Categoria: Música

ERIC CLAPTON – “WONDERFUL TONIGHT”

Em sua autobiografia, o cantor e compositor britânico Eric Clapton conta que escreveu a letra de “Wonderful Tonight” em cerca de dez minutos. Deve ser por isso que a letra não é grande coisa. Aliás, reparando bem, as letras – em inglês – de muitas músicas que gostamos são verdadeiras porcarias.

Em muitos casos, as canções vertidas para o português possuem letras bem melhores que as originais. É o caso, por exemplo, de “Thill There Was You”, dos Beatles, que, vertida para o português, virou “Quando Te Vi”, com uma letra bem superior, do Beto Guedes, que nada tem a ver com a original.

Reproduzo pra vocês, apenas o começo de “Wondeful Tonight” traduzida: “É tarde da noite / Ela pensa em que roupa vestir / Coloca sua maquiagem / E penteia seu longo cabelo loiro / E então me pergunta: ‘estou bem?’ / E eu digo sim, você está maravilhosa esta noite…”. Sinceramente, até o Valdick Soriano escreveria coisa melhor.

A letra de Eric Clapton foi inspirada em uma situação doméstica. Ele estava brincando com a guitarra enquanto esperava a mulher se arrumar para irem jantar fora. “Eu me enchi de esperar a Nell e subi até o quarto, onde ela ainda estava decidindo o que usar. Então, desci de volta para a guitarra e a letra da canção veio rapidamente“.

Nell era o apelido de Pattie Boyd, uma modelo inglesa que foi casada com George Harrison e abandonou o ex-Beatle para ir morar com Eric Clapton. Além de “Wondeful Tonight”, Pattie inspirou outros dois clássicos ingleses: “Something”, do George, e “Layla”, do Clapton.

No Brasil, “Wonderful Tonight” ganhou uma versão do compositor Paulinho Rezende, batizada de “Esta Noite Foi Maravilhosa”, que preserva a ideia da letra de Clapton. Lançada em 1992 pelos cantantes goianos Leandro e Leonardo, a versão fez grande sucesso, integrando um disco que vendeu dois milhões de cópias.

No vídeo abaixo, Eric Clapton canta “Wonderful Tonight”, mas eu peço a sua atenção para a performance de uma das backing vocals, quase ao final da música. Vale a pena ver e ouvir.

EMÍLIO SANTIAGO – “EU E A BRISA”

Diz a lenda que Johnny Alf foi o culpado pela célebre e injusta frase do poetinha Vinícius de Moraes, “São Paulo é o túmulo do samba”. Consta que Vininha tentava ouvir o até então desconhecido pianista Johnny Alf, durante uma apresentação em uma boate, mas o burburinho dos bebuns que lotavam o local não deixava. Irritado, Vinícius soltou a frase.  

Em 1967, já conhecido, Johnny Alf – que não era sambista – compôs uma balada romântica para o casamento de um amigo. Seu nome: “Eu e a Brisa”. Infelizmente, porém, o padre que celebraria o casório não foi com a cara da música e vetou a execução dela durante o enlace.

Sem cumprir seu objetivo primeiro como trilha sonora do casamento, “Eu e a Brisa” acabou inscrita no III Festival de MPB da TV Record, mas, novamente, não deu sorte. Mesmo com a belíssima interpretação da cantora Márcia – que, depois, casou-se com o narrador de futebol Sílvio Luiz – os jurados não se impressionaram com a canção de Alf e ela acabou desclassificada.

O tempo, no entanto, é o senhor da razão, como já dizia o Fernando Collor, e, enquanto algumas músicas classificadas no Festival foram sendo esquecidas, “Eu e a Brisa”, ao contrário, foi ganhando prestígio e sucesso, a ponto de se tornar a mais lembrada e regravada canção de Johnny Alf.

E o que é melhor: ganhou prestígio também entre os sacerdotes. Inicialmente rejeitada por um padre, “Eu e a Brisa” acabou cumprindo o destino para o qual foi composta, tornando-se uma música frequentemente executada em casamentos. E virou, também, tema da lacrimosa novela “Mulheres Apaixonadas“, da Globo.

