Categoria: Música

DONA IVONE LARA MORRE AOS 97 ANOS

A essa altura do campeonato, isso não faz muita diferença, mas há quem diga, que Dona Ivone tinha, na verdade, 96 anos. É que em 1932, quando tinha 10 anos a mãe dela aumentou sua idade em um ano, para que ela pudesse ingressar em um colégio interno. 

Dona Ivone era enfermeira – profissão que lhe garantiu o sustento e a aposentadoria – e trabalhou também como assistente social. Foi uma das primeiras mulheres a integrar a ala de compositores de uma escola de samba, um reduto predominantemente masculino. 

Em 1965, assinou o histórico samba enredo da Império Serrano, “Os cinco bailes da história do Rio”. Em 1978, ela já tinha músicas de sucesso gravadas por Clara Nunes, Roberto Ribeiro e outros, mas se tornou mais conhecida naquele ano, depois que Maria Bethânia e Gal Costa gravaram o samba “Sonho Meu“, uma das parcerias de Dona Ivone com Délcio Carvalho.

Assim como o ajudante de pedreiro Cartola, a enfermeira Ivone Lara só foi gravar o seu primeiro disco solo com mais de 60 anos, também em 1978. Como disse o jornalista Mauro Ferreira, “a obra sensível e feminina de Dona Ivone é símbolo de nobreza no reino do samba“. Vamos à notícia do UOL:

A sambista Ivone Lara, popularmente conhecida como Dona Ivone Lara, morreu aos 97 anos vítima de uma parada cardiorrespiratória, no Rio de Janeiro, na segunda-feira (16). A informação foi confirmada pelo UOL junto a familiares.

Internada há duas semanas no CTI da Coordenação de Emergência Regional, no Leblon, zona sul do Rio, a sambista teve uma piora no estado de saúde na tarde desta segunda. A cantora lutava contra uma infecção renal, com complicações causadas pela idade.

“Ela estava internada já há algum tempo, hoje teve uma queda brusca de pressão e, em seguida, uma parada cardíaca por volta das 22h”, explicou o neto André Lara em entrevista ao UOL, por telefone. Segundo Lara, ainda não há informações sobre o horário do velório, o que deve ser resolvido pela família somente na manhã desta terça.

Em agosto do ano passado, a cantora já havia sido internada no mesmo hospital com crise de hipoglicemia.

Dona Ivone Lara completou 97 anos na última sexta-feira (13). Conhecida como “Rainha do Samba” ou “Grande Dama do Samba”, Ivone é autora de sucessos como “Sonho Meu”, em parceria com Délcio Carvalho, e tem 19 discos gravados. O primeiro deles, “Sambão 70”, foi gravado em 1970, quando ela já tinha 49 anos.

Aos 56, Dona Ivone se aposentou e passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Suas músicas foram interpretadas por nomes importantes da música brasileira, como Maria Bethânia, Elba Ramalho, Criolo, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Arlindo Cruz, Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan.

Se apresentou em países da África, Europa e da América Latina. Em 2002, recebeu o Prêmio Caras de Música na categoria Melhor Disco de Samba, com o CD Nasci para Sonhar e Cantar. Em 2012, a cantora e compositora foi homenageada pela escola de samba Império Serrano com o enredo: “Dona Ivone Lara: O enredo do meu samba”, que fazia alusão a um sucesso da artista.

No vídeo abaixo, uma das últimas regravações de “Sonho Meu“, com Dona Ivone Lara e alguns convidados:

 

CAETANO VELOSO – “SAMPA”

Uma das melhores canções de Caetano Veloso e uma das mais bonitas e sinceras homenagens à cidade de São Paulo, “Sampa” – quase um hino da capital paulista, com suas descrições, citações, reflexões e riqueza melódica – foi composta em poucos minutos, segundo o autor.

Sucedeu assim: em 1978, a TV Bandeirantes resolveu fazer um programa sobre São Paulo e o produtor – Roberto de Oliveira – pediu a Caetano que desse um depoimento falando da cidade que o acolheu no início de carreira. 

Depois de matutar um pouco, Caetano achou melhor dar um depoimento na forma de canção, com suas impressões sobre a cidade. E assim nasceu “Sampa”, que no dia seguinte ao pedido da TV Bandeirantes, já estava pronta e gravada em vídeo para o programa dedicado a São Paulo.

