Categoria: Música

PAULINHO PEDRA AZUL – “CANTAR”

A música mineira é uma das mais ricas – em qualidade – do Brasil, não apenas por seus compositores mais famosos, mas também por aqueles menos conhecidos.

Godofredo Guedes – mineiro por adoção, já que nascido na Bahia – é um desses compositores quase anônimos. Mais conhecido como pai do Beto Guedes, Godofredo possui uma obra musical praticamente desconhecida fora de Minas Gerais.

Godofredo teve que se virar trabalhando como luthier, farmacêutico, pintor de placas, etc., para conseguir criar seus oito filhos. Nas horas vagas, fazia música. Beto, o filho mais famoso o homenageou de uma forma bem apropriada: em seus discos, ele sempre reservava a última faixa para uma música do pai.

Foi assim que, em 1978, Beto gravou “Cantar”, um lindo chorinho do velho Godofredo, no disco “Amor de Índio”. Regravada dois anos depois por Cristina Buarque, a irmã do Chico, “Cantar” talvez seja a música mais conhecida de Godofredo, que faleceu em 1983, com 75 anos.

Além de Beto e Cristina, “Cantar” mereceu outras releituras de artistas como Luiza Possi, Paulinho Pedra Azul (cujo CD com essa música me foi presenteado, há muitos anos, pelo amigo Hermínio Martini) e Affonsinho (assim mesmo, com dois efes, para diferenciar do ex-jogador Afonsinho, homenageado por Gil em “Meio Campo”).

Uma das mais belas versões de “Cantar” é a da Paula Toller, que gravou essa canção em seu primeiro disco solo, “Derretendo Satélites”, de 1998. Uma curiosidade: nas versões de Luiza Possi, Cristina Buarque e Paula Toller, a letra da música não é cantada por inteiro.

Outra curiosidade: no enterro do ex-jogador Sócrates – o líder da democracia corintiana – a última homenagem dos amigos, em torno do caixão, foi uma interpretação improvisada de “Cantar”, uma das favoritas do “Magrão”.

No vídeo abaixo, Paulinho Pedra Azul, acompanhado apenas por seu violão, interpreta “Cantar” no programa Sr.Brasil, do Rolando Boldrin:

PLAYING FOR CHANGE – “STAND BY ME”

“Stand by Me” é uma música de amor muito tocada em casamentos, principalmente em países de língua inglesa. Quem acompanhou, por exemplo, o casório do Príncipe Harry e Meghan Markle, no ano passado, deve ter observado que um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a interpretação dessa canção por um coral.

Mas “Stand By Me” não é apenas uma canção romântica. Sua letra tem, também, uma potente mensagem política que foi usada pela comunidade negra como um grito de solidariedade e luta, durante o movimento por direitos civis nos Estados Unidos, nos anos 60.

Ela não deve ter sido escolhida para a trilha sonora do casamento real por acaso ou apenas por ser uma das músicas preferidas dos noivos. Afinal, Meghan é a primeira mulher birracial – a mãe dela é negra e o pai é branco – a entrar na família real britânica.

Ben E. King, um dos autores – os outros foram Jerry Leiber e Mike Stoller – de “Stand By Me” contou que fez a música em 1960 e, orgulhoso da nova melodia que tinha criado, enviou-a à banda The Drifters, da qual fizera parte, mas a banda, aparentemente, não se interessou.

Um ano depois, Ben entrou em estúdio para gravar uma música – “Spanish Harlem” – e, depois da gravação, os produtores perguntaram se ele não tinha alguma outra canção. Ele cantou “Stand By Me” à capela, os produtores gostaram e decidiram gravá-la.

Para resumir, com mais de 400 versões gravadas por artistas diferentes – de Muhammad Ali a John Lennon e Tracy Chapman – “Stand By Me” é considerada a música mais regravada do século XX.

A música esteve entre os maiores sucessos nas paradas dos EUA duas vezes. A primeira, quando foi lançada, em 1961. E a segunda em 1986, quando integrou a trilha sonora do filme “Conta Comigo”. Ela está entre as dez músicas que renderam mais direitos autorais aos seus compositores.

