Categoria: Música

TITÃS – “SONÍFERA ILHA”

Titãs é modo de dizer. Na verdade, é o que restou da banda, ou seja, o trio Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, o que não é pouco.

Formada em 1981 por iniciativa de um grupo de amigos, a formação clássica da banda – que esteve em Jales nos anos 90, em uma Facip – tinha oito integrantes. Além dos três já citados, os outros cinco titãs eram Arnaldo Antunes, Nando Reis, Charles Gavin, Paulo Miklos e Marcelo Fromer.

Arnaldo, compositor e vocalista, foi o primeiro a deixar banda, em 1992, e partir para carreira solo. Dez anos depois, em 2002, foi a vez de Nando Reis se tornar um ex-Titã. Ele era o baixista do grupo, embora seu instrumento preferido seja o violão. Em 2010, mais uma defecção, a do baterista Charles Gavin. E finalmente, em 2017, quem deixou a família titânica foi Paulo Miklos.

O quinto elemento – Marcelo Fromer, um dos fundadores – não deixou a banda por vontade própria. Em 13 de junho de 2001, quando os Titãs viviam uma nova fase de sucesso, Marcelo, com 39 anos, foi atropelado por uma moto ao tentar atravessar uma avenida de São Paulo, fazendo cooper. O motoqueiro fugiu e Marcelo teve a morte cerebral anunciada dois dias depois.

No vídeo abaixo, o trio Tony, Sérgio e Branco fazem uma releitura de “Sonífera Ilha“, um dos maiores sucessos da banda, que, segundo uma revista especializada, foi a música mais tocada nas rádios brasileiras em 1984. Na versão original, de 1984, o vocal principal é de Paulo Miklos. Na releitura de 2020, o vocal principal coube a Branco Mello.

O clipe oficial do trio tem participações especiais, entre outros, de Rita Lee, Lulu Santos, Elza Soares, Paralamas do Sucesso, Casagrande, Fábio Assunção, Fernanda Montenegro e da filha do falecido Marcelo Fromer, Alice. As participações do clipe foram gravadas pelos próprios participantes, em suas casas. Vale dizer que eles não estavam de quarentena. Foi só uma coincidência.

Os compositores de “Sonífera Ilha” são Marcelo Fromer, Branco Mello, Tony Bellotto, Ciro Pessoa e Carlos Barmack. Não me perguntem quem é Carlos Barmack. Já o Ciro Pessoa foi um dos fundadores da banda e um de seus vocalistas. Ele deixou a banda antes da gravação do primeiro disco.

Vale a pena conferir o clipe:

 

MORRE AOS 98 ANOS O COMPOSITOR RIACHÃO, ÍCONE DO SAMBA DA BAHIA

Um dos ícones do samba da Bahia, o cantor e compositor Riachão morreu nesta segunda-feira (30), aos 98 anos de idade. Ele morreu durante a madrugada enquanto dormia em sua casa, no bairro do Garcia, em Salvador.

Uma de suas últimas aparições públicas foi durante o Carnaval, quando acompanhou da sacada de sua casa a saída do bloco Mudança do Garcia. Riachão, cujo nome de batismo é Clementino Rodrigues, era considerado um dos principais músicos do samba da Bahia.

Autor de clássicos como “Cada Macaco no Seu Galho”, regravada por Gilberto Gil e “Vá Morar Com o Diabo”, regravada por Cássia Eller, planejava lançar um álbum ainda neste ano com o título “Se Deus Quiser Eu Vou Chegar aos 100”.

Antes, porém, de completar 99, Riachão foi morar sabe-se lá com quem. Segundo o crítico musical Mauro Ferreira, do G1, Deus não quis que Riachão chegasse aos 100 anos, como pediu no título do disco que não teve tempo de gravar, mas ele se vai aos 98 anos já tendo garantida a imortalidade artística.

