Categoria: Música

ZÉLIA DUNCAN – “NAQUELA MESA”

Daqui a pouco, às 10:00 horas, estarei lá na Regional FM, onde apresento, aos domingos, o Brasil & Cia. E hoje, Dia dos Pais, é dia de alguns ouvintes pedirem aquela música piegas do Fábio Júnior, “Pai Herói”. E, como faço há 24 anos, inventarei um desculpa qualquer para não tocá-la.

Até alguns anos atrás, eu dizia que “o CD do Fábio Júnior sumiu“. Atualmente, com todas as músicas no computador, essa desculpa não cola. Terei que ser mais criativo.

Haverá, também, aqueles que, com gosto mais apurado, pedirão “Naquela Mesa” para homenagear os pais que já se foram para o outro lado do mistério. Segundo consta, a letra dessa música teria sido escrita por Sérgio Bittencourt em um guardanapo,  durante o velório de seu pai, Jacob Pick Bittencourt, o Jacob do Bandolim.

Sérgio Bittencourt, que além de compositor era jornalista, não escondia a admiração pelo pai, apesar de manter com ele uma relação meio que conturbada. Certa vez, em um texto para o jornal “Última Hora”, ele disse que Jacob do Bandolim “foi mais do que um pai. Do que um amigo. Do que um ídolo. Foi um homem. Com todas as virtudes, fraquezas e defeitos de um homem com H maiúsculo”.

Se “Naquela Mesa” foi mesmo escrita no dia da morte de Jacob, não se pode ter certeza. O fato é que Jacob morreu em 1969, num 13 de agosto, aos 60 anos, e a música do filho só foi lançada em 1972, em um disco da divina Elizeth Cardoso.

Grande compositor (“Modinha” é sua obra prima) e jornalista polêmico, Sérgio Bittencourt ficou mais conhecido como jurado do programa Flávio Cavalcanti. Em 1970 sua música “Acorda, Alice” foi proibida pela censura da ditadura militar devido ao ingênuo verso “Acorda, Alice / Que o país das maravilhas acabou”.

Hemofílico, Bittencourt morreu em julho de 1979, com apenas 38 anos. No vídeo abaixo, Zélia Duncan canta “Naquela Mesa”, acompanhada por Hamilton de Hollanda, nosso melhor bandolinista, e Nilze Carvalho, nossa mais talentosa caviquinista.

 

ELZA SOARES E BABY DO BRASIL – “MALANDRO”

Eu já postei aqui neste modesto blog um vídeo com a Baby do Brasil cantando “Malandro“, mas acho que vale pena o repeteco. Neste novo vídeo, gravado em 2018, o samba de Jorge Aragão é lindamente interpretado pela Elza Soares e a Baby do Brasil, acompanhadas pela Orquestra Jazz Sinfônica.

“Malandro” foi o samba que, gravado originalmente pela Elza Soares em 1976, impulsionou a carreira de Jorge Aragão como compositor. Aos 88 anos de idade, Elza enfrenta problemas de saúde, mas não abandona os palcos.

Menina pobre, ela foi obrigada pelo pai a se casar com apenas 11 anos. Aos 12 anos, teve o primeiro filho, que faleceu ainda bebê. O segundo também faleceu, mas, mesmo assim, quando ficou viúva, aos 21 anos, ela tinha cinco filhos vivos e, para cria-los, trabalhou como faxineira e empregada doméstica.

Elza iniciou sua carreira como cantora no Show de Calouros, do Ary Barroso. Aos 27 anos, já atuando como cantora, conheceu Mané Garrincha, com quem se casou em 1968. No ano seguinte, a casa de Elza e Garrincha foi metralhada pela ditadura militar e os dois resolveram se mudar para a Itália, onde ficaram seis anos.

Já a Baby do Brasil nasceu Bernardete Dinorá de Carvalho, em 1952. No final dos anos 60, ela fugiu de casa, em Niterói, e se mandou para Salvador, onde conheceu Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Galvão e Pepeu Gomes, que seria seu primeiro marido, e formou com eles o grupo Novos Baianos.

O vídeo tem sete minutos, mas vale a pena ser visto.

