Categoria: Música

ROBERTA CAMPOS – “CASINHA BRANCA”

Minha ex-colega de jornal A Tribuna, a Janete Fabiana – agora uma competente farmacêutica – é uma das pessoas que, de vez em quando, pede para ouvir a música “Casinha Branca“, no programa que apresento aos domingos, o Brasil & Cia, lá na Regional FM.

O detalhe é que ela faz questão de ouvir a versão do Gílson, que é a original, de 1976. Pessoalmente, prefiro a regravação da Maria Bethânia, do CD “Maricotinha ao Vivo“, de 2002. A interpretação da Maria Creuza, de 1991, também é bonita. Mas, a Janete prefere o Gílson.

Gílson Vieira da Silva, pode-se dizer, é um daqueles cantores de apenas um sucesso, feito o falecido piauiense João Só e sua “Menina da Ladeira“. Tanto que ficou conhecido como Gílson Casinha. Como compositor, porém, ele fez outras músicas interessantes. Duas delas foram gravadas pelo Emílio Santiago: “Lesões Corporais” e “Verdade Chinesa“.

É provável que a Janete vá continuar preferindo ouvir “Casinha Branca” com o Gílson, mas – moça aberta a novidades que ela é – aposto que vai gostar da releitura da mineira Roberta Campos, que pode ser ouvida no vídeo abaixo:

 

LUIZA POSSI – “SOMETHING”

O beatle George Harrison compôs “Something” em 1969, inspirado em sua então esposa, a modelo inglesa Pattie Boyd. O casamento não durou muito, mas a música…. Bem, a música é simplesmente a segunda mais regravada dos Beatles, perdendo apenas para “Yesterday“. 

Frank Sinatra – um dos que a regravaram – dizia que “Something” foi a mais bela canção de amor que ele cantou. Ela não foi, porém, a única música de sucesso inspirada em Pattie Boyd. Ela inspirou também o Eric Clapton a fazer “Layla“, canção que fala de um homem que se apaixonou perdidamente por uma mulher que o ama, mas não está disponível.

Quando ouviu “Layla” pela primeira vez, Pattie sabia que a mulher da música era ela. O problema: Eric Clapton e George Harrison eram amicíssimos. E Eric vivia, à época, com a irmã mais nova de Pattie, a Paula. Isso não impediu, no entanto, que, algum tempo depois, Eric e Pattie juntassem as escovas de dentes.

No Brasil, temos algumas regravações interessantes de “Something“. Gilberto Gil e Milton Nascimento, por exemplo, estão entre os que gravaram a música de George, em bonito dueto. A gravação ao vivo de Paula Toller e os Britos também merece destaque.

E uma das últimas regravações de “Something” é a da ex-gordinha Luiza Possi, agora com 12 quilos a menos e em ótima forma, como se pode ver no antes e depois que ela publicou no Instagram. No vídeo abaixo, ela canta “Something“:

 

FAGNER E ZÉ RAMALHO – “JURA SECRETA / REVELAÇÃO”

De vez em quando, um ou outro comentarista me chama de parcial (e sou mesmo!) e antidemocrático. O vídeo abaixo é a prova definitiva de que, apesar de parcial, sou moço democrático: ele mostra dois coxinhas juramentados – o cearense Fagner e o paraibano Zé Ramalho – cantando um medley com “Jura Secreta” e “Revelação“, dois sucessos do primeiro.

“Revelação” (Clodô e Clésio) é de 1979. E “Jura Secreta“, composta em 1977, foi a primeira parceria de dois grandes compositores – Abel Silva e Sueli Costa – que, apesar de vizinhos em Ipanema, nunca tinham feito uma música juntos. A letra, de Abel Silva, nasceu primeiro.

A gravação original não é de Fagner, mas de Simone. Por sinal, foi uma gravação complicada, pois a Simone não gostou dos dois primeiros arranjos feitos para a música. A cantora baiana já estava quase desistindo de gravar “Jura Secreta“, mas, graças a uma intervenção de Gonzaguinha, resolveu fazer uma terceira tentativa, dessa vez acompanhada apenas pelo piano de Gilson Peranzetta.

Resultado: “Jura Secreta” acabou sendo o grande sucesso do álbum “Face a Face“, o que surpreendeu até os compositores. A leitura dos versos contraditórios de “Jura Secreta”, que afirmam negações e negam afirmações, seria até recomendada por psiquiatras para ajudar seus pacientes no processo de autoconhecimento.