Em 2006 – com 84 anos, como fez questão de registrar Beth – Riachão participou do show “Beth Carvalho canta o samba da Bahia”, que foi registrado em CD. Eles cantaram juntos os dois sambas mais conhecidos do compositor, citados acima.

No vídeo abaixo, o registro de Cássia Eller para “Vá Morar com o Diabo”, no seu CD “Acústico”.

 

ALCIONE E SYLVIA NAZARETH – “À SOMBRA DO TEU SORRISO”

“The Shadow of Your Smile” é um clássico americano gravado por ícones como Tony Bennett, Frank Sinatra, Johnny Mathis, Shirley Bassey, Sarah Vaughan e outros. Uma de suas intérpretes foi a brasileira Astrud Evangelina Weinert, baiana de Salvador, mundialmente conhecida como Astrud Gilberto. O sobrenome ela ganhou de outro baiano: João Gilberto, com quem foi casada por apenas cinco anos, de 1959 a 1964.

Composta por Johnny Mandel (música) e Paul Francis Webster (letra), “The Shadow of Your Smile” foi o principal destaque da trilha sonora do filme dramático “The Sandpiper”, de 1965, que tinha em seu elenco a lindíssima Elisabeth Taylor, além de Richard Burton e Charles Bronson.

Aqui no Brasil, o filme ganhou o nome de “Adeus às Ilusões”. Lá nos Estados Unidos, a música ganhou o Oscar na categoria melhor canção de 1966. Ganhou também o Globo de Ouro e o Grammy, ambos de 1966, na categoria de melhor trilha sonora composta para um filme.

Pois bem, todo esse introito foi pra dizer que “The Shadow of Your Smile” é uma das vinte músicas do DVD Boleros, lançado em 2017 pela maranhense Alcione. Claro que a Marrom canta a versão em português, cujo nome é “À Sombra do Teu Sorriso”. A versão em português foi escrita ainda em 1966, pelo compositor Luís Bittencourt.

O detalhe é que a gravação de Alcione, ao vivo, ganhou a luxuosa participação da desconhecida Sylvia Nazareth, uma das backing vocals da banda que acompanha a Marrom no show que deu origem ao DVD. Coube a Sylvia interpretar uma parte da letra original, em inglês.

Vejam e ouçam, no vídeo abaixo, a bonita releitura de Alcione e Sylvia.

RAUL SEIXAS – “O DIA EM QUE A TERRA PAROU”

Nós estamos vivendo um dos períodos mais tristes da nossa geração, com a pandemia de coronavírus.

Responsável pela doença Covid-19, o vírus está provocando atitudes raríssimas, sendo muitas delas inéditas, como fechamento de fronteiras, proibição de aglomerações, isolamento social, etc.

Para ilustrar o momento estranho que estamos vivendo, muita gente tem evocado a canção “O Dia Em Que a Terra Parou”, de Raul Seixas.

Para alguns, a música teria sido uma profecia do Maluco Beleza porque narra algo parecido com a situação que estamos vivendo.

Bobagem! A bem da verdade, as palavras nem são de Raul Seixas, mas de seu parceiro, Cláudio Roberto, o autor da letra. Por sinal, Cláudio Roberto foi o único parceiro com quem Raul compôs um disco inteiro – exatamente “O Dia Em Que a Terra Parou”, de 1977 – que tinha o megassucesso “Maluco Beleza”.

Raul Seixas e Cláudio Roberto não foram os únicos a falar de um ambiente, digamos assim, apocalíptico. Em “O Mundo”, Zeca Baleiro, Lenine, Chico César e Paulinho Moska cantam um mundo doente, que “tá cego do olho e surdo do ouvido”.

Em certo trecho, a letra – que, se não me engano, é do André Abujamra – diz que “o mundo tá muito gripado”. O problema é que, dessa vez, não se trata de uma “gripezinha” qualquer, como querem alguns.