No vídeo abaixo, quem canta “Stand By Me” são vários artistas de rua de diversos países, que integram o projeto “Song Around The World”. Escolhi esse vídeo porque ele traz a tradução da música. Confira:

RAQUEL TAVARES E XANDE DE PILARES – “SEM FANTASIA”

Eu já postei aqui no blog um vídeo em que Chico Buarque e Maria Bethânia cantam “Sem Fantasia”, uma de minhas músicas preferidas. E, sendo uma de minhas preferidas, acho que vale um repeteco. Afinal, “Sem Fantasia” tem várias versões. Chico e Bethânia, por exemplo, a gravaram duas vezes, a primeira em 1975 e a segunda em 2001, ambas ao vivo.

O próprio Chico já gravou “Sem Fantasia” pelo menos mais duas vezes: uma, mais antiga, com Caetano Veloso, e outra, de 2004, com a cantora Paula Santoro. Oswaldo Montenegro também gravou uma bonita versão, cantando com Tania Maya. Outra bela releitura é a do Emílio Santiago, em dueto com a Joyce.

Eu tenho dois bons motivos para gostar de “Sem Fantasia”. Um deles não vem ao caso. O outro é porque essa música é uma das 12 canções do primeiro LP do Chico que eu comprei, quando tinha uns 14 anos. No tal LP, de 1968, Chico, àquela altura com 24 anos, canta com sua irmã Cristina, seis anos mais nova.

“Sem Fantasia” foi composta para “Roda Viva”, a peça do próprio Chico Buarque, interrompida pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC) durante uma apresentação, na qual os artistas foram agredidos, entre eles a atriz Marília Pera. Depois, a peça foi censurada pelo regime militar, classificada como “subversiva”. Um exemplo da “subversão”: numa cena, um ator, vestido de soldado, defeca no próprio capacete.

Os prezados leitores devem ter notado, nos exemplos acima, que “Sem Fantasia” é sempre cantada em dueto. Isso não é uma coincidência: ocorre que a letra traz declarações de amor de uma mulher para um homem e vice-versa. Na primeira parte, é a mulher quem faz sua declaração de amor. E na segunda, é a vez do homem.   

Um detalhe que torna a interpretação de “Sem Fantasia” muito difícil, principalmente nas versões ao vivo, é que na segunda parte o homem e a mulher cantam suas respectivas declarações ao mesmo tempo.

No vídeo abaixo, a bela canção do Chico é interpretada pelo sambista Xande de Pilares e pela fadista portuguesa Raquel Tavares, em gravação de 2013. Raquel, atualmente com 35 anos, ganhou destaque aos 12 anos, ao vencer um festival de fados em Portugal.

Fã da música brasileira, ela gravou, em 2017, um CD só com músicas do Roberto Carlos. Reparem que ela, como a Bethânia, a Simone, a Cesária Évora e outras, gosta de cantar descalça.

  

ROBERTA SÁ, PAULO MIKLOS E DEMÔNIOS DA GAROA – “OS AMANTES”

Completando 50 anos de carreira e mais de 5.000 mil shows mundo afora – um deles aqui em nossa pacata urbe, em um baile do Jales Clube, nos anos 80 – o cantor, compositor e escritor Luiz Ayrão (Luiz Gonzaga Kedi Ayrão) é mais conhecido como sambista.

“Porta Aberta”, “O Lencinho”, “No Silêncio da Madrugada” e “Bola Dividida”  (regravada pelo Zeca Baleiro) são alguns de seus sambas mais conhecidos. Mas ele fez sucesso, também, com composições românticas, como é o caso de “Reencontro” e “Os Amantes”.

O maior sucesso romântico de Luiz Ayrão – como compositor – talvez tenha sido “Nossa Canção”, que o Roberto Carlos gravou em 1966 e regravou, ao vivo, em 1998. Roberto Carlos e Luiz Ayrão se conheceram bem antes de o Rei se tornar conhecido. Eles foram vizinhos (e amigos), quando Roberto deixou Cachoeiro do Itapemirim e foi morar no Rio de Janeiro.

Por isso mesmo, antes de gravar “Nossa Canção”, Roberto já tinha gravado “Só por Amor”, outra música de Ayrão, em disco de 1962. “Nossa Canção” ficou conhecida também com a Martinha e, regravada pela Vanessa da Matta em seu disco de estreia, de 2002, foi o primeiro sucesso da cantora e compositora mato-grossense (Alto Garças).

Com Vanessa, “Nossa Canção” já integrou a trilha sonora de duas novelas globais: Celebridade (2003) e A Regra do Jogo (2015). A música deste post, no entanto, é outra: a menos conhecida “Os Amantes”.