Eis o vídeo com os dois coxinhas:

MARINA DE LA RIVA – “SAUDADE DA BAHIA”

Tenho um amigo que é fã da Marina De La Riva – e não é apenas pela bonita voz – mas ele que se aquiete, pois a moça é casada e já tem um filho de 21 anos. Nascida no Rio de Janeiro, Marina é filha de pai cubano e mãe brasileira de Araguari(MG).

Em 1959, em plena Revolução Cubana, os avós paternos e o pai de Marina se mandaram de Cuba, levando apenas as escovas de dentes e a roupa do corpo, e aportaram em Miami. As coisas, porém, não deram muito certo para eles nos States e a família De La Riva resolveu vir para o Brasil, onde chegou em 1964, quando vivíamos a nossa “Revolução”.

Falemos, porém, de Marina. Ela se apaixonou por música ouvindo os discos de MPB da mãe (Maysa entre eles) e os bolachões cubanos do pai. Em 2007, depois de algum tempo cantando em bares e restaurantes, ela lançou seu primeiro CD – com participação de Chico Buarque – que foi muito bem recebido pela crítica e razoavelmente bem vendido.

De lá para cá, já gravou outros três CD’s e um DVD, todos bem avaliados. O último deles, gravado em 2014, é todo dedicado ao repertório de Dorival Caymmi, uma homenagem ao centenário do compositor baiano. Uma das músicas do CD “Rainha do Mar”, é um clássico de Caymmi: “Saudade da Bahia”, composta em 1947, que a Marina interpreta no vídeo abaixo.

Em tempo: é claro que ela gravou também “Marina”, outro clássico de Caymmi.

NEY MATOGROSSO – “POEMA”

cazuza-e-ney-matogrossoGravada em 1999, no CD “Olhos de Farol”, a música “Poema” é uma das mais belas canções do repertório de Ney Matogrosso. A música fez sucesso no rádio, mas, como nossas emissoras não costumam dizer o nome dos autores, pouca gente sabe que a letra de “Poema” é de Cazuza.

Conta a lenda que ele compôs “Poema” quando tinha 17 anos e a entregou como um presente para a avó materna, por quem era apaixonado. Quando Cazuza morreu, sua mãe, Lucinha Araújo, começou a juntar todas as coisas que pertenciam ao filho para montar um acervo. Ela então pediu o poema com que seu filho tinha presenteado a avó, mas a coroa, alegando que se tratava de um presente, se recusou a entrega-lo.

Anos depois, quando a avó de Cazuza faleceu, Lucinha recebeu uma caixinha onde estava o poema. Ela gostou muito dos versos e resolveu entrega-los ao parceiro do filho, Frejat, para que ele colocasse uma melodia. Frejat passou uma noite em claro, mas conseguiu transformar o poema em música. E foi Frejat quem sugeriu que a canção fosse entregue a Ney Matogrosso, para que ele a gravasse.

No vídeo abaixo, Ney canta “Poema”:

OSWALDO MONTENEGRO E JOSÉ ALEXANDRE – “BANDOLINS”

Daqui a pouco, às 10:00 horas, estarei lá na Regional FM, onde apresento – até as 14:00 – o “Brasil & Cia“. Nos 22 anos do programa, a música mais solicitada do Oswaldo Montenegro é, sem dúvida, “A Lista“. E a segunda mais pedida, é “Bandolins“.

“Bandolins“, por sinal, foi o marco zero da carreira de sucesso do Oswaldo Montenegro. Lançada em 1980, a música foi um presente de aniversário que o compositor ofereceu a uma amiga bailarina, com a intenção de reanimá-la, pois a moça estava inconformada porque o namorado dela tinha viajado para a França e ela, menor de idade, foi impedida de acompanhá-lo.

Pra dizer a verdade, Montenegro também estava um pouco desanimado. Antes de “Bandolins“, ele já tinha lançado um LP que foi um completo fracasso e sua gravadora não estava disposta a lançar um segundo LP. Foi então que Oswaldo Montenegro, sem muita esperança, inscreveu “Bandolins” em um festival da TV Tupi. A música obteve o 3º lugar e catapultou a carreira do cantor/compositor.