No vídeo, “O Dia Em Que a Terra Parou”:

MILTON NASCIMENTO – “CORAÇÃO DE ESTUDANTE”

“Coração de Estudante” teve sua melodia composta em 1983 pelo mineiro Wagner Tiso para a trilha sonora do filme “Jango”, um documentário sobre o ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964.

Originalmente, ela foi batizada de “Tema de Jango” e, no filme, servia de fundo musical para os momentos mais dramáticos experimentados por João Goulart, como o comício da Central, o exílio e a morte.

Somente depois que o filme chegou às telas, é que Milton Nascimento, tendo gostado da melodia, decidiu colocar uma letra na composição do amigo Tiso. A letra de Milton foi inspirada em suas lembranças do enterro do estudante Edson Luís, morto pela polícia em 1968.

Lançada em 1984, em disco “ao vivo” gravado durante show de Milton no Palácio das Convenções de São Paulo, a música estourou nas rádios e logo se transformou num dos hinos da campanha Diretas Já, movimento que tinha o governador mineiro Tancredo Neves entre seus líderes.

A volta das eleições diretas não foi aprovada naquele ano, mas, logo no início de 1985, Tancredo foi eleito presidente do Brasil, em eleição indireta na qual disputou a presidência com Paulo Maluf.

Quis o destino, porém, que Tancredo ficasse gravemente doente em 14 de março, na véspera de sua posse, e – 46 dias e 07 cirurgias depois – acabasse morrendo a 21 de abril de 1985.

Em meio à comoção nacional, “Coração de Estudante” – uma das preferidas do falecido – foi então escolhida como fundo sonoro reportagens televisivas sobre a morte, velório, cortejo e sepultamento de Tancredo, em versão instrumental.

No vídeo abaixo, Milton Nascimento canta “Coração de Estudante”, acompanhado ao piano por Wagner Tiso.

ÁUREA MARTINS – “ALVORECER”

Eu já falei sobre a Áurea Martins aqui neste modesto blog. Se tivesse nascido nos Estados Unidos, ela estaria, certamente, no panteão das grandes cantoras americanas. Ela nasceu, porém, no Brasil, um país onde o que não presta faz sucesso mais facilmente.

Nascida na zona rural do Rio de Janeiro, em junho de 1940, em uma família de músicos amadores, Áldima Pereira dos Santos ficou conhecida com o nome artístico dado por Paulo Gracindo quando ela frequentava os programas de auditório da Rádio Nacional.

Conhecida, pero no mucho. O primeiro momento de visibilidade – fugaz, por sinal – ocorreu em 1969, quando venceu o concurso A Grande Chance, do apresentador Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi. Ela concorreu cantando “Pela Rua”, música da Dolores Duran e do J.Ribamar.

Venceu o concurso e o boicote do responsável pela contagem dos votos dos jurados. Consta que, em uma primeira contagem, a vitória tinha sido de outro cantor, mas uma das juradas, a cantora e compositora Maysa Matarazzo – com seus olhos de mar – desconfiou de uma possível fraude e chamou o VAR, exigindo uma recontagem. Feita nova contagem, a vitória foi de Áurea.

Depois dessa visibilidade inicial e da gravação de alguns discos que não fizeram muito sucesso fora do Rio de Janeiro, Aurea passou um longo período de tempo atuando apenas no circuito boêmio da capital Fluminense.

Foi somente 39 anos depois da aparição no programa do Flávio Cavalcanti que Áurea Martins – cantora cultuada na noite carioca – voltou a ter visibilidade em escala nacional. Deveu-se isso ao disco “Até Sangrar”, gravado por ela em 2008, que lhe rendeu prêmios e elogios da crítica.

No ano seguinte, 2009, Áurea ganhou o Prêmio da Música Brasileira, como melhor cantora, concorrendo simplesmente com a fantástica Marisa Monte. Prêmios à parte, notem que o caminho que ela percorreu em busca do reconhecimento foi dos mais longos.