O vídeo abaixo é do show “Dois Amigos, Um Século de Música“:

  

MPB4, ROBERTA SÁ E MARINA DE LA RIVA – “APESAR DE VOCÊ”

Eu já falei sobre o samba protesto “Apesar de Você” aqui no blog, mas, diante dos tempos estranhos que estamos vivendo, acho que vale um repeteco. O texto é do livro “A Canção no Tempo“, dos jornalistas Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano, que me foi presenteado em 1998, pelo amigo Saulo Nunes da Silva:

Na Europa havia mais de um ano, Chico Buarque voltou ao Rio em março de 1970, influenciado por André Midani, diretor de sua gravadora, que lhe assegurava “estar melhorando a situação no Brasil”. Mas, descobrindo ao chegar que, ao contrário, a situação piorara, externou seu desapontamento no samba “Apesar de Você“.

Por incrível que pareça, o desabusado recado à ditadura, propositalmente muito mal disfarçado, passou pela censura e foi lançado por Chico num compacto simples. Resultado: o samba estourou nas rádios e já se aproximava da cifra de cem mil discos vendidos, quando o governo entendeu a mensagem e, imediatamente, proibiu a música, recolheu e destruiu os discos e, para completar, puniu o censor incompetente.

Esqueceu, porém, de destruir a matriz, o que possibilitou a reedição do original, depois que a tempestade passou. Daí em diante e até o final da ditadura, Chico Buarque seria implacavelmente marcado pelos censores, sofrendo suas letras os mais absurdos vetos e rejeições.

A situação chegou a tal ponto que ele teve que se disfarçar sob os pseudônimos de Julinho da Adelaide e Leonel Paiva, para aprovar três composições que incluiria no LP “Sinal Fechado“, em 1974. Descoberta a farsa, a censura criou novas exigências: toda letra apresentada teria que ser acompanhada de cópias da carteira de identidade e do CPF do compositor.

Obs.: Sob o heterônimo Julinho da Adelaide, Chico compôs “Milagre Brasileiro”, “Acorda Amor” e “Jorge Maravilha”. Esta última tinha o verso “você não gosta de mim, mas sua filha gosta”, o que gerou a lenda de que a música tinha sido feita para o general Ernesto Geisel, cuja filha – Amália – tinha se declarado fã de Chico.

No vídeo abaixo, o MPB4 – já com a formação atual, sem os falecidos Magro e Ruy Faria – canta “Apesar de Você“, com a participação luxuosa da Roberta Sá e da Marina de La Riva:

O POETA MORREU EM 1990, MAS AINDA ESTÁ VIVO. CAZUZA FARIA 60 ANOS NESTA QUARTA-FEIRA

A reportagem do Jornal Nacional do dia 07 de julho de 1990, sobre a morte de Cazuza, pode ser vista aqui. Abaixo, parte do texto publicado pelo blog do Mauro Ferreira, no G1:

O tempo não para e, no entanto, Agenor de Miranda Araújo Neto (4 de abril de 1958 – 7 de julho de 1990), o Cazuza, nunca envelhece aos olhos do público. É que Cazuza saiu precocemente de cena, aos 32 anos, deixando cristalizada no universo pop brasileiro uma imagem eternamente jovial, rebelde, de roqueiro indomado pela própria natureza exagerada.

Nesta quarta-feira, 4 de abril de 2018, Cazuza faria 60 anos de vida. É difícil imagina-lo um senhor de idade. Mas o fato é que, se 28 anos após a saída de cena de Cazuza ainda se fala dele e ainda se canta a obra dele, é porque Cazuza foi um senhor compositor, dono de obra que tampouco envelhece.

Discos póstumos hão de pintar por aí, inclusive um com letras inéditas de Cazuza musicadas por nomes como Leoni e Bebel Gilberto, mas o que Cazuza deixou gravado em vida já é suficiente para que o poeta seja admitido no panteão dos grandes compositores da música do Brasil.

Cazuza se projetou no universo do rock dos anos 1980, mas nasceu no berço da MPB, filho de João Araújo (1935 – 2013) – desde os anos 1960 um dos mais importantes executivos da indústria fonográfica do Brasil – e de Lucinha Araújo, a supermãe que se tornou ativista, zelando na Sociedade Viva Cazuza pela saúde e inclusão social de crianças infectadas com o vírus da Aids.