Johnny Alf (nome verdadeiro: Alfredo José da Silva) nasceu a 19 de maio de 1929 e faleceu um pouco antes de completar 81 anos, em 04 de março de 2010. No vídeo – que dedico à professora Lurdinha Figueira –  “Eu e a Brisa” é interpretada pelo saudoso Emílio Santiago:

PAULA TOLLER – “SONHOS”

A música “Sonhos”, composta em 1977, foi inspirada em um episódio vivido por seu autor, o paulistano Aroldo Alves Sobrinho, um nome que o prezado leitor ou a estimada leitora certamente nunca ouviu falar. Aroldo, no entanto, é uma figura muito conhecida na seara musical, só que pelo apelido que ganhou de um amigo, na adolescência: Peninha.

O episódio inspirador, tá claro, foi o fim de um namoro. Os versos assimétricos de “Sonhos” descrevem o momento em que a namorada do compositor, que ele pensava ser o grande amor de sua vida, confessa – que peninha! – que está apaixonada por outra pessoa.

Peninha conta que os versos saíram de sopetão, durante uma madrugada insone. E, reparando bem, os versos indicam que ele, apesar de apaixonado pela moça, não ficou revoltado com a bola nas costas. Muito ao contrário, conformado, Peninha mantém a expectativa de que “amanhã será um novo dia e certamente eu vou ser mais feliz…”.

Lançada em disco do próprio Peninha, ainda em 1977, a música demorou para fazer sucesso e só depois de alguns meses passou a ser uma das mais tocadas nas rádios. Com o sucesso no rádio, “Sonhos” foi incluída na trilha sonora da novela “Sem Lenço, Sem Documento”, o que a tornou ainda mais conhecida.

A confirmação de que “Sonhos” é uma daquelas músicas que veio para ficar aconteceu em 1982, quando Caetano Veloso a incluiu em seu disco “Cores e Nomes”.

Por sinal, foi também o Caetano que ajudou a elevar o prestígio de outra música de Peninha: “Sozinho”, que já tinha sido gravada por Sandra de Sá e Tim Maia, mas virou sucesso definitivo na voz de Caetano.

No vídeo abaixo, uma bonita versão de “Sonhos“, com a Paula Toller. E, se você gosta dessa música, veja também a versão de Marisa Monte (aqui).

GILBERTO GIL – “SE EU QUISER FALAR COM DEUS”

Gilberto Gil lançou, na quinta-feira, 25, uma nova releitura de “Se Eu Quiser Falar Com Deus”, uma das mais belas canções da seara espiritualista da obra do compositor baiano.

Uma das mais belas porque não foi apenas nessa canção que Gil usou a temática religiosa, principalmente a religiosidade de origem africana. Ele o faz sempre com muito respeito, pois tem a consciência da importância da religiosidade na vida de todos.

A nova gravação, em clima intimista, somente com a voz e o violão de Gil, foi feita especialmente para o último episódio da terceira temporada da série “Sob Pressão“, da TV Globo, levado ao ar também na quinta-feira.

“Se Eu Quiser Falar Com Deus” completará 40 anos em 2020. Em 1980, Roberto Carlos pediu uma música a Gil e ele, sabendo da religiosidade do Rei, compôs a canção. Roberto, incomodado com alguns versos da letra, recusou a música alegando que o Deus que ele conhecia não era bem aquele descrito por Gil.

Em uma entrevista, Gil contou que “o que chegou a mim como tendo sido a reação dele, Roberto Carlos, foi que ele disse que aquela não era a ideia de Deus que ele tem. A música, realmente, fala de um Deus desconhecido”. Talvez o mesmo Deus de “Sobre Todas as Coisas“, do Chico Buarque, que Gil também canta no impagável “Grande Circo Místico” (aqui).

Recusada por Roberto, a composição foi parar nas mãos de Elis Regina, que a gravou, ainda em 1980, para aquele que seria o seu último álbum de estúdio. Só que Elis acabou excluindo a música de seu disco, porque não queria concorrer com a gravação de Gil, que estava sendo lançada simultaneamente à dela. A música, na voz de Elis, só foi lançada em um compacto de 1981, à revelia da cantora.

