi embora mesmo! Luiz Vieira, autor de clássicos da MPB, faleceu na quinta-feira, 16, aos 91 anos.

O texto é do jornalista e crítico musical Mauro Ferreira, no G1:

É natural associar o cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho (12 de outubro de 1928 – 16 de janeiro de 2020) à toada Menino de Braçanã – composta com Arnaldo Passos e lançada em 1953 – e sobretudo ao Prelúdio para ninar gente grande, canção que se tornou popularmente conhecida como Menino passarinho desde que foi lançada em disco em 1962 com repercussão nacional.

A associação está correta. Pautadas por ternura lírica que toca o coração sentimental do brasileiro, essas duas músicas identificam Luiz Vieira no imaginário nacional ao lado de Na asa do vento (parceria com João do Vale apresentada em 1956) e de Paz do meu amor, composição lançada em 1963 com subtítulo, Prelúdio nº 2, alusivo ao grande sucesso do compositor no ano anterior.

Contudo, Luiz Vieira construiu obra extensa no Rio de Janeiro (RJ), cidade para onde migrou ainda na infância, egresso de Caruaru (PE). Foi em hospital do Rio que o artista saiu de cena na manhã de quinta-feira, 16 de janeiro, aos 91 anos, em decorrência de problemas respiratórios.

Em que pesem as cerca de 300 músicas perpetuadas em discos por time de intérpretes que foi de A (de Alaíde Costa) a Z (de Zizi Possi), o compositor teria morrido completamente esquecido se não fosse a iniciativa do produtor Thiago Marques Luiz de orquestrar em 2018 um show coletivo para festejar os 90 anos do artista e entregar a Vieira as flores em vida.

Voz que ecoou primeiramente nos cabarés cariocas da década de 1940, Luiz Vieira se fez ouvir em seguida na era do rádio, inclusive nos bastidores das emissoras. A carreira de radialista foi desenvolvida paralelamente à trajetória como cantor e compositor, cujo auge aconteceu na primeira metade da década de 1960 por conta do sucesso de Prelúdio para ninar gente grande.

Tanto que a saída de cena do artista está sendo lamentada nas redes sociais com frases líricas como “Voa, menino passarinho”. Lirismo que faz sentido porque é pela “ternura tão antiga” e tão eterna da maior parte da sua obra que Luiz Vieira fica na história da música popular do Brasil.

O vídeo abaixo é do show coletivo – Luiz Vieira 90 Anos – citado pelo Mauro Ferreira. Nele, As Galvão – que, segundo especialistas, é a mais antiga dupla sertaneja em atividade – interpretam “Guarânia da Lua Nova”, uma das músicas mais conhecidas do compositor pernambucano.

As Galvão (do sucesso “Beijinho Doce”) iniciaram carreira em 1947 e eram conhecidas como Irmãs Galvão. A alteração no nome ocorreu em 2002, por influência da numerologia.  

NEY MATOGROSSO – “O QUE É QUE A BAIANA TEM”

Recém-chegado ao Rio de Janeiro, o baiano Dorival Caymmi percorria as rádios cariocas, no segundo semestre de 1938, para mostrar suas músicas, em busca do sucesso. E o sucesso chegou até antes do esperado.

Naquele mesmo ano, um americano radicado no Brasil preparava um filme musical chamado “Banana da Terra”, que mostraria alguns artistas brasileiros. Um deles era a Carmem Miranda, que cantaria duas músicas de Ary Barroso: “Na Baixa do Sapateiro” e “Boneca de Piche”.

Ocorre que, depois de tudo acertado e com filme já em andamento, Ary Barroso cismou que tinha vendido muito barato os direitos autorais de suas músicas e passou a exigir o dobro do que havia sido combinado.

O produtor americano não gostou das exigências de Barroso e determinou que fossem providenciadas outras duas músicas para Carmem cantar. Foi aí que entrou em cena o quase desconhecido Dorival Caymmi.

Uma pessoa ligada ao filme ouviu Dorival cantando “O Que é Que a Baiana Tem” na rádio Tupi e sugeriu a canção como substituta de “Na Baixa do Sapateiro”. Com o lançamento do filme, o sucesso da música de Caymmi, cantada por Carmem Miranda, foi imediato.

Segundo Caymmi, a música causou tamanho burburinho na imprensa que as edições de domingo dos jornais entraram na onda de debater o que seria o tal “balangandã”, citado no trecho “quem não tem balangandãs não vai ao Bonfim”.