Na alegria ou na tristeza, Cazuza foi fundo. Pode ter pecado por excessos, nunca pela falta, rimando poesia com rebeldia a mil por hora, consciente de que o tempo não para e tampouco espera por alguém. Com lirismo e passionalidade, Cazuza expiou dor de amor e celebrou o prazer do sexo (e da própria vida urbana), mas também tocou nas feridas sociais.

Enfim, é clichê recorrer ao verso-título da canção-tributo de Frejat e Dulce Quental, O poeta está vivo (veja aqui), mas, sim, Cazuza está tão vivo quanto atual no mês em que festejaria 60 anos de vida breve.

No vídeo, Cazuza canta “Faz Parte do Meu Show“, no espetáculo “Uma Prova de Amor“, gravado ao final de 1988.

JOÃO BOSCO E ROBERTA SÁ – “DE FRENTE PRO CRIME”

Dia desses li notícia sobre um estudo realizado por uma entidade internacional, onde se diz que, das 50 cidades mais violentas do planeta, 17 estão aqui no Brasil. O estudo diz, ainda, que as 17 cidades brasileiras são responsáveis por 34% dos homicídios ocorridos nas 50 cidades mais violentas. 

Uma estatística da qual não se pode ter nenhum orgulho. Da mesma forma, não podemos ter orgulho da total indiferença como nós brasileiros estamos encarando a violência nossa de cada dia. O sofrimento alheio já não nos causa indignação e, ao contrário, até nos aborrece. 

Um exemplo? Na semana passada, em uma padaria da cidade, um sujeito reclamava a plenos pulmões da repercussão que se deu ao assassinato da vereadora Marielle Castro. Na opinião dele, o caso de Marielle deveria ser tratado com o mesmo desinteresse dispensado aos outros 160 assassinatos diários que o Brasil registra, em média. 

A bem da verdade, essa indiferença não é de hoje. Há mais de 40 anos,  precisamente em 1975, João Bosco e Aldir Blanc trataram do tema em “De Frente Pro Crime”. A letra da música narra um assassinato visto de uma janela e a indiferença que a tragédia provoca nas pessoas que se aglomeraram em torno do defunto. 

Diz a letra que, ante a aglomeração em torno do corpo estendido no chão, um camelô se aproveita para “vender anel, cordão e perfume barato”, enquanto uma baiana prepara “um bom churrasco de gato”. No final, o próprio narrador, também indiferente, fecha a “janela de frente pro crime” e vai tratar de sua vida.

No vídeo abaixo, João Bosco e Roberta Sá – acompanhados pelo Trio Madeira Brasil – cantam a cada vez mais atual “De Frente Pro Crime”.

 

FERNANDA TAKAI – “RITMO DA CHUVA”

Neta de japoneses (por parte de pai), Fernanda Barbosa Takai nasceu no Amapá mas vive em Belo Horizonte desde os nove anos de idade, o que explica sua discreta alma mineira. Dona de voz suave, a vocalista do Pato Fu iniciou sua carreira musical na banda “Data Vênia” e passou por outras duas bandas de nomes igualmente curiosos: “Fernanda e 3 do Povo” e “Sustados por 1 Gesto”.

No Pato Fu, Fernanda alcançou popularidade como artista, instrumentista e letrista. O sucesso da banda acabou aparecendo no exterior. Além das canções em português, Fernanda grava com frequência canções em inglês e japonês, tendo já cantado também em francês e espanhol com o Pato Fu.

Em 2001, Takai entrou na lista das 10 melhores cantoras do mundo, publicada pela revista Time. Fora da música, ela escreve crônicas para os jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas e, em novembro de 2007, lançou o primeiro livro “Nunca Subestime uma Mulherzinha“, reunindo crônicas e contos publicados nos dois jornais.

Foi também em 2007 que Fernanda, paralelamente ao trabalho com o Pato Fu, gravou seu primeiro disco solo – “Onde Brilhem os Olhos Seus” – todo dedicado ao repertório de Nara Leão, eleito pela Associação Paulista de Críticos de Arte o melhor disco de MPB daquele ano.

