MPB4, ROBERTA SÁ E MARINA DE LA RIVA – “APESAR DE VOCÊ”
Eu já falei sobre o samba protesto “Apesar de Você” aqui no blog, mas, diante dos tempos estranhos que estamos vivendo, acho que vale um repeteco. O texto é do livro “A Canção no Tempo“, dos jornalistas Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano, que me foi presenteado em 1998, pelo amigo Saulo Nunes da Silva:
Na Europa havia mais de um ano, Chico Buarque voltou ao Rio em março de 1970, influenciado por André Midani, diretor de sua gravadora, que lhe assegurava “estar melhorando a situação no Brasil”. Mas, descobrindo ao chegar que, ao contrário, a situação piorara, externou seu desapontamento no samba “Apesar de Você“.
Por incrível que pareça, o desabusado recado à ditadura, propositalmente muito mal disfarçado, passou pela censura e foi lançado por Chico num compacto simples. Resultado: o samba estourou nas rádios e já se aproximava da cifra de cem mil discos vendidos, quando o governo entendeu a mensagem e, imediatamente, proibiu a música, recolheu e destruiu os discos e, para completar, puniu o censor incompetente.
Esqueceu, porém, de destruir a matriz, o que possibilitou a reedição do original, depois que a tempestade passou. Daí em diante e até o final da ditadura, Chico Buarque seria implacavelmente marcado pelos censores, sofrendo suas letras os mais absurdos vetos e rejeições.
A situação chegou a tal ponto que ele teve que se disfarçar sob os pseudônimos de Julinho da Adelaide e Leonel Paiva, para aprovar três composições que incluiria no LP “Sinal Fechado“, em 1974. Descoberta a farsa, a censura criou novas exigências: toda letra apresentada teria que ser acompanhada de cópias da carteira de identidade e do CPF do compositor.