Regravada pelo cantante Daniel em 2005, “Os Amantes” fez sucesso entre o público sertanejo, que, certamente, nem sabia que se tratava de uma regravação. Antes, já fizera sucesso com a gravação do próprio autor, Luiz Ayrão, em disco de 1978.

E agora, 41 anos depois de lançada, essa música mereceu mais uma bela releitura, dessa vez com a Roberta Sá, o ex-Titã Paulo Miklos e o grupo Demônios da Garoa. Confiram no vídeo:

ADRIANA CALCANHOTTO – “VAMBORA”

“Vambora” foi lançada em 1998 e integrou a trilha sonora da novela “Torre de Babel”. Já foi regravada por diversos artistas. A própria Adriana fala que a versão da Simone é uma das que ela mais gosta, mas a regravação de Bibi Ferreira – pelo que representa a grande dama do teatro – é a que ela considera “top”.

Adriana conta, também, que “Vambora” é a música que não pode faltar nos seus shows e, normalmente, é o momento mais aguardado pela plateia, que sempre canta junto com ela.

Um dia desses, querendo saber mais sobre a vida e as músicas da Adriana Calcanhotto, encontrei o texto abaixo, de um rapaz chamado Hevanderson, sobre a canção “Vambora”. Ei-lo:  

“Vambora” de Adriana Calcanhotto fala da solidão dos que amam. Aquela ansiedade e a quase que incontrolável sensação de vazio de quem espera outro alguém bater à porta. Quem nunca se sentiu tentado a pegar o telefone e ligar quantas vezes fosse preciso para falar com a tal pessoa que faz o coração disparar?

Fica aqui a pergunta: o que você faria se tivesse só meia-hora para mudar a vida de outra pessoa?

Existem tantas ocasiões onde ficamos assustadoramente sozinhos que cometemos um equívoco (ou agimos de forma egoísta) quando pensamos na solidão somente em sua forma romântica: quando a pessoa amada está longe ou ainda quando não se é amado/correspondido.

Já parou para pensar o quanto estamos sozinhos em nossas convicções e ideais, ainda que elas se baseiem no coletivismo? Pense também o quão sós estão aqueles que sabem estar próximos da hora de sua morte.

Normalmente não sigo uma ordem para ouvir minhas músicas, escolho uma de início, dou o “play” e deixo rolar. Sempre que meu iTunes passa por “Vambora” eu presto total atenção na música, não importa como estiver o meu humor ou meu dia. “Entre por esta porta agora….”, tenho a utópica sensação de que ela está falando para mim:

Mas são os pequenos detalhes nessa música que são motivo deste texto, ou dois versos para ser mais específico. Através deles chegaremos a dois clássicos da poesia nacional: “Dentro da Noite Veloz” (Ferreira Gullar) e “Na Cinza das Horas” (do “imortal”, Manuel Bandeira).

Dentro da noite veloz é um livro essencialmente político, mostra um Gullar preocupado com a situação do Brasil (que vivia o regime militar). A luta contra o regime foi coletiva, mas o momento da tortura era de extrema solidão à vítima. No poema “Dentro da Noite Veloz”, que dá nome ao livro, apesar de não falar especificamente do Brasil, é possível sentir a solidão daqueles que lutam em prol de uma causa e sofrem por ela.

“Na Cinza das Horas” foi o primeiro livro de Manuel Bandeira. Com poemas tristes e fúnebres, que demonstram como se sente uma pessoa que se aproxima da morte. Alguns dos poemas contidos no livro foram escritos enquanto Bandeira sofria com a Tuberculose (da qual conseguiu curar-se), doença gravíssima para a época.

E agora, o vídeo – que tem 8,6 milhões de visualizações – com a Adriana cantando “Vambora”:

ROBERTO CARLOS – “SUA ESTUPIDEZ”

Um dos maiores destaques do álbum lançado por Roberto Carlos em 1969, “Sua Estupidez” é uma das canções mais famosas do Rei e marca um período de transição do cantor, que passou do repertório juvenil da Jovem Guarda à fase adulta da música romântica.

“Sua Estupidez” não tem a parceria do Erasmo e mostra Roberto como um compositor genial, diferente do Roberto dos últimos tempos, que tem feito canções que não estão à altura do seu talento. A simplicidade dos versos de “Sua Estupidez” mexe com corações e sentimentos e, por isso, a canção é sempre atual, merecendo várias regravações de artistas como Gal Costa (três vezes, a última no Acústico de 1997), Alcione e, mais recentemente, de Daniela Mercury e Alice Caymmi.