Em 2009, Fernanda lançou o DVD “Luz Negra“, um registro ao vivo do show do mesmo nome, onde ela, além do repertório de Nara Leão, interpretou outras canções, como “Ben”, de Michael Jackson e “Ritmo da Chuva”, a música do vídeo abaixo.

“Ritmo da Chuva” é uma versão do Demétrius (Demétrio Zahra Neto) para a música “Rhythm of the Rain”, do grupo The Cascades. Lançada em 1968, a versão de Demétrius se transformou no maior sucesso de sua carreira como cantor e um dos maiores sucessos da Jovem Guarda.

Confiram no vídeo, a delicada releitura de “Ritmo da Chuva”, com a Fernanda Takai. O rapaz de chapéu que a acompanha ao violão é o marido dela, John Ulhôa, também integrante do Pato Fu.

QUEM SABE FAZ A HORA: GERALDO VANDRÉ É APLAUDIDO DE PÉ EM RETORNO AOS PALCOS

Por conta de suas canções nacionalistas, Geraldo Vandré (nome verdadeiro: Geraldo Pedrosa de Araújo Dias) foi um dos alvos preferidos da ditadura militar, mas, ao contrário do que diz a lenda, ele não foi torturado e nem ficou louco. Apenas desapareceu por conta própria e virou um enigma.

Depois do auto exílio em países como Chile e França, onde, em 1970, gravou seu último disco, ele voltou ao Brasil em 1973, mas, dono de temperamento arredio, preferiu permanecer exilado em seu próprio país.

É sintomático que Vandré – um herói da resistência com a marcha “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” – tenha decidido reaparecer em tempos tão estranhos, quando resistir é preciso. E o final do vídeo acima nos mostra que o povo da Paraíba continua resistindo.

A notícia é do portal Parlamento PB:

O cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré foi aplaudido de pé na noite de hoje na Sala de Concertos Maestro José Siqueira na primeira de duas apresentações que marcaram o fim do silêncio de 50 anos fora dos palcos.

O último show do paraibano, considerado hoje “mito da MPB”, aconteceu em dezembro de 1968 – um dia antes da publicação do Ato Institucional nº5 (AI-5), que acabou o exilando no Chile. Advogado, poeta e violonista brasileiro, Vandré é um dos nomes mais célebres da música popular brasileira. Seu sobrenome artístico é uma abreviação do sobrenome do seu pai, o otorrino José Vandregíselo.

Para as duas apresentações (de quinta e sexta) os mil ingressos disponibilizados se esgotarem em cerca de 15 minutos. “O primeiro da fila chegou ainda na madrugada”, ressaltou o secretário de Cultura de João Pessoa(PB), Lau Siquiera. Foram limitadas duas entradas por pessoa, para que o maior número de espectadores possível fosse contemplado.

Em um coletiva de imprensa na quarta-feira (21), Vandré afirmou não ter pretensão de fazer outras apresentações em público, ainda que se fosse um show pago. “Canto aqui porque é a Paraíba”, afirmou o homenageado das duas noites.

GILBERTO GIL, GAL COSTA E NANDO REIS – “LATELY / NADA MAIS”

Neste sábado, 17, Gilberto Gil, Gal Costa e Nando Reis se apresentam em Paris, na sala de espetáculos Seine Musicale, com o show “Trinca de Ases“. Por conta disso, o crítico musical Jacques Denis, do jornal francês Liberation, publicou um artigo com o título “Trinca de ases e luta de classes”.

No artigo, além de elogios ao show, o articulista explica que os três artistas resolveram se juntar em 2016, em comemoração ao centenário de nascimento de Ulysses Guimarães, que liderou a oposição à ditadura militar. O artigo diz, ainda, que o show é também uma reação à crise política que sacode o Brasil, nos dias de hoje.

O jornalista lembra que Gil e Gal participaram do emblemático disco Tropicália, lançado em 1968 com críticas mordazes à burguesia, e ressalta que, 50 anos depois, o movimento tropicalista parece mais atual do que nunca, “neste momento em que um retrocesso ameaça o país desde o golpe institucional que destituiu em 2016 a presidente Dilma Rousseff”.

No vídeo abaixo, porém, o trio canta uma música que nada tem a ver com as mazelas da nossa política. Trata-se de “Lately”, composição de Stevie Wonder que, por aqui, ganhou uma inspirada versão do Ronaldo Bastos – “Nada Mais” – gravada por Gal Costa no disco “Profana“, de 1984.