POR LULA, GILBERTO GIL E CHICO BUARQUE VOLTAM A CANTAR ‘CÁLICE’ 45 ANOS DEPOIS

Em 1973, Chico e Gil tentaram cantar “Cálice” durante um festival, mas a música – que muita gente pensa ter sido composta por Chico e Milton Nascimento – tinha sido censurada e os microfones foram desligados. A matéria está pendurada no portal da Carta Capital

Em uma entrevista ao documentário “Canções do Exílio”, Gilberto Gil admite até hoje ter dificuldade de cantar a canção “Cálice”, escrita em parceria com Chico Buarque. O motivo? “Porque ela é sobre a dor, o tormento, a repressão, a censura. E tem essa história do ‘pai’. Eu tenho impressão que é mais por aí, essa imagem da primeira pessoa, da santíssima trindade, com sua sombra permanente sobre nós, essa ideia da paternidade como assalto à autonomia de uma individualidade.”

A rejeição não é apenas à letra, mas também à melodia “tristonha”. Como bem lembrou Breno Goés, autor de um texto que circulou após Gil e Chico cantarem “Cálice” no festival Lula Livre, realizado neste sábado 28, o compositor jamais gravou a canção para um álbum de estúdio. Preferia, lembra Goés, temperar a tristeza de felicidade e vice-versa, como fez em “Aquele Abraço”, ao se despedir do Brasil rumo ao exílio em tom carnavalesco.

Nem sempre Gil consegue, porém, deixar “Cálice” de lado. Há momentos em que a canção se impõe. Na apresentação no festival Lula Livre, havia um motivo óbvio para cantá-la: o homenageado do evento, preso há mais de três meses em Curitiba, escreveu um artigo intitulado “Afasta de mim esse cale-se”, sobre o veto da Justiça para que o petista conceda entrevistas e grave vídeos de dentro da cadeia.

O incômodo de Gil com a canção não é de hoje: já se fazia presente no ano em foi composta. Durante a Semana Santa de 1973, o compositor baiano e Chico passaram a se reunir para escrever uma música para um show marcado para maio daquele ano no Anhembi, em São Paulo.

Na Sexta-Feira da Paixão, Gil lembrou-se da oração de Jesus na hora da agonia. “Pai, afasta de mim esse cálice, mas seja feita a Vossa vontade”. Associou-a à narrativa bíblica sobre a comunhão, em que o vinho simboliza o sangue de Cristo. O refrão  “Pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue”, escrito por Gil, foi o ponto de partido da canção.

A relação entre “cálice” e “cale-se” foi imeadiatamente apontada por Chico, que a associou ao silêncio imposto pela ditadura. Cada um compôs uma parte da música: além da primeira estrofe, o baiano escreveria a terceira. A Chico, caberia a segunda e a quarta.

Após o veto tardio a “Apesar de Você”, canção de Chico que vendeu 100 mil exemplares em uma semana antes de a ditadura mandar recolher as cópias, a censura estava mais atenta e proibiu “Cálice'”. No dia do show no Anhembi, Chico e Gil insistiram em apresentar a composição, mas a gravadora de ambos, a Polygram, mandou os técnicos de som cortar os microfones. Irritado com a censura, Chico disse: “Vamos para o que pode!”. E cantaram em seguida Baioque.

A faixa só foi formalmente gravada em 1978, quando Milton Nascimento e Chico registraram a faixa no elepê Chico Buarque. Gil nunca a incluiu em um disco de estúdio.

GUILHERME ARANTES – “MEU MUNDO E NADA MAIS”

Nascido em 28 de julho de 1953, o pianista, compositor e cantor Guilherme Arantes está completando 65 anos de idade neste sábado. Ele começou sua carreira, profissionalmente, em 1973, como tecladista e vocalista do grupo Moto Contínuo. Em 1975, Guilherme deixa o grupo e parte para a carreira solo, gravando seu primeiro disco em 1976.

De lá para cá, colecionou sucessos, cantados por ele mesmo ou por artistas como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Gal Costa e Elis Regina, com quem ele manteve um rápido namoro. Nos anos 80, Guilherme Arantes colocou 12 músicas em primeiro lugar nas paradas de sucesso e bateu recorde de arrecadação de direitos autorais, superando artistas do primeiro time, como Chico Buarque e Gilberto Gil.