Em entrevista de 1943, Dorival contou que “O Que é Que a Baiana Tem” foi inspirada “naquelas mulheres que se vestiam ao rigor da moda e saíam à rua para saracotear nos dias de festa”.

No vídeo, quem canta “O Que é Que a Baiana Tem” é o Ney Matogrosso:

ELIS REGINA – “O MESTRE-SALA DOS MARES”

Composto em 1975, por João Bosco e Aldir Blanc, o samba “O Mestre-Sala dos Mares” – imortalizado na voz da nossa “little pepper”, Elis Regina – homenageia um personagem que a história oficial tentou soterrar nos porões da memória nacional.

O homenageado é o almirante negro João Cândido, líder da chamada “Revolta da Chibata”, ocorrida em 1910. Filho de escravos, João nasceu em Encruzilhada, no Rio Grande do Sul, e, aos 15 anos, ingressou na Escola de Aprendizes Marinheiros de Porto Alegre.

A “Revolta da Chibata”, um movimento contra os maus tratos sofridos pelos marujos que trabalhavam em navios de guerra brasileiros, constantemente submetidos a castigos corporais, eclodiu no dia 22 de dezembro de 2010.

Mais de 2.300 homens – negros, na grande maioria – tomaram o comando dos navios e apontaram seus canhões para o Palácio do Catete, à época a sede do governo brasileiro. Além do fim das chibatadas, os revoltosos reivindicavam melhorias no soldo e diminuição da carga horária.

Com aquela quantidade de canhões apontados para sua residência oficial, o então presidente Hermes da Fonseca tratou de fechar um acordo que incluía uma anistia aos amotinados. Os marujos, confiantes de que o acordo seria cumprido, devolveram os navios aos seus comandantes, mas…

Mas, três dias depois, veio a traição: a anistia foi cancelada e muitos deles foram presos. Alguns teriam sido mortos e jogados ao mar. João Cândido e outros 17 líderes do movimento foram encarcerados na Ilha das Cobras, onde 16 deles morreram na noite de Natal, sufocados pela evaporação de uma mistura de cal e água.

Apenas João Cândido e outro marujo sobreviveram. Em depoimento, ele disse que os gritos de seus companheiros, naquela noite de Natal, jamais lhe saíram da cabeça. O capitão Marques da Rocha, o responsável pela prisão, foi absolvido. Melhor que isso: ele foi promovido e recebido em um jantar oferecido pelo presidente Hermes da Fonseca.

Em 1911, João Cândido foi internado como louco, no Hospital dos Alienados, e, em 1912, foi expulso da Marinha. Viveu uma vida pobre, porém digna, e, em 1969, já com 89 anos, faleceu vítima de câncer. Seu velório, ocorrido em pleno regime militar, foi vigiado por viaturas.

Seis anos depois de sua morte, João Cândido foi lembrado pelo samba de João Bosco e Aldir Blanc. E como ainda vivíamos o regime militar, a música foi censurada. Aldir teve que alterar alguns versos, mas, mesmo assim, a homenagem ao “Mestre-Sala dos Mares” permaneceu.

RUBEL – “ONTEM AO LUAR”

Estava pensando em postar um vídeo com o Arnaldo Antunes cantando “Velha Infância” com duas “patrícias” – a Carminho e a Manuela Azevedo – mas estou vendo o compridíssimo “O Irlandês” na Netflix e pretendo ver “Ben Hur” ainda hoje. De modo que, ao invés de gastar meu latim com Antunes & Cia, vou me limitar a reproduzir um texto do GGN, do Luís Nassif, sobre Catulo da Paixão Cearense e “Ontem ao Luar”:   

A melodia de “Ontem ao Luar” foi composta originalmente pelo flautista Pedro Alcântara(1866- ), em 1907. Inicialmente era uma polca e se chamava “Choro e Poesia”. Mais tarde(1913) recebeu a letra (à revelia do autor) de Catulo da Paixão Cearense(1863- 1946) e passou a se chamar “Ontem ao Luar”. A primeira gravação de “Ontem ao Luar”, em 1918, é de Vicente Celestino.

Curiosidades sobre Catulo: Era autodidata e aprendeu praticamente sozinho a tocar violão, os meandros da matemática, do português e do francês, chegando inclusive a fazer traduções de poetas franceses.

Já conhecido nas rodas de boemia foi convidado para uma festa na casa do Senador Gaspar da Silveira Martins, onde deixou todos impressionados com sua inteligência. A esposa do senador então contratou-o como professor dos filhos. Passou então a morar na residência do senador.