Nas palavras do crítico André Pugliesi, “Sua Estupidez” é a canção de amor mais cruel do vasto repertório romântico brasileiro. “De uma sinceridade brutal, a letra é uma mistura de paixão e desespero, agressividade e amor puro. Sem rodeios, sem firulas, seca e apaixonada. Quem mais, além do Roberto, poderia ao mesmo tempo chamar uma mulher de estúpida (diretamente), idiota e burra (indiretamente) e ainda assim declarar que a ama?”.

Em uma entrevista, Roberto Carlos disse que a letra de “Sua Estupidez” era “um grito de alerta às pessoas que amam, mas vivem infelizes porque dão muito valor a detalhes insignificantes”.

Na mesma entrevista, Roberto revelou que a letra foi escrita em uma manhã em que ele acordou um pouco cansado de tudo, das coisas inúteis que passam a ser importantes para quem não entende nada do valor dos sentimentos. “É terrível conviver com gente que fica ‘emburrada’ por qualquer coisinha”, disse o Rei.

No livro “Roberto Carlos em Detalhes”, do jornalista e historiador Paulo Cesar de Araújo, o autor afirma que a “Sua Estupidez” era um recado direto para Cleonice Rossi Martinelli (a loira da foto acima), então esposa do cantor. “Os versos já anteviam o fim do casamento de Roberto e Nice, embora isso só viesse a ocorrer no final da década de 70”.

O livro “Roberto Carlos em Detalhes” tornou-se o caso mais emblemático da polêmica sobre as biografias não autorizadas. Lançado em 2006, o livro foi recolhido das livrarias depois que Roberto recorreu à Justiça, alegando que a obra era uma invasão de privacidade.

No vídeo, Roberto Carlos – que, neste ano, não fará o costumeiro especial de fim de ano, na Globo – interpreta “Sua Estupidez”, no Especial de 1995.

FLÁVIO VENTURINI, SÁ & GUARABYRA E 14 BIS – “ESPANHOLA”

Há alguns anos, uma rádio de São Paulo, que só tocava MPB, resolveu fazer uma pesquisa entre os seus ouvintes visando saber quais seriam, na opinião deles, as músicas brasileiras mais românticas. A música que recebeu mais indicações foi “A Noite do Meu Bem”, da Dolores Duran.

Eu não me lembro qual foi a classificação de “Espanhola” (Gutemberg Guarabyra e Flávio Venturini), mas ela foi uma das músicas de um CD gravado – e comercializado – pela emissora, com as dez músicas mais votadas pelos seus ouvintes.

“Espanhola” teve um curioso processo de criação, conforme relato do próprio Guarabyra. Ele conta que lá pelos idos de 1977 estava afogando as mágoas de uma paixão não correspondida, bebendo umas biritas num bar de São Paulo, onde morava naquela época. Quando resolveu ir pra casa – a pé – já era tarde da noite e fazia muito frio. 

E como bêbado não tem desconfiômetro, Guarabyra, para fugir do frio, bateu na porta da casa do amigo Flávio Venturini, que morava ali por perto. Depois de algumas horas na casa de Venturini, ele retomou o caminho de casa.

No dia seguinte, Venturini telefonou para Guarabyra, avisando que já tinha musicado a letra que o amigo havia feito na madrugada anterior. Para sua surpresa, Guarabyra perguntou: “que madrugada? que letra?”. Ou seja, ele não se lembrava de ter passado na casa de Venturini e muito menos de ter escrito a letra de uma música.

“Espanhola”, a música que o compositor não se lembrava de ter feito, foi lançada ainda em 1977, no disco “Pirão de Peixe com Pimenta”, de Sá & Guarabyra, o mesmo que continha outro sucesso, “Sobradinho”, baseado na profecia do beato Antônio Conselheiro.

No vídeo abaixo, Guarabyra, Sá, Flávio Venturini e 14 Bis interpretam “Espanhola”:

JORGE BEN JOR – “QUE PENA”

Carioca de Madureira, Jorge Duílio Lima Menezes, nascido em março de 1945, bem que tentou ser jogador de futebol e até chegou a atuar no infanto-juvenil do Flamengo. A música, no entanto, gritou mais alto e, em 1963, quando lançou seu primeiro disco ele já era Jorge Ben.