Um dado curioso é que, embora as rádios citem apenas Montenegro quando tocam “Bandolins“, a música sempre foi cantada em dupla com o amigo José Alexandre, inclusive no festival. No vídeo abaixo, os dois amigos interpretam “Bandolins“:

A CRÔNICA DO PASCOALINO E A MÚSICA DO CHICO: “TUA CANTIGA”

Reproduzo, mais embaixo, a crônica “Tua Cantiga” do amigo Pascoalino S.Azords, publicada ontem no jornal Debate, de Santa Cruz do Rio Pardo. Como o título indica, ela trata da nova música do Chico, que pode ser ouvida no vídeo abaixo:

Nos dias que se seguiram à morte de Tom Jobim, em 1994, Chico Buarque declarou que não fazia mais sentido compor, sabendo que o seu maestro soberano não estaria mais aqui para ouvir. Tom não era a musa do Chico, mas a reação dele a cada nova música era o que importava para Chico. O primeiro disco dele que o Tom não ouviu, “As Cidades”, é de 1998 – um respeitável luto de quatro anos, portanto. Na sequência, vieram “Cambaio” (2001), “Carioca” (2006), “Chico” (2011), e “Caravanas”, previsto ainda para 2017. Por ter nos deixado, Tom Jobim perdeu, até aqui, mais de 60 novas músicas do Chico. Aposto um picolé como ele iria gostar de Tua Cantiga, uma das músicas do disco “Caravanas”, que a gravadora já disponibilizou na Internet.

Chico escreveu a letra de Tua Cantiga para uma melodia do pianista e arranjador Cristóvão Bastos. Os dois não compunham juntos desde Todo o Sentimento, de 1987. Para ver que já se passaram trinta anos você não precisa fazer conta de menos, basta ler as duas letras. Com 43 anos de idade, a pessoa costuma pensar que ainda tem uma vida inteira pela frente, que o que passou foi um aperitivo, um treino para o muito que a existência lhe reserva. “Depois de te perder / Te encontro com certeza / Talvez num tempo da delicadeza / Onde não diremos nada / Nada aconteceu / Apenas seguirei, como encantado / Ao lado teu”. É assim que termina a letra de Todo o Sentimento, escrita quando Chico estava cheio de certezas e ainda nem tinha cabelo branco.

Aos 73 anos de idade, aquela mesma pessoa já canta mais grave – sim, a voz também envelhece com o dono da voz. O homem que naquele disco de 1987 ainda chamava suas três filhas de “As minhas meninas”, nome de uma das músicas do disco, agora sabe que está a um passo de se tornar bisavô. Então, ainda que seja para aquela mulher com quem ele sonhava viver como encantado num tempo da delicadeza, ele diz: “E quando o nosso tempo passar / Quando eu não estiver mais aqui / Lembra de mim, ah! nega / Dessa cantiga que eu fiz pra ti”. É assim que termina Tua Cantiga, a última música do Chico.  

Antes desses versos, o homem de 73 anos diz coisas menos terminais. Como “Silentemente vou te deitar / Na cama que arrumei / Pisando em plumas toda manhã / Eu te despertarei”. Ou ainda “Se um desalmado te faz chorar / Deixa cair um lenço / Que eu te alcanço em qualquer lugar”. Mas, evidentemente, esse futuro é muito pouco provável. Mais improvável do que já era a difícil perspectiva de um tempo da delicadeza, trinta anos atrás.

Com disco novo na praça, Chico deverá percorrer o país numa série de shows, como sempre faz. Se você puder ir, vá. É longe? É caro? Compare com o que custa ir ver o Papa acenar da janela do Vaticano. Ver o Chico fica muito mais barato, e nem precisa tirar passaporte!

CASUARINA E FREJAT – “JÁ FUI UMA BRASA”

Se estivesse vivo – o que, convenhamos, seria um milagre para um fumante inveterado – Adoniram Barbosa (nome verdadeiro: João Rubinato) estaria completando 107 anos nesse domingo. Nascido a 06 de agosto de 1910, em Valinhos, Adoniram foi fazer companhia à sua personagem Iracema – aquela que “travessou” uma rua na contramão e foi atropelada – em 23 de novembro de 1982, vítima de um enfisema pulmonar.

Em 1966, Adoniran Barbosa estava longe da mídia, já que a moda era a Jovem Guarda de Roberto, Erasmo, Ronie Von & Cia, situação que o deixava um tanto quanto chateado. Foi então que ele compôs “Já Fui uma Brasa”, música simples que traz na letra um relato conformado da falta de espaço para um sambista como ele.

Uma das gírias mais marcantes de Roberto Carlos, que simbolizava o estilo da Jovem Guarda dizia “é uma brasa, mora?”. Adoniram, inspirado pela gíria, tratou de construir uma metáfora musical para explicar sua situação: “Eu também um dia fui uma brasa e acendi muita lenha no fogão. E hoje o que é que eu sou? Quem sabe de mim é o meu violão…”.