Apesar de muitos pensarem que Catulo é cearense (por causa do sobrenome), ele nasceu em São Luiz do Maranhão. Só aos 12 anos de idade mudou-se para o sertão do Ceará.

No bairro do Engenho de Dentro existe uma rua rebatizada em homenagem a Catulo. A antiga rua Francisco Méier (onde ele morou nos últimos anos de vida) passou a chamar-se Rua Catulo da Paixão Cearense. Em vários outros estados do país encontramos nomes de ruas em homenagem a Catulo.

A música durante vários anos trazia apenas Catulo como compositor. Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Pedro de Alcântara, uma decisão judicial restabeleceu o nome de Pedro Alcântara como co-autor da composição.

“Ontem ao Luar” esteve presente nas trilhas das novelas “Nina” ( 1977-1978 / Altemar Dutra), “Senhora” (1975 / Paulo Tapajós), “A Sucessora” ( 1978-1979 / Fafá de Belém).

 

Em tempo: 1) Catulo da Paixão Cearense não morou em Dirce Reis, mas foi homenageado também no nosso vizinho município, onde uma das principais ruas leva o nome do compositor. Eu tentei descobrir qual foi o político dircense que teve a ideia, mas não consegui.

3) Apesar de longo, “O Irlandês” é muito bom, com atuações impagáveis de Robert de Niro e Al Pacino.

2) Como diria o Galvão Bueno, “Ontem ao Luar” também é tetra! Além de integrar a trilha sonora das três telelágrimas citadas pelo Nassif, ela agora está no remake de “Éramos Seis”. Na nova versão, “Ontem ao Luar” é cantada pelo cantor Rubel.

CAETANO VELOSO – “VOCÊ É LINDA”

A música “Você é Linda” foi gravada em 1983, no LP “Uns”, que Caetano Veloso considera um de seus melhores discos. Caetano considera, também, que a capa do disco é uma das mais representativas. Nela, o compositor baiano aparece ao lado de seus dois irmãos, Roberto e Rodrigo.

Além dos dois, Caetano tem cinco irmãs: Mabel, Clara, Irene, Nicinha e, é claro, Maria Bethânia. Esta última teria, por sinal, outro nome, que já tinha sido escolhido por dona Canô, mas, por insistência de Caetano – que, aos quatro anos, já era fã da valsa Maria Bethânia, de Capiba – acabou batizada como Maria Bethânia.

Voltando a “Você é Linda”, no livro “A Canção no Tempo”, Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello contam que essa música é consequência de um episódio ocorrido durante um show de Caetano, em Salvador.

Quando estava cantando “Lua e Estrela”, Caetano notou uma linda loura à beira do palco, fazendo sinais. No verso ‘quem é você, qual o seu nome?’, cantado em sua direção, ela respondeu, para surpresa de Caetano: ‘Cristina’. E no verso seguinte, ‘conta pra mim, diz como eu te encontro’, ela completou ‘Ondina’, justamente o bairro onde ele morava.

Dias depois, Caetano viu a moça do outro lado da rua e a chamou. Ela aproximou-se, mas, envergonhada, se afastou rapidamente sem olhar para trás. No dia seguinte, contudo, Cristina foi ver Caetano que, fascinado pela beleza da moça, compôs “Você é Linda”.

Em entrevista à revista Época, foi o próprio Caetano quem contou para quem fez a música: “Fiz para uma menina chamada Cristina, de quem eu gostei muito intensamente na Bahia, nos anos 80, e que morava defronte à minha casa, do outro lado da rua, em Ondina”.

Cristina Mandarino – que aparece ao lado de Caetano, na foto lá de cima – é o nome completo da musa que inspirou “Você é Linda” e, segundo o site Glamurama, continua sendo uma das baianas mais charmosas de Salvador.

No vídeo, Caetano canta “Você é Linda” no especial de Natal da Globo, de 2011, que teve também a participação de Gilberto Gil e Ivete Sangalo.

 

LULU SANTOS E MARINA DE LA RIVA – “ADIVINHA O QUÊ”

Assim como o Ney Matogrosso – assunto deste modesto blog na semana passada – Lulu Santos é filho de militar. Batizado Luís Maurício Progana dos Santos, ele começou a tocar aos doze anos e, adolescente ainda, formou uma banda inspirada nos Beatles.