Na internet, além das gravações de Gil e Elis, é possível encontrar outras belas releituras de craques como Ney Matogrosso, Elza Soares e Maria Rita. A versão que eu mais gosto é a de Gal Costa, gravada para um dos quatro CD’s do Songbook de Gil.

A interpretação do vídeo abaixo não é a recém-lançada, mas começa só com voz e violão.

ÁUREA MARTINS E ALCIONE: “PELA RUA”

Áurea Martins, eis aí uma cantora veterana (79 anos) que o prezado leitor ou a estimada leitora provavelmente não conhece. Não se apoquente, porém, que a culpa não é sua, mas dos nossos meios de comunicação – rádio e TV – que raramente mostram o trabalho de artistas como Áurea.

Nas palavras de Álvaro Costa e Silva, jornalista e crítico musical, “Áurea é um dos segredos mais bem guardados da música brasileira. Quem ainda não a descobriu, não imagina o que está perdendo: uma cantora elegante, sensual, de timbre rouco e quente, afinação absurda e interpretação sem exageros”.

Com o nome Áldima Pereira dos Santos na certidão de nascimento, Áurea Martins ganhou esse nome artístico do ator Paulo Gracindo, que não achava Áldima muito apropriado para a cantora. Paulo entendia do assunto, já que o nome verdadeiro dele era Pelópidas. Musicalmente, Áurea teve como madrinha a “Divina” Elizeth Cardoso, de quem era amiga.

Para aqueles que desejarem saber mais sobre Áurea, o melhor é ler a biografia dela em livro – “Áurea Martins: A Invisibilidade Visível” – lançado em 2017. Por enquanto, o melhor a fazer é ouvi-la. No vídeo abaixo, ela participa como convidada de show da Alcione, a nova “melhor amiga” do Bozo.

Juntas elas cantam “Pela Rua“, uma melancólica canção, cuja letra é de outra grande mulher: Dolores Duran, que, por sinal, se chamava Adiléia.

 

ELBA RAMALHO E ALCEU VALENÇA – “FLOR DE TANGERINA”

Em 2016, os pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo e a paraibana Elba Ramalho se encontraram novamente em um show, dessa vez para comemorar os 20 anos do Grande Encontro. O primeiro Grande Encontro, que rendeu um álbum ao vivo, ocorreu em 1996 e tinha, além deles, o Zé Ramalho.

Zé participou, também, do segundo Grande Encontro, um disco de estúdio de 1997, e do terceiro, gravado em 2004, ao vivo. Do quarto encontro, em que se comemorou os 20 anos, eles preferiu não participar e explicou sua ausência com uma frase curta: “Já fiz isso, estaria me repetindo. Desejo sucesso!”.

A quem diga, porém, que o motivo para a ausência de Zé Ramalho pode ser outro. Segundo amigos, as quatro estrelas nordestinas são do tipo “cabeça dura”, de forma que as brigas são frequentes quando se reúnem. O fato é que, ultimamente, Zé Ramalho vem preferindo a companhia do Fagner, coxinha como ele.

O álbum comemorativo dos 20 anos foi gravado em noite única, no dia 07 de outubro de 2016, no Citibank Hall, em São Paulo. “Flor de Tangerina” é uma das 25 músicas do DVD. Lançada originalmente em 2002, no CD “De janeiro a janeiro”, de Alceu, a música não mereceu muito destaque, até que, em 2016, integrou a trilha sonora da novela “Velho Chico”.

“Essa música não fez o menor sucesso, inclusive porque as rádios não tocam música brasileira. Mas é linda. Eu sou apaixonado por ela”, confessou Alceu Valença, quando a novela foi ao ar. E é linda mesmo! O prezado leitor e a estimada leitora poderão constatar isso nessa releitura de Alceu e Elba Ramalho, no show Grande Encontro – 20 anos:

HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DE JOÃO GILBERTO

Eu tenho um amigo que consegue ouvir um disco do João Gilberto três vezes seguidas. Eu, que não tenho gosto tão refinado, não consigo ouvir seguidamente nem três músicas cantadas por ele. O meu gosto, porém, não interessa. O que interessa mesmo é que João foi um gênio e – como diz o crítico musical Mauro Ferreira – inseriu o Brasil no mapa-múndi musical.