Áurea teve, entre suas fãs, ninguém menos que Elizeth Cardoso – a mãe de todas as cantoras, no dizer de Chico Buarque – admiradora da voz e do talento da colega.

A admiração era recíproca, tanto que Áurea está preparando um novo disco, em parceria com o maestro Cristovão Bastos, que terá duas músicas gravadas originalmente pela Divina.

É uma homenagem de Áurea, que completará 80 anos em junho, à sua admiradora Elizeth, que, se viva fosse, estaria completando 100 anos em julho deste 2020. No vídeo, Áurea canta “Alvorecer“, da dona Ivone Lara e Délcio Carvalho:

JOÃO BOSCO E ZIZI POSSI – “O BÊBADO E A EQUILIBRISTA”

Com a melodia composta entre o Natal e o Ano Novo de 1977, “O Bêbado e a Equilibrista” – uma das músicas preferidas do meu falecido amigo Chico Valdo – nasceu da vontade de João Bosco em homenagear Charles Chaplin, que morrera no dia 25 de dezembro daquele ano.

Feita a melodia, João Bosco a entregou ao parceiro Aldir Blanc para que ele fizesse uma letra que lembrasse Chaplin. Genial como de hábito, Aldir escreveu uma letra com diversas referências ao homenageado, a começar pelo bêbado que, “trajando luto, me lembrou Carlitos”, o personagem imortal de Chaplin.

Mas foi uma outra homenagem que marcou o destino da música, que ficou conhecida como o “hino da Anistia”. Amigo do cartunista Henrique Souza Filho, o Henfil, que lhe foi apresentado por Elis Regina, Aldir ouviu dele muitas histórias sobre o sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho (foto), irmão de Henfil.

Ao escrever a letra, Aldir resolveu homenagear também o irmão do amigo, àquela altura do campeonato exilado no México. Os versos de Aldir diziam que o Brasil ansiava pela volta do irmão do Henfil e de tanta gente que havia partido para outras plagas para fugir da perseguição da ditadura militar.

Curiosamente, Betinho se exilou inicialmente no Chile, onde chegou em 1971. Dois anos depois, com o golpe do sanguinário general Pinochet – do qual o Felipão é admirador, como se viu no post anterior – o Chile mergulhou em uma ditadura e Betinho teve que fugir novamente. Ele escapou do ditador genocida se refugiando na embaixada do Panamá. 

Enquanto isso, aqui no Brasil, aqueles que não conseguiram fugir foram desaparecendo – como o estudante Ruy Berbet, que foi sepultado aqui em Jales em um caixão sem o corpo – ou morreram nos porões da ditadura, a exemplo do metalúrgico Manuel Fiel Filho e o jornalista Vladimir Herzog, torturados por figuras sinistras como o tal Brilhante Ustra, ídolo do Bolsonaro.

Manuel e Vladimir também foram homenageados por Aldir. No verso “choram marias e clarisses”, uma referência a todas as mulheres que ficaram viúvas por obra e graça da ditadura, o compositor se inspirou em duas personagens reais: Maria, a viúva de Manuel. E Clarisse (assim mesmo, com dois esses!), a viúva de Herzog.

“O Bêbado e a Equilibrista” foi gravada por Elis Regina em 1979, mesmo ano em que Betinho, depois de oito anos de exílio, retornou ao Brasil e, ao desembarcar no Aeroporto de Congonhas, deparou-se com uma pequena multidão que cantava a música de João Bosco e Aldir Blanc.

No vídeo, “O Bêbado e a Equilibrista” é interpretada por João Bosco e Zizi Possi. Reparem que ele começa e termina a música com trecho incidental de “Smile”, a canção de Charles Chaplin que, aqui no Brasil, ganhou uma versão chamada “Sorri”, do compositor Braguinha, o mesmo que escreveu a letra de “Carinhoso”.