O pai o queria militar também, mas, não muito disposto a realizar o sonho do velho, Lulu Santos tratou de fugir de casa antes mesmo de completar o colegial e foi percorrer o Brasil junto com alguns hippies. Aos vinte anos, já tendo se dispensado da companhia dos hippies, ele se juntou ao Lobão e ao Ritchie, formando a banda Vímana.

O casamento musical não durou muito e Lulu acabou expulso da banda pelo tecladista Patrick Moraz, ex-Yes. Já o casamento com a jornalista Scarlet Moon, que ele conheceu em uma festa na casa de Caetano Veloso, até que durou bastante: de 1978 a 2006.

Findo o enlace hétero, Lulu manteve, de 2008 a 2016, um discreto namoro com o empresário Bruno Azevedo. Em 2018, aos 65 anos, ele saiu definitivamente do armário e assumiu publicamente sua bissexualidade, ao mesmo tempo em que anunciava um novo namoro, dessa vez com o analista de sistemas Clebson Teixeira, com quem se casou.

Isso, porém, não nos interessa. O que interessa, na verdade, é a grande obra musical de Lulu Santos, que já conta com 22 álbuns de estúdio e mais de 7 milhões de discos vendidos. “Adivinha o Quê” integra o segundo álbum de Lulu – “O Ritmo do Momento”, de 1983 – que trouxe também os megassucessos “Um Certo Alguém” e “Como Uma Onda”, esta última composta para a trilha sonora de um filme.

“Adivinha o Quê” também integrou uma trilha sonora, só que de uma novela, a telelágrimas global “Guerra dos Sexos”, de 1983. A versão do vídeo é cantada quase totalmente em castelhano, mas dá para entender.

Sobre a esfuziante Marina de La Riva – filha de pai cubano e mãe mineira – eu já escrevi alguma coisa aqui, de modo que o melhor a fazer, agora, é vê-la cantando com Lulu:

NEY MATOGROSSO – “HOMEM COM H”

Nascido em Bela Vista(MS) – daí o Matogrosso – Ney de Souza Pereira teria, por força do trabalho de seu pai, um oficial do Exército, morado em Fernandópolis por algum tempo. Os fernandopolenses mais antigos dizem até que ele tinha uma irmã muito bonita e, por isso mesmo, muito paquerada pelos moçoilos casadoiros da ex-Vila Pereira.

Diz a lenda que Ney, sem nenhuma ligação com a música nordestina, quase não gravou “Homem com H”, do compositor paraibano Antonio Barros, um dos maiores sucessos do rebolativo ex-vocalista do Secos & Molhados.

Segundo a lenda, Ney teria recusado a oferta da música. Cecéu, também compositora (autora de “Bate Coração”, da Elba) e esposa de Barros, desmente essa versão. O fato, porém, é que “Homem com H” é a última música do lado B do disco “Viajante”, gravado em 1981. Um empurrãozinho e ela teria ficado de fora.

É fato também que Ney ficou conhecendo “Homem com H” através de um disco de xote do Trio do Nordeste. O cearense Fausto Nilo foi quem mostrou o disco a Ney, sugerindo que ele também gravasse a música de Barros.

Receoso em gravar o xote – afinal, poderia ser contraditório um sujeito de voz fina, cheio de trejeitos, dizendo que “sou homem com agá” – Ney consultou amigos. Gonzaguinha, um dos consultados, foi decisivo ao dizer a Ney que “essa música é a sua cara”.

Antonio Barros, hoje com 89 anos, conta que a inspiração para “Homem com H” veio da novela “O Bem Amado”, do genial Dias Gomes, exibida em 1973 com atuações impagáveis de Paulo Gracindo, Lima Duarte e outros.

Gracindo interpretava Odorico Paraguaçu, um político corrupto (sic!). Em meio a uma conversa com seu secretário, Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz), Odorico, a pretexto de garantir que era cabra macho, sapecou: “Que nada seu Dirceu! Eu nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem…”.

Com a frase na cabeça, Barros pegou o violão e, em menos de uma hora, estava pronta a música. Ele pensou em entregar a composição a Ney, à época no Secos e Molhados, mas não tinha como chegar ao grupo. Entregou, então, ao Trio Nordestino, o primeiro a gravar.

Oito anos depois de composta, a música chegou, finalmente, ao conhecimento de Ney Matogrosso. O sucesso foi tamanho que, no ano seguinte, Ney gravou “Por Debaixo dos Panos”, de autoria de Cecéu, a mulher de Antonio Barros. Em 2011, “Homem com H” ganhou uma belíssima releitura do Zeca Baleiro.