O disco era um compacto com apenas duas músicas – “Por Causa de Você, Menina” e “Mas Que Nada” – que fizeram sucesso de cara. A segunda foi também uma das canções em língua portuguesa mais executadas nos Estados Unidos, na versão do pianista brasileiro Sérgio Mendes com um grupo de hip hop americano.

Em 1989, sabe-se lá por quais motivos, ele fez uma pequena alteração no nome artístico, passando a chamar-se Jorge Ben Jor. Há quem diga que a mudança foi provocada pela numerologia, mas há também quem garanta que foi para evitar confusões com George Benson, pois Jorge Ben começava a se tornar muito conhecido nos Estados Unidos

Em 1991, depois de um longo período longe das paradas, ele estoura nas pistas de dança – já como Jorge Ben Jor – com a música “W/Brasil”. Composta a pedido do publicitário Washington Olivetto, dono da agência de propaganda “W/Brasil”, a música foi também uma homenagem ao “síndico” Tim Maia.

Jorge Ben Jor anda meio sumido, mas continua na ativa, realizando shows que são vistos por muita gente jovem. A sua última música inédita foi lançada em 2018. Chama-se “São Valentim”, em homenagem a um ex-santo da Igreja Católica.

Valentim, um bispo romano, ousou desafiar o imperador Cláudio II, realizando casamentos às escondidas. Cláudio tinha proibido os jovens de se casar, pois queria formar um grande exército e acreditava que os jovens, sem poder se casar, se alistariam com maior facilidade.

As cerimônias de Valentim eram feitas em segredo, mas ele acabou sendo descoberto, preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que continuavam acreditando no amor.

Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois – a exemplo do Lula e da Janja – acabaram se apaixonando e Artérias, milagrosamente, recuperou a visão.

Valentim não conseguiu, no entanto, o milagre de obter o perdão do imperador Cláudio e, no dia 14 de fevereiro de 270, acabou decapitado. Em homenagem a ele, em muitos países o “Dia dos Namorados” é comemorado no dia 14 de fevereiro.

Aqui no Brasil, o “Dia dos Namorados” é comemorado no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antonio, nosso santo casamenteiro. A data foi escolhida pelo publicitário João Dória – pai do nosso atual governador – com o objetivo de incrementar as vendas do comércio.

No vídeo, Jorge Ben Jor – que é casado desde os anos 60 com uma de suas primeiras namoradas, Domingas Terezinha – canta “Que Pena”:

JOHN LENNON COMPLETARIA 79 ANOS NESTA QUARTA-FEIRA

Deu na revista Fórum:

Nesta quarta-feira, 9 de outubro de 2019, o ex-Beatle John Lennon faria 79 anos. Porta-voz do pacifismo, Lennon foi assassinado em 1980 por um fã na porta do local em que morava em Nova Iorque, o lendário Edifício Dakota, onde foi filmado, entre outros, “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polanski.

John Lennon fez grande sucesso ao lado de Paul McCartney quando jovem e adolescente fundador dos Beatles. A dupla compôs algumas das canções mais tocadas do século XX. A partir de 1970, ao lado da esposa, Yoko Ono, Lennon teve uma intensa militância pacifista, fez experiências com drogas e apoiou políticos como Angela Davis e John Sinclair.

Cidadão inglês, sofreu um longo processo de deportação por porte de maconha nos EUA que acabou vencendo graças à grande mobilização da população americana em seu apoio. O ex-Beatle se afastou da música por um período de cinco anos para cuidar de seu filho Sean, recém-nascido.

Voltou com tudo, em 1980, com o álbum “Double Fantasy”, feito em parceria com Yoko. O disco foi lançado em novembro e Lennon foi assassinado poucos dias depois, em dezembro. As canções do álbum “(Just Like) Starting Over”, “Woman” e “Watching the Wheels” atingiram as primeiras posições nas paradas de sucesso do mundo inteiro.

Após sua morte, John Lennon passou a ser celebrado no mundo todo. Sua canção “Imagine” é considerada uma das melhores e mais tocadas do século XX.

Há alguns dias, um imbecil disse que, se John Lennon estivesse armado, a história poderia ser outra. Cabe perguntar: um pacifista que escreve uma canção como “Imagine” poderia andar armado?

No vídeo, do projeto “Canção à Volta do Mundo”, artistas desconhecidos de várias partes do planeta, inclusive do Brasil, interpretam a canção imortal de John Lennon:

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