Em tempo: Henfil morreu em 1988, com apenas 43 anos, enquanto Betinho faleceu em 1997, aos 61 anos. Eles foram vítimas da Aids que contraíram em transfusões de sangue. Os dois – e mais um terceiro irmão, o músico Chico Mário – herdaram da mãe a hemofilia, doença que os obrigava a transfusões frequentes.

ELBA RAMALHO E LIAH SOARES – “CHÃO DE GIZ”

Lançada em 1978, no primeiro disco do cantor e compositor paraibano Zé Ramalho, a música “Chão de Giz” não fez muito sucesso. Nem o disco. Mas a música já demonstrava o talento do compositor.

Quase 20 anos depois, em 1996, “Chão de Giz” foi uma das músicas do show “O Grande Encontro”, que juntou Zé Ramalho, sua prima Elba Ramalho, e os pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo. O sucesso foi tamanho que, no ano seguinte, ao gravar o CD “Antologia Acústica”, Zé Ramalho incluiu novamente “Chão de Giz”.

Segundo o ECAD, essa foi a música mais tocada do Zé Ramalho, entre 2010 e 2014. E durante vários anos, sempre atendendo a pedidos, eu tive que tocar essa música todos os domingos no programa que apresento na Regional FM, o Brasil & Cia. Ela continua sendo uma das mais pedidas, mas isso já não acontece todos os domingos.

O mais interessante é que muita gente canta “Chão de Giz” sem saber o que está cantando, já que a letra é repleta de metáforas. Afinal, o que Zé Ramalho quer dizer com coisas como “eu vou te jogar num pano de guardar confetes” ou “mas não vou gozar de nós apenas um cigarro”, ou ainda “disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir”?

Só Deus e Zé Ramalho poderiam explicar o que o compositor quis dizer na letra de “Chão de Giz”. O fato é que, segundo a lenda, “Chão de Giz” é uma canção de amor. Ou de desamor, já que teria sido inspirada no fim de um caso amoroso.

Consta que, ainda jovem, na Paraíba, Zé Ramalho se apaixonou por uma mulher mais velha – ou mais experiente, se preferirem – que ele conheceu em um carnaval e com quem manteve um movimentado relacionamento.

A mulher era, no entanto, casada com um homem influente da sociedade de João Pessoa, de modo que, depois de algum tempo, a balzaca resolveu romper o namoro, antes que a história chegasse aos ouvidos do galhudo.  O fora da amante teria deixado em pedaços o coração de Zé Ramalho, que resolveu traduzir sua tristeza em versos pouco compreensíveis.

No vídeo, Elba Ramalho e Liah Soares cantam “Chão de Giz”. Liah (Eliane) nasceu em Tucuruí, no Pará, em 1980. De família conservadora, aos 14 anos ela deixou a casa dos pais, disposta a viver de música.

Depois de morar com parentes, em Santa Catarina, mudou-se sozinha para São Paulo. Em 2000, aos 19 anos, gravou uma música em dueto com a apresentadora Angélica e, a partir daí, vários outros artistas gravaram canções dela.

Em tempo: quem quiser ler algumas explicações para a letra de “Chão de Giz”, poderá fazê-lo aqui ou aqui.

CAETANO, MORENO, ZECA E TOM VELOSO – “FORÇA ESTRANHA”

Sobre a música do vídeo – “Força Estranha”, de 1978 – uma das canções que Caetano Veloso compôs especialmente para Roberto Carlos, eu já postei algo aqui, de modo que não há muito que acrescentar.

Falarei sobre os filhos de Caetano Veloso – Moreno, Zeca e Tom – que cantam com o pai no show “Ofertório”. Moreno, nascido em 1972, é do casamento de Caetano com Andrea Gadelha, a Dedé, que durou quase 16 anos, de 1967 e 1983. Eles tiveram outra filha, Júlia, que nasceu prematura e faleceu alguns dias depois do parto, em 1979.