Em toda sua carreira, Guilherme Arantes já teve 27 músicas de sua autoria incluídas em trilhas sonoras de novelas. Em 1969, enquanto Neil Armstrong se preparava para deixar suas pegadas na Lua, Guilherme – àquela altura com apenas 16 anos – fazia “Meu Mundo e Nada Mais“, música que só foi gravada em 1976 para a trilha sonora de “Anjo Mau”.

Depois de aparecer na novela, a música não parou de tocar, catapultando Guilherme rumo ao sucesso. O próprio artista conta que, de início, as rádios só tocavam “Meu Mundo e Nada Mais” de madrugada, mas, depois de alguns dias, “viralizou” e tocava em todos os horários, em todas as emissoras.

Na novela, a música tocou 530 vezes, segundo contagem de Guilherme, que acompanhava a telelágrimas ao lado da avó, Iracema. “Foi um massacre”, avalia o compositor. No vídeo abaixo, uma das versões “ao vivo” mais recentes de “Meu Mundo e Nada Mais”:

CINCO ANOS SEM DOMINGUINHOS

Hoje, 23 de julho, faz cinco anos que o sanfoneiro, compositor e cantor Dominguinhos (José Domingos de Moraes), faleceu, vítima de um câncer no pulmão e de complicações cardiovasculares.

Ele nasceu em Garanhuns(PE), terra de outro brasileiro ilustre (e injustiçado!) em 1941, mesmo ano em que o doutor Euphly Jalles fincou suas botas por aqui, decidido a fundar esta cidade nem tão abençoada e tampouco bonita por natureza, mas de uma gente acolhedora.

Filho de um afinador de fole, Dominguinhos começou a tocar cedo, formando com dois irmãos um trio que se apresentava em feiras da cidade natal e em portas de hotéis, em troca de algum dinheiro. Em 1948, quando tinha apenas sete anos, Dominguinhos e irmãos tocaram na porta de um hotel onde estava hospedado Luiz Gonzaga, o rei do baião.

Lua ficou impressionado com o talento dos meninos e deu a eles seu endereço no Rio de Janeiro. Em 1954, com treze anos, Dominguinhos subiu em um pau-de-arara (assim como o outro brasileiro ilustre) e, depois de doze dias de viagem, chegou ao Rio de Janeiro.

No Rio, Luiz Gonzaga apadrinhou o moleque e o presenteou com uma sanfona. Por sugestão de um amigo, ele – que era conhecido na terra natal como Neném do Acordeon – passou a ser o Dominguinhos. Anos depois, casou-se com Anastácia, com quem compôs mais de 200 músicas (212, segundo meu amigo Luiz Carlos Seixas, o Bochecha).

Uma dessas 212 canções atende pelo nome de “Só Quero Um Xodó”. Essa música nasceu enquanto Dominguinhos e Anastácia caminhavam por uma rua de São Paulo. Ele começou a assoviar uma melodia que lhe veio à cabeça e, ao chegar em casa só estava faltando a letra, que a Anastácia escreveu em poucos minutos.

Em 1973, recém chegado de seu exílio londrino, Gilberto Gil ouviu “Só Quero Um Xodó” (que tinha sido gravada pela forrozeira Marinês) e gostou. Gil gravou a música em ritmo mais lento e a lançou em um compacto simples que tinha, no lado B, a música “Meio de Campo”, feita em homenagem ao jogador Afonsinho, do Botafogo.

Nascido em Marília e revelado pelo XV de Jaú, Afonsinho – que se formou em Medicina – fez sucesso no Botafogo, chegando a ser o capitão da equipe. Inteligente mas um tanto rebelde numa época em que rebeldias não eram bem vistas, ele acabou sendo “encostado” no Botafogo por – pasmem! – se negar a cortar a barba.

Claro que essa foi apenas a desculpa oficial. Na verdade, Afonsinho era um jogador politizado, que participava de movimentos estudantis e, por isso, incomodava o governo Médici, chegando a ser monitorado pela ditadura. 