O último verso da música talvez seja o mais emblemático, na medida em que, à época, soou como um aviso: “E eu que já fui uma brasa, se assoprar posso acender de novo“. Dito e feito!

Adoniran era mesmo uma brasa. E uma brasa versátil, que reacendeu ao se tornar ator das primeiras novelas da TV Tupi e também da TV Record. “Já Fui uma Brasa” é, até hoje, um dos grandes sucessos do João Rubinato. Como mostram, no vídeo abaixo, o grupo Casuarina e o ex-Barão Vermelho, Frejat:

 

CANTOR LUIZ MELODIA MORRE AOS 66 ANOS

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A notícia é do Diário da Região:

O cantor, compositor e músico carioca Luiz Melodia, morreu, na madrugada desta sexta-feira, 4, aos 66 anos. Ele lutava contra um câncer de medula óssea. O artista chegou a fazer um transplante, mas não vinha respondendo bem à quimioterapia.

Com a notícia da morte de Luiz Melodia, a diretoria da Estácio de Sá se reuniu, ainda na manhã desta sexta, para decidir como será a agenda na quadra da escola ao longo do dia, pois a família deseja que o velório seja realizado no local. 

Luiz Carlos dos Santos  nasceu no Morro do São Carlos, no Estácio, região central do Rio. Sua ligação afetiva com o berço foi eternizada por ele na canção Estácio, Holly Estácio: “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”.

Pitaco do blogueiro: Luiz Melodia, o “Negro Gato” ainda era um adolescente quando compôs “Estácio Holly Estácio” para uma namorada chamada Rosângela. A canção, que trata de um amor contrariado, foi lançada em 1972 por Maria Bethânia. Em 1973, Luiz Melodia a gravou em seu primeiro disco, cujo maior sucesso foi “Pérola Negra“.

O nome correto da música deveria ser “Estácio Holy Estácio“, que significaria “Estácio Santo Estácio”, mas uma letra “L” a mais na palavra Holy deu um sentido totalmente disparatado ao título da canção. Holly, em inglês, significa azevinho, uma espécie de arbusto. Hollywood, por exemplo, significa “bosque de azevinhos”.

Estácio Holly Estácio” não é a única música em que Luiz Melodia faz referência ao seu bairro. No mesmo disco de 1973, ele gravou também “Estácio, Eu e Você” (“vamos passear na praça enquanto o lobo não vem, enquanto sou de ninguém, enquanto quero te ver...”) , provavelmente dedicada também à musa Rosângela. Abaixo, um vídeo em que ele canta com Diogo Nogueira:

 

VANDER LEE – “POR CAUSA DE VOCÊ”

Nesse domingo tem o Brasil & Cia, programa que apresento na Regional FM, desde junho de 1995, com muita MPB e alguns flash backs internacionais. Um dia desses, por conta do Dia dos Namorados, toquei “A Noite do Meu Bem“, música da Dolores Duran que, em pesquisa realizada por uma rádio especializada em MPB, foi considerada a mais romântica do nosso cancioneiro.

Por sinal, Dolores (nome verdadeiro: Adilea da Silva Rocha)  nem chegou a curtir o sucesso de “A Noite do Meu Bem“, pois ela morreu dois ou três meses depois de gravar a canção, em outubro de 1959, com apenas 29 anos. Essa não foi, porém, a única música romântica (e imortal) que Dolores nos deixou.

“Por Causa de Você“, que ela compôs em 1957 com o então jovem Tom Jobim, é outro exemplo de sua verve romântica. Em março daquele ano, Jobim mostrou a Dolores uma música que ele tinha composto em parceria com Vinícius de Moraes.

Ela ficou encantada com a melodia e ali mesmo escreveu outra letra. Tom tocou no piano a música e Dolores cantou o poema que acabara de escrever. Quando terminaram, ela escreveu um bilhete para o Vinícius: “Esta é a letra que fiz para a música do Tom. Se você não concordar, é covardia!“.

Ao receber o bilhete, o poetinha, sem hesitar, rasgou sua própria letra, admitindo que a de Dolores era bem melhor. No vídeo abaixo, “Por Causa de Você“, com o talentoso compositor mineiro Vander Lee, que, em agosto do ano passado, vítima de um aneurisma, foi fazer companhia a Dolores.

Em tempo: Frank Sinatra gravou, em 1971, uma versão (“Don’t Ever go Away“) dessa música.

 

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