Ontem, por exemplo, eu vi um filme americano – “Doce Trapaça”, com Gene Hackman e outros menos votados – cuja trilha sonora está recheada de clássicos da Bossa Nova, incluindo Meditação, com o próprio João, e Insensatez, com a ex-mulher dele, Astrud Gilberto.

João morreu neste sábado e o prezado leitor poderá ler e ouvir muita coisa sobre ele nos próximos dias, de sorte que vou me dispensar de ir aos detalhes sobre a vida e a importância dele para a nossa música. Ficarei nas curiosidades.

Por excêntrico e perfeccionista, João foi alvo de muitas histórias e até de uma sátira – “Cagar é Bom” (ouça aqui) – gravada pelo Língua de Trapo, Juca Chaves e outros. Em junho deste ano, quando João completou 88 anos, um jornal contou algumas dessas histórias – ou estórias:

1- João tinha uma espécie de fobia social. Por isso, recebia bilhetes frequentemente por debaixo da porta, como forma de comunicação. Até Elba Ramalho passou por isso. A cantora ligou para o apart hotel em que ele vivia, no Leblon, e pediu para vê-lo. Ele perguntou: “Você tem um baralho”. Ela disse que sim e foi comprar um. Ao chegar ao apart hotel, ele pediu que ela passasse o baralho por baixo da porta, e não a recebeu.

2- Segundo Ruy Castro, autor do livro “Chega de Saudade”, sobre a Bossa Nova, ele tinha hábitos fixos. Acordava às cinco horas da tarde, almoçava quase meia-noite e jantava às sete da manhã. João Gilberto odiava alterações em sua rotina.

3- O baiano pedia comida todos os dias no mesmo lugar. Segundo Ruy Castro, ele ligava todos os dias para o mesmo garçom, perguntava se tinha alguma novidade no cardápio e, qual fosse a resposta, pedia um steak ao sal grosso.

4- Durante a gravação de “Samba de uma Nota Só”, em 1963, João Gilberto se irritou com os erros do saxofonista americano Stan Getz. E pediu para Tom Jobin: “Diga pra esse gringo que ele é burro”. “Stan, o João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você”, traduziu Jobim. “Engraçado. Pelo tom de voz, não parece que é isto o que ele está dizendo”, finalizou Getz.

5- Em 1999, na inauguração do Credicard Hall, em São Paulo, João reclamou tantas vezes do sistema de som e da presença de eco inadequado na sala que foi vaiado por parte da plateia. Revidou cantarolando a frase “vaia de bêbado não vale”, fazendo caretas e estirando a língua na direção dos apupos. A frase de João foi depois aproveitada por Tom Zé em uma música.

No vídeo, João Gilberto e Caetano Veloso cantam “Chega de Saudade”, o marco zero da Bossa Nova.

ANA CAROLINA – “NÃO TEM NO MAPA”

Depois de seis anos sem lançar um CD de músicas inéditas, a cantora, compositora e instrumentista Ana Carolina – que completa 45 anos em setembro – está lançando o álbum de estúdio “Fogueira em alto-mar”, com canções novas. A novidade é que o álbum está sendo lançado em partes, ou seja, em três EP’s.

Os dois primeiros já estão no mercado. E o terceiro está previsto para o dia 26 de julho. O segundo, com três músicas, foi lançado na sexta-feira passada, 28/06, enquanto o primeiro, com seis canções, saiu no final de maio. É desse primeiro EP a música do vídeo abaixo.

“Não Tem no Mapa”, uma balada composta por Ana Carolina e Bruno Caliman – compositor muito prestigiado por cantores sertanejos – é bonitinha, mas o detalhe interessante do clipe gravado por Ana não está na beleza da canção. Veja o clipe, que já tem mais de 1,5 milhão de vizualizações e repare como o clima esquenta a partir da metade do vídeo.