Já Zeca e Tom são filhos do segundo casamento, com Paula Lavigne, de quem Caetano se separou em 2004, mas voltou a namorar depois de alguns anos. Zeca é de 1992. Fiel da Igreja Universal, ele andava afastado da música e resistiu um pouco à ideia de participar de um show com o pai e os irmãos. Zeca não se considerava preparado.

Tom nasceu a 25 de janeiro de 1997, no dia de aniversário de Tom Jobim, e por isso não houve grandes dúvidas quanto ao seu nome. Em pequeno, Tom era apaixonado por futebol e não se interessava muito por música. Aos 7 anos, acompanhou o pai numa excursão pela Europa e foi aí que começou a gostar de música. Segundo Caetano, Tom é o melhor violonista da família.

Confiram a musicalidade da família Veloso cantando “Força Estranha”:

RAY CONIFF – “AQUARELA DO BRASIL”

Vejo no blog do Mauro Ferreira, jornalista e crítico musical, que “Aquarela do Brasil”, do mal-humorado Ary Barroso, é a música brasileira mais gravada de todos os tempos, com nada menos que 399 gravações ao longo de seus 81 anos.

A canção ufanista do mineiro Ary já foi interpretada por cantores de praticamente todas as partes do mundo. Frank Sinatra, por exemplo, gravou uma versão em inglês, em 1957, de “Aquarela do Brasil”, que foi a primeira música brasileira com mais de um milhão de execuções nas rádios americanas.

Diz a lenda que “Aquarela do Brasil” foi composta numa noite em que Ary Barroso ficou impedido de sair de casa, devido a uma forte tempestade. Naquela mesma noite chuvosa, ele compôs “Três Lágrimas”, outro de seus grandes sucessos.  

Lançada em 1939 pelo cantor Francisco Alves – o preferido de Ary – “Aquarela do Brasil” não fez sucesso logo de cara. O sucesso, na verdade, só veio depois que ela foi incluída em um filme dos estúdios Disney, em 1942.

A informação de que “Aquarela do Brasil” já tem 399 gravações é do ECAD, que divulgou, dia desses, a relação das 10 músicas mais gravadas. Ary Barroso não é, porém, o maioral, apesar de ter composto a primeira colocada da relação.

O maioral é Tom Jobim, que tem seis músicas na relação das dez mais gravadas: “Garota de Ipanema” (376 gravações), “Eu Sei Que Vou Te Amar” (257), “Wave” (238), “Corcovado” (228), “Chega de Saudade” (228) e “Desafinado” (216).

Completam a lista, “Carinhoso”, de Pixinguinha e Braguinha, a segunda colocada com 389 gravações, “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, com 304, e “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, com 276.

Entre os intérpretes brasileiros de “Aquarela do Brasil” estão João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Tim Maia, Gal Costa, Erasmo Carlos, Adriana Calcanhoto, Daniela Mercury, João Bosco, Toquinho, Ney Matogrosso, Eduardo Dusek, Emílio Santiago e até o pagodeiro Alexandre Pires.

A gravação mais emblemática, porém, é a de Elis Regina. Gravada durante a ditadura militar, a música ganhou da Pimentinha uma interpretação meio que sombria, acompanhada por um coral que reproduzia os cantos dos povos indígenas. Se fosse nos tempos atuais, em que até livros de Machado de Assis estão sendo censurados, certamente que Elis daria uma interpretação ainda mais sombria ao clássico de Ary Barroso. 

No vídeo abaixo, a interpretação é da orquestra do maestro Ray Coniff. Acho que vou agradar dois amigos – o dentista Dario Mazzi e o comerciante Benedito Romildo Peresi – que são fãs do maestro. Por sinal, o Peresi tem uma filha, a professora Tamara, com o mesmo nome da filha do Ray Coniff, mas ele me disse que foi apenas uma agradável coincidência.

Eis o vídeo:

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