Impedido de trabalhar, Afonsinho foi à Justiça e se tornou o primeiro jogador brasileiro a ganhar o direito ao passe-livre, daí a homenagem de Gil. Dono de seu próprio passe, ele foi para o Vasco e depois para o Santos – de Pelé, Edu e Alcindo – onde podia jogar barbudo e cabeludo. 

Deixemos, porém, Afonsinho de lado e voltemos ao Dominguinhos. No vídeo abaixo, Gil o convida para, juntos, cantarem “Só Quero Um Xodó”.

MARIA BETHÂNIA – “COMEÇARIA TUDO OUTRA VEZ”

Segundo levantamento do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), a música “Começaria Tudo Outra Vez” é uma das cinco canções mais executadas do compositor Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior). As outras são “O que é, O que é“, “Lindo Lago do Amor“, “Mamão Com Mel” e “Maravida“.

Como se pode ver, clássicos como “Explode Coração” e “Sangrando” não estão na lista das cinco mais tocadas de Gonzaguinha, o que soa estranho, mas o Ecad é mesmo assim, meio estranho. De todo modo, “Começaria Tudo Outra Vez”, em suas várias interpretações, é uma das mais tocadas.

Uma dessas interpretações, a mais relevante talvez, está completando 40 anos. É a de Maria Bethânia, que foi gravada no disco “Pássaro da Manhã“. Antes, “Começaria Tudo Outra Vez” só tinha sido gravada pelo próprio autor, em 1977.

“Começaria Tudo Outra Vez” é um marco na carreira de Gonzaguinha, porque foi a primeira música da fase, digamos assim, mais romântica do compositor. Antes dela, Gonzaguinha era mais conhecido como autor de canções de protesto. Não por acaso, ele foi – ao lado de Chico Buarque e Taiguara – um dos compositores mais perseguidos pela censura da ditadura militar.   

Com o início da abertura, na segunda metade dos anos 70, Gonzaguinha abriu sua obra para outros segmentos, com canções ao mesmo tempo sofridas e agressivas, que focalizavam conflitos amorosos quase sempre irremediáveis, mas, algumas vezes amenizados pela possibilidade de um esperançoso recomeço. É o caso de “Começaria Tudo Outra Vez“.

É o caso, também, de “Explode Coração“, outra canção de Gonzaguinha, considerado o maior sucesso de Maria Bethânia. A música integra o LP “Álibi“, que, gravado por Bethânia um ano depois de “Começaria Tudo Outra Vez“, foi o segundo disco de uma cantora brasileira a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas. O primeiro foi “Claridade“, de Clara Nunes.

Escolhi o vídeo abaixo por ser um dos mais recentes. Nele, Bethânia canta um medley com “Começaria Tudo Outra Vez” e “Travessia“. E se tiverem tempo, ouçam também uma releitura de Cauby Peixoto (aqui), outro intérprete relevante da obra de Gonzaguinha.

DIOGO NOGUEIRA – “ESPELHO”

O jornalista e crítico musical Mauro Ferreira, do blog “Notas Musicais”, conta que o próximo disco do sambista Diogo Nogueira poderá contar com músicas inéditas compostas a partir de uma curiosa parceria com o pai dele, João Nogueira.

As músicas estariam sendo sopradas do além por João (ele morreu em 2000) ao filho, por meio de sonhos, conforme revelou o próprio Diogo na semana passada, em entrevista televisiva. Certamente que, para aqueles que, como eu, não acreditam na sobrevivência da alma após a morte do corpo e também não creem na comunicação entre pessoas vivas e mortas, tudo isso não passa de balela.

Existem, porém, outros exemplos conhecidos. O Mauro Ferreira citou o caso de “Yesterday”, a música mais tocada no planeta, que, segundo Paul McCartney, lhe veio em um sonho. Da mesma forma, deve-se a um sonho sonhado pelo guitarrista Keith Richards o famoso riff de “Satisfaction”, uma das músicas mais conhecidas do grupo Rolling Stones.

Se quisesse, Mauro poderia ter citado, também, o caso de “Avohai”, a música com a qual Zé Ramalho lembra o seu avô José Alves Ramalho. O termo “Avohai” nasceu de um sonho e significa avô e pai, homenageando o avô que criou Zé Ramalho depois da morte prematura do pai.