 

CASUARINA E LENINE – “EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA”

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim(ES), Sérgio Sampaio era filho de um maestro de banda, Raul Gonçalves Sampaio, e primo do compositor Raul Sampaio Cocco, autor de “Meu Pequeno Cachoeiro”, música que concorreu (e perdeu) em um festival para escolha do hino de Cachoeiro de Itapemirim. Perdeu, mas, gravada por Roberto Carlos – o cachoeirense mais ilustre – se tornou muito mais famosa que a vencedora.

Aforamente o Raul pai e o Raul primo, foi outro Raul, o Seixas, quem abriu as portas de uma gravadora para o capixaba Sérgio Sampaio. Por sinal, pode-se dizer que Sampaio foi uma espécie de Raul Seixas sem grife. Eles até chegaram a compor duas ou três músicas juntos.

E, se o Maluco Beleza foi homenageado postumamente com o CD “Baú do Raul”, Sérgio também o foi, com o “Balaio do Sampaio“, no qual vários artistas – Zeca Baleiro, Luiz Melodia, Chico César, Erasmo Carlos, João Bosco e Zizi Possi, entre eles – interpretam suas músicas.

No livro “A Canção No Tempo”, os jornalistas Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello dizem que Sérgio Sampaio era uma figura exótica, que chamava a atenção pela magreza, o cabelão comprido e o comportamento bizarro. Dizem também que ele deixou várias composições, mas somente um sucesso: “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”.

Pode ser, mas eu me lembro que, nos anos 70, outras músicas interpretadas por Sampaio, como “Cala a Boca, Zebedeu” (de autoria do pai dele, seo Raul), “Viajei de Trem” e “Dona Maria de Lourdes” (nome da mãe dele), também fizeram relativo sucesso.

No vídeo abaixo, “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua” é interpretada pelo Lenine, que canta ao lado de seu filho, o João Cavalcanti, vocalista do grupo Casuarina. Na verdade, ex-vocalista, uma vez que, no ano passado, João decidiu partir para um trabalho individual.

 

FAGNER E ZÉ RAMALHO – “ETERNAS ONDAS”

“Eternas Ondas” era a música preferida de um falecido amigo deste aprendiz de blogueiro, de nome estranho: Hodofildo Félix Nogueira Filho. De vez em quando, ele reclamava do pai. “Meu pai bem que podia ter colocado Hodofildo Júnior… Aí o pessoal me chamaria de Juninho“.

Centroavante de ofício, o mineiro Nogueira – como o Hodofildo era conhecido – começou a carreira de jogador na Ponte Preta de Carlos, Oscar, Polozi, Roberto Pinto, Dicá, etc., passou por vários times, inclusive do exterior, e veio terminar sua carreira no glorioso CAJ. Notívago inveterado, ele sabia muita coisa de música.

O que ele, provavelmente, não sabia, é que sua música preferida foi composta pelo Zé Ramalho especialmente para o Roberto Carlos, que nunca a gravou. A informação consta de trecho do livro A Canção no Tempo, que transcrevo:

Como vários outros compositores, Zé Ramalho também fez uma música para Roberto Carlos gravar. Então, participando de um passeio no iate do Roberto, o “Lady Laura”, Zé Ramalho aproveitou para apresentar-lhe “Eternas Ondas”, uma canção inspirada no tema bíblico do dilúvio, que expõe o contraste entre a grande força da natureza e a fragilidade humana.

Roberto, porém, não aproveitou a composição, talvez um tanto trágica para o seu estilo, mas Zé Ramalho não se deu por achado e decidiu, então, passar a música para o amigo Fagner. Faixa de abertura do álbum Raimundo Fagner, lançado no final de 1980, “Eternas Ondas” ganhou do cantor cearense uma interpretação definitiva, bem ao seu jeito, intensa e emocionada.

Na foto acima, Roberto e Zé Ramalho na segunda metade dos anos setenta. E no vídeo abaixo, Zé Ramalho e Fagner cantam “Eternas Ondas”:

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