Abaixo, um vídeo com Ney cantando:

PAULINHO PEDRA AZUL – “CANTAR”

A música mineira é uma das mais ricas – em qualidade – do Brasil, não apenas por seus compositores mais famosos, mas também por aqueles menos conhecidos.

Godofredo Guedes – mineiro por adoção, já que nascido na Bahia – é um desses compositores quase anônimos. Mais conhecido como pai do Beto Guedes, Godofredo possui uma obra musical praticamente desconhecida fora de Minas Gerais.

Godofredo teve que se virar trabalhando como luthier, farmacêutico, pintor de placas, etc., para conseguir criar seus oito filhos. Nas horas vagas, fazia música. Beto, o filho mais famoso o homenageou de uma forma bem apropriada: em seus discos, ele sempre reservava a última faixa para uma música do pai.

Foi assim que, em 1978, Beto gravou “Cantar”, um lindo chorinho do velho Godofredo, no disco “Amor de Índio”. Regravada dois anos depois por Cristina Buarque, a irmã do Chico, “Cantar” talvez seja a música mais conhecida de Godofredo, que faleceu em 1983, com 75 anos.

Além de Beto e Cristina, “Cantar” mereceu outras releituras de artistas como Luiza Possi, Paulinho Pedra Azul (cujo CD com essa música me foi presenteado, há muitos anos, pelo amigo Hermínio Martini) e Affonsinho (assim mesmo, com dois efes, para diferenciar do ex-jogador Afonsinho, homenageado por Gil em “Meio Campo”).

Uma das mais belas versões de “Cantar” é a da Paula Toller, que gravou essa canção em seu primeiro disco solo, “Derretendo Satélites”, de 1998. Uma curiosidade: nas versões de Luiza Possi, Cristina Buarque e Paula Toller, a letra da música não é cantada por inteiro.

Outra curiosidade: no enterro do ex-jogador Sócrates – o líder da democracia corintiana – a última homenagem dos amigos, em torno do caixão, foi uma interpretação improvisada de “Cantar”, uma das favoritas do “Magrão”.

No vídeo abaixo, Paulinho Pedra Azul, acompanhado apenas por seu violão, interpreta “Cantar” no programa Sr.Brasil, do Rolando Boldrin:

PLAYING FOR CHANGE – “STAND BY ME”

“Stand by Me” é uma música de amor muito tocada em casamentos, principalmente em países de língua inglesa. Quem acompanhou, por exemplo, o casório do Príncipe Harry e Meghan Markle, no ano passado, deve ter observado que um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a interpretação dessa canção por um coral.

Mas “Stand By Me” não é apenas uma canção romântica. Sua letra tem, também, uma potente mensagem política que foi usada pela comunidade negra como um grito de solidariedade e luta, durante o movimento por direitos civis nos Estados Unidos, nos anos 60.

Ela não deve ter sido escolhida para a trilha sonora do casamento real por acaso ou apenas por ser uma das músicas preferidas dos noivos. Afinal, Meghan é a primeira mulher birracial – a mãe dela é negra e o pai é branco – a entrar na família real britânica.

Ben E. King, um dos autores – os outros foram Jerry Leiber e Mike Stoller – de “Stand By Me” contou que fez a música em 1960 e, orgulhoso da nova melodia que tinha criado, enviou-a à banda The Drifters, da qual fizera parte, mas a banda, aparentemente, não se interessou.

Um ano depois, Ben entrou em estúdio para gravar uma música – “Spanish Harlem” – e, depois da gravação, os produtores perguntaram se ele não tinha alguma outra canção. Ele cantou “Stand By Me” à capela, os produtores gostaram e decidiram gravá-la.

Para resumir, com mais de 400 versões gravadas por artistas diferentes – de Muhammad Ali a John Lennon e Tracy Chapman – “Stand By Me” é considerada a música mais regravada do século XX.

A música esteve entre os maiores sucessos nas paradas dos EUA duas vezes. A primeira, quando foi lançada, em 1961. E a segunda em 1986, quando integrou a trilha sonora do filme “Conta Comigo”. Ela está entre as dez músicas que renderam mais direitos autorais aos seus compositores.

No vídeo abaixo, quem canta “Stand By Me” são vários artistas de rua de diversos países, que integram o projeto “Song Around The World”. Escolhi esse vídeo porque ele traz a tradução da música. Confira:

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