A voz da diva já não é a mesma dos tempos em que ela duelava com a guitarra de Robertinho do Recife (veja aqui), mas a interpretação de “Nada Mais” é um dos pontos altos do show.

MARIA BETHÂNIA E ADRIANA CALCANHOTO – “DEPOIS DE TER VOCÊ”

Em 2001, numa noite de setembro, um show da Maria Bethânia (“Noite Luzidia”), realizado no Canecão, no Rio de Janeiro, reuniu uma constelação de artistas – formada por estrelas como Adriana Calcanhoto, Ana Carolina, Arnaldo Antunes, Chico Buarque, Edu Lobo, Dori Caymmi, Lenine, Nana Caymmi, Vanessa da Mata e, é claro, Caetano Veloso, entre outros – para comemorar, com ligeiro atraso, os 35 anos de carreira da nossa Abelha Rainha.

Àquela altura, Maria Bethânia, que estreou em 1965 cantando no musical Opinião, já havia completado 36 anos de carreira. O histórico show, recheado de medalhões da MPB, foi filmado, mas, por conta de problemas causados pela falta de ensaios, somente onze anos depois, em 2012, se transformou em DVD.

Um exemplo do improviso que pautou o show aconteceu quando Carlinhos Lyra e  Mariana de Moraes (neta de Vinícius de Moraes) subiram ao palco para cantar com Bethânia a clássica “Primavera”, composição de Lyra e Vinícius. Somente ali no palco, já preparando-se para cantar, eles foram avisados por Bethânia sobre uma alteração no arranjo.

Improvisos à parte, um dos momentos marcantes do show foi o dueto sensual, por assim dizer, de Maria Bethânia com Adriana Calcanhoto em “Depois de Ter Você”, uma composição de Adriana feita especialmente para Bethânia gravar, que, depois, foi regravada pela própria autora com o título de “Cantada”.

Vejam o vídeo até o surpreendente final (será que teve ensaio?) e me digam se a música é mesmo uma “cantada”:

DE JALES, DUO DEMERARA CELEBRA RAÍZES AO SE LANÇAR NO FOLK

Eu já escrevi sobre os meninos do Demerara – o Felipe e o Neto – aqui no blog, há dois anos. Eles são aqui de Jales, filhos de dois casais amigos deste aprendiz de blogueiro. 

O Felipe é filho do Maurício Teté e da Cláudia Guandalini, enquanto o Neto é filho do João Carlos Ferreira e da Elaine Prudente de Morais. Vejam agora o que foi publicado nesta sexta-feira, 09, pelo site “Tenho Mais Discos Que Amigos”, do R7:

Felipe Delatorre e Neto Ferreira saíram de Jales, no Interior de São Paulo, para cursar Letras e História na USP.

Amigos desde o ensino fundamental, se apresentavam em bandas de rock da cidade e agora, após cinco anos na capital, estão buscando novas formas de expressar o seu trabalho autoral.

Para tanto, formaram o duo Demerara e se inspiraram em parcerias que vão desde Simon & Garfunkel até Pena Branca e Xavantinho para fazer unir folk, rock e música popular brasileira caipira.

Ao se apresentarem em shows para divulgar o trabalho, seus sons autorais compartilham espaço com covers, e ao mesmo tempo em que os músicos citam fontes de décadas passadas, também falam sobre como trabalhos novos de nomes como Rodrigo Amarante, Fleet Foxes, Bon Iver e Tiago Iorc os inspiram.

Hoje temos o prazer de promover por aqui o clipe oficial de “Pedra e Papelão”, música que o duo diz ter saído “de uma vez, durante uma mudança de apartamento quando eu estava sentado no meio da sala em meio a várias caixas e refleti sobre os momentos que passei naquele lugar e a falta que me faria”.

Neto ainda completa:

“A música fala de uma mudança de casa, mas também de transformação interna, espiritual e por isso trabalhamos com as cenas da água correndo porque a natureza representa bem a questão dos ciclos. As imagens internas intercaladas com as externas criam um contraste importante que representa o ficar e seguir adiante. O clipe de ‘Pedra e Papelão’ teve a direção da Gabriela Mattos. O resultado final nos deixou muito felizes e esperamos que vocês também fiquem”.

1 2 3 26