Segundo Zé Ramalho, no dia seguinte ao sonho a música lhe teria chegado pronta, soprada por entidades extraterrestres. Uma segunda versão diz, no entanto, que “Avohai” teria sido composta durante uma experiência alucinógena do Zé Ramalho com chá de cogumelo.

Mauro poderia ter citado, ainda, o principal parceiro de João Nogueira, o compositor Paulo César Pinheiro, um dos maiores do Brasil (em quantidade e qualidade), com mais de 2.000 músicas compostas e mais de 1.000 gravadas. A primeira – “Viagem”, em parceria com João de Aquino – foi composta quando ele tinha apenas 14 anos. 

Em uma entrevista, há alguns anos, Paulinho contou que algumas de suas canções lhe chegaram prontas. E no livro “História das Minhas Canções”, ele comenta que “Acontecem coisas estranhas comigo desde quando comecei a compor, ainda menino. Vejo pessoas, vultos, sombras. Escuto passos, palavras, cantos. (…)”.

Metafísica e crenças religiosas à parte, Diogo Nogueira canta, no vídeo abaixo, “Espelho”, uma canção, diríamos, premonitória. Apesar de ter sido lançada por João Nogueira em 1977, quatro anos antes de Diogo nascer, “Espelho”  parece ter sido escrita pelo filho, que – como diz um trecho da música – sonhou ser um “craque da pelota”. Diogo chegou a ser profissional, mas teve que abandonar a carreira por conta de uma contusão.

Em tempo: no vídeo, Diogo Nogueira é acompanhado por Paulo César Pinheiro e Teresa Cristina e pelos grupos Samba de Fato, Sururu na Roda e Casuarina.

CHEGA A SÃO PAULO MUSICAL SOBRE ZECA PAGODINHO. FILHO DE JALESENSE É UM DOS MÚSICOS DO ESPETÁCULO

Notícia publicada pelo UOL, nesta quarta-feira, 11, está destacando a chegada a São Paulo – depois de temporada de sucesso no Rio de Janeiro – do musical “Zeca Pagodinho – Uma História de Amor ao Samba”, que conta de forma irreverente a vida e obra de Jessé Gomes da Silva Filho, que todo mundo conhece como Zeca Pagodinho.

O detalhe é que entre os músicos da peça está o violonista Glauber Seixas (o primeiro à esquerda, na foto acima), filho do jalesense Luiz Carlos Seixas – radicado há anos em Ourinhos – e neto de um dos primeiros farmacêuticos de Jales, Bernardino Mendes Seixas.

Glauber – que é compositor e atua também na direção musical da gravação de CDs – vive no Rio de Janeiro desde 2007 e já atuou em shows com Maria Bethânia, Diogo Nogueira, Maurício Carrilho, Cristóvão Bastos, Gilberto Gil (ao lado) e outros. Paulo César Pinheiro, um dos maiores compositores do país, o considera um dos melhores violonistas da nova geração.

Ao jornal Biz, de Ourinhos, Glauber declarou que “participar de um musical é sempre um desafio. Ele ressaltou, também, que a participação no musical proporcionou conhecimento de detalhes da vida de Zeca. “Ele foi feirante, garçom, anotador de jogo do bicho…”, afirmou Glauber. De seu lado, Zeca diz que “eu já vi a peça três vezes e sempre me emociono”.

A estreia da peça, em São Paulo, está marcada para o próximo sábado, no Teatro Procópio Ferreira. O musical vai além de uma simples biografia. Ele retrata a vida de Zeca em dois atos, onde o artista é interpretado por dois atores diferentes.

No primeiro ato, Zeca é apresentado como um sujeito simples, de Xerém, apaixonado por samba. No segundo, ele encontra a fama, mas sem se esquecer de suas origens.

A notícia do UOL, completa, pode ser lida aqui.

“CHEGA DE SAUDADE”, MARCO INICIAL DA BOSSA NOVA, COMPLETA 60 ANOS

Ontem, 09 de julho, foi feriado no estado de São Paulo, mas, reparando bem, deveria ser feriado no Brasil inteiro. Afinal, foi num 09 de julho – e não de abril, o mês cruel – que Vinícius de Moraes finou-se, aos 66 anos de idade, deixando um legado imorredouro à poesia e à música.

Legado que traz, entre outras coisas, “Chega de Saudade“, o marco zero da bossa nova, que nesta terça-feira, 10, está completando 60 anos de sua gravação mais significativa. A sexagenária canção de Tom e Vinícius, composta em 1956, foi gravada pela primeira vez por Elizeth Cardoso, no disco “Canção do Amor Demais”.

Com arranjos de Tom Jobim, o disco de Elizeth apresentou ao mundo a batida diferente do violão de João Gilberto, que, afora “Chega de Saudade”, acompanhou  “A Divina” em outras cinco canções.

A versão definitiva da música de Tom e Vinícius foi gravada, porém, pelo próprio João Gilberto em 10 de julho de 1958, dois meses após a gravação de Elizeth e poucos dias depois que Pelé, Garrincha e Didi – ao contrário de Neymar e Cia – encantaram o mundo, conquistando nossa primeira Copa.

A batida de João também encantou o mundo e elevou a nossa música ao mesmo nível em que Pelé e Garrincha puseram nosso futebol. A versão de João encantou também Gilberto Gil, àquela altura com 16 anos. Gil revelou hoje, no Twitter, que ao ouvir “Chega de Saudade” pela primeira vez em uma rádio de Salvador, ficou tão profundamente impressionado que, naquele momento, decidiu aprender a tocar violão.

“Chega de saudade” ficou tão marcada pela interpretação de João Gilberto, que até mesmo o Ministério da Cultura do incompetente e ilegítimo governo Temer deu sua mancada na manhã desta terça-feira, numa publicação no Twitter. Segundo O Globo, “a mensagem (ao lado), num desses erros efêmeros típicos das redes sociais, chegou a ficar pouco mais de meia hora no ar até ser corrigida”.

Com mais de 80 anos, João Gilberto, que é mais ouvido nos EUA que no Brasil, vive recluso e foi interditado judicialmente pela filha – a cantora Bebel Gilberto – por problemas de saúde e complicações financeiras.

A reclusão não é, no entanto, novidade na vida dele. Antes de gravar “Chega de Saudade”, ele viveu cerca de dois anos com parentes em uma pequena cidade de Minas Gerais, mas, durante quase todo o tempo, permaneceu trancado em seu quarto, inventando os acordes do que seria a bossa nova.

No vídeo abaixo, Gal Costa canta “Chega de Saudade“:

MARIA BETHÂNIA – “FERA FERIDA”

Antigamente, tinha lá no Brasil & Cia – o programa que apresento aos domingos na Regional FM – um ouvinte que, pelo menos duas vezes por mês, pedia para ouvir a música “Amiga”, com o Roberto Carlos e a Maria Bethânia.

Quando lançou seu LP de 1982 – esse aí do lado – o Roberto Carlos imaginava que “Amiga”, uma música um tanto comprida (5 minutos e 20 segundos) seria o carro-chefe do disco, ou seja, aquela que tocaria nas rádios e puxaria as vendas. Não foi!

O público e as emissoras de rádio preferiram “Fera Ferida”, música que também tem mais de 5 minutos, mas com uma letra bem melhor. Para os críticos, “Fera Ferida” era a melhor composição do disco e uma das melhores da obra de Roberto e Erasmo Carlos.

Há quem diga que a participação de Roberto na letra foi muito maior que a do Erasmo. É que a música trata do rompimento traumático de um caso de amor e foi composta justamente em uma época em que o primeiro casamento do Rei, com Nice – Cleonice Rossi Braga (1940-1990) – tinha se desfeito.

Em 1987, “Fera Ferida” foi regravada por Caetano Veloso e, em 1993, foi a vez de Maria Bethânia regravá-la no CD “As Canções Que Você Fez Prá Mim”, totalmente dedicado às canções de Roberto e Erasmo. A versão de Bethânia foi tema de abertura de uma telenovela global, com o mesmo nome da música.

No vídeo abaixo, Maria Bethânia interpreta “Fera Ferida”, no show “Maricotinha